Minha vida na Coréia: mestrado, viagens, enfim, meus pensamentos com muito café e kimchi. ^^
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terça-feira, 19 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Maio, o "mês familiar"
Hoje, 15 de maio, é o dia dos professores por aqui. É uma dada muito mais celebrada por aqui do que o é no Brasil. Hoje é dia de se ver várias pessoas carregando pra lá e pra cá flores e bolos (que são caros por aqui) e outros presentes para oferecerem a seus mestres. Hoje é dia de agradecer o ano de agruras e sofrimentos pelos que os professores fazem os jovens pupilos passar.
O dia 8, o dia dos pais, mas no sentido pais = pai + mãe, quando os filhos dão seus presentinhos aos pais agradecendo a pressão que eles recebem para se matarem de estudar e passar só nas melhores universidades do país...
Além disso, tivemos no dia 5 o dia das crianças (feriado, ou "dia vermelho" como dizem por aqui, por causa da cor desses dias no calendário) onde a família sai para parques com seus filhotes brincando, andando de bicicleta, fazendo piqueniques, etc.
E abrindo o mês, no dia 2, tivemos o Festival das Lanternas comemorando o nascimento do Śākyamuni, Siddhārtha Gautama, o buddha.
Além de ser considerado o mês familiar com dias importantes como o dia das crianças, o dia dos pais e o dia dos professores, é também, juntamente com outubro, um mês muito esperado pelo fato do feriadão que se forma no início do mês e quando a maioria do povo tem um tempinho a mais para relaxar e descansar da correria do dia-a-dia.
Então, feliz dia dos professores!
O dia 8, o dia dos pais, mas no sentido pais = pai + mãe, quando os filhos dão seus presentinhos aos pais agradecendo a pressão que eles recebem para se matarem de estudar e passar só nas melhores universidades do país...
Além disso, tivemos no dia 5 o dia das crianças (feriado, ou "dia vermelho" como dizem por aqui, por causa da cor desses dias no calendário) onde a família sai para parques com seus filhotes brincando, andando de bicicleta, fazendo piqueniques, etc.
E abrindo o mês, no dia 2, tivemos o Festival das Lanternas comemorando o nascimento do Śākyamuni, Siddhārtha Gautama, o buddha.
Além de ser considerado o mês familiar com dias importantes como o dia das crianças, o dia dos pais e o dia dos professores, é também, juntamente com outubro, um mês muito esperado pelo fato do feriadão que se forma no início do mês e quando a maioria do povo tem um tempinho a mais para relaxar e descansar da correria do dia-a-dia.
Então, feliz dia dos professores!
sexta-feira, 6 de março de 2009
Adendo ao post anterior sobre a língua inglesa...
Como eu estava escrevendo este post em um café e a bateria do laptop já estava no osso, além de ter ficado tarde e eu ter que sair para um outro compromisso, acabei terminando o post "Coreanos e a língua inglesa" meio no vapt-vupt.
O negócio que mais me chama a atenção por aqui são dois, na verdade...
1. A dinheirama gasta com o estudo do inglês e o retorno, praticamente nulo.
2. O tempo gasto para atingir a meta de (não) falar inglês.
É incrível o mercado que se construiu por aqui (assim como em outros países asiáticos que não tiveram a "sorte" de serem colonizados pela Inglaterra ou pelos EUA) ao redor da língua inglesa. No Brasil, até onde estou a par, ainda deixa muito a desejar.
Há muuuuitas escolas de reforço escolar (chamados hagwon) com aulas de inglês desde o pré. Há ainda escolas específicas no ensino de línguas (leia-se 90% inglês) em vários pontos das cidades, principalmente em áreas nobres. O ensino em si é em formato de linha de produção, difícil tanto para os professores quanto para os alunos. Aulas começam às 6 da manhã e vão até tarde da noite, muitas vezes até a meia noite ou mais. Muitos professores trabalham um mínimo de 8 horas seguidas sem parar (só nos intervalinhos de 5 a 10 minutos entre as aulas) e muitos alunos também seguem esse ritmo. Ouvi falar de gente que chega a ter mais de 10 horas de aula em um só dia. E isso, do ponto de vista pedagógico é completamente nulo. Onde já se viu forçar um ser humano a prestar atenção em apenas um assunto durante 10 horas por dia, 5, 6 ou até 7 dias por semana? Depois ainda acham estranho que não dá resultado... Fora o dinheiro que é gasto para se torturar os próprios filhos ou a si mesmos, com pouco ou nenhum resultado...
Além de já terem suas aulas na escola, os alunos são matriculados em cursinhos de reforço e de inglês, estudando praticamente 7 dias por semana e chegando a dormir por volta de 4 horas por dia (principalmente durante o ensino médio). Não têm tempo para mais nada além de estudar, e ainda têm de se virar para poder fazer as lições de casa a tempo. Ai se não fizerem.
E assim vai a Coreia caminhando, com um monte de crianças sem infância e um monte de jovens sem emprego, já que o mercado já não dá conta de absorver toda a demanda, o que faz com que as empresas aumentem cada vez mais o nível de seus "vestibulares" e só aceitem gente que fale inglês melhor que um nativo. E aí os poucos que passam ficam contentes com sua vidinha de chegar às 9 e sair sabe-se lá quando (já que, mesmo não tendo o que fazer, não se deve sair antes do chefe; e o chefe, mesmo não tendo o que fazer, não deve sair cedo para mostrar que está trabalhando para seus subalternos), sem ganhar hora extra, e com alguns dias de férias durante o ano, esperando o dia da aposentadoria, se eles não tiverem um ataque cardíaco antes...
O negócio que mais me chama a atenção por aqui são dois, na verdade...
1. A dinheirama gasta com o estudo do inglês e o retorno, praticamente nulo.
2. O tempo gasto para atingir a meta de (não) falar inglês.
É incrível o mercado que se construiu por aqui (assim como em outros países asiáticos que não tiveram a "sorte" de serem colonizados pela Inglaterra ou pelos EUA) ao redor da língua inglesa. No Brasil, até onde estou a par, ainda deixa muito a desejar.
Há muuuuitas escolas de reforço escolar (chamados hagwon) com aulas de inglês desde o pré. Há ainda escolas específicas no ensino de línguas (leia-se 90% inglês) em vários pontos das cidades, principalmente em áreas nobres. O ensino em si é em formato de linha de produção, difícil tanto para os professores quanto para os alunos. Aulas começam às 6 da manhã e vão até tarde da noite, muitas vezes até a meia noite ou mais. Muitos professores trabalham um mínimo de 8 horas seguidas sem parar (só nos intervalinhos de 5 a 10 minutos entre as aulas) e muitos alunos também seguem esse ritmo. Ouvi falar de gente que chega a ter mais de 10 horas de aula em um só dia. E isso, do ponto de vista pedagógico é completamente nulo. Onde já se viu forçar um ser humano a prestar atenção em apenas um assunto durante 10 horas por dia, 5, 6 ou até 7 dias por semana? Depois ainda acham estranho que não dá resultado... Fora o dinheiro que é gasto para se torturar os próprios filhos ou a si mesmos, com pouco ou nenhum resultado...
Além de já terem suas aulas na escola, os alunos são matriculados em cursinhos de reforço e de inglês, estudando praticamente 7 dias por semana e chegando a dormir por volta de 4 horas por dia (principalmente durante o ensino médio). Não têm tempo para mais nada além de estudar, e ainda têm de se virar para poder fazer as lições de casa a tempo. Ai se não fizerem.
E assim vai a Coreia caminhando, com um monte de crianças sem infância e um monte de jovens sem emprego, já que o mercado já não dá conta de absorver toda a demanda, o que faz com que as empresas aumentem cada vez mais o nível de seus "vestibulares" e só aceitem gente que fale inglês melhor que um nativo. E aí os poucos que passam ficam contentes com sua vidinha de chegar às 9 e sair sabe-se lá quando (já que, mesmo não tendo o que fazer, não se deve sair antes do chefe; e o chefe, mesmo não tendo o que fazer, não deve sair cedo para mostrar que está trabalhando para seus subalternos), sem ganhar hora extra, e com alguns dias de férias durante o ano, esperando o dia da aposentadoria, se eles não tiverem um ataque cardíaco antes...
terça-feira, 3 de março de 2009
Músicas coreanas
Aí vão algumas músicas que fizeram sucesso nos anos 2008/2009. Não há quem não as ouviu, tanto porque não há como não as ouvir: tocam em todos os cantos da cidade, em lojas, nos carros, em altofalantes nas ruas, nos ônibus, etc...
A primeira é "So Hot":
Depois, "Tell Me":
E ainda, "Nobody But You":
Todas essas são das "Wonder Girls", ou seja, "Meninas Maravilha"...
Tem a Baek Ji Young cantando 총 맞은 것처럼 (Cheong majeun got cheoreom), "Como se tivessem atirado em mim":
Agora tem a Son Dambi com sua música 미쳤어, ou seja "Enlouquecida":
E o atual sucesso que toca em todos os lugares, "Gee Gee Gee" do grupo "Girls' Generation":
Não precisa nem dizer que as menininhas fazem sucesso por aqui também... Pelo menos elas ainda não tem nome de fruta.
A primeira é "So Hot":
Depois, "Tell Me":
E ainda, "Nobody But You":
Todas essas são das "Wonder Girls", ou seja, "Meninas Maravilha"...
Tem a Baek Ji Young cantando 총 맞은 것처럼 (Cheong majeun got cheoreom), "Como se tivessem atirado em mim":
Agora tem a Son Dambi com sua música 미쳤어, ou seja "Enlouquecida":
E o atual sucesso que toca em todos os lugares, "Gee Gee Gee" do grupo "Girls' Generation":
Não precisa nem dizer que as menininhas fazem sucesso por aqui também... Pelo menos elas ainda não tem nome de fruta.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Coreanos e a língua inglesa
=Exórdio=
Depois de escrever isto aqui (ainda correndo por causa da bateria do laptop estar no osso), descobri que já havia escrito algo parecido em setembro do ano passado. Serve como complemento a este post. Clique aqui.
=========
O mundo hoje em dia só pensa em inglês, inglês e inglês. Todos dizem que é a língua universal, a língua internacional etc e tal.
Mas, pergunto: chega alguém lá no meio da América Latina em geral e vai falar inglês. Quem responde? Praticamente ninguém. Tem gente aí dizendo, quê isso? Magina! Claro que tem um ou outro que vai responder... É. Pode até ser. Mas aí o sujeito tem que ter sorte, já que estatisticamente o resultado é bem próximo a zero. Sei disso, por ter um dia feito uma pesquisa (pessoal) a respeito deste assunto. Fui às ruas de São Paulo próximo a um distrito que se pode chamar de rico (região da Av. Faria Lima), onde se encontram várias empresas, gente engravatada, o Shopping Iguatemi com suas vitrines escritas em inglês ("Sale", "50% off!"...). E comecei a interpelar as pessoas em inglês para ver quem me respondia. Em umas quase quatro horas que fiquei por lá só tive resposta positiva de alguns pouquíssimos gatos pingados, menos de 5 pessoas dentre centenas...
Na Coreia não é diferente. Se alguém chega por aqui falando inglês pode até ser que tenha mais sorte que em nosso Brasil varonil, mas mesmo assim, pouquíssima gente fala inglês. No entanto, todo mundo, isto é, TODO MUNDO estuda inglês. Talvez influência do exército americano que tanto fez para manter os comunistas fora da parte sul da península coreana, tornando possível o milagre econômico que se deu por aqui nos últimos 30 anos. As crianças já nascem escutando inglês no útero das mães, vão à escola onde têm aulas de inglês, vão aos hagwons (escolas particulares de reforço) e estudam mais inglês, vão a escolas especializadas só em inglês e estudam mais um pouco... Quando crescem um pouco mais, os pais os mandam ao exterior (leia-se Estados Unidos) e lá estudam anos e anos e depois que voltam, das duas uma: ou não falam inglês ainda por terem passado muito tempo com coreanos, ou voltam completamente "desadaptados" à vida coreana, sentindo-se peixes fora d'água em seu próprio país.
Tá, mas e daí? E daí que tá pra ter povo mais nacionalista e patriota que os coreanos. Mas isso não num sentido ruim como o nacionalismo nazista ou uma xenofobia gratuita. Isso se deu graças ao sentimento de sobrevivência do povo coreano durante milênios presos em uma pequena península ao lado de dois enormes impérios (China e Rússia) e mais o Japão do outro lado do mar (descontando ainda os Mongóis e outros durante a looonga história do povo coreano). Se não fosse por esse nacionalismo, no sentido de serem um povo, uma nação, os coreanos já teriam sido de há muito absorvidos pelos chineses, russos, chineses e a Coreia, como país, nunca teria existido. No entanto, isso não aconteceu. Eles foram cabeças-duras e teimosos e conseguiram trazer seu país ao ponto que chegou com muita luta e muita briga e muito patriotismo e sentimento de nação.
Agora, depois de tudo isso, eu, como estrangeiro, enxergando a sociedade coreana de um ponto de vista destacado, vejo que tudo isso que eles conseguiram está aos poucos se deteriorando e se perdendo graças à invasão econômico-cultural dos EUA. Não que isso se passe somente aqui, isso está acontecendo em muitos países ao redor do mundo, mas aqui eu sinto isso de uma forma bem mais forte. Até mesmo comparando ao Japão (tudo bem que já são oito anos desde que saí de lá), mas isso não me parecia TÃO forte como o que sinto por aqui. E o ápice dessa perda de dignidade nacional se mostra bem claramente no "desespero mortal" ao qual os coreanos se jogam para aprender o famigerado inglês.
Aqui, sem inglês, não se consegue nada na vida. Qualquer tipo de cargo público passa por uma avaliação de inglês mesmo que o sujeito trabalhe em uma pequena vilazinha no interior do país e nunca vá ver um só "estrangeiro" durante todo o resto de sua vida. Não importa se as notas da faculdade ou do mestrado tenham sido ótimas, se o candidato não tiver um exame de inglês (geralmente o TOEIC) com uma nota ótima. Em não tendo, o currículo é simplesmente jogado no lixo.
O argumento de que lançam mão é o de que ninguém fala coreano e o inglês é importante para se fazer negócios. Então se se desejar um posto em alguma boa empresa, é necessário ter um certificado com altíssimas notas em inglês. (Aí eu me pergunto: quantas pessoas ativamente precisam de usar inglês nessas empresas? É impossível que todo o contingente de empregados devam entrar em contato com compradores estrangeiros...) Isso tudo me é muito estranho e o problema é que ninguém questiona isso. Muitas vezes a pessoa é altamente capaz para desempenhar o trabalho, mas por falta de uma boa nota em inglês esta mesma pessoa é simplesmente ignorada, não podendo ao menos se defender e mostrar do que é capaz.
Isso tudo cria um mercado de exames (o qual é altamente desenvolvido neste país) e escolas preparatórias (têm cursinhos para tudo). Então, o que é que acontece? Eles vão a esses cursinhos para aprender a passar no exame e não para aprender o assunto em questão. Conheci pessoas que tinham notas altíssimas em seus certificados do TOEIC, mas que não eram capazes de se comunicar da forma mais básicas, uma vez que haviam decorado as respostas de todos os exames passados e só preencheram A, B, C, D nos testes, sem ao menos entender o porquê da resposta ser aquela.
Aqui estou enfatizando o inglês, mas, de uma forma geral, as outras coisas são resolvidas de forma semelhante. No entanto, o que me preocupa muito é o gasto de tempo e de dinheiro que os coreanos despendem com o inglês e por tal motivo negligenciam outras coisas mais básicas e de mais valor.
No caso dos coreanos que enviam seus filhos ao exterior, essas crianças crescem em um meio estranho, aprendem muito bem as outras culturas (principalmente a estadunidense) e quando voltam não se adaptam bem à realidade e à cultura coreana, não tendo aprendido sua história, sua geografia, seus modos e costumes. Isso vai completamente de encontro ao que os coreanos vieram lutando durante milênios como uma nação e agora, por causa dessa mudança brusca de foco para o individualismo, o povo coreano parece estar perdendo muito de sua cultura, de sua história, de seu futuro. Eu muitas vezes me sinto triste quando converso com meus amigos e muitos deles ou não dão valor ou não sabem a respeito da cultura ou da história de seu próprio povo. As tradições e até mesmo a própria língua estão se transformando de uma maneira muito rápida, graças ao desdém presente no sistema educacional que só dá valor aos resultados e não ao processo.
Agora chego a um ponto que nos é importante como brasileiros. Nosso país, assim como a Coreia, parece estar passando por um processo semelhante. Principalmente na área da educação. Não digo que estejamos no mesmo pé dos coreanos, mas parece que esta tendência também está mostrando sua carinha por aí também. Às vezes tenho medo do que está por vir e de que o mundo se pasteurize igualando as culturas e o modo de viver dos diferentes povos. No caso do Brasil, parece ser um pouco mais difícil também pelo fato de o nosso país ser maior e de termos uma cultura variada que ainda se mostra mais ativa. No entanto, a questão da educação é o que mais me faz pensar. A difusão do modo "cursinho" de educação, onde já não ensinam mais o aluno a pensar, e sim a resolver questões da FUVEST/UFMG e etcéteras... Na minha época (olha só... já pareço aqueles velhos ranzinzas reclamando das novas gerações) eu me preocupava em entender e aprender o que me era ensinado, pensando e analisando. Hoje se analisa qual a alternativa dá para ser eliminada. Estaremos nós também marchando em direção ao modelo de educação coreana, à memorização, à pasteurização? Não se é de admirar o fato de os resultados das olimpíadas de matemática e similares terem seus melhores resultados vindos daqui do oriente: a memorização é extremamente desenvolvida por aqui, mas o pensamento crítico e lógico, nem tanto. A desumanização do estudo é alta e os resultados são ótimos para estatísticas. No entanto, o ser humano fica devendo um monte para com a sociedade e o fortalecimento de sua própria nação. Exatamente o contrário do que os coreanos vivem pregando no melhor estilo do "faça o que eu digo, não faça o que eu faço".
PS: Por estar eu atualmente imerso na sociedade coreana, gostaria de afirmar que estas são minhas humildes impressões a respeito dos coreanos. No caso do Japão, já saí de lá há muito tempo e muitas impressões se perderam ou se fundiram com minhas novas impressões daqui. Entretanto, me parece que muito do que se aplica por aqui no quesito educção pode também ser aplicado à China e ao Japão também. O que mais me choca mesmo é a perda quase total da cultura coreana em favor à ocidentalização (leia-se americanização). Aqui cultura coreana só se vê em parques de diversão e vilas culturais que tentam recriar essa tradição que a cada dia se torna mais e mais "brega" para os próprios coreanos. É muito estranho isso porque eles sempre dizem que a Coreia é única com sua cultura única e muitos outros blá-blá-blás que quando a gente chega por aqui fica procurando mas não acha... Ai, ai... que pena...
Depois de escrever isto aqui (ainda correndo por causa da bateria do laptop estar no osso), descobri que já havia escrito algo parecido em setembro do ano passado. Serve como complemento a este post. Clique aqui.
=========
O mundo hoje em dia só pensa em inglês, inglês e inglês. Todos dizem que é a língua universal, a língua internacional etc e tal.
Mas, pergunto: chega alguém lá no meio da América Latina em geral e vai falar inglês. Quem responde? Praticamente ninguém. Tem gente aí dizendo, quê isso? Magina! Claro que tem um ou outro que vai responder... É. Pode até ser. Mas aí o sujeito tem que ter sorte, já que estatisticamente o resultado é bem próximo a zero. Sei disso, por ter um dia feito uma pesquisa (pessoal) a respeito deste assunto. Fui às ruas de São Paulo próximo a um distrito que se pode chamar de rico (região da Av. Faria Lima), onde se encontram várias empresas, gente engravatada, o Shopping Iguatemi com suas vitrines escritas em inglês ("Sale", "50% off!"...). E comecei a interpelar as pessoas em inglês para ver quem me respondia. Em umas quase quatro horas que fiquei por lá só tive resposta positiva de alguns pouquíssimos gatos pingados, menos de 5 pessoas dentre centenas...
Na Coreia não é diferente. Se alguém chega por aqui falando inglês pode até ser que tenha mais sorte que em nosso Brasil varonil, mas mesmo assim, pouquíssima gente fala inglês. No entanto, todo mundo, isto é, TODO MUNDO estuda inglês. Talvez influência do exército americano que tanto fez para manter os comunistas fora da parte sul da península coreana, tornando possível o milagre econômico que se deu por aqui nos últimos 30 anos. As crianças já nascem escutando inglês no útero das mães, vão à escola onde têm aulas de inglês, vão aos hagwons (escolas particulares de reforço) e estudam mais inglês, vão a escolas especializadas só em inglês e estudam mais um pouco... Quando crescem um pouco mais, os pais os mandam ao exterior (leia-se Estados Unidos) e lá estudam anos e anos e depois que voltam, das duas uma: ou não falam inglês ainda por terem passado muito tempo com coreanos, ou voltam completamente "desadaptados" à vida coreana, sentindo-se peixes fora d'água em seu próprio país.
Tá, mas e daí? E daí que tá pra ter povo mais nacionalista e patriota que os coreanos. Mas isso não num sentido ruim como o nacionalismo nazista ou uma xenofobia gratuita. Isso se deu graças ao sentimento de sobrevivência do povo coreano durante milênios presos em uma pequena península ao lado de dois enormes impérios (China e Rússia) e mais o Japão do outro lado do mar (descontando ainda os Mongóis e outros durante a looonga história do povo coreano). Se não fosse por esse nacionalismo, no sentido de serem um povo, uma nação, os coreanos já teriam sido de há muito absorvidos pelos chineses, russos, chineses e a Coreia, como país, nunca teria existido. No entanto, isso não aconteceu. Eles foram cabeças-duras e teimosos e conseguiram trazer seu país ao ponto que chegou com muita luta e muita briga e muito patriotismo e sentimento de nação.
Agora, depois de tudo isso, eu, como estrangeiro, enxergando a sociedade coreana de um ponto de vista destacado, vejo que tudo isso que eles conseguiram está aos poucos se deteriorando e se perdendo graças à invasão econômico-cultural dos EUA. Não que isso se passe somente aqui, isso está acontecendo em muitos países ao redor do mundo, mas aqui eu sinto isso de uma forma bem mais forte. Até mesmo comparando ao Japão (tudo bem que já são oito anos desde que saí de lá), mas isso não me parecia TÃO forte como o que sinto por aqui. E o ápice dessa perda de dignidade nacional se mostra bem claramente no "desespero mortal" ao qual os coreanos se jogam para aprender o famigerado inglês.
Aqui, sem inglês, não se consegue nada na vida. Qualquer tipo de cargo público passa por uma avaliação de inglês mesmo que o sujeito trabalhe em uma pequena vilazinha no interior do país e nunca vá ver um só "estrangeiro" durante todo o resto de sua vida. Não importa se as notas da faculdade ou do mestrado tenham sido ótimas, se o candidato não tiver um exame de inglês (geralmente o TOEIC) com uma nota ótima. Em não tendo, o currículo é simplesmente jogado no lixo.
O argumento de que lançam mão é o de que ninguém fala coreano e o inglês é importante para se fazer negócios. Então se se desejar um posto em alguma boa empresa, é necessário ter um certificado com altíssimas notas em inglês. (Aí eu me pergunto: quantas pessoas ativamente precisam de usar inglês nessas empresas? É impossível que todo o contingente de empregados devam entrar em contato com compradores estrangeiros...) Isso tudo me é muito estranho e o problema é que ninguém questiona isso. Muitas vezes a pessoa é altamente capaz para desempenhar o trabalho, mas por falta de uma boa nota em inglês esta mesma pessoa é simplesmente ignorada, não podendo ao menos se defender e mostrar do que é capaz.
Isso tudo cria um mercado de exames (o qual é altamente desenvolvido neste país) e escolas preparatórias (têm cursinhos para tudo). Então, o que é que acontece? Eles vão a esses cursinhos para aprender a passar no exame e não para aprender o assunto em questão. Conheci pessoas que tinham notas altíssimas em seus certificados do TOEIC, mas que não eram capazes de se comunicar da forma mais básicas, uma vez que haviam decorado as respostas de todos os exames passados e só preencheram A, B, C, D nos testes, sem ao menos entender o porquê da resposta ser aquela.
Aqui estou enfatizando o inglês, mas, de uma forma geral, as outras coisas são resolvidas de forma semelhante. No entanto, o que me preocupa muito é o gasto de tempo e de dinheiro que os coreanos despendem com o inglês e por tal motivo negligenciam outras coisas mais básicas e de mais valor.
No caso dos coreanos que enviam seus filhos ao exterior, essas crianças crescem em um meio estranho, aprendem muito bem as outras culturas (principalmente a estadunidense) e quando voltam não se adaptam bem à realidade e à cultura coreana, não tendo aprendido sua história, sua geografia, seus modos e costumes. Isso vai completamente de encontro ao que os coreanos vieram lutando durante milênios como uma nação e agora, por causa dessa mudança brusca de foco para o individualismo, o povo coreano parece estar perdendo muito de sua cultura, de sua história, de seu futuro. Eu muitas vezes me sinto triste quando converso com meus amigos e muitos deles ou não dão valor ou não sabem a respeito da cultura ou da história de seu próprio povo. As tradições e até mesmo a própria língua estão se transformando de uma maneira muito rápida, graças ao desdém presente no sistema educacional que só dá valor aos resultados e não ao processo.
Agora chego a um ponto que nos é importante como brasileiros. Nosso país, assim como a Coreia, parece estar passando por um processo semelhante. Principalmente na área da educação. Não digo que estejamos no mesmo pé dos coreanos, mas parece que esta tendência também está mostrando sua carinha por aí também. Às vezes tenho medo do que está por vir e de que o mundo se pasteurize igualando as culturas e o modo de viver dos diferentes povos. No caso do Brasil, parece ser um pouco mais difícil também pelo fato de o nosso país ser maior e de termos uma cultura variada que ainda se mostra mais ativa. No entanto, a questão da educação é o que mais me faz pensar. A difusão do modo "cursinho" de educação, onde já não ensinam mais o aluno a pensar, e sim a resolver questões da FUVEST/UFMG e etcéteras... Na minha época (olha só... já pareço aqueles velhos ranzinzas reclamando das novas gerações) eu me preocupava em entender e aprender o que me era ensinado, pensando e analisando. Hoje se analisa qual a alternativa dá para ser eliminada. Estaremos nós também marchando em direção ao modelo de educação coreana, à memorização, à pasteurização? Não se é de admirar o fato de os resultados das olimpíadas de matemática e similares terem seus melhores resultados vindos daqui do oriente: a memorização é extremamente desenvolvida por aqui, mas o pensamento crítico e lógico, nem tanto. A desumanização do estudo é alta e os resultados são ótimos para estatísticas. No entanto, o ser humano fica devendo um monte para com a sociedade e o fortalecimento de sua própria nação. Exatamente o contrário do que os coreanos vivem pregando no melhor estilo do "faça o que eu digo, não faça o que eu faço".
PS: Por estar eu atualmente imerso na sociedade coreana, gostaria de afirmar que estas são minhas humildes impressões a respeito dos coreanos. No caso do Japão, já saí de lá há muito tempo e muitas impressões se perderam ou se fundiram com minhas novas impressões daqui. Entretanto, me parece que muito do que se aplica por aqui no quesito educção pode também ser aplicado à China e ao Japão também. O que mais me choca mesmo é a perda quase total da cultura coreana em favor à ocidentalização (leia-se americanização). Aqui cultura coreana só se vê em parques de diversão e vilas culturais que tentam recriar essa tradição que a cada dia se torna mais e mais "brega" para os próprios coreanos. É muito estranho isso porque eles sempre dizem que a Coreia é única com sua cultura única e muitos outros blá-blá-blás que quando a gente chega por aqui fica procurando mas não acha... Ai, ai... que pena...
Bem, até que às vezes é fácil mesmo...
Oi, gente!
Olha só! Dois posts no mesmo dia! (Cuidado que vai chover!)
Bem, estou agora escrevendo-vos de um café na região do Dongdaemun (동대문/東大門), região famosa em toda a Coréia por seus estabelecimentos comerciais. Na verdade, o nome Dongdaemun significa ao pé da letra "Grande Portão do Leste", e fica justamente ao lado de tal portão que ainda sobrevive às intempéries do tempo e da história. O portão em si era literalmente a porta de entrada aos reles plebeus que queriam vir à capital do reino coreano de antanho e, por ser uma região de alta concentração de pessoas passantes e ficantes, era justamente onde os viajantes traziam suas mercadorias do interior para comercializar com os moradores da capital. A capital ficava encerrada dentro de grandes muralhas que protegiam os palácios e seus nobres moradores. Seul naquela época possuía (ainda tem acento neste caso???) três grandes portões: o do Leste (aqui), o do Sul (perto de outro grande e tradicional mercado) e o do Oeste. O do Norte existia, mas ficava no topo de uma grande montanha ao norte do palácio do Rei e, por ser de difícil acesso, só era usado basicamente pelos militares que protegiam os limites da cidade. Além desses, havia ainda outros menores, sem a denominação "Grande" que eram posicionados em pontos colaterais como Nordeste, Sudeste, Sudoeste e Noroeste, mas por serem de menor importância, não sobreviveram à voracidade do crescimento urbano (e também voracidade dos colonizadores japoneses) dado durante o século XX.
A propósito, falando sobre o nome do Portão, seu nome oficial não é Dongdaemun (apesar de ser este o mais reconhecido e usado por todos); o nome oficial é 興仁之門 (흥인지문/Heung-in-ji-mun), ou seja, o Portão da Benevolência Ascendente. E, ainda, falando de nomes, sabiam que Seul, o nome da cidade capital da República da Coréia, significa nada mais nada menos do que... "Capital"? É o nome menos criativo para se dar a uma capital, na minha opinião. No entanto, por seu uso como nome próprio, a palavra 서울 (Seoul) tem perdido seu valor de capital, já sendo estranho se dizemos que a "seoul" do Brasil é Brasília, algo que até algumas décadas atrás teria sido extremamente natural. Hoje em dia se usa a palavra chinesa 수도 (首都/Sudo) como o substantivo comum "capital". Antigamente, no entanto, Seul já teve vários outros nomes que são utililzados às vezes como nomes de universidades, restaurantes... coisas do gênero. Outra curiosidade é que Seul é um dos pouquíssimos nomes geográficos da Coréia que não têm origem chinesa: a grande maioria das cidades, bairros, vilas e etcéteras têm seu nome originado em caracteres chineses, mas Seul não; Seul é uma palavra considerada 100% coreana. O último nome usado por Seul com base em caracteres chineses foi 경성 (京城/Gyeongseong - literalmente significando "Cidade Capital", mas cidade no sentido antigo de castelos fortificados protegidos por muros junto com a população que vive dentro dos limites das muralhas) até o período da ocupação japonesa. Antes disso, durante a dinastia Joseon, era usado o nome 한양 (漢陽/Hanyang - essa é um pouco difícil de traduzir dada a infinidade de significados de cada caracter que forma o nome da cidade: han pode significar um tipo de água (hansu) e é também o nome do rio que banha a cidade (rio Han) o que torna este o significado mais apropriado em minha humilde opinião; yang, por sua vez, pode significar o sol, os raios solares, a força positiva do sol que fertiliza a terra e consequentemente a força Yang (aquela do Yin/Yang), sendo talvez, portanto, o "Brilho do rio Han"). Outro nome foi 한성 (漢城/Hanseong - de novo o caracter Han, desta vez acompanhado por Seong, cidade, portanto: a "Cidade do rio Han"). Este é o nome que ainda é usado tradicionalmente pelos chineses, mas aí entra um problema que 한/漢 é também o caracter de uma dinastia chinesa que foi o embrião da china moderna e que também nomeia a etnia Han chinesa que é a parte dominante do povo chinês, constituindo 92% da população chinesa com 1.2 bilhão de pessoas. Aí eu digo: e os coreanos gostam de ter sua capital com um nome que lembra tanto a China para os próprios chineses? Claro que não. E aí, o que fizeram? Mandaram os chineses mudarem a forma como se dirigem à capital coreana, mudaram a língua chinesa, dizendo-lhes para chamarem a capital coreana de 首爾/首而(Shǒuèr) que lembra o som "Seoul" e usa um caracter que pode significar capital/principal (mas significa de verdade "pescoço"). Apesar de ter tido outros nomes, estes foram os mais importantes. E que bagunça, né? No final, acho que eles se cansaram de tantos nomes e falaram, a capital vai ser "Capital" e acabou!
Qualquer coisa, tem a Wikipédia. Basta dar uma olhada por lá.
Olha só! Dois posts no mesmo dia! (Cuidado que vai chover!)
Bem, estou agora escrevendo-vos de um café na região do Dongdaemun (동대문/東大門), região famosa em toda a Coréia por seus estabelecimentos comerciais. Na verdade, o nome Dongdaemun significa ao pé da letra "Grande Portão do Leste", e fica justamente ao lado de tal portão que ainda sobrevive às intempéries do tempo e da história. O portão em si era literalmente a porta de entrada aos reles plebeus que queriam vir à capital do reino coreano de antanho e, por ser uma região de alta concentração de pessoas passantes e ficantes, era justamente onde os viajantes traziam suas mercadorias do interior para comercializar com os moradores da capital. A capital ficava encerrada dentro de grandes muralhas que protegiam os palácios e seus nobres moradores. Seul naquela época possuía (ainda tem acento neste caso???) três grandes portões: o do Leste (aqui), o do Sul (perto de outro grande e tradicional mercado) e o do Oeste. O do Norte existia, mas ficava no topo de uma grande montanha ao norte do palácio do Rei e, por ser de difícil acesso, só era usado basicamente pelos militares que protegiam os limites da cidade. Além desses, havia ainda outros menores, sem a denominação "Grande" que eram posicionados em pontos colaterais como Nordeste, Sudeste, Sudoeste e Noroeste, mas por serem de menor importância, não sobreviveram à voracidade do crescimento urbano (e também voracidade dos colonizadores japoneses) dado durante o século XX.
A propósito, falando sobre o nome do Portão, seu nome oficial não é Dongdaemun (apesar de ser este o mais reconhecido e usado por todos); o nome oficial é 興仁之門 (흥인지문/Heung-in-ji-mun), ou seja, o Portão da Benevolência Ascendente. E, ainda, falando de nomes, sabiam que Seul, o nome da cidade capital da República da Coréia, significa nada mais nada menos do que... "Capital"? É o nome menos criativo para se dar a uma capital, na minha opinião. No entanto, por seu uso como nome próprio, a palavra 서울 (Seoul) tem perdido seu valor de capital, já sendo estranho se dizemos que a "seoul" do Brasil é Brasília, algo que até algumas décadas atrás teria sido extremamente natural. Hoje em dia se usa a palavra chinesa 수도 (首都/Sudo) como o substantivo comum "capital". Antigamente, no entanto, Seul já teve vários outros nomes que são utililzados às vezes como nomes de universidades, restaurantes... coisas do gênero. Outra curiosidade é que Seul é um dos pouquíssimos nomes geográficos da Coréia que não têm origem chinesa: a grande maioria das cidades, bairros, vilas e etcéteras têm seu nome originado em caracteres chineses, mas Seul não; Seul é uma palavra considerada 100% coreana. O último nome usado por Seul com base em caracteres chineses foi 경성 (京城/Gyeongseong - literalmente significando "Cidade Capital", mas cidade no sentido antigo de castelos fortificados protegidos por muros junto com a população que vive dentro dos limites das muralhas) até o período da ocupação japonesa. Antes disso, durante a dinastia Joseon, era usado o nome 한양 (漢陽/Hanyang - essa é um pouco difícil de traduzir dada a infinidade de significados de cada caracter que forma o nome da cidade: han pode significar um tipo de água (hansu) e é também o nome do rio que banha a cidade (rio Han) o que torna este o significado mais apropriado em minha humilde opinião; yang, por sua vez, pode significar o sol, os raios solares, a força positiva do sol que fertiliza a terra e consequentemente a força Yang (aquela do Yin/Yang), sendo talvez, portanto, o "Brilho do rio Han"). Outro nome foi 한성 (漢城/Hanseong - de novo o caracter Han, desta vez acompanhado por Seong, cidade, portanto: a "Cidade do rio Han"). Este é o nome que ainda é usado tradicionalmente pelos chineses, mas aí entra um problema que 한/漢 é também o caracter de uma dinastia chinesa que foi o embrião da china moderna e que também nomeia a etnia Han chinesa que é a parte dominante do povo chinês, constituindo 92% da população chinesa com 1.2 bilhão de pessoas. Aí eu digo: e os coreanos gostam de ter sua capital com um nome que lembra tanto a China para os próprios chineses? Claro que não. E aí, o que fizeram? Mandaram os chineses mudarem a forma como se dirigem à capital coreana, mudaram a língua chinesa, dizendo-lhes para chamarem a capital coreana de 首爾/首而(Shǒuèr) que lembra o som "Seoul" e usa um caracter que pode significar capital/principal (mas significa de verdade "pescoço"). Apesar de ter tido outros nomes, estes foram os mais importantes. E que bagunça, né? No final, acho que eles se cansaram de tantos nomes e falaram, a capital vai ser "Capital" e acabou!
Qualquer coisa, tem a Wikipédia. Basta dar uma olhada por lá.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Feliz ano do touro!
Segunda-feira passada foi ano novo de novo por aqui.
De novo, porque aqui na Coreia eles usam dois calendários: o nosso velho conhecido calendário gregoriano e, lado a lado a este, o calendário lunar chinês. Este último, por ser lunar, nunca bate com o gregoriano, que é solar. Cada ano que passa, as datas caem em dias diferentes e o aniversário dos mais velhos também. Os mais jovens por aqui preferem seguir seus aniversários pelo calendário gregoriano mesmo pra evitar essas confusões.
Como de praxe, não fiz muita coisa além de ficar em casa estudando e estudando, mesmo sendo um feriado prolongado de quatro dias... E mesmo com tudo isso, ainda não consegui fazer a metade do que tinha pra fazer... Ai, ai, ai...
A maioria dos coreanos, nesse feriadão do ano novo lunar, costuma voltar à região da família paterna em todos os cantos da Coreia. Lá ficam comendo e bebendo e aproveitando, se são homens, ou cozinhando e se matando de trabalhos domésticos, se são mulheres.
No dia do ano novo, a família se reune e faz uma homenagem aos antepassados oferecendo uma mesa farta de frutas, comidas e bebidas. Todos fazem reverência em homenagem à memória dos que já se foram e, logo depois, os mais jovens fazem o mesmo aos mais velhos, reverenciando-os e desejando-lhes boa saúde, ao que são retribuidos com boas somas em dinheiro em gratidão. Não preciso dizer que é a alegria da gurizada! Saem com seus bosinhos cheios de dinheiro (o qual, normalmente, as mães vem depois pegar e dizer que eles não podem gastar tudo aquilo...). Depois da reverenciaiada, passam a comer aquilo tudo que estava na mesa e fazem a festa entre todos.
E aí se vai mais um ano e chega mais um ano...
Como a maioria da população de Seul não é de Seul, os engarrafamentos são monstruosos... É um vai-e-vem enorme de carros pelas rodovias. Em compensação, a cidade fica relativamente vazia. Eu me lembrei de São Paulo durante um jogo da seleção na copa do mundo... Uma pessoa aqui, outra ali, um carro aqui, outro ali, mas aquela loucura do dia-a-dia não existe. Pelo menos, foi bem relaxante pra quem ficou.
Enfim, vamos em frente que atrás vem gente! Mais um ano que começa de novo e um monte de coisas novas e atrasadas pra fazer.
Feliz ano do touro (ou da vaca, ou do boi... já que é tudo a mesma coisa em coreano...)!
Abraços.
De novo, porque aqui na Coreia eles usam dois calendários: o nosso velho conhecido calendário gregoriano e, lado a lado a este, o calendário lunar chinês. Este último, por ser lunar, nunca bate com o gregoriano, que é solar. Cada ano que passa, as datas caem em dias diferentes e o aniversário dos mais velhos também. Os mais jovens por aqui preferem seguir seus aniversários pelo calendário gregoriano mesmo pra evitar essas confusões.
Como de praxe, não fiz muita coisa além de ficar em casa estudando e estudando, mesmo sendo um feriado prolongado de quatro dias... E mesmo com tudo isso, ainda não consegui fazer a metade do que tinha pra fazer... Ai, ai, ai...
A maioria dos coreanos, nesse feriadão do ano novo lunar, costuma voltar à região da família paterna em todos os cantos da Coreia. Lá ficam comendo e bebendo e aproveitando, se são homens, ou cozinhando e se matando de trabalhos domésticos, se são mulheres.
No dia do ano novo, a família se reune e faz uma homenagem aos antepassados oferecendo uma mesa farta de frutas, comidas e bebidas. Todos fazem reverência em homenagem à memória dos que já se foram e, logo depois, os mais jovens fazem o mesmo aos mais velhos, reverenciando-os e desejando-lhes boa saúde, ao que são retribuidos com boas somas em dinheiro em gratidão. Não preciso dizer que é a alegria da gurizada! Saem com seus bosinhos cheios de dinheiro (o qual, normalmente, as mães vem depois pegar e dizer que eles não podem gastar tudo aquilo...). Depois da reverenciaiada, passam a comer aquilo tudo que estava na mesa e fazem a festa entre todos.
E aí se vai mais um ano e chega mais um ano...
Como a maioria da população de Seul não é de Seul, os engarrafamentos são monstruosos... É um vai-e-vem enorme de carros pelas rodovias. Em compensação, a cidade fica relativamente vazia. Eu me lembrei de São Paulo durante um jogo da seleção na copa do mundo... Uma pessoa aqui, outra ali, um carro aqui, outro ali, mas aquela loucura do dia-a-dia não existe. Pelo menos, foi bem relaxante pra quem ficou.
Enfim, vamos em frente que atrás vem gente! Mais um ano que começa de novo e um monte de coisas novas e atrasadas pra fazer.
Feliz ano do touro (ou da vaca, ou do boi... já que é tudo a mesma coisa em coreano...)!
Abraços.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Só pra constar...
Quando escrevi aquele post sobre a China e uma pequena comparação com nosso Brasil Varonil, teve gente que disse que não dá pra comparar, que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa... Pois é. É de certa forma verdade.
Não tem como dizer que não vivemos em um país democrático, que nossos governantes são escolhidos democraticamente pelo povo, que a economia vai indo de vento em popa, que estamos entre o seletíssimo grupo das quinze maiores economias do planeta, etc.
Também não dá pra negar a falta de liberdade do povo chinês na maior parte de suas vidas. Não se pode migrar do campo para a cidade sem prévia autorização do governo (leia-se do PCC, que não é o Primeiro Comando da Capital não, tá?); a falta de liberdade de escolher quantos filhos ter, tendo o casal a única opção de "ter" ou "não ter" um filho; ter que se submeter ao modo socialista de viver; além de conviver com a pena capital aguardando pelos criminosos.
Bem, o que eu queria mostrar com meu humilde post era apenas o fato de que o Brasil ainda tem muuuuita coisa pra mudar. E tudo pode ser conseguido com apenas a conscientização do povo. O nosso povo brasileiro não pensa (muito) nas coisas erradas porque, primeiro, não tem educação (no sentido de estudo), não tem idéia do que é a política, não dá valor ao voto democrático, e, por último, não quer saber dessas coisas complicadas já que tem muito o que fazer (trabalhar) e pensar (futebol).
Este nosso povo é filho de uma colônia explorada até as últimas gotas por potências exteriores, acostumada à divisão de classes desde cedo (Europeus X Negros/Índios), nascida e criada em "mini-reinos" governados pelos Coronéis e seus capangas... Esta nossa geração (incluo-me aqui), além de tudo isso, ainda é filha da época da ditadura, uma época em que se tinha medo de pensar, de ser contra o sistema, de extravasar qualquer emoção política em público. Ainda vivemos sob leis criadas para cercear os (poucos) direitos do cidadão, só dando a eles a opção do pão e circo.
Senti muito isso morando aqui na Coréia, que de uma forma ou de outra, é bem parecida com o nosso Gigante-deitado-eternamente-em-berço-esplêndido. O povo coreano passou também uma boa parte de sua vida vassalo da China, em guerra com o Japão, e, mais recentemente, subordinada ao jugo japonês durante décadas antes que o país fosse invadido pelas duas grandes forças mundiais no pós-guerra, os soviéticos ao norte e os americanos ao sul, o que rendeu a divisão do país a qual continua até hoje. Logo após a democratização da Coréia do Sul, o país se viu jogado em uma época de ditadura (meio no estilo Getúlio Vargas) e, logo depois, pelos militares.
Todo esse pano de fundo deu um resultado meio parecido ao pensamento do povo brasileiro.
Para o coreano, não há país melhor que a Coréia, não há comida melhor que a coreana, não há montes e mares mais belos que os deles... Parece com alguém que vocês conhecem?
No entanto, o ponto de ruptura entre as duas nações se deu há cerca de uns quarenta anos, quando o governo decidiu investir. Não vou dizer, como muitos dizem, que o que mudou a Coréia foi a educação. Isso porque a educação na Coréia sempre, desde o primórdios do princípio, por influência da China e de suas doutrinas (como o Budismo e, mais tarde, o Confucionismo), sempre havia sido de extrema importância. Além disso, logo após a abertura e a ocidentalização da Coréia no finzinho do séc. XIX e começo do séc. XX, os americanos chegaram aqui ávidos por um país à espera de evangelização, o que trouxe o protestantismo e universidades (no estilo ocidental) para o país. É claro que houve investimento na área de educação, mas creio eu de uma forma um pouco menos direta do que o é dito a torto e a direito por aí. (Corrijam-me se estiver equivocado.) A "tara" do povo coreano de dar estudo aos filhos somente se alastrou às classes mais baixas que eram proibidas de fazê-lo por questões financeiras e sociais (a não ser que mandassem o filho estudar nos templos). A partir dos anos 60, o governo injetou grana pesada é na indústria coreana que precisava crescer a todo custo e exportar para gerar divisas e tirar o pobre país agrícola do úmido campo de arroz. Foi aí que nasceram os grandes conglomerados coreanos como Hyundae, Samsung e LG, só pra citar uns poucos e mais conhecidos no Brasil. Com o aumento de trabalho, veio o aumento de dinheiro, com o aumento de dinheiro e com setores especializados, veio a demanda de educação, com a demanda de educação, veio uma geração mais preparada, com essa geração mais preparada, veio mais forças para as grandes empresas, e assim vem sendo, uma bola de neve.
O problema é que aqui também tem problema de educação. Ao ver os números brutos e descontextualizados, parece que "tudo vai bem no Reino da Dinamarca", mas algo está podre. Ao meu ver, convivendo com os coreanos que pululam aqui e ali neste país, percebo que o esforço para o estudo é muito grande, mas o resultado é relativamente pífio. O coreano médio não quer saber muito mais do que um brasileiro médio (de nível universitário). As pretensões são as mesmas de se conseguir um bom emprego em uma grande empresa, entrar às 9, sair às 5 (com sorte), emprestar dinheiro pra comprar casa, pagar durante 20 anos, ter filhos, botá-los na escola até a faculdade, e depois morrer (já que não dá muito tempo pra aposentar).
Os coreanos praticamente vivem na escola, principalmente na época do segundo grau (sempre esqueço o nome novo que deram... ensino médio?). Saem de casa às 6, vão pra escola o dia inteiro, depois da aula mais ou menos às 5, vão estudar na escola mesmo, por algumas (boas) horas e depois, vão pra casa?, não!, vão pro cursinho estudar de novo até a meia-noite ou uma da manhã, pra no dia seguinte fazer a mesma coisa (principalmente no terceiro ano do ensino médio).
E estudam o quê? - pergunto eu. Estudam, ou melhor, memorizam questões de vestibular.
A vida dos estudantes coreanos se resume a decorar questões de vestibular... Claro que há exceções, mas na maioria dos casos, as escolas só ensinam e os pais só enfatizam o fato de o "ser" ser capaz de passar na prova do vestibular! Isso já estava acontecendo no Brasil quando saí com as "escolas" do Objetivo, do Anglo, etc, que moldam seus currículos baseados no vestibular. Eu acho isso um impropério! Coitado do jovem, que é uma esponja, é capaz de aprender qualquer coisa, só é ensinado a resolver questões prontas que se repetem de ano a ano! Ao invés de ensinar o sujeito a base e dar todo o conhecimento necessário o qual por meio de raciocínio lógico e bom senso vão guiá-lo para o resto de sua vida, as escolas só ensinam os coitados a resolver problemas. O que acontece? Viram robozinhos! É o que mais vejo por aqui... A maioria dos coreanos, não sabe de nada, só do que decoraram para resolver os problemas que aparecem na vida. A meu ver, eles não tem preparação alguma a não ser o fato de serem aptos a decorar o manual de instruções que vai salvar a pele do sujeito para aquela ocasião. Quando não precisar mais, é só apertar "delete"; se precisar de novo, é só decorar. Acho que é por isso que coreano gosta tanto de computador. É exatamente o que eles são: encheu o disco rígido? formata! precisa de mais programas? dá um download!
Pois é, tudo isso só pra chegar no ponto central.
Será que nosso mundo tem jeito? O Brasil tá assim, a Coréia tá assado, a China tá daquele jeito, o Reino de Nosso Senhor GW Bush está de mal a pior...
E muita coisa, por estarmos muito acostumados, não conseguimos ver. Se tudo está errado, o que está certo parece errado. Acostumamo-nos a ver sempre a mesma coisa, sempre a mesma pasmaceira, e se alguém sai desses trilhos, essa pessoa é estranha, é errada. Para que mudar? Para que se dar ao trabalho de mudar?
No entanto, meus amigos, quando temos a oportunidade de um campo neutro, de um distanciamento que nos dá a possibilidade (não que todos façam isso) de observar com outros olhos e com novos parâmetros, muita coisa deveria e poderia ser mudada. Não obstante, isso não é fácil pela mentalidade do gado que vai sendo tocado ao som do berrante de 508 anos de servidão.
Há um (bom) certo tempo atrás, estava eu em Pouso Alegre, a cidade que abraça o futuro, e matava meu tempo lendo um jornal na praça pública do centro da cidade à frente da catedral. Quando menos esperava, uma senhora se aproximou e disse, na mais pura boa-vontade: "Bom dia, moço!" - ao que lhe respondi - "Bom dia." Continuou ela então: "Não lê muito não, que faz mal pras vistas, viu? Bom dia." E assim foi. Isso ficou marcado como uma facada em meu peito, sensação que não esqueço até hoje. Enquanto o povo for avesso à educação, à informação, ao pensamento crítico, à expressão de suas opiniões, aos debates, etc, nosso país e nosso povo nunca sairá da lama em que reclama estar por tantos e tantos séculos. Pensei em perguntar-lhe se muita TV também não faria mal às vistas, mas contive-me e decidi não prolongar a conversa. Também não me faria entender.
Isso é algo que sempre ouvi desde molecote (que palavrinha besta, né?). "Não deixe esse menino ler/estudar tanto assim que ele fica louco!" Muita gente dizia isso a meus pais e eu me lembro como se fora ontem.
No entanto, de uma forma ou de outra, acho que eles tinham uma pontinha de razão... Se eu tivesse seguido seus conselhos, hoje estaria feliz no meu cantinho assistindo Domingão do Faustão/Domingo Legal deitado no sofá da sala...
Um abraço com certa indignação...
Juliano
PS: Quanto ao fato de vivermos em um país democrático de livre expressão e sem censura, favor ler o seguinte post do blog "A Nova Corja": http://www.novacorja.org/?p=4238.
Obrigado pela atenção.
PPS: E eu ainda tenho que estudar pro meu exame... Ai, ai...
Não tem como dizer que não vivemos em um país democrático, que nossos governantes são escolhidos democraticamente pelo povo, que a economia vai indo de vento em popa, que estamos entre o seletíssimo grupo das quinze maiores economias do planeta, etc.
Também não dá pra negar a falta de liberdade do povo chinês na maior parte de suas vidas. Não se pode migrar do campo para a cidade sem prévia autorização do governo (leia-se do PCC, que não é o Primeiro Comando da Capital não, tá?); a falta de liberdade de escolher quantos filhos ter, tendo o casal a única opção de "ter" ou "não ter" um filho; ter que se submeter ao modo socialista de viver; além de conviver com a pena capital aguardando pelos criminosos.
Bem, o que eu queria mostrar com meu humilde post era apenas o fato de que o Brasil ainda tem muuuuita coisa pra mudar. E tudo pode ser conseguido com apenas a conscientização do povo. O nosso povo brasileiro não pensa (muito) nas coisas erradas porque, primeiro, não tem educação (no sentido de estudo), não tem idéia do que é a política, não dá valor ao voto democrático, e, por último, não quer saber dessas coisas complicadas já que tem muito o que fazer (trabalhar) e pensar (futebol).
Este nosso povo é filho de uma colônia explorada até as últimas gotas por potências exteriores, acostumada à divisão de classes desde cedo (Europeus X Negros/Índios), nascida e criada em "mini-reinos" governados pelos Coronéis e seus capangas... Esta nossa geração (incluo-me aqui), além de tudo isso, ainda é filha da época da ditadura, uma época em que se tinha medo de pensar, de ser contra o sistema, de extravasar qualquer emoção política em público. Ainda vivemos sob leis criadas para cercear os (poucos) direitos do cidadão, só dando a eles a opção do pão e circo.
Senti muito isso morando aqui na Coréia, que de uma forma ou de outra, é bem parecida com o nosso Gigante-deitado-eternamente-em-berço-esplêndido. O povo coreano passou também uma boa parte de sua vida vassalo da China, em guerra com o Japão, e, mais recentemente, subordinada ao jugo japonês durante décadas antes que o país fosse invadido pelas duas grandes forças mundiais no pós-guerra, os soviéticos ao norte e os americanos ao sul, o que rendeu a divisão do país a qual continua até hoje. Logo após a democratização da Coréia do Sul, o país se viu jogado em uma época de ditadura (meio no estilo Getúlio Vargas) e, logo depois, pelos militares.
Todo esse pano de fundo deu um resultado meio parecido ao pensamento do povo brasileiro.
Para o coreano, não há país melhor que a Coréia, não há comida melhor que a coreana, não há montes e mares mais belos que os deles... Parece com alguém que vocês conhecem?
No entanto, o ponto de ruptura entre as duas nações se deu há cerca de uns quarenta anos, quando o governo decidiu investir. Não vou dizer, como muitos dizem, que o que mudou a Coréia foi a educação. Isso porque a educação na Coréia sempre, desde o primórdios do princípio, por influência da China e de suas doutrinas (como o Budismo e, mais tarde, o Confucionismo), sempre havia sido de extrema importância. Além disso, logo após a abertura e a ocidentalização da Coréia no finzinho do séc. XIX e começo do séc. XX, os americanos chegaram aqui ávidos por um país à espera de evangelização, o que trouxe o protestantismo e universidades (no estilo ocidental) para o país. É claro que houve investimento na área de educação, mas creio eu de uma forma um pouco menos direta do que o é dito a torto e a direito por aí. (Corrijam-me se estiver equivocado.) A "tara" do povo coreano de dar estudo aos filhos somente se alastrou às classes mais baixas que eram proibidas de fazê-lo por questões financeiras e sociais (a não ser que mandassem o filho estudar nos templos). A partir dos anos 60, o governo injetou grana pesada é na indústria coreana que precisava crescer a todo custo e exportar para gerar divisas e tirar o pobre país agrícola do úmido campo de arroz. Foi aí que nasceram os grandes conglomerados coreanos como Hyundae, Samsung e LG, só pra citar uns poucos e mais conhecidos no Brasil. Com o aumento de trabalho, veio o aumento de dinheiro, com o aumento de dinheiro e com setores especializados, veio a demanda de educação, com a demanda de educação, veio uma geração mais preparada, com essa geração mais preparada, veio mais forças para as grandes empresas, e assim vem sendo, uma bola de neve.
O problema é que aqui também tem problema de educação. Ao ver os números brutos e descontextualizados, parece que "tudo vai bem no Reino da Dinamarca", mas algo está podre. Ao meu ver, convivendo com os coreanos que pululam aqui e ali neste país, percebo que o esforço para o estudo é muito grande, mas o resultado é relativamente pífio. O coreano médio não quer saber muito mais do que um brasileiro médio (de nível universitário). As pretensões são as mesmas de se conseguir um bom emprego em uma grande empresa, entrar às 9, sair às 5 (com sorte), emprestar dinheiro pra comprar casa, pagar durante 20 anos, ter filhos, botá-los na escola até a faculdade, e depois morrer (já que não dá muito tempo pra aposentar).
Os coreanos praticamente vivem na escola, principalmente na época do segundo grau (sempre esqueço o nome novo que deram... ensino médio?). Saem de casa às 6, vão pra escola o dia inteiro, depois da aula mais ou menos às 5, vão estudar na escola mesmo, por algumas (boas) horas e depois, vão pra casa?, não!, vão pro cursinho estudar de novo até a meia-noite ou uma da manhã, pra no dia seguinte fazer a mesma coisa (principalmente no terceiro ano do ensino médio).
E estudam o quê? - pergunto eu. Estudam, ou melhor, memorizam questões de vestibular.
A vida dos estudantes coreanos se resume a decorar questões de vestibular... Claro que há exceções, mas na maioria dos casos, as escolas só ensinam e os pais só enfatizam o fato de o "ser" ser capaz de passar na prova do vestibular! Isso já estava acontecendo no Brasil quando saí com as "escolas" do Objetivo, do Anglo, etc, que moldam seus currículos baseados no vestibular. Eu acho isso um impropério! Coitado do jovem, que é uma esponja, é capaz de aprender qualquer coisa, só é ensinado a resolver questões prontas que se repetem de ano a ano! Ao invés de ensinar o sujeito a base e dar todo o conhecimento necessário o qual por meio de raciocínio lógico e bom senso vão guiá-lo para o resto de sua vida, as escolas só ensinam os coitados a resolver problemas. O que acontece? Viram robozinhos! É o que mais vejo por aqui... A maioria dos coreanos, não sabe de nada, só do que decoraram para resolver os problemas que aparecem na vida. A meu ver, eles não tem preparação alguma a não ser o fato de serem aptos a decorar o manual de instruções que vai salvar a pele do sujeito para aquela ocasião. Quando não precisar mais, é só apertar "delete"; se precisar de novo, é só decorar. Acho que é por isso que coreano gosta tanto de computador. É exatamente o que eles são: encheu o disco rígido? formata! precisa de mais programas? dá um download!
Pois é, tudo isso só pra chegar no ponto central.
Será que nosso mundo tem jeito? O Brasil tá assim, a Coréia tá assado, a China tá daquele jeito, o Reino de Nosso Senhor GW Bush está de mal a pior...
E muita coisa, por estarmos muito acostumados, não conseguimos ver. Se tudo está errado, o que está certo parece errado. Acostumamo-nos a ver sempre a mesma coisa, sempre a mesma pasmaceira, e se alguém sai desses trilhos, essa pessoa é estranha, é errada. Para que mudar? Para que se dar ao trabalho de mudar?
No entanto, meus amigos, quando temos a oportunidade de um campo neutro, de um distanciamento que nos dá a possibilidade (não que todos façam isso) de observar com outros olhos e com novos parâmetros, muita coisa deveria e poderia ser mudada. Não obstante, isso não é fácil pela mentalidade do gado que vai sendo tocado ao som do berrante de 508 anos de servidão.
Há um (bom) certo tempo atrás, estava eu em Pouso Alegre, a cidade que abraça o futuro, e matava meu tempo lendo um jornal na praça pública do centro da cidade à frente da catedral. Quando menos esperava, uma senhora se aproximou e disse, na mais pura boa-vontade: "Bom dia, moço!" - ao que lhe respondi - "Bom dia." Continuou ela então: "Não lê muito não, que faz mal pras vistas, viu? Bom dia." E assim foi. Isso ficou marcado como uma facada em meu peito, sensação que não esqueço até hoje. Enquanto o povo for avesso à educação, à informação, ao pensamento crítico, à expressão de suas opiniões, aos debates, etc, nosso país e nosso povo nunca sairá da lama em que reclama estar por tantos e tantos séculos. Pensei em perguntar-lhe se muita TV também não faria mal às vistas, mas contive-me e decidi não prolongar a conversa. Também não me faria entender.
Isso é algo que sempre ouvi desde molecote (que palavrinha besta, né?). "Não deixe esse menino ler/estudar tanto assim que ele fica louco!" Muita gente dizia isso a meus pais e eu me lembro como se fora ontem.
No entanto, de uma forma ou de outra, acho que eles tinham uma pontinha de razão... Se eu tivesse seguido seus conselhos, hoje estaria feliz no meu cantinho assistindo Domingão do Faustão/Domingo Legal deitado no sofá da sala...
Um abraço com certa indignação...
Juliano
PS: Quanto ao fato de vivermos em um país democrático de livre expressão e sem censura, favor ler o seguinte post do blog "A Nova Corja": http://www.novacorja.org/?p=4238.
Obrigado pela atenção.
PPS: E eu ainda tenho que estudar pro meu exame... Ai, ai...
sábado, 9 de agosto de 2008
Brasil X Coréia
Este é meu primeiro post sobre as olimpíadas.
E já começos bem: o Brasil acabou de perder da Coréia do Sul no basquete.
Como eu não tenho muita paciência pra ficar assistindo esses jogos, principalmente pela internet no laboratório, eu vi só o pedaço em que o Brasil estava penando para manter o jogo, fechando o tempo com vantagem de uns dois pontos. Joguinho bem sofrido pros dois lados.
Depois, parei de ver pra fazer minhas coisas e agora que voltei, tive a surpresa de ver o time brasileiro atrás por uns bons pontos. Como tudo na Coréia é rápido, não deu tempo de ver o resultado final. Quando apitou o sinal de "game over", os comentaristas já se despediram e o comercial entrou. Pelo que me lembro foram uns seis pontos de diferença mais ou menos.
Quanto à Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim ontem, eu achei uma coisa de louco! Acho que só mesmo na China pra poder fazer uma coisa daquelas. Foi um espetáculo e tanto! O problema é que resolvi assistir à cerimônia num café (ou cafeteria) que tinha umas TVs (ah, e quando menciono TV em comércio aqui na Coréia, quero dizer telão de LCD de umas 30 e tantas polegadas... Normal.). Mas o volume das TVs estavam baixinhos e resolvi escutar alguma transmissão feita pelo rádio com as imagens da TV (o rádio que usei foi do meu dicionário eletrônico). No começo tudo bem... Aquelas imagens e os comentaristas que não paravam de falar nunca (afinal era rádio, né? - mas mesmo assim eles podiam se calar um pouco pra poder deixar o som de fundo um pouco mais audível...). Valeu a pena. Depois do show... e da pontinha de "inveja" que se fazia sentir por parte dos coreanos quanto às invenções chinesas (relógio de sol, impressão com tipos móveis), as quais qualquer coreano sabe que foram inventadas pelo Rei Sejong, o Grande, veio a hora do desfile das comitivas de cada nação. Passou a Grécia, não sei quem mais, não sei quem mais, e quando chegou na vez da Dinamarca (ou um pouco antes, não me lembro bem): comercial! Ficou passando comercial por uns bons 10~15 minutos!!! Eu só "vi" o Brasil passando pelo rádio!!! É ou não é "expressionante"? Coideloco. Não me lembro no Brasil como é, mas acho que quando transmitimos a cerimônia, transmitimo-la por inteiro não é não? Não importa que país ou região seja a que esteja passando, a transmissão é feita sem cortes, nem que dure 10 horas... Se tiver alguma intervenção comercial seria por meio de aluma vinhetinha gráfica passando no rodapé da imagem ou em uma chamada de no máximo 30 segundos de duração, não é? Corrijam-me por favor se errado estiver.
Aqui não. Pelo menos 20 minutos (já que foram dois cortes para comerciais) foram gastos com propagandas atrás de propagandas, enrolando até que a Coréia apareceu lá no finalzinho do espetáculo. Aí sim eles transmitiram tudo... O.o
Na hora fiquei muito puto. E é engraçado como o espírito patriótico cresce quando vivemos em outro país... No Brasil, eu sou apenas mais um, como qualquer outro; aqui, eu sou sempre o brasileiro, o represente de uma nação de quase 190.000.000 de pessoas. Para os coreanos que eu conheço, eu sou o protótipo de brasileiro... e eu tenho até pena, já que como brasileiro eu não tenho nada de mais: não danço, não jogo e não assisto e não sei de futebol, não sou negro... quebro todos os paradigmas que eles têm. hahaha
Já que aqui me sinto mais brasileiro do que qualquer coisa, eu queria, meio subconscientemente, ver o desfile dos atletas brasileiros entrando em campo frente às outras duzentas e tantas nações presentes... não pude. Na hora, fiquei puto... agora conformei-me.
Finda-se aqui o primeiro post relativo aos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Aguardem...
E já começos bem: o Brasil acabou de perder da Coréia do Sul no basquete.
Como eu não tenho muita paciência pra ficar assistindo esses jogos, principalmente pela internet no laboratório, eu vi só o pedaço em que o Brasil estava penando para manter o jogo, fechando o tempo com vantagem de uns dois pontos. Joguinho bem sofrido pros dois lados.
Depois, parei de ver pra fazer minhas coisas e agora que voltei, tive a surpresa de ver o time brasileiro atrás por uns bons pontos. Como tudo na Coréia é rápido, não deu tempo de ver o resultado final. Quando apitou o sinal de "game over", os comentaristas já se despediram e o comercial entrou. Pelo que me lembro foram uns seis pontos de diferença mais ou menos.
Quanto à Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim ontem, eu achei uma coisa de louco! Acho que só mesmo na China pra poder fazer uma coisa daquelas. Foi um espetáculo e tanto! O problema é que resolvi assistir à cerimônia num café (ou cafeteria) que tinha umas TVs (ah, e quando menciono TV em comércio aqui na Coréia, quero dizer telão de LCD de umas 30 e tantas polegadas... Normal.). Mas o volume das TVs estavam baixinhos e resolvi escutar alguma transmissão feita pelo rádio com as imagens da TV (o rádio que usei foi do meu dicionário eletrônico). No começo tudo bem... Aquelas imagens e os comentaristas que não paravam de falar nunca (afinal era rádio, né? - mas mesmo assim eles podiam se calar um pouco pra poder deixar o som de fundo um pouco mais audível...). Valeu a pena. Depois do show... e da pontinha de "inveja" que se fazia sentir por parte dos coreanos quanto às invenções chinesas (relógio de sol, impressão com tipos móveis), as quais qualquer coreano sabe que foram inventadas pelo Rei Sejong, o Grande, veio a hora do desfile das comitivas de cada nação. Passou a Grécia, não sei quem mais, não sei quem mais, e quando chegou na vez da Dinamarca (ou um pouco antes, não me lembro bem): comercial! Ficou passando comercial por uns bons 10~15 minutos!!! Eu só "vi" o Brasil passando pelo rádio!!! É ou não é "expressionante"? Coideloco. Não me lembro no Brasil como é, mas acho que quando transmitimos a cerimônia, transmitimo-la por inteiro não é não? Não importa que país ou região seja a que esteja passando, a transmissão é feita sem cortes, nem que dure 10 horas... Se tiver alguma intervenção comercial seria por meio de aluma vinhetinha gráfica passando no rodapé da imagem ou em uma chamada de no máximo 30 segundos de duração, não é? Corrijam-me por favor se errado estiver.
Aqui não. Pelo menos 20 minutos (já que foram dois cortes para comerciais) foram gastos com propagandas atrás de propagandas, enrolando até que a Coréia apareceu lá no finalzinho do espetáculo. Aí sim eles transmitiram tudo... O.o
Na hora fiquei muito puto. E é engraçado como o espírito patriótico cresce quando vivemos em outro país... No Brasil, eu sou apenas mais um, como qualquer outro; aqui, eu sou sempre o brasileiro, o represente de uma nação de quase 190.000.000 de pessoas. Para os coreanos que eu conheço, eu sou o protótipo de brasileiro... e eu tenho até pena, já que como brasileiro eu não tenho nada de mais: não danço, não jogo e não assisto e não sei de futebol, não sou negro... quebro todos os paradigmas que eles têm. hahaha
Já que aqui me sinto mais brasileiro do que qualquer coisa, eu queria, meio subconscientemente, ver o desfile dos atletas brasileiros entrando em campo frente às outras duzentas e tantas nações presentes... não pude. Na hora, fiquei puto... agora conformei-me.
Finda-se aqui o primeiro post relativo aos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Aguardem...
domingo, 3 de agosto de 2008
Trivialidades não tão triviais
As trivialidades só são triviais em certos espaços e momentos.
Trivialidades banais como comer um pão francês, por exemplo, só é trivial mesmo no Brasil e, pelo que presenciei, no sudeste asiático, mais precisamente na região da ex-Indochina Francesa (da qual a tão famosa "Cochinchina" faz parte!), e atuais Vietnã, Camboja e Laos. Nem mesmo na França comer pão francês, pelo menos "o" pão francês que tão bem conhecemos, pasmem, não é um fato reportado como corriqueiro.
Bem, indo direto ao ponto, quero dizer que comer pão por aqui não é uma tarefa fácil. Primeiro pela própria denominação "pão" que engloba o que conhecemos por pão, roscas, bolos, pães doces e até massa de pizza... Com uma amplitude semântica dessa espécie, achar um pão que mereça ser chamado de pão não é uma tarefa das mais fáceis. No entanto, achar o que eles denominam "ppang (빵)" (palavra que, por acaso, é um empréstimo do japonês que, por sua vez, é um empréstimo do português do século XVI!) é uma tarefa extremamente fácil! Entretanto, o 빵 coreano é normalmente uma rosca ou um pão doce com recheio de creme de leite, creme de ovos, creme de amendoim ou creme de feijão (doce, para os desavisados). Eu, amante do meu pãozinho francês quentinho acabado de sair do forno da padaria, vi-me privado de tal prazer por aproximadamente dois anos, isto é, o período que estou aqui na Coréia sem voltar à pátria amada, idolatrada, salve, salve!. Com as intempéries e agruras no campeio de um bom pão francês, cheguei a um ponto em que havia desistido de tentar.
Hoje, no entanto, visitei uma cafeteria (das quais a Coréia está coalhada) onde se compra uma caneca de café (no "bom e velho" estilo estadunidense) e pagando a módica quantia de ₩700 a mais, a pessoa ganha o direito de se servir de um "buffet" (ou bufê) de pães à vontade! Só pra ter uma idéia, um pãozinho custa de ₩1000 a ₩1500. Não precisa dizer que fiz a festa, já que todos os pães eram do meu agrado. É claro que não é assim de mão beijada... O bufê só funciona das 8 às 10 em lugar que fica a uma hora da minha casa. E como ultimamente tenho levado uma vida meio notívaga, levantar a essas horas, para mim, está fora do meu fuso horário. Mesmo assim, não me arrependi nem um pouquinho. Fartei-me até não mais poder. Fiquei no café até depois do meio-dia, tamanha a "vontade" que tinha de me mexer de tanto pão no buxo.
No picasa tem uma galeria com algumas fotos dos pãezinhos.
Cada vez que eu olho pras fotos, minha boca enche de água... =)
Trivialidades banais como comer um pão francês, por exemplo, só é trivial mesmo no Brasil e, pelo que presenciei, no sudeste asiático, mais precisamente na região da ex-Indochina Francesa (da qual a tão famosa "Cochinchina" faz parte!), e atuais Vietnã, Camboja e Laos. Nem mesmo na França comer pão francês, pelo menos "o" pão francês que tão bem conhecemos, pasmem, não é um fato reportado como corriqueiro.
Bem, indo direto ao ponto, quero dizer que comer pão por aqui não é uma tarefa fácil. Primeiro pela própria denominação "pão" que engloba o que conhecemos por pão, roscas, bolos, pães doces e até massa de pizza... Com uma amplitude semântica dessa espécie, achar um pão que mereça ser chamado de pão não é uma tarefa das mais fáceis. No entanto, achar o que eles denominam "ppang (빵)" (palavra que, por acaso, é um empréstimo do japonês que, por sua vez, é um empréstimo do português do século XVI!) é uma tarefa extremamente fácil! Entretanto, o 빵 coreano é normalmente uma rosca ou um pão doce com recheio de creme de leite, creme de ovos, creme de amendoim ou creme de feijão (doce, para os desavisados). Eu, amante do meu pãozinho francês quentinho acabado de sair do forno da padaria, vi-me privado de tal prazer por aproximadamente dois anos, isto é, o período que estou aqui na Coréia sem voltar à pátria amada, idolatrada, salve, salve!. Com as intempéries e agruras no campeio de um bom pão francês, cheguei a um ponto em que havia desistido de tentar.
Hoje, no entanto, visitei uma cafeteria (das quais a Coréia está coalhada) onde se compra uma caneca de café (no "bom e velho" estilo estadunidense) e pagando a módica quantia de ₩700 a mais, a pessoa ganha o direito de se servir de um "buffet" (ou bufê) de pães à vontade! Só pra ter uma idéia, um pãozinho custa de ₩1000 a ₩1500. Não precisa dizer que fiz a festa, já que todos os pães eram do meu agrado. É claro que não é assim de mão beijada... O bufê só funciona das 8 às 10 em lugar que fica a uma hora da minha casa. E como ultimamente tenho levado uma vida meio notívaga, levantar a essas horas, para mim, está fora do meu fuso horário. Mesmo assim, não me arrependi nem um pouquinho. Fartei-me até não mais poder. Fiquei no café até depois do meio-dia, tamanha a "vontade" que tinha de me mexer de tanto pão no buxo.
No picasa tem uma galeria com algumas fotos dos pãezinhos.
Cada vez que eu olho pras fotos, minha boca enche de água... =)
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| Pães... |
sábado, 2 de agosto de 2008
Calor...
Até a semana passada, choveu muito por aqui. Como as chuvas de verão de São Paulo que alagam uma boa parte da cidade. E não só isso é parecido como também o fato de que, em ambas as metrópoles, as regiões alagadas são as regiões mais pobres e de periferia. Como eu estou em um ponto nobre da cidade, a Universidade, isso não acontece, além do que as universidades na Coréia são normalmente construídas em montanhas (talvez pela falta de espaço para um câmpus grande), e montanhas são um pouco difícil de serem inundadas...
Até aí, tudo bem. O que está pegando é o calor... estamos mais uma vez no período mais quente do ano... já havia escrito sobre isto no ano passado: os chamados "bok". Por volta do mês de agosto, de acordo com a marcação do tempo tradicional e milenar que segue o calendário lunar, existem 3 períodos: bok inicial, bok intermediário e bok final, mais ou menos com 10 dias cada um. E agora, estamos nos aproximando do último bok, que é o período mais quente do ano e é a época de se tomar sopa! O que é uma tradição coreana de combater o calor com comidas quentes. A sopa tradicional é a sopa de cachorro, mas, com o passar do tempo, essa sopa vem sendo substituída pela sopa de frango com ginseng. Poucos jovens ainda se arriscam a comer "au-au", como eles dizem aqui. Fazem isso porque a palavra para cachorro (개, kae), e a palavra para caranguejo (게, ke), apesar de serem escritas de forma diferente são pronunciadas da mesma forma. Para diferenciar dizem "ke que anda de lado" (caranguejo) e "(ke) au-au" (cachorro de comer). Ah, e a propósito, "au-au" em coreano é mong-mong (몽몽).
E, com o calor, chegam as cigarras... em milhões e ficou cantando, piando, gritando, zunindo... sei lá qual é o verbo usado para cigarras. Bem, nada como a internet, né? Acabei de perguntar para o Google qual é o som das cigarras e ele me mandou pra página do dicionário Michaelis que nos informa o seguinte: "Cigarra - cantar, chiar, chichiar, ciciar, cigarrear, estridular, estrilar, fretenir, rechiar, rechinar, retinir, zangarrear, zinir, ziziar, zunir." As daqui fazem isso tudo ao mesmo tempo! Chega a um ponto que nem se ouve mais, o cérebro se acostuma com o ruído e o filtra, por uma questão de sobrevivência.
Banho não adianta... Mesmo com banho frio, passam alguns minutos e já se está todo suado. Porta aberta também não. O ar é quente tanto dentro quanto fora. É um calor absurdo. E eu não gosto de calor. Agora que eu comprei minha bicicletinha nova, não posso usá-la pois 5 minutos de pedaladas já são o suficiente para me desidratar... de tanto suor. Ai, ai...
Paciência. Mais um mês, e o tempo começa a refrescar e a ficar mais suportável... Não vejo a hora de o inverno chegar. Neve é bem melhor que este calor... No inverno, basta colocar um monte de roupas e fica tudo bem... no verão, tira-se tudo e ainda fica esse calor maldito! Argh...
Um abraço melado pra vcs.
Tchau
Até aí, tudo bem. O que está pegando é o calor... estamos mais uma vez no período mais quente do ano... já havia escrito sobre isto no ano passado: os chamados "bok". Por volta do mês de agosto, de acordo com a marcação do tempo tradicional e milenar que segue o calendário lunar, existem 3 períodos: bok inicial, bok intermediário e bok final, mais ou menos com 10 dias cada um. E agora, estamos nos aproximando do último bok, que é o período mais quente do ano e é a época de se tomar sopa! O que é uma tradição coreana de combater o calor com comidas quentes. A sopa tradicional é a sopa de cachorro, mas, com o passar do tempo, essa sopa vem sendo substituída pela sopa de frango com ginseng. Poucos jovens ainda se arriscam a comer "au-au", como eles dizem aqui. Fazem isso porque a palavra para cachorro (개, kae), e a palavra para caranguejo (게, ke), apesar de serem escritas de forma diferente são pronunciadas da mesma forma. Para diferenciar dizem "ke que anda de lado" (caranguejo) e "(ke) au-au" (cachorro de comer). Ah, e a propósito, "au-au" em coreano é mong-mong (몽몽).
E, com o calor, chegam as cigarras... em milhões e ficou cantando, piando, gritando, zunindo... sei lá qual é o verbo usado para cigarras. Bem, nada como a internet, né? Acabei de perguntar para o Google qual é o som das cigarras e ele me mandou pra página do dicionário Michaelis que nos informa o seguinte: "Cigarra - cantar, chiar, chichiar, ciciar, cigarrear, estridular, estrilar, fretenir, rechiar, rechinar, retinir, zangarrear, zinir, ziziar, zunir." As daqui fazem isso tudo ao mesmo tempo! Chega a um ponto que nem se ouve mais, o cérebro se acostuma com o ruído e o filtra, por uma questão de sobrevivência.
Banho não adianta... Mesmo com banho frio, passam alguns minutos e já se está todo suado. Porta aberta também não. O ar é quente tanto dentro quanto fora. É um calor absurdo. E eu não gosto de calor. Agora que eu comprei minha bicicletinha nova, não posso usá-la pois 5 minutos de pedaladas já são o suficiente para me desidratar... de tanto suor. Ai, ai...
Paciência. Mais um mês, e o tempo começa a refrescar e a ficar mais suportável... Não vejo a hora de o inverno chegar. Neve é bem melhor que este calor... No inverno, basta colocar um monte de roupas e fica tudo bem... no verão, tira-se tudo e ainda fica esse calor maldito! Argh...
Um abraço melado pra vcs.
Tchau
terça-feira, 22 de julho de 2008
Óia! Ronaldinho veio pra Coréia!
Nunca assisto muita TV, mas por acaso acabei de ver que o Ronaldinho Gaúcho veio pra Coréia esses dias e foi recebido como superstar. E, pra quem pensa que eu vi isso num programa de esportes, nã nã não! Era um programa tipo "TV Fama"! Cada coisa...
獨島-竹島 Dokdo-Takeshima... A novela continua...
Desde o século 16, mais ou menos, os dois países têm brigado pela posse de umas ilhotas rochosas no meio do mar que separa a Coréia e o Japão. Há documentos registrando a posse das ilhas por um país ou por outro. De acordo com os documentos históricos, uma família japonesa, após descobrir as ilhas por acaso, obteve o direito de explorar durante 70-80 anos tanto Tokto como as ilhas de Ulleungdo (鬱陵島) e Dokdo (獨島) pelo xógum Toyotomi Hideyoshi. No entanto, as ilhas já eram conhecidas pelos coreanos e aí começa a briga.
Isso vai se arrastando durante os séculos, até a poucos anos atrás quando a prefeitura de Tottori no Japão (鳥取県) resolveu declarar o "dia de Takeshima". Aí os coreanos caíram de pau em cima e começou a briga. Se não me engano, isso foi em 2004...
Passou um tempo, o povo esqueceu, mas agora, que o povo está raivoso com a importação de carne americana e a vaca louca (fato o qual o presidente nega veementemente, dizendo que pagará US$ 500.000,00 à pessoa que ficar doente "se e somente se" alguém realmente ficar doente), apareceu essa história de Takeshima/Dokdo de novo. Eu até acho que foi feito de propósito para desviar as atenções do "gado"... Agora, não tem outra notícia na TV além da história de Dokdo, e da questão do "Mar do Leste" que é conhecido mundo afora como "Mar do Japão". Chegaram a reclamar com a Biblioteca do Congresso dos EUA para mudar o nome que eles usam... Tokto é chamada de "Rochas de Liancourt", já que foi um baleeiro francês que chegou às ilhotas pela primeira vez (no caso dos ocidentais), e o "Mar do Leste", chamado de "Mar do Japão". Eles ficam furiosos com isso!
Aí trazem à tona documentos e mapas antigos, mostrando que o mar era chamado de "Mar da Coréia" até o fim do séc. XIX, que Dokdo sempre foi coreana, e os japoneses dizem que tais documentos não têm valor histórico como registros, etc., etc...
E por aí vai a novela.
E, nesse ínterim, ninguém mais fala da carne...
Até.
Isso vai se arrastando durante os séculos, até a poucos anos atrás quando a prefeitura de Tottori no Japão (鳥取県) resolveu declarar o "dia de Takeshima". Aí os coreanos caíram de pau em cima e começou a briga. Se não me engano, isso foi em 2004...
Passou um tempo, o povo esqueceu, mas agora, que o povo está raivoso com a importação de carne americana e a vaca louca (fato o qual o presidente nega veementemente, dizendo que pagará US$ 500.000,00 à pessoa que ficar doente "se e somente se" alguém realmente ficar doente), apareceu essa história de Takeshima/Dokdo de novo. Eu até acho que foi feito de propósito para desviar as atenções do "gado"... Agora, não tem outra notícia na TV além da história de Dokdo, e da questão do "Mar do Leste" que é conhecido mundo afora como "Mar do Japão". Chegaram a reclamar com a Biblioteca do Congresso dos EUA para mudar o nome que eles usam... Tokto é chamada de "Rochas de Liancourt", já que foi um baleeiro francês que chegou às ilhotas pela primeira vez (no caso dos ocidentais), e o "Mar do Leste", chamado de "Mar do Japão". Eles ficam furiosos com isso!
Aí trazem à tona documentos e mapas antigos, mostrando que o mar era chamado de "Mar da Coréia" até o fim do séc. XIX, que Dokdo sempre foi coreana, e os japoneses dizem que tais documentos não têm valor histórico como registros, etc., etc...
E por aí vai a novela.
E, nesse ínterim, ninguém mais fala da carne...
Até.
domingo, 20 de julho de 2008
Bacalhau
Depois do BigMac de ontem, hoje tinha que comer uma comida mais saudável, e por que não uma boa bacalhoada? Essa história começou na semana passada quando fui a Gangnam (um bairro daqui) e resolvemos dar uma passadinha numa cervejaria tcheca chamada Castle Praha. O lugar é muito interessante, de fora parece pequenininho, mas dentro é beeem grande. Lá, bebemos um copo de cerveja e pedimos Fish and Chips para comer. Ao invés de ser Fish and Chips de verdade, como se esperaria de algo nomeado assim, a batata era, na verdade, batata doce empanada. Isso me decepcionou um pouquinho, mas não estava de todo ruim. O negócio foi quando experimentei o peixe. No começo não estava dando nada por ele, mas ao experimentar percebi que se tratava de, nada mais nada menos, bacalhau! Fiquei muito feliz, já que havia muito tempo que não provava dessa iguaria. Não posso dizer que minha estada aqui na Coréia tenha sido completamente desprovida da ingestão do mesmo, mas o problema é que aqui normalmente se come peixe no "formato" sopa. Eu não sou tão fã de sopa assim, então não acho que seja gostoso, mesmo quando seja gostoso mesmo. Isso é um pouco estranho... Desde criança sou assim... Eu tomo sopa, sei que a tal pode ser classificada como gostosa, mas meu cérebro se recusa a aceitar esse tipo de opinião gustatória. Ele acha que por ser sopa, não há como ser gostoso. As duas coisas não se misturam. No entanto, uma sopinha de vez em quando não mata ninguém. O negócio é que com o bacalhau, eu acho que seja até um desperdício ele não ser utilizado para ser degustado por meio de uma boa e suculenta (não ensopada) bacalhoada. Decidi então que hoje faria uma bacalhoada. Fosses como fosse, eu bacalhoaria hoje. E assim foi.
A propósito nunca havia feito nenhuma bacalhoada na minha vida. Hoje foi a primeira. Segundo ponto: eu não tenho forno. E sempre gostei muito mais das bacalhoadas de forno do que de panela. As de panela têm a tendência de ficar ensopadas (dããã...). Eu gosto mais sequinhas. Mas assim mesmo, parti para o feitio do meu sonho gastronômico.
Cortei as batatas, as cebolas e os tomates em generosas rodelas. Piquei o alho, a cebolinha e a salsinha. Separei as azeitonas e o azeite de oliva. E o principal, o peixe, aqui é vendido congelado, mas não salgado. E relativamente barato, a módicos ₩8000 o meio-quilo. Botei os "grediente" na panela e lasquei fogo no bicho. Comparado com o que imaginei antes, ficou muito bom! Claro que ainda não tão bom quanto teria sido se tivesse sido feito no forno, mas valeu! Matei a vontade e só de escrever isso aqui agora, já fico com água na boca só de pensar.
Só tive um pouco de problema com a quantidade de água que saiu dos ingredientes. E como queria uma bacalhoadazinha mais seca, deixei tudo no fogo por mais tempo. Visualmente, não foi nada de mais, nenhuma obra-prima, mas, gustativamente falando, ficou muito boa! Principalmente em se tratando da não existência de bacalhoadas por estas bandas...
Vai um bacalhauzinho aí? Hmmm...
Um abraço.
Juliano
A propósito nunca havia feito nenhuma bacalhoada na minha vida. Hoje foi a primeira. Segundo ponto: eu não tenho forno. E sempre gostei muito mais das bacalhoadas de forno do que de panela. As de panela têm a tendência de ficar ensopadas (dããã...). Eu gosto mais sequinhas. Mas assim mesmo, parti para o feitio do meu sonho gastronômico.
Cortei as batatas, as cebolas e os tomates em generosas rodelas. Piquei o alho, a cebolinha e a salsinha. Separei as azeitonas e o azeite de oliva. E o principal, o peixe, aqui é vendido congelado, mas não salgado. E relativamente barato, a módicos ₩8000 o meio-quilo. Botei os "grediente" na panela e lasquei fogo no bicho. Comparado com o que imaginei antes, ficou muito bom! Claro que ainda não tão bom quanto teria sido se tivesse sido feito no forno, mas valeu! Matei a vontade e só de escrever isso aqui agora, já fico com água na boca só de pensar.
Só tive um pouco de problema com a quantidade de água que saiu dos ingredientes. E como queria uma bacalhoadazinha mais seca, deixei tudo no fogo por mais tempo. Visualmente, não foi nada de mais, nenhuma obra-prima, mas, gustativamente falando, ficou muito boa! Principalmente em se tratando da não existência de bacalhoadas por estas bandas...
Vai um bacalhauzinho aí? Hmmm...
Um abraço.
Juliano
sábado, 19 de julho de 2008
McDonald's
Não fui pago pra escrever isso, nem estou fazendo propaganda.
O negócio é que acabei de voltar do McDonald's. E antes que me atirem pedras, já vou logo avisando que comer comida coreana todo dia chega a um ponto que cansa, então temos que variar. Além disso, já tinha bem mais de 3 meses desde minha última ida lá, então resolvi ir hoje.
Na verdade, o que eu quero falar é: "por que o McDonald's do Brasil é tão absurdamente caro e com um serviço tão vagabundo?" Isso é um mistério que me persegue desde a época em que morei no Japão. Para uma rede internacional, o serviço supostamente é padronizado; no entanto, por que cargas d'água então é que no Brasil eles são tão vagabundos? Será o pessoal que trabalha lá é que não segue as normas?
Bem, vamos pôr isso em pratos limpos.
Em primeiríssimo lugar vem o preço. Não sei quanto está custando no Brasil, mas quando saí daí estava beirando os "déiz real". Agora, levando em conta a nossa arraigada cultura inflacionária, suponho que já deva estar entre 12 e 15 "conto". Aqui, à noite, custam ₩5600, uma vez que dei uma nota de ₩10000 e ela me voltou uma outra de ₩5000 com 4 moedinhas de ₩100. (Minhas contas estão certas?) Já, na hora do almoço, o mesmo "Big Mac Set", o número 1 do Brasil, custa módicos ₩3000. Transformando isso em reais no câmbio do dia, dá R$ 7,20 na janta, e R$ 4,70 no almoço.
Se fosse só isso, já seria uma diferença boa. Mas tem mais.
Refrigerante: toma-se à vontade. Não no estilo americano de botar a máquina de servir pra fora, mas no estilo coreano de voltar ao balcão e pedir: "enche pra mim de novo?" Sem pestanejar, o copo já está pronto pra mais uma, duas, três... até o freguês morrer intoxicado. O negócio é que a maioria acaba ficando no primeiro copo mesmo. Coreano quase não toma refri. Mas que pode pode.
Outra coisa que me deixa puto no Brasil é a batatinha. É um milagre quando elas são servidas quentes, normalmente chegam mornas (quase frias) e terrivelmente murchas; também considero um milagre se são servidas na quantidade certa, já que os atendentes são treinados a usar aquela pá esquisita jogar as batatas sem nenhum carinho dentro do reipiente a elas destinado e sacudir o mesmo para tirar o excesso que acaba jogando metade das batatas de volta àquele receptáculo iluminado que guarda as batatas à espera de uma boca para comê-las.
Aqui, não sei como conseguem, mas as batatas estão sempre quentinhas e crocantes por fora, exatamente como devem ser. Além do que, a quantidade aqui é o contrário do Brasil: eles ficam sacudindo o negocinho pra ver se dá pra mais algumas batatinhas entrarem.
Só isso pra mim já estaria bom... mas ainda tem mais!
O sanduíche, o centro das atenções, no Brasil, chega dentro daquela caixinha que quando é aberta mostra uma aberração, um arremedo de Big Mac... O pão prum lado, o hambúrguer pro outro, o molho e a alface esparramados e grudados em todas as paredes da caixinha... Terrível...
Aqui, o sanduíche vem embrulhado em um papel, que já serve de guardanapo, no estilo hambúrguer/cheeseburguer do Brasil, mas com o sutil detalhe de um aro de papelão que ajuda a manter a forma do sanduíche em dia, mesmo depois de uma viagem de metrô/ônibus por aqui com todo o empurra-empurra digno dos coreanos. (Nada a ver com isso, mas acabei de matar um pernilongo e as palmas das minhas mãos estão ardendo...) O aro realmente evita o desmoronamento do sanduíche e a manutenção de seus ingredientes nos devidos lugares... É ou não é outro mundo?
(Ah, e não é só aqui. No Japão é igual.) Isso sim mostra a atenção pelos pequenos detalhes e mostra ao cliente o quão importante ele é para o comerciante. No Brasil, ao contrário, não sei se pelo fato de brasileiro comer até McCocô (se eles resolverem lançar) e se achar o máximo, parece que os clientes não estão fazendo mais do que sua obrigação de comer essas abominações do ramo brasileiro das lojas da rede internacional de restaurantes (?) McDonald's.
Se alguém do McDonald's algum dia ler isso aqui, por favor, tome providência e dê um jeito... pelo menos nas batatinhas... Odeio batata murcha...
Pra quem leu até aqui, um abraço e até a próxima.
Fui.
O negócio é que acabei de voltar do McDonald's. E antes que me atirem pedras, já vou logo avisando que comer comida coreana todo dia chega a um ponto que cansa, então temos que variar. Além disso, já tinha bem mais de 3 meses desde minha última ida lá, então resolvi ir hoje.
Na verdade, o que eu quero falar é: "por que o McDonald's do Brasil é tão absurdamente caro e com um serviço tão vagabundo?" Isso é um mistério que me persegue desde a época em que morei no Japão. Para uma rede internacional, o serviço supostamente é padronizado; no entanto, por que cargas d'água então é que no Brasil eles são tão vagabundos? Será o pessoal que trabalha lá é que não segue as normas?
Bem, vamos pôr isso em pratos limpos.
Em primeiríssimo lugar vem o preço. Não sei quanto está custando no Brasil, mas quando saí daí estava beirando os "déiz real". Agora, levando em conta a nossa arraigada cultura inflacionária, suponho que já deva estar entre 12 e 15 "conto". Aqui, à noite, custam ₩5600, uma vez que dei uma nota de ₩10000 e ela me voltou uma outra de ₩5000 com 4 moedinhas de ₩100. (Minhas contas estão certas?) Já, na hora do almoço, o mesmo "Big Mac Set", o número 1 do Brasil, custa módicos ₩3000. Transformando isso em reais no câmbio do dia, dá R$ 7,20 na janta, e R$ 4,70 no almoço.
Se fosse só isso, já seria uma diferença boa. Mas tem mais.
Refrigerante: toma-se à vontade. Não no estilo americano de botar a máquina de servir pra fora, mas no estilo coreano de voltar ao balcão e pedir: "enche pra mim de novo?" Sem pestanejar, o copo já está pronto pra mais uma, duas, três... até o freguês morrer intoxicado. O negócio é que a maioria acaba ficando no primeiro copo mesmo. Coreano quase não toma refri. Mas que pode pode.
Outra coisa que me deixa puto no Brasil é a batatinha. É um milagre quando elas são servidas quentes, normalmente chegam mornas (quase frias) e terrivelmente murchas; também considero um milagre se são servidas na quantidade certa, já que os atendentes são treinados a usar aquela pá esquisita jogar as batatas sem nenhum carinho dentro do reipiente a elas destinado e sacudir o mesmo para tirar o excesso que acaba jogando metade das batatas de volta àquele receptáculo iluminado que guarda as batatas à espera de uma boca para comê-las.
Aqui, não sei como conseguem, mas as batatas estão sempre quentinhas e crocantes por fora, exatamente como devem ser. Além do que, a quantidade aqui é o contrário do Brasil: eles ficam sacudindo o negocinho pra ver se dá pra mais algumas batatinhas entrarem.
Só isso pra mim já estaria bom... mas ainda tem mais!
O sanduíche, o centro das atenções, no Brasil, chega dentro daquela caixinha que quando é aberta mostra uma aberração, um arremedo de Big Mac... O pão prum lado, o hambúrguer pro outro, o molho e a alface esparramados e grudados em todas as paredes da caixinha... Terrível...
Aqui, o sanduíche vem embrulhado em um papel, que já serve de guardanapo, no estilo hambúrguer/cheeseburguer do Brasil, mas com o sutil detalhe de um aro de papelão que ajuda a manter a forma do sanduíche em dia, mesmo depois de uma viagem de metrô/ônibus por aqui com todo o empurra-empurra digno dos coreanos. (Nada a ver com isso, mas acabei de matar um pernilongo e as palmas das minhas mãos estão ardendo...) O aro realmente evita o desmoronamento do sanduíche e a manutenção de seus ingredientes nos devidos lugares... É ou não é outro mundo?
(Ah, e não é só aqui. No Japão é igual.) Isso sim mostra a atenção pelos pequenos detalhes e mostra ao cliente o quão importante ele é para o comerciante. No Brasil, ao contrário, não sei se pelo fato de brasileiro comer até McCocô (se eles resolverem lançar) e se achar o máximo, parece que os clientes não estão fazendo mais do que sua obrigação de comer essas abominações do ramo brasileiro das lojas da rede internacional de restaurantes (?) McDonald's.
Se alguém do McDonald's algum dia ler isso aqui, por favor, tome providência e dê um jeito... pelo menos nas batatinhas... Odeio batata murcha...
Pra quem leu até aqui, um abraço e até a próxima.
Fui.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Só mais uma coisinha por hoje...
CALOR!!! UMIDADE!!! Verão coreano...
Meu, como pode fazer TANTO calor em uma meia-península só!! Se fosse só o calor, ainda vá lá, mas como pode ter TANTA umidade em uma meia-península só!!! (Fora a questão da meia-península... Momento "Tropa de Elite": para quem não sabe, "a palavra península, vem do latim paene (quase) e insula (ilha), é uma formação geológica consistindo de uma extensão de terra de uma região maior que é cercada de água por quase todos os lados, com exceção do pedaço de terra que a liga com a região maior, chamado istmo." Então o que seria uma meia-península? Istmo é difícil de catalogar...) Mas voltando à vaca(-louca) fria, ô tempinho do cão!!!
Hoje, até que não está lá tão ruim... Pra quem gosta de um calorzinho de 31° à sombra, tudo bem. Eu não. Mas ontem... ontem estava o ó. Sabe aqueles lindos dias de inverno, digno de Campos do Jordão ou Petrópolis ou Paranapiacaba (por que não?) onde não se enxerga um palmo à frente das ventas? Aquela cerração que se pode cortar com uma faca, uma cerração tão forte que se condensa em água (não, Pedro Bó, se condensa em fogo... dããããã!) em poucos minutos em conta(c)to? Então aqui estava assim ontem, com 30°! É tanta umidade, mas tanta umidade, que eu não sei se estava suando ou se era a umidade se condensando em minha roupa... Dá pra torcer de tão enxarcada que fica a roupa... O céu? Cinza o dia inteiro. Nuvens? Não, cerração estival. Ê lê lê! É nesses dias que eu queria morar na Sibéria. Se bem que até lá chega a fazer 30°... Por alguns dias só pelo menos. Eu num güeeeento! É muito calor. E o problema é a umidade, daquele tipo de umidade de praia que gruda na pele e fica melando... Eca! Haja banho...
Meu, como pode fazer TANTO calor em uma meia-península só!! Se fosse só o calor, ainda vá lá, mas como pode ter TANTA umidade em uma meia-península só!!! (Fora a questão da meia-península... Momento "Tropa de Elite": para quem não sabe, "a palavra península, vem do latim paene (quase) e insula (ilha), é uma formação geológica consistindo de uma extensão de terra de uma região maior que é cercada de água por quase todos os lados, com exceção do pedaço de terra que a liga com a região maior, chamado istmo." Então o que seria uma meia-península? Istmo é difícil de catalogar...) Mas voltando à vaca(-louca) fria, ô tempinho do cão!!!
Hoje, até que não está lá tão ruim... Pra quem gosta de um calorzinho de 31° à sombra, tudo bem. Eu não. Mas ontem... ontem estava o ó. Sabe aqueles lindos dias de inverno, digno de Campos do Jordão ou Petrópolis ou Paranapiacaba (por que não?) onde não se enxerga um palmo à frente das ventas? Aquela cerração que se pode cortar com uma faca, uma cerração tão forte que se condensa em água (não, Pedro Bó, se condensa em fogo... dããããã!) em poucos minutos em conta(c)to? Então aqui estava assim ontem, com 30°! É tanta umidade, mas tanta umidade, que eu não sei se estava suando ou se era a umidade se condensando em minha roupa... Dá pra torcer de tão enxarcada que fica a roupa... O céu? Cinza o dia inteiro. Nuvens? Não, cerração estival. Ê lê lê! É nesses dias que eu queria morar na Sibéria. Se bem que até lá chega a fazer 30°... Por alguns dias só pelo menos. Eu num güeeeento! É muito calor. E o problema é a umidade, daquele tipo de umidade de praia que gruda na pele e fica melando... Eca! Haja banho...
Meu mais novo "bebê"
Depois de quase 2 anos por aqui, resolvi concretizar um sonho que de há muito desejava. Comprei uma bicicleta.
Minha vida por aqui não é nada do que se possa chamar de excepcionalmente ativa (pelo menos não fisicamente). Já estava me sentindo mal de tanta falta de exercício... Então por que não juntar o útil ao agradável? Bicileta foi sempre algo por que sempre me interessei e desde minha primeira, aos 5 anos de idade, nunca fiquei muito afastado da magrela. Pelo menos até me formar no segundo grau. Daí pra frente, só usei bicicleta no Japão, no ano 2000, e de lá pra cá somente pude cultivar o desejo de mais uma vez possuir um meio de transporte barato, prático, limpo e saudável. Mas, em se tratando de Seul, devo também adjungir o adjetivo "um pouco perigoso". Na verdade, não é nada comparado com São Paulo, e de uma forma mais geral, no Brasil. Lá, realmente, eu não tenho coragem de andar de bicicleta em paz. Por aqui, pelo menos os carros andam relativamente devagar, o mais perigoso parecem ser as pessoas. Ninguém olha pra onde vai... Por essa razão, deve-se estar atento pra não atropelar nenhuma velhinha desavisada, ou algum estudante indo pra escola. De resto, tudo bem. Além disso, há relativamente muito mais ciclovias por aqui do que em São Paulo, mas o problema é que as mesmas começam no nada e terminam em lugar nenhum... Não há muita lógica. A não ser em grandes lugares públicos como o parque que margeia o rio Han que corta a cidade de cabo a rabo. Aí sim é o paraíso dos ciclistas. Lá é um tipo de Ibirapuera daqui. Inclusive, agora no "maldito" verão, tem gente que acampa na beira do rio pra dormir, uma vez que o calor dentro das casas se torna infernalmente insuportável. Claro, se se está disposto a pagar uma conta de luz mais alta, basta ligar o ar condicionado, mas muita gente que faz isso (dormir na beira do rio) é porque gosta de se sentir mais perto da natureza, ou os mais velhos que foram criados no campo e ainda não estão tão acostumados com a vida na grande metrópole. E por falar nisso, Seul é tão grande, bonita, feia, limpa, suja, interessante, assustadora quanto São Paulo. O bom é que a parte onde se lê "assustadora" só o é para os Coreanos, já que para quem morou em uma grande metrópole do ocidente isso é fichinha. Crimes quase não existem por aqui. Só de vez em quando, quando alguém tem um ataque de esquizofrenia ou alguma outra doença mental e acaba matando alguém. Aí vira filme e eles ganham o maior dinheirão com isso. Fora isso, há alguns roubinhos vagabundos como o que aconteceu com uma amiga: entraram na casa dela, após serrarem uma grade e meia da janela (como no Brasil aqui também tem grades nas janelas), entraram no apartamento que continha TV, dois laptops, som, e muitos outros etcéteras e levaram sabe o quê? O porquinho de guardar moedas! O POR-QUI-NHO!!! É ou não é divertido? Pra gente, quando ouvimos que alguém entrou na casa de alguém já ficamos esperando pelo pior: estupros, latrocínios, o diabo a quatro... E aqui: POR-QUI-NHO! Não é de fazer rir??? É claro que este não deixa de ser um ato ilícito e imoral e amoral (amoral não é adjetivo referente a "amora", tá?), mas de qualquer forma, para nós brasileiros, só um porquinho se torna engraçado. Isso meio que mede o alto grau de violentabilidade ao qual infelizmente já estamos acostumados, não é não? Já temos uma idéia pré-concebida de que uma invasão domiciliar é um ato que normalmente deve trazer conseqüências catastróficas e não somente perdas materiais; que atos de qualquer tipo de assalto devam trazer algum tipo de violência (geralmente física ou moral). Por aqui, simplesmente o fato de alguém ter adentrado ao espaço privado de uma pessoa sem a devida anuência do proprietário já se considera um fato de extremo perigo e desespero. Essa minha amiga, quando se deu conta do fato, ligou-me para narrar o acontecido e eu, chegando na parte do POR-QUI-NHO, não pude conter-me e explodi-me em risos! No final, ela também acabou por rir, já que percebeu que tudo poderia ter sido muito pior, mas mesmo assim, sua reação me pareceu, a mim como brasileiro, um tanto quanto exagerada.
Bem, essas são apenas algumas poucas histórias (ah, e de acordo com as leis sacras que regem e trancafiam a língua dita portuguesa, "estória" não existe, pelo menos não mais) que se passam por aqui pelas terras do antigo e quadrimilenar "Reino da Manhã Tranqüila". E acabei fazendo mágica neste meu post... Transformei minha nova bicileta em um POR-QUI-NHO! Ahahaha...
Um abraço pra quem fica.
Fui!
Minha vida por aqui não é nada do que se possa chamar de excepcionalmente ativa (pelo menos não fisicamente). Já estava me sentindo mal de tanta falta de exercício... Então por que não juntar o útil ao agradável? Bicileta foi sempre algo por que sempre me interessei e desde minha primeira, aos 5 anos de idade, nunca fiquei muito afastado da magrela. Pelo menos até me formar no segundo grau. Daí pra frente, só usei bicicleta no Japão, no ano 2000, e de lá pra cá somente pude cultivar o desejo de mais uma vez possuir um meio de transporte barato, prático, limpo e saudável. Mas, em se tratando de Seul, devo também adjungir o adjetivo "um pouco perigoso". Na verdade, não é nada comparado com São Paulo, e de uma forma mais geral, no Brasil. Lá, realmente, eu não tenho coragem de andar de bicicleta em paz. Por aqui, pelo menos os carros andam relativamente devagar, o mais perigoso parecem ser as pessoas. Ninguém olha pra onde vai... Por essa razão, deve-se estar atento pra não atropelar nenhuma velhinha desavisada, ou algum estudante indo pra escola. De resto, tudo bem. Além disso, há relativamente muito mais ciclovias por aqui do que em São Paulo, mas o problema é que as mesmas começam no nada e terminam em lugar nenhum... Não há muita lógica. A não ser em grandes lugares públicos como o parque que margeia o rio Han que corta a cidade de cabo a rabo. Aí sim é o paraíso dos ciclistas. Lá é um tipo de Ibirapuera daqui. Inclusive, agora no "maldito" verão, tem gente que acampa na beira do rio pra dormir, uma vez que o calor dentro das casas se torna infernalmente insuportável. Claro, se se está disposto a pagar uma conta de luz mais alta, basta ligar o ar condicionado, mas muita gente que faz isso (dormir na beira do rio) é porque gosta de se sentir mais perto da natureza, ou os mais velhos que foram criados no campo e ainda não estão tão acostumados com a vida na grande metrópole. E por falar nisso, Seul é tão grande, bonita, feia, limpa, suja, interessante, assustadora quanto São Paulo. O bom é que a parte onde se lê "assustadora" só o é para os Coreanos, já que para quem morou em uma grande metrópole do ocidente isso é fichinha. Crimes quase não existem por aqui. Só de vez em quando, quando alguém tem um ataque de esquizofrenia ou alguma outra doença mental e acaba matando alguém. Aí vira filme e eles ganham o maior dinheirão com isso. Fora isso, há alguns roubinhos vagabundos como o que aconteceu com uma amiga: entraram na casa dela, após serrarem uma grade e meia da janela (como no Brasil aqui também tem grades nas janelas), entraram no apartamento que continha TV, dois laptops, som, e muitos outros etcéteras e levaram sabe o quê? O porquinho de guardar moedas! O POR-QUI-NHO!!! É ou não é divertido? Pra gente, quando ouvimos que alguém entrou na casa de alguém já ficamos esperando pelo pior: estupros, latrocínios, o diabo a quatro... E aqui: POR-QUI-NHO! Não é de fazer rir??? É claro que este não deixa de ser um ato ilícito e imoral e amoral (amoral não é adjetivo referente a "amora", tá?), mas de qualquer forma, para nós brasileiros, só um porquinho se torna engraçado. Isso meio que mede o alto grau de violentabilidade ao qual infelizmente já estamos acostumados, não é não? Já temos uma idéia pré-concebida de que uma invasão domiciliar é um ato que normalmente deve trazer conseqüências catastróficas e não somente perdas materiais; que atos de qualquer tipo de assalto devam trazer algum tipo de violência (geralmente física ou moral). Por aqui, simplesmente o fato de alguém ter adentrado ao espaço privado de uma pessoa sem a devida anuência do proprietário já se considera um fato de extremo perigo e desespero. Essa minha amiga, quando se deu conta do fato, ligou-me para narrar o acontecido e eu, chegando na parte do POR-QUI-NHO, não pude conter-me e explodi-me em risos! No final, ela também acabou por rir, já que percebeu que tudo poderia ter sido muito pior, mas mesmo assim, sua reação me pareceu, a mim como brasileiro, um tanto quanto exagerada.
Bem, essas são apenas algumas poucas histórias (ah, e de acordo com as leis sacras que regem e trancafiam a língua dita portuguesa, "estória" não existe, pelo menos não mais) que se passam por aqui pelas terras do antigo e quadrimilenar "Reino da Manhã Tranqüila". E acabei fazendo mágica neste meu post... Transformei minha nova bicileta em um POR-QUI-NHO! Ahahaha...
Um abraço pra quem fica.
Fui!
domingo, 6 de abril de 2008
Releituras...
Releitura, estilo Final Fantasy, de "Pour Elise" de nosso querido "Ludwig van Beethoven" na voz de IVY (I to the V to the Y), hit do ano passado que acabei encontrando perdido aqui no meu computador e resolvi postar pra vocês.
Um exemplo de KPOP pra vocês.
Aqui vai outra releitura, agora de um super-sucesso japonês, I Love You de Yutaka Ozaki (尾崎豊), uma das músicas que eu cantei no post sobre karaokê. É um grupo chamado Position que sempre está gravando sucessos japoneses em coreano.
Abraço.
Um exemplo de KPOP pra vocês.
Aqui vai outra releitura, agora de um super-sucesso japonês, I Love You de Yutaka Ozaki (尾崎豊), uma das músicas que eu cantei no post sobre karaokê. É um grupo chamado Position que sempre está gravando sucessos japoneses em coreano.
Abraço.
segunda-feira, 31 de março de 2008
カラオケ・노래방・卡拉OK
Ontem fomos (com os brasileiros que estão aqui a negócios) a um karaoke, ou norebang (quarto de canções, como se diz na Coréia). Eles são nikkeis, para quem não sabe, japoneses nascidos no Brasil, e apreciadores da cultura karokística. Eu, com minha "febre-amarela", meu espírito oriental, também gosto. Chegando lá, nos arrumamos (5 pessoas) em uma salinha particular com capacidade para umas 8-10 pessoas sentadas, uma tv de umas 40 polegadas e quatro caixas de som de alta qualidade (ou hi-fi como se dizia nos antigamentes). Estávamos eu e Eun Bee, o dono da empresa com a esposa e o advogado (100% carioca). Comecei cantando Kanpai (乾杯), uma música pop-tradicional japonesa, pra levantar o ânimo dos "chefes". Eles gostaram da idéia e se empolgaram a procurar músicas no livrão (uma pasta com aqueles envelopes plásticos pra pôr duas folhas de papel uma de costas pra outra, sabe?, de uns dois quilos e muitas páginas). Primeiro foi a esposa a cantar e depois o marido. Comigo intercalando com algumas músicas japonesa e coreanas. Eun Bee cantou duas, Itta Ittayo (이따 이따요) e Eomeona (어머나). Além de Kanpai, cantei Mujokeon (무조건/無条件) (Desconsiderem as fotos do vietnamita...) (E aqui vocês podem ver é uma paródia que fizeram para o candidato a presidente, e que acabou sendo eleito, I Myeong Bak (이명박/李明博) ou Lee Myung-bak), Tsunami, I Love You, Subaru (昴)... Dona Elisa queria cantar Pusan-han e kaere (釜山港へ帰れ) ou Dorawayo Busan-hang e (돌아와요 부산항에) com Eun Bee já que é uma música nipo-coreana ou coreo-japonesa, mas Eun Bee não lembrava a letra. Sr. Carlos cantou várias que eu não conhecia e infelizmente não me lembro dos nomes. No final das contas, ficamos os três praticamente sem voz, mas felizes da vida. Sr. Carlos disse que já fazia uns bons anos que ele não ia a um Karaoke mesmo, só cantava em casa. Dona Elisa também ficou feliz. Como Eun Bee só cantou duas músicas (a timidez não deixa cantar mais), ela ainda estava bem no final, falando normalmente. :)
Foi bem divertido. Só o advogado, mencionado no início do post, que não se divertiu tanto (por falta de música pra ele; até tentamos achar um Besame Mucho, mas eles não tinham...).
A surpresa é que das 5 músicas que eu cantei, tirei 100 pontos em 3 delas, além de um noventa e poucos com I Love You (essa é mais difícil mesmo)! Óia! Tô ficando quase profissional! Güenta a mão aí que daqui a pouco eu até apareço na TV! (hahaha)
Um abraço pra todos (com a voz rouca...)
Foi bem divertido. Só o advogado, mencionado no início do post, que não se divertiu tanto (por falta de música pra ele; até tentamos achar um Besame Mucho, mas eles não tinham...).
A surpresa é que das 5 músicas que eu cantei, tirei 100 pontos em 3 delas, além de um noventa e poucos com I Love You (essa é mais difícil mesmo)! Óia! Tô ficando quase profissional! Güenta a mão aí que daqui a pouco eu até apareço na TV! (hahaha)
Um abraço pra todos (com a voz rouca...)
De integribus vocibus linguae coreanae
Andei falando a respeito da pronúncia da língua coreana lá no orkut também e aproveito para citar-me e piratear-me, copiando o que disse aqui para o blog. Como tive retorno a respeito da postagem sobre os sistemas de transliteração, acho que um pouco mais sobre pronúncia não faria mal a ninguém.
Aí vai:
Quero aprender coreano
(706 membros)
a questão da pronúncia...
eu também tinha muitas dúvidas quanto à pronúncia do coreano quando comecei a estudar. principalmente quanto às consoantes. o grande problema é que o sistema de sons que eles usam é bem diferente do usado pela língua portuguesa e isso leva um tempo pra assimilar e entender. a primeira coisa a entender é a diferença entre as consoantes do português e as do coreano.
em português, temos só um tipo de constraste entre p/b t/d k/g tch/dj. cientificamente todos esses pares são formados da mesma forma com apenas uma diferença: a vibração ou não das cordas vocais simultanemente à produção das consoantes. nos exemplos dados, a primeira consoante não produz vibração e a segunda sim. no coreano, a distinção é bem diferente: eles têm 3 tipos de diferença e normalmente a vibração das cordas vocais é secundária e não primária como é em português!!!
ㄱ/ㄲ/ㅋ ㄷ/ㄸ/ㅌ ㅂ/ㅍ/ㅃ ㅈ/ㅉ/ㅊ. nesses grupos, a primeira consoante é suave, a segunda é tensa e a terceira é aspirada. traduzindo: a 1a é pronunciada de forma bem relaxada, mais fraca; a 2a é pronunciada com bastante força na garganta; a 3a é pronunciada com uma grande saída de ar. se você pronunciar as 3 com um guardanapo de papel um pouco à frente da boca, o papel não se movimenta nas 2 primeiras mas na 3a ele tem que se mover bastante; é como uma pequena explosão.
para nós brasileiros, as vogais brandas parecem ter dois sons diferentes porque em português a sonorização (o movimento das cordas vocais) é muitíssimo distintivo. em coreano, nem tanto porque o que é importante é a saída do ar e a tensão na garganta.
como TODAS as vogais são sonoras, isto é, produzidas com vibração das cordas vocais, elas influenciam as consoantes suaves e só elas porque elas são mais fracas e mais volúveis (ㄱ,ㄷ,ㅂ,ㅈ). então é por isso que no começo de uma palavra, parece, para nós brasileiros, que eles estão falando k ao invés de g. isso é porque a vibração das cordas vocais começa bem mais tarde que no português, isto é, só quando a vogal seguinte aparece. por exemplo: um brasileiro quando fala "baba" começa a vibrar as cordas vocais antes de começar a palavra, fazendo com que o som do B seja bem mais forte. um coreano não: ele faz o B só na boca sem as cordas vocais e só começa a vibração quando chega a vogal. já o próximo B como está depois do A, pega carona na vibração anterior e se junta com a vibração do A que vem depois e, por isso, soa igualzinho ao B do português! na verdade, a consoante é a mesma, isto é, a posição dos órgãos da fala (lábios, língua, garganta) mais a quantidade de ar é exatamente a mesma, só a vibração das cordas vocais varia. por isso é que 바바 parece PABA para um brasileiro... mas quando um brasileiro fala PABA, um coreano escuta 빠바 porque o P do português é bem mais forte (tenso) que o ㅂ do coreano!!!
isso para um brasileiro é um GRANDE problema! temos que esquecer que a vibração das cordas vocais em coreano não é tão importante quanto é em português! o importante sempre é a força com que a consoante é pronunciada! na transliteração, isto é, quando se escreve coreano com o alfabeto latino, a consoante mais suave é escrita G, a tensa: GG, a aspirada: K.
Em comparação com o português, ㄲ é bem parecida com nosso K, ㄱ entre vogais é idêntica ao nosso G e ㅋ com muita saída de ar não existe normalmente pra gente, mas em inglês é bem comum...
isso se aplica a todas as outras consoantes desse grupo:
1 2 3
ㄱ g ㄲ gg ㅋ k
ㄷ d ㄸ dd ㅌ t
ㅂ b ㅃ bb ㅍ p
ㅈ j ㅉ jj ㅊ ch
1: suave e com alguma saída de ar
2: tensa e com quase nenhuma saída de ar
3: com muita saída de ar
um ótimo exercício é treinar com um guardanapo a alguns centímetros à frente da boca! parece besta, mas funciona! 1 e 2, não mexe quase nada. 3, quase sai voando!
espero ter podido ajudar um pouco com esse dilema que o brasileiro tem quando tenta aprender coreano...
já faz quase oito meses que estou aqui em Seul estudando coreano para entrar no curso de mestrado em lingüística na Universidade Nacional de Seul, mas eu posso dizer que não é fácil não. A pronúncia é um dos pontos mais difíceis pra gente. Então eu aconselho a quem mora em São Paulo, vai no Bom Retiro, escuta as pessoas conversando, tenta falar alguma coisa com eles, vai no restaurante 귀거래 e conversa com o 절수씨, um garçom brasileiro que atende em coreano fluente, ou na mercearia 오뚜기 onde tem uns atendentes brasileiros que também falam. Procure usar a língua. Pra quem não mora em SP, compre livros com CDs pela internet, procure coisas no www.naver.com, assista vídeos na internet, ouça músicas. o contato com o som é de extrema importância pra gente começar a perceber esses pequenos detalhes. Tente fazer amigos coreanos! E não se esqueça de fazer papel de bobo para os outros (e de inteligente para você mesmo) falando em voz alta os textos dos livros! Todo mundo pergunta: "você FALA coreano? (ou inglês, japonês, alemão, o que seja...). Ninguém pergunta: "você RESMUNGA coreano?". Pense nisso: praticar em voz alta é a melhor solução para qualquer língua! Não tenha medo! Não pense no que os outros vão pensar agora que você está exercitando, pense no que eles vão falar depois quando você estiver falando!
palavra final
a questão da pronúncia não acaba aqui. o problema é que não tenho mais tempo e não posso continuar. mas vou deixar uma lição de casa.
nós brasileiros não ligamos a mínima para o coitadinho do M e do N... em posição final! pense bem: PAM, PAN, PÃ. como você leu? PÃ, PÃ, PÃ? pois é... no Brasil não faz a mínima diferença como se escreve: o som sai igual. mas porque existem então duas letras M e N? porque na verdade os sons são muito diferentes!!!! pense no M e no N no começo de uma sílaba: MA e NA, p ex. são diferentes? então: no final de sílaba (isso na esmagadora maioria das línguas!!! português é que é a exceção!!!) também são diferentes, guardando a mesma diferença que fazem no começo da sílaba.
se for difícil, tente imaginar um E-zinho minúsculo no final das palavras. PAMe, PANe, e PÃ (muito parecido com PANG). Vá repetindo muitas vezes a mesma sílaba e devagarzinho, pouco a pouco, vai diminuindo a força desse E-zinho até ele desaparecer, mas parecendo que ele ainda está lá! Tcham tcham tcham tcham! Aí está vc pronunciou corretamente a diferença do M e do N.
o negócio é que a gente pensa que acabou pronunciando 빰 빤 빵, né? quase... outro grande, enorme, monstruoso problema do brasileiro é pensar que o mesmo A de bAla é o mesmo A de cAma! e NÃO é! a gente muda o A quando tem algum som nasal por perto... cAma, cÂntaro, cÃibra são muito diferentes de cAlo, cAbo, cAsa... então, em coreano e a imensa maioria de outras línguas neste nosso mundão NÃO faz isso! então tente manter todos os sons das vogais como eles são, não importando o que vem antes ou depois... nesse caso igual ao espanhol, sem mudança de som em nenhuma vogal A é A, E é E, O é O, etc...
Agora, pense também no L no finaL de sílaba. brasiL ou brasíU??? por que muda??? em coreano... pense!
Aí vai:
Quero aprender coreano
(706 membros)
a questão da pronúncia...
eu também tinha muitas dúvidas quanto à pronúncia do coreano quando comecei a estudar. principalmente quanto às consoantes. o grande problema é que o sistema de sons que eles usam é bem diferente do usado pela língua portuguesa e isso leva um tempo pra assimilar e entender. a primeira coisa a entender é a diferença entre as consoantes do português e as do coreano.
em português, temos só um tipo de constraste entre p/b t/d k/g tch/dj. cientificamente todos esses pares são formados da mesma forma com apenas uma diferença: a vibração ou não das cordas vocais simultanemente à produção das consoantes. nos exemplos dados, a primeira consoante não produz vibração e a segunda sim. no coreano, a distinção é bem diferente: eles têm 3 tipos de diferença e normalmente a vibração das cordas vocais é secundária e não primária como é em português!!!
ㄱ/ㄲ/ㅋ ㄷ/ㄸ/ㅌ ㅂ/ㅍ/ㅃ ㅈ/ㅉ/ㅊ. nesses grupos, a primeira consoante é suave, a segunda é tensa e a terceira é aspirada. traduzindo: a 1a é pronunciada de forma bem relaxada, mais fraca; a 2a é pronunciada com bastante força na garganta; a 3a é pronunciada com uma grande saída de ar. se você pronunciar as 3 com um guardanapo de papel um pouco à frente da boca, o papel não se movimenta nas 2 primeiras mas na 3a ele tem que se mover bastante; é como uma pequena explosão.
para nós brasileiros, as vogais brandas parecem ter dois sons diferentes porque em português a sonorização (o movimento das cordas vocais) é muitíssimo distintivo. em coreano, nem tanto porque o que é importante é a saída do ar e a tensão na garganta.
como TODAS as vogais são sonoras, isto é, produzidas com vibração das cordas vocais, elas influenciam as consoantes suaves e só elas porque elas são mais fracas e mais volúveis (ㄱ,ㄷ,ㅂ,ㅈ). então é por isso que no começo de uma palavra, parece, para nós brasileiros, que eles estão falando k ao invés de g. isso é porque a vibração das cordas vocais começa bem mais tarde que no português, isto é, só quando a vogal seguinte aparece. por exemplo: um brasileiro quando fala "baba" começa a vibrar as cordas vocais antes de começar a palavra, fazendo com que o som do B seja bem mais forte. um coreano não: ele faz o B só na boca sem as cordas vocais e só começa a vibração quando chega a vogal. já o próximo B como está depois do A, pega carona na vibração anterior e se junta com a vibração do A que vem depois e, por isso, soa igualzinho ao B do português! na verdade, a consoante é a mesma, isto é, a posição dos órgãos da fala (lábios, língua, garganta) mais a quantidade de ar é exatamente a mesma, só a vibração das cordas vocais varia. por isso é que 바바 parece PABA para um brasileiro... mas quando um brasileiro fala PABA, um coreano escuta 빠바 porque o P do português é bem mais forte (tenso) que o ㅂ do coreano!!!
isso para um brasileiro é um GRANDE problema! temos que esquecer que a vibração das cordas vocais em coreano não é tão importante quanto é em português! o importante sempre é a força com que a consoante é pronunciada! na transliteração, isto é, quando se escreve coreano com o alfabeto latino, a consoante mais suave é escrita G, a tensa: GG, a aspirada: K.
Em comparação com o português, ㄲ é bem parecida com nosso K, ㄱ entre vogais é idêntica ao nosso G e ㅋ com muita saída de ar não existe normalmente pra gente, mas em inglês é bem comum...
isso se aplica a todas as outras consoantes desse grupo:
1 2 3
ㄱ g ㄲ gg ㅋ k
ㄷ d ㄸ dd ㅌ t
ㅂ b ㅃ bb ㅍ p
ㅈ j ㅉ jj ㅊ ch
1: suave e com alguma saída de ar
2: tensa e com quase nenhuma saída de ar
3: com muita saída de ar
um ótimo exercício é treinar com um guardanapo a alguns centímetros à frente da boca! parece besta, mas funciona! 1 e 2, não mexe quase nada. 3, quase sai voando!
espero ter podido ajudar um pouco com esse dilema que o brasileiro tem quando tenta aprender coreano...
já faz quase oito meses que estou aqui em Seul estudando coreano para entrar no curso de mestrado em lingüística na Universidade Nacional de Seul, mas eu posso dizer que não é fácil não. A pronúncia é um dos pontos mais difíceis pra gente. Então eu aconselho a quem mora em São Paulo, vai no Bom Retiro, escuta as pessoas conversando, tenta falar alguma coisa com eles, vai no restaurante 귀거래 e conversa com o 절수씨, um garçom brasileiro que atende em coreano fluente, ou na mercearia 오뚜기 onde tem uns atendentes brasileiros que também falam. Procure usar a língua. Pra quem não mora em SP, compre livros com CDs pela internet, procure coisas no www.naver.com, assista vídeos na internet, ouça músicas. o contato com o som é de extrema importância pra gente começar a perceber esses pequenos detalhes. Tente fazer amigos coreanos! E não se esqueça de fazer papel de bobo para os outros (e de inteligente para você mesmo) falando em voz alta os textos dos livros! Todo mundo pergunta: "você FALA coreano? (ou inglês, japonês, alemão, o que seja...). Ninguém pergunta: "você RESMUNGA coreano?". Pense nisso: praticar em voz alta é a melhor solução para qualquer língua! Não tenha medo! Não pense no que os outros vão pensar agora que você está exercitando, pense no que eles vão falar depois quando você estiver falando!
palavra final
a questão da pronúncia não acaba aqui. o problema é que não tenho mais tempo e não posso continuar. mas vou deixar uma lição de casa.
nós brasileiros não ligamos a mínima para o coitadinho do M e do N... em posição final! pense bem: PAM, PAN, PÃ. como você leu? PÃ, PÃ, PÃ? pois é... no Brasil não faz a mínima diferença como se escreve: o som sai igual. mas porque existem então duas letras M e N? porque na verdade os sons são muito diferentes!!!! pense no M e no N no começo de uma sílaba: MA e NA, p ex. são diferentes? então: no final de sílaba (isso na esmagadora maioria das línguas!!! português é que é a exceção!!!) também são diferentes, guardando a mesma diferença que fazem no começo da sílaba.
se for difícil, tente imaginar um E-zinho minúsculo no final das palavras. PAMe, PANe, e PÃ (muito parecido com PANG). Vá repetindo muitas vezes a mesma sílaba e devagarzinho, pouco a pouco, vai diminuindo a força desse E-zinho até ele desaparecer, mas parecendo que ele ainda está lá! Tcham tcham tcham tcham! Aí está vc pronunciou corretamente a diferença do M e do N.
o negócio é que a gente pensa que acabou pronunciando 빰 빤 빵, né? quase... outro grande, enorme, monstruoso problema do brasileiro é pensar que o mesmo A de bAla é o mesmo A de cAma! e NÃO é! a gente muda o A quando tem algum som nasal por perto... cAma, cÂntaro, cÃibra são muito diferentes de cAlo, cAbo, cAsa... então, em coreano e a imensa maioria de outras línguas neste nosso mundão NÃO faz isso! então tente manter todos os sons das vogais como eles são, não importando o que vem antes ou depois... nesse caso igual ao espanhol, sem mudança de som em nenhuma vogal A é A, E é E, O é O, etc...
Agora, pense também no L no finaL de sílaba. brasiL ou brasíU??? por que muda??? em coreano... pense!
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