Itens compartilhados de Juliano

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sexta-feira, 6 de março de 2009

Adendo ao post anterior sobre a língua inglesa...

Como eu estava escrevendo este post em um café e a bateria do laptop já estava no osso, além de ter ficado tarde e eu ter que sair para um outro compromisso, acabei terminando o post "Coreanos e a língua inglesa" meio no vapt-vupt.

O negócio que mais me chama a atenção por aqui são dois, na verdade...

1. A dinheirama gasta com o estudo do inglês e o retorno, praticamente nulo.
2. O tempo gasto para atingir a meta de (não) falar inglês.

É incrível o mercado que se construiu por aqui (assim como em outros países asiáticos que não tiveram a "sorte" de serem colonizados pela Inglaterra ou pelos EUA) ao redor da língua inglesa. No Brasil, até onde estou a par, ainda deixa muito a desejar.

Há muuuuitas escolas de reforço escolar (chamados hagwon) com aulas de inglês desde o pré. Há ainda escolas específicas no ensino de línguas (leia-se 90% inglês) em vários pontos das cidades, principalmente em áreas nobres. O ensino em si é em formato de linha de produção, difícil tanto para os professores quanto para os alunos. Aulas começam às 6 da manhã e vão até tarde da noite, muitas vezes até a meia noite ou mais. Muitos professores trabalham um mínimo de 8 horas seguidas sem parar (só nos intervalinhos de 5 a 10 minutos entre as aulas) e muitos alunos também seguem esse ritmo. Ouvi falar de gente que chega a ter mais de 10 horas de aula em um só dia. E isso, do ponto de vista pedagógico é completamente nulo. Onde já se viu forçar um ser humano a prestar atenção em apenas um assunto durante 10 horas por dia, 5, 6 ou até 7 dias por semana? Depois ainda acham estranho que não dá resultado... Fora o dinheiro que é gasto para se torturar os próprios filhos ou a si mesmos, com pouco ou nenhum resultado...

Além de já terem suas aulas na escola, os alunos são matriculados em cursinhos de reforço e de inglês, estudando praticamente 7 dias por semana e chegando a dormir por volta de 4 horas por dia (principalmente durante o ensino médio). Não têm tempo para mais nada além de estudar, e ainda têm de se virar para poder fazer as lições de casa a tempo. Ai se não fizerem.

E assim vai a Coreia caminhando, com um monte de crianças sem infância e um monte de jovens sem emprego, já que o mercado já não dá conta de absorver toda a demanda, o que faz com que as empresas aumentem cada vez mais o nível de seus "vestibulares" e só aceitem gente que fale inglês melhor que um nativo. E aí os poucos que passam ficam contentes com sua vidinha de chegar às 9 e sair sabe-se lá quando (já que, mesmo não tendo o que fazer, não se deve sair antes do chefe; e o chefe, mesmo não tendo o que fazer, não deve sair cedo para mostrar que está trabalhando para seus subalternos), sem ganhar hora extra, e com alguns dias de férias durante o ano, esperando o dia da aposentadoria, se eles não tiverem um ataque cardíaco antes...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

R

Gente, começamos um grupo de estudos na semana passada a respeito de estatística ligada aos estudos linguísticos. Ninguém menos que o Hyeonjo (aquele cara de quem comentei em post esses dias) está nos guiando pelos árduos caminhos da estatística. Mas até que não é tão árduo assim já que estamos usando um programa chamado R. É muito bom! Quem mexe com estatística tem que conhecer isso! Que SPSS que nada, R é o melhor!

sábado, 4 de outubro de 2008

Será que agora vai?

Municípios enfrentam desafio do analfabetismo escolar

Carolina Glycerio
Enviada especial da BBC Brasil a Sobral

A constatação do fenômeno do analfabetismo escolar, ou das crianças que freqüentam a escola mas não aprendem, tem aumentado
a pressão sobre os municípios para melhorar a educação fundamental, a parte que lhes cabe no latifúndio educacional.

Os últimos números a mostrar que a expansão do acesso não se traduziu em qualidade da educação partiram do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que no final de setembro divulgou que dos 1,3 milhão de crianças entre 8 e 14 anos que não sabiam ler nem escrever no ano passado, 1,1 milhão (84,5%) estavam na escola.

"Não é que (o Brasil) não saiba educar, não sabe educar todos. Nosso problema de qualidade é muito mais profundamente um problemade eqüidade", disse o ministro da educação, Fernando Haddad, em recente entrevista a correspondentes internacionais.

Para Haddad, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) municipal, divulgado a cada dois anos, torna claro o que cada prefeito fez na educação.

"Não existia Ideb para o município (antes de 2005). Como os prefeitos tomaram posse em 2005 e os novos tomarão posse em 2009, há 'Idebs' e há como julgar as gestões municipais no que diz respeito à qualidade."

Se estiverem prestando a devida atenção no Ideb, os prefeitos que concorrem à reeleição têm pouco a comemorar. Em 2007, a maioria dos municípios registrou uma melhora, mas 53% deles obtiveram nota inferior à média nacional (4,2 pontos) em uma escala de 0 a 10, nas séries iniciais do ensino fundamental. Nas séries finais, o resultado foi ainda pior, com 60% dos municípios abaixo da média (3,8).

'Jogo de culpa'


Embora o último Ideb também tenha indicado uma diminuição das desigualdades regionais, a falta de recursos e o perfil socioeconômico dos alunos são explicações comuns de municípios pobres que têm mau desempenho no Ideb.

O Brasil investe pouco em educação, cerca de 2% a 2,5% do PIB, muito menos não só do que países desenvolvidos, mas também da região - a Argentina, por exemplo, se comprometeu com 6%.

Ainda assim, cidades como Sobral, no Ceará, e Teresina, no Piauí, conseguiram elevar o seu Ideb investindo o que está previsto em lei - no mínimo 25% das receitas obtidas com impostos. Entre 2005 e 2007, Teresina melhorou de 4,2 para 4,9 pontos e Sobral, de 4,0 para 4,9.



Para o diretor da Escola de Formação de Professores de Sobral, Joan Edessom Oliveira, há um "jogo de culpa" que impede que o município assuma a sua responsabilidade e prejudica o aprendizado dos alunos.

"A escola diz que os meninos não aprendem porque são pobres, porque os pais não se interessam, porque as famílias são desestruturadas", diz Oliveira.

"Precisamos intervir. Nós, escola pública, temos alunos pobres, muitas vezes com problemas de família, muitas vezes em realidades periféricas, violentas, mas eles estão ali e eles dão conta dos conteúdos como todos os outros. A escola precisa garantir que dêem conta."

Para o técnico de projetos do Unicef Rui Aguiar o município precisa ter uma proposta pedagógica clara, com metas de alfabetização e eliminação do abandono escolar.

"A gente apóia a autonomia pedagógica (das escolas), mas também que o município assuma a sua responsabilidade de acompanhar (o desempenho)", disse Aguiar. "Onde os resultados são péssimos, está todo mundo solto."

Apesar das expectativas do ministro e de campanhas que reforçam a importância da educação, uma pesquisa do Ibope feita em setembro indicou que menos de 1% dos eleitores consideram as propostas de educação do candidato decisivas para o seu voto.

A despeito dessa aparente falta de interesse, ou por causa dela, educadores discutem cada vez mais meios de envolver a comunidade com os assuntos da escola, a começar pelas próprias famílias dos alunos.

O Unicef está desenvolvendo em parceria com Sobral e Teresina o projeto Palavra de Criança, para orientar os pais, que muitas vezes analfabetos, a acompanhar a vida escolar da criança. "A gente quer a cumplicidade da família", afirma Rui Aguiar.

Outro desafio apontado por especialistas é a falta de integração das secretarias de educação com as de saúde e assistência social.

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