Itens compartilhados de Juliano

Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Maio, o "mês familiar"

Hoje, 15 de maio, é o dia dos professores por aqui. É uma dada muito mais celebrada por aqui do que o é no Brasil. Hoje é dia de se ver várias pessoas carregando pra lá e pra cá flores e bolos (que são caros por aqui) e outros presentes para oferecerem a seus mestres. Hoje é dia de agradecer o ano de agruras e sofrimentos pelos que os professores fazem os jovens pupilos passar.
O dia 8, o dia dos pais, mas no sentido pais = pai + mãe, quando os filhos dão seus presentinhos aos pais agradecendo a pressão que eles recebem para se matarem de estudar e passar só nas melhores universidades do país...
Além disso, tivemos no dia 5 o dia das crianças (feriado, ou "dia vermelho" como dizem por aqui, por causa da cor desses dias no calendário) onde a família sai para parques com seus filhotes brincando, andando de bicicleta, fazendo piqueniques, etc.
E abrindo o mês, no dia 2, tivemos o Festival das Lanternas comemorando o nascimento do Śākyamuni, Siddhārtha Gautama, o buddha.
Além de ser considerado o mês familiar com dias importantes como o dia das crianças, o dia dos pais e o dia dos professores, é também, juntamente com outubro, um mês muito esperado pelo fato do feriadão que se forma no início do mês e quando a maioria do povo tem um tempinho a mais para relaxar e descansar da correria do dia-a-dia.

Então, feliz dia dos professores!

terça-feira, 3 de março de 2009

Músicas coreanas

Aí vão algumas músicas que fizeram sucesso nos anos 2008/2009. Não há quem não as ouviu, tanto porque não há como não as ouvir: tocam em todos os cantos da cidade, em lojas, nos carros, em altofalantes nas ruas, nos ônibus, etc...

A primeira é "So Hot":


Depois, "Tell Me":


E ainda, "Nobody But You":


Todas essas são das "Wonder Girls", ou seja, "Meninas Maravilha"...

Tem a Baek Ji Young cantando 총 맞은 것처럼 (Cheong majeun got cheoreom), "Como se tivessem atirado em mim":


Agora tem a Son Dambi com sua música 미쳤어, ou seja "Enlouquecida":


E o atual sucesso que toca em todos os lugares, "Gee Gee Gee" do grupo "Girls' Generation":


Não precisa nem dizer que as menininhas fazem sucesso por aqui também... Pelo menos elas ainda não tem nome de fruta.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Coreanos e a língua inglesa

=Exórdio=
Depois de escrever isto aqui (ainda correndo por causa da bateria do laptop estar no osso), descobri que já havia escrito algo parecido em setembro do ano passado. Serve como complemento a este post. Clique aqui.
=========


O mundo hoje em dia só pensa em inglês, inglês e inglês. Todos dizem que é a língua universal, a língua internacional etc e tal.

Mas, pergunto: chega alguém lá no meio da América Latina em geral e vai falar inglês. Quem responde? Praticamente ninguém. Tem gente aí dizendo, quê isso? Magina! Claro que tem um ou outro que vai responder... É. Pode até ser. Mas aí o sujeito tem que ter sorte, já que estatisticamente o resultado é bem próximo a zero. Sei disso, por ter um dia feito uma pesquisa (pessoal) a respeito deste assunto. Fui às ruas de São Paulo próximo a um distrito que se pode chamar de rico (região da Av. Faria Lima), onde se encontram várias empresas, gente engravatada, o Shopping Iguatemi com suas vitrines escritas em inglês ("Sale", "50% off!"...). E comecei a interpelar as pessoas em inglês para ver quem me respondia. Em umas quase quatro horas que fiquei por lá só tive resposta positiva de alguns pouquíssimos gatos pingados, menos de 5 pessoas dentre centenas...

Na Coreia não é diferente. Se alguém chega por aqui falando inglês pode até ser que tenha mais sorte que em nosso Brasil varonil, mas mesmo assim, pouquíssima gente fala inglês. No entanto, todo mundo, isto é, TODO MUNDO estuda inglês. Talvez influência do exército americano que tanto fez para manter os comunistas fora da parte sul da península coreana, tornando possível o milagre econômico que se deu por aqui nos últimos 30 anos. As crianças já nascem escutando inglês no útero das mães, vão à escola onde têm aulas de inglês, vão aos hagwons (escolas particulares de reforço) e estudam mais inglês, vão a escolas especializadas só em inglês e estudam mais um pouco... Quando crescem um pouco mais, os pais os mandam ao exterior (leia-se Estados Unidos) e lá estudam anos e anos e depois que voltam, das duas uma: ou não falam inglês ainda por terem passado muito tempo com coreanos, ou voltam completamente "desadaptados" à vida coreana, sentindo-se peixes fora d'água em seu próprio país.

Tá, mas e daí? E daí que tá pra ter povo mais nacionalista e patriota que os coreanos. Mas isso não num sentido ruim como o nacionalismo nazista ou uma xenofobia gratuita. Isso se deu graças ao sentimento de sobrevivência do povo coreano durante milênios presos em uma pequena península ao lado de dois enormes impérios (China e Rússia) e mais o Japão do outro lado do mar (descontando ainda os Mongóis e outros durante a looonga história do povo coreano). Se não fosse por esse nacionalismo, no sentido de serem um povo, uma nação, os coreanos já teriam sido de há muito absorvidos pelos chineses, russos, chineses e a Coreia, como país, nunca teria existido. No entanto, isso não aconteceu. Eles foram cabeças-duras e teimosos e conseguiram trazer seu país ao ponto que chegou com muita luta e muita briga e muito patriotismo e sentimento de nação.

Agora, depois de tudo isso, eu, como estrangeiro, enxergando a sociedade coreana de um ponto de vista destacado, vejo que tudo isso que eles conseguiram está aos poucos se deteriorando e se perdendo graças à invasão econômico-cultural dos EUA. Não que isso se passe somente aqui, isso está acontecendo em muitos países ao redor do mundo, mas aqui eu sinto isso de uma forma bem mais forte. Até mesmo comparando ao Japão (tudo bem que já são oito anos desde que saí de lá), mas isso não me parecia TÃO forte como o que sinto por aqui. E o ápice dessa perda de dignidade nacional se mostra bem claramente no "desespero mortal" ao qual os coreanos se jogam para aprender o famigerado inglês.

Aqui, sem inglês, não se consegue nada na vida. Qualquer tipo de cargo público passa por uma avaliação de inglês mesmo que o sujeito trabalhe em uma pequena vilazinha no interior do país e nunca vá ver um só "estrangeiro" durante todo o resto de sua vida. Não importa se as notas da faculdade ou do mestrado tenham sido ótimas, se o candidato não tiver um exame de inglês (geralmente o TOEIC) com uma nota ótima. Em não tendo, o currículo é simplesmente jogado no lixo.

O argumento de que lançam mão é o de que ninguém fala coreano e o inglês é importante para se fazer negócios. Então se se desejar um posto em alguma boa empresa, é necessário ter um certificado com altíssimas notas em inglês. (Aí eu me pergunto: quantas pessoas ativamente precisam de usar inglês nessas empresas? É impossível que todo o contingente de empregados devam entrar em contato com compradores estrangeiros...) Isso tudo me é muito estranho e o problema é que ninguém questiona isso. Muitas vezes a pessoa é altamente capaz para desempenhar o trabalho, mas por falta de uma boa nota em inglês esta mesma pessoa é simplesmente ignorada, não podendo ao menos se defender e mostrar do que é capaz.

Isso tudo cria um mercado de exames (o qual é altamente desenvolvido neste país) e escolas preparatórias (têm cursinhos para tudo). Então, o que é que acontece? Eles vão a esses cursinhos para aprender a passar no exame e não para aprender o assunto em questão. Conheci pessoas que tinham notas altíssimas em seus certificados do TOEIC, mas que não eram capazes de se comunicar da forma mais básicas, uma vez que haviam decorado as respostas de todos os exames passados e só preencheram A, B, C, D nos testes, sem ao menos entender o porquê da resposta ser aquela.

Aqui estou enfatizando o inglês, mas, de uma forma geral, as outras coisas são resolvidas de forma semelhante. No entanto, o que me preocupa muito é o gasto de tempo e de dinheiro que os coreanos despendem com o inglês e por tal motivo negligenciam outras coisas mais básicas e de mais valor.

No caso dos coreanos que enviam seus filhos ao exterior, essas crianças crescem em um meio estranho, aprendem muito bem as outras culturas (principalmente a estadunidense) e quando voltam não se adaptam bem à realidade e à cultura coreana, não tendo aprendido sua história, sua geografia, seus modos e costumes. Isso vai completamente de encontro ao que os coreanos vieram lutando durante milênios como uma nação e agora, por causa dessa mudança brusca de foco para o individualismo, o povo coreano parece estar perdendo muito de sua cultura, de sua história, de seu futuro. Eu muitas vezes me sinto triste quando converso com meus amigos e muitos deles ou não dão valor ou não sabem a respeito da cultura ou da história de seu próprio povo. As tradições e até mesmo a própria língua estão se transformando de uma maneira muito rápida, graças ao desdém presente no sistema educacional que só dá valor aos resultados e não ao processo.

Agora chego a um ponto que nos é importante como brasileiros. Nosso país, assim como a Coreia, parece estar passando por um processo semelhante. Principalmente na área da educação. Não digo que estejamos no mesmo pé dos coreanos, mas parece que esta tendência também está mostrando sua carinha por aí também. Às vezes tenho medo do que está por vir e de que o mundo se pasteurize igualando as culturas e o modo de viver dos diferentes povos. No caso do Brasil, parece ser um pouco mais difícil também pelo fato de o nosso país ser maior e de termos uma cultura variada que ainda se mostra mais ativa. No entanto, a questão da educação é o que mais me faz pensar. A difusão do modo "cursinho" de educação, onde já não ensinam mais o aluno a pensar, e sim a resolver questões da FUVEST/UFMG e etcéteras... Na minha época (olha só... já pareço aqueles velhos ranzinzas reclamando das novas gerações) eu me preocupava em entender e aprender o que me era ensinado, pensando e analisando. Hoje se analisa qual a alternativa dá para ser eliminada. Estaremos nós também marchando em direção ao modelo de educação coreana, à memorização, à pasteurização? Não se é de admirar o fato de os resultados das olimpíadas de matemática e similares terem seus melhores resultados vindos daqui do oriente: a memorização é extremamente desenvolvida por aqui, mas o pensamento crítico e lógico, nem tanto. A desumanização do estudo é alta e os resultados são ótimos para estatísticas. No entanto, o ser humano fica devendo um monte para com a sociedade e o fortalecimento de sua própria nação. Exatamente o contrário do que os coreanos vivem pregando no melhor estilo do "faça o que eu digo, não faça o que eu faço".



PS: Por estar eu atualmente imerso na sociedade coreana, gostaria de afirmar que estas são minhas humildes impressões a respeito dos coreanos. No caso do Japão, já saí de lá há muito tempo e muitas impressões se perderam ou se fundiram com minhas novas impressões daqui. Entretanto, me parece que muito do que se aplica por aqui no quesito educção pode também ser aplicado à China e ao Japão também. O que mais me choca mesmo é a perda quase total da cultura coreana em favor à ocidentalização (leia-se americanização). Aqui cultura coreana só se vê em parques de diversão e vilas culturais que tentam recriar essa tradição que a cada dia se torna mais e mais "brega" para os próprios coreanos. É muito estranho isso porque eles sempre dizem que a Coreia é única com sua cultura única e muitos outros blá-blá-blás que quando a gente chega por aqui fica procurando mas não acha... Ai, ai... que pena...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Feliz ano do touro!

Segunda-feira passada foi ano novo de novo por aqui.

De novo, porque aqui na Coreia eles usam dois calendários: o nosso velho conhecido calendário gregoriano e, lado a lado a este, o calendário lunar chinês. Este último, por ser lunar, nunca bate com o gregoriano, que é solar. Cada ano que passa, as datas caem em dias diferentes e o aniversário dos mais velhos também. Os mais jovens por aqui preferem seguir seus aniversários pelo calendário gregoriano mesmo pra evitar essas confusões.

Como de praxe, não fiz muita coisa além de ficar em casa estudando e estudando, mesmo sendo um feriado prolongado de quatro dias... E mesmo com tudo isso, ainda não consegui fazer a metade do que tinha pra fazer... Ai, ai, ai...

A maioria dos coreanos, nesse feriadão do ano novo lunar, costuma voltar à região da família paterna em todos os cantos da Coreia. Lá ficam comendo e bebendo e aproveitando, se são homens, ou cozinhando e se matando de trabalhos domésticos, se são mulheres.

No dia do ano novo, a família se reune e faz uma homenagem aos antepassados oferecendo uma mesa farta de frutas, comidas e bebidas. Todos fazem reverência em homenagem à memória dos que já se foram e, logo depois, os mais jovens fazem o mesmo aos mais velhos, reverenciando-os e desejando-lhes boa saúde, ao que são retribuidos com boas somas em dinheiro em gratidão. Não preciso dizer que é a alegria da gurizada! Saem com seus bosinhos cheios de dinheiro (o qual, normalmente, as mães vem depois pegar e dizer que eles não podem gastar tudo aquilo...). Depois da reverenciaiada, passam a comer aquilo tudo que estava na mesa e fazem a festa entre todos.

E aí se vai mais um ano e chega mais um ano...

Como a maioria da população de Seul não é de Seul, os engarrafamentos são monstruosos... É um vai-e-vem enorme de carros pelas rodovias. Em compensação, a cidade fica relativamente vazia. Eu me lembrei de São Paulo durante um jogo da seleção na copa do mundo... Uma pessoa aqui, outra ali, um carro aqui, outro ali, mas aquela loucura do dia-a-dia não existe. Pelo menos, foi bem relaxante pra quem ficou.

Enfim, vamos em frente que atrás vem gente! Mais um ano que começa de novo e um monte de coisas novas e atrasadas pra fazer.

Feliz ano do touro (ou da vaca, ou do boi... já que é tudo a mesma coisa em coreano...)!

Abraços.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

No meu aniversário, o presente é pra você, leitor!

Pois é... Há séculos não escrevo nada por aqui... Já podem ter adivinhado que é falta de tempo...

(Acabei de ser interropido por um telefonema surpresa de "parabéns" da Brisa e do Gustavo, outros brasileiros "sofredores" que estão estudando em Daegu (outra cidade mais ao Sul do país). Obrigado aí gente, viu?^^ Vocês alegraram um pouquinho mais meu diazinho!^^)

Voltando ao assunto, estamos no meio de um grande projeto no meu laboratório e somos "guiados" por meu orientador oriental desorientado que não faz a mínima idéia nem de como começar o projeto em que ele se enfiou e só fica perguntando pra gente como é que as coisas estão andando, se já terminamos, e o que que falta... Não importa como seja feito, já que ele não faz idéia de como, mas tem que ser feito de alguma forma. (Entre parênteses devo dizer que só agora depois de duas "idéias", três agora, é que percebi que escrevi as dita cujas com acento. Pelo jeito vai demorar horrores pra me acostumar com essa nova ortografia...)

Além de não saber muito, ainda fica dando pitaco na forma como estamos fazendo. Esses dias, até meio que brigou com o Hyeonjo (nosso novo membro do laboratório) porque ele fez um site para nosso laboratório e o professor achou ruim porque não é bonitinho... Não importa o conteúdo, não importa o ato em si de fazer algo para facilitar nossa comunicação interna... como o estilo do site é "internacional" e não "coreano" (que é deveras complicado e feio na minha opinião), ele achou ruim e xingou o coitado do nosso amigo.

A propósito, esse Hyeonjo merece um capítulo à parte.

Ele é meu hyeong (형/兄), isto é, meu "irmão mais velho" (isso porque todas as relações interpessoais são baseadas em relações familiares), o que é uma raridade, já que eu quase sempre sou o mais velho e todo mundo me chama de hyeong. Isso já é legal pra mim^^ Ele acabou de defender seu doutorado no fim do ano passado e agora está dando aulas na graduação e participando do nosso laboratório como "consultor de assuntos aleatórios". Como ele participou na construção do "Dicionário Eletrônico Sejong da língua coreana", um projeto do governo que durou 10 anos e mobilizou diversas universidades, ele aprendeu a programar muito bem e é um ótimo lingüista (olha a trema aí...) no sentido amplo e estrito da palavra. Já viajou bastante e fala muitas línguas (russo, uzbeque, tcheco...), programa muito bem em Java, Python, Perl, Awk e etcéteras, e, ainda por cima, deu de querer aprender português comigo! E não é que ele está indo de vento em popa?! É um ótimo aluno! Eu falo meia palavra e ele aprende duas! (Que inveja!)

Bem, voltando ao assunto, ele é que está fazendo as vezes de orientador para nós, já que o orientador oficial é mais um desorientador... E já aprendi muita coisa com ele. Mesmo ele não sendo aquele que ensina tintim por tintim; ele é aquele que mostra o caminho e manda você caminhar com as próprias pernas, mas está sempre do lado pra explicar por onde eu tenho que pisar pra não escorregar e cair... O orientador oficial, no entanto, é daquele que fica sentado na cadeirinha macia dele e fala: "Ó! Tá vendo aquela trilhazinha ali no meio da floresta? É fácil! É só entrar lá e atravessar a floresta até chegar do outro lado." Mas não menciona nem quer saber dos rios e montanhas que tem pelo meio do caminho, ou se a gente vai cair na boca do jacaré ou no meio das piranhas... Na cabeça dele, é só atravessar a floresta, o que tiver lá no meio é problema nosso... (Que imagem mais ridícula... mas acho que dá pra entender mais ou menos o que quero dizer, né?) Se não fosse pelo Hyeonjo, a gente estaria só batendo cabeça até agora.

Além disso tudo, agora tenho um curso de Java aos sábados. Muito """divertido""" (ironia, viu?). Sair de casa às 9 da manhã com o dia, que começa às 8, ainda raiando, debaixo de 10 graus negativos, começar a aula às 10 da manhã, ficar ouvindo a professora falando blá-blá-blá durante 3 horas, sair pra almoçar, voltar e ouvir mais 3 horas de blá-blá-blá e voltar pra casa à noite, já que às 5:30 já tá escurecendo. Não que não seja de todo interessante, mas o fato é que é muita informação pra ser assimilada em 6 horas de aula... Podia muito bem ser duas vezes por semana, ainda mais que ninguém tem aula (teoricamente estamos de férias), com mais tempo de digestão de conhecimento... seria menos chato e menos cansativo. Mas não... fazer o quê, né? Güenta, coração!

Mas não posso ficar só reclamando. Não estou de todo ruim. Tenho meus programinhas pra fazer, faço, se não sei, corro atrás e vou me virando. Já aprendi muita coisa por aqui desde que cheguei. E (quase) tudo que aprendi foi na base do sevirômetro. Daqui pra frente agora, é pensar na minha tese de mestrado e de como vou fazer pra escrever isso. Só não posso contar muito com o meu desorientador... mais uma coisa que vou ter que me virar...

Além disso tudo, tem um monte de coisas que eu gostaria de escrever aqui no blogue, principalmente sobre o dia-a-dia de um brasileiro perdido na Coreia (agora sem acento de acordo com as novas regras). As coisas boas, as coisas estranhas, as coisas erradas, as coisas cômicas... Tem um monte de coisinhas que seriam divertidas... mas, só vou escrever se receber fidebeque (óia! um neologismo!) de vocês que estão aí do outro lado da tela! ok?

==Cantinho Cultural===
Só pra constar, devo dizer que meu café da manhã hoje foi especial.
Como é de praxe na manhã do aniversário, o aniversariante deve tomar miyeokkuk (미역국), uma sopa de alga para comemorar mais um ano de vida. E a frase "hoje comi miyeokkuk" é equivalente a "hoje é o meu aniversário".^^
===

Bem, um abraço pra quem fica.

Juliano

domingo, 3 de agosto de 2008

Trivialidades não tão triviais

As trivialidades só são triviais em certos espaços e momentos.
Trivialidades banais como comer um pão francês, por exemplo, só é trivial mesmo no Brasil e, pelo que presenciei, no sudeste asiático, mais precisamente na região da ex-Indochina Francesa (da qual a tão famosa "Cochinchina" faz parte!), e atuais Vietnã, Camboja e Laos. Nem mesmo na França comer pão francês, pelo menos "o" pão francês que tão bem conhecemos, pasmem, não é um fato reportado como corriqueiro.
Bem, indo direto ao ponto, quero dizer que comer pão por aqui não é uma tarefa fácil. Primeiro pela própria denominação "pão" que engloba o que conhecemos por pão, roscas, bolos, pães doces e até massa de pizza... Com uma amplitude semântica dessa espécie, achar um pão que mereça ser chamado de pão não é uma tarefa das mais fáceis. No entanto, achar o que eles denominam "ppang (빵)" (palavra que, por acaso, é um empréstimo do japonês que, por sua vez, é um empréstimo do português do século XVI!) é uma tarefa extremamente fácil! Entretanto, o 빵 coreano é normalmente uma rosca ou um pão doce com recheio de creme de leite, creme de ovos, creme de amendoim ou creme de feijão (doce, para os desavisados). Eu, amante do meu pãozinho francês quentinho acabado de sair do forno da padaria, vi-me privado de tal prazer por aproximadamente dois anos, isto é, o período que estou aqui na Coréia sem voltar à pátria amada, idolatrada, salve, salve!. Com as intempéries e agruras no campeio de um bom pão francês, cheguei a um ponto em que havia desistido de tentar.
Hoje, no entanto, visitei uma cafeteria (das quais a Coréia está coalhada) onde se compra uma caneca de café (no "bom e velho" estilo estadunidense) e pagando a módica quantia de ₩700 a mais, a pessoa ganha o direito de se servir de um "buffet" (ou bufê) de pães à vontade! Só pra ter uma idéia, um pãozinho custa de ₩1000 a ₩1500. Não precisa dizer que fiz a festa, já que todos os pães eram do meu agrado. É claro que não é assim de mão beijada... O bufê só funciona das 8 às 10 em lugar que fica a uma hora da minha casa. E como ultimamente tenho levado uma vida meio notívaga, levantar a essas horas, para mim, está fora do meu fuso horário. Mesmo assim, não me arrependi nem um pouquinho. Fartei-me até não mais poder. Fiquei no café até depois do meio-dia, tamanha a "vontade" que tinha de me mexer de tanto pão no buxo.
No picasa tem uma galeria com algumas fotos dos pãezinhos.
Cada vez que eu olho pras fotos, minha boca enche de água... =)

Pães...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Meu mais novo "bebê"

Depois de quase 2 anos por aqui, resolvi concretizar um sonho que de há muito desejava. Comprei uma bicicleta.
Minha vida por aqui não é nada do que se possa chamar de excepcionalmente ativa (pelo menos não fisicamente). Já estava me sentindo mal de tanta falta de exercício... Então por que não juntar o útil ao agradável? Bicileta foi sempre algo por que sempre me interessei e desde minha primeira, aos 5 anos de idade, nunca fiquei muito afastado da magrela. Pelo menos até me formar no segundo grau. Daí pra frente, só usei bicicleta no Japão, no ano 2000, e de lá pra cá somente pude cultivar o desejo de mais uma vez possuir um meio de transporte barato, prático, limpo e saudável. Mas, em se tratando de Seul, devo também adjungir o adjetivo "um pouco perigoso". Na verdade, não é nada comparado com São Paulo, e de uma forma mais geral, no Brasil. Lá, realmente, eu não tenho coragem de andar de bicicleta em paz. Por aqui, pelo menos os carros andam relativamente devagar, o mais perigoso parecem ser as pessoas. Ninguém olha pra onde vai... Por essa razão, deve-se estar atento pra não atropelar nenhuma velhinha desavisada, ou algum estudante indo pra escola. De resto, tudo bem. Além disso, há relativamente muito mais ciclovias por aqui do que em São Paulo, mas o problema é que as mesmas começam no nada e terminam em lugar nenhum... Não há muita lógica. A não ser em grandes lugares públicos como o parque que margeia o rio Han que corta a cidade de cabo a rabo. Aí sim é o paraíso dos ciclistas. Lá é um tipo de Ibirapuera daqui. Inclusive, agora no "maldito" verão, tem gente que acampa na beira do rio pra dormir, uma vez que o calor dentro das casas se torna infernalmente insuportável. Claro, se se está disposto a pagar uma conta de luz mais alta, basta ligar o ar condicionado, mas muita gente que faz isso (dormir na beira do rio) é porque gosta de se sentir mais perto da natureza, ou os mais velhos que foram criados no campo e ainda não estão tão acostumados com a vida na grande metrópole. E por falar nisso, Seul é tão grande, bonita, feia, limpa, suja, interessante, assustadora quanto São Paulo. O bom é que a parte onde se lê "assustadora" só o é para os Coreanos, já que para quem morou em uma grande metrópole do ocidente isso é fichinha. Crimes quase não existem por aqui. Só de vez em quando, quando alguém tem um ataque de esquizofrenia ou alguma outra doença mental e acaba matando alguém. Aí vira filme e eles ganham o maior dinheirão com isso. Fora isso, há alguns roubinhos vagabundos como o que aconteceu com uma amiga: entraram na casa dela, após serrarem uma grade e meia da janela (como no Brasil aqui também tem grades nas janelas), entraram no apartamento que continha TV, dois laptops, som, e muitos outros etcéteras e levaram sabe o quê? O porquinho de guardar moedas! O POR-QUI-NHO!!! É ou não é divertido? Pra gente, quando ouvimos que alguém entrou na casa de alguém já ficamos esperando pelo pior: estupros, latrocínios, o diabo a quatro... E aqui: POR-QUI-NHO! Não é de fazer rir??? É claro que este não deixa de ser um ato ilícito e imoral e amoral (amoral não é adjetivo referente a "amora", tá?), mas de qualquer forma, para nós brasileiros, só um porquinho se torna engraçado. Isso meio que mede o alto grau de violentabilidade ao qual infelizmente já estamos acostumados, não é não? Já temos uma idéia pré-concebida de que uma invasão domiciliar é um ato que normalmente deve trazer conseqüências catastróficas e não somente perdas materiais; que atos de qualquer tipo de assalto devam trazer algum tipo de violência (geralmente física ou moral). Por aqui, simplesmente o fato de alguém ter adentrado ao espaço privado de uma pessoa sem a devida anuência do proprietário já se considera um fato de extremo perigo e desespero. Essa minha amiga, quando se deu conta do fato, ligou-me para narrar o acontecido e eu, chegando na parte do POR-QUI-NHO, não pude conter-me e explodi-me em risos! No final, ela também acabou por rir, já que percebeu que tudo poderia ter sido muito pior, mas mesmo assim, sua reação me pareceu, a mim como brasileiro, um tanto quanto exagerada.
Bem, essas são apenas algumas poucas histórias (ah, e de acordo com as leis sacras que regem e trancafiam a língua dita portuguesa, "estória" não existe, pelo menos não mais) que se passam por aqui pelas terras do antigo e quadrimilenar "Reino da Manhã Tranqüila". E acabei fazendo mágica neste meu post... Transformei minha nova bicileta em um POR-QUI-NHO! Ahahaha...
Um abraço pra quem fica.
Fui!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Cada um no seu quadrado....

Gente, o que é que anda acontecendo por aí?

"Cada um no seu quadrado, cada um no seu quadrado..."
"Créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu..."
Mulheres frutas e o diabo a quatro...

Isso tudo me faz pensar muito se eu quero voltar para o Brasil depois. É um pouco medonha essa situação. Já comentei anteriormente em algum outro post, mas a situação vai de vento em popa a um destino que tenho medo de prever. Isso tudo me faz lembrar de um filme chamado "Idiocracy". Se puderem ver, vejam, pois é mais ou menos o que eu já imaginava e eu fiquei com medo quando vi minha imaginação retratada nesse filme...

Ai, ai, ai... O que será de nosso país daqui a alguns anos?

Quem viver verá.

Pesquisar em blogues de brasileiros na Coreia

Resultado da pesquisa