O pessoal tá falando um monte já do ex-presidente e ex-vivo Kim Daejung, então nem preciso dar muitos detalhes por aqui.
Mas uma coisa que ninguém falaou até agora (pelo menos até onde eu vi) é um fato curioso.
Ele morreu duas vezes.
No momento em que ele morreu pela primeira vez, estava eu chegando ao meu laboratório onde já se encontravam alguns coreanos comentando sobre o fato.
Enquanto estávamos discutindo a batida de caçuleta que o digníssimo ex-presidente havia efetuado, um dos coreanos solta uma gargalhada e comenta: "Ah, que que é isso!?" Todos espantados com sua reação, perguntamos a ele o que havia acontecido. Ao que ele responde: "Kim Daejung está vivo de novo!"
Naquele momento, os médicos haviam ressuscitado o ex-presidente e todas as notícias de morte e tudo o mais foram desmentidas e todos os jornais anunciaram prontamente a ressurreição.
Passam-se mais alguns minutos, o mesmo coreano solta outra gargalhada e fala: "Morreu de novo!"
E assim foi. Quarenta e três minutos de prorrogação, mas perdeu... E assim se foi um dos ex-presidentes coreanos. Amado por muitos, odiado por outros; considerado o pai da modernização tecnológica da Coreia e também como o que reuniu (aos trancos e barrancos) as famílias separadas havia décadas pela Guerra da Coreia; odiado por ter financiado e "dado" um bom dinheirinho por debaixo do pano ao Kim Jong Il (o maluco do norte)...
E assim a história vai se escrevendo...
Minha vida na Coréia: mestrado, viagens, enfim, meus pensamentos com muito café e kimchi. ^^
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
O jornal do dia em que nasci
Olha só!
Já que eu estou muito ocupado e precisando fazer milhares de coisas, sendo uma delas começar a escrever minha tese, meu cérebro não quer cooperar e fica tegiversando entre pensamentos mil e meus dedos vão a seu bel-prazer clicando links e mais links que aparecem pela frente.
E eis que, numa dessas, acabei caindo no serviço de "Arquivo Digital de Notícias" do Naver (o Google coreano). E não é que eles têm o jornal do dia em que eu nasci?!
Aí vai o link para quem quiser ver: Dong-Ah Ilbo do dia 12 de janeiro de 1977.
Já que eu estou muito ocupado e precisando fazer milhares de coisas, sendo uma delas começar a escrever minha tese, meu cérebro não quer cooperar e fica tegiversando entre pensamentos mil e meus dedos vão a seu bel-prazer clicando links e mais links que aparecem pela frente.
E eis que, numa dessas, acabei caindo no serviço de "Arquivo Digital de Notícias" do Naver (o Google coreano). E não é que eles têm o jornal do dia em que eu nasci?!
Aí vai o link para quem quiser ver: Dong-Ah Ilbo do dia 12 de janeiro de 1977.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Bem, até que às vezes é fácil mesmo...
Oi, gente!
Olha só! Dois posts no mesmo dia! (Cuidado que vai chover!)
Bem, estou agora escrevendo-vos de um café na região do Dongdaemun (동대문/東大門), região famosa em toda a Coréia por seus estabelecimentos comerciais. Na verdade, o nome Dongdaemun significa ao pé da letra "Grande Portão do Leste", e fica justamente ao lado de tal portão que ainda sobrevive às intempéries do tempo e da história. O portão em si era literalmente a porta de entrada aos reles plebeus que queriam vir à capital do reino coreano de antanho e, por ser uma região de alta concentração de pessoas passantes e ficantes, era justamente onde os viajantes traziam suas mercadorias do interior para comercializar com os moradores da capital. A capital ficava encerrada dentro de grandes muralhas que protegiam os palácios e seus nobres moradores. Seul naquela época possuía (ainda tem acento neste caso???) três grandes portões: o do Leste (aqui), o do Sul (perto de outro grande e tradicional mercado) e o do Oeste. O do Norte existia, mas ficava no topo de uma grande montanha ao norte do palácio do Rei e, por ser de difícil acesso, só era usado basicamente pelos militares que protegiam os limites da cidade. Além desses, havia ainda outros menores, sem a denominação "Grande" que eram posicionados em pontos colaterais como Nordeste, Sudeste, Sudoeste e Noroeste, mas por serem de menor importância, não sobreviveram à voracidade do crescimento urbano (e também voracidade dos colonizadores japoneses) dado durante o século XX.
A propósito, falando sobre o nome do Portão, seu nome oficial não é Dongdaemun (apesar de ser este o mais reconhecido e usado por todos); o nome oficial é 興仁之門 (흥인지문/Heung-in-ji-mun), ou seja, o Portão da Benevolência Ascendente. E, ainda, falando de nomes, sabiam que Seul, o nome da cidade capital da República da Coréia, significa nada mais nada menos do que... "Capital"? É o nome menos criativo para se dar a uma capital, na minha opinião. No entanto, por seu uso como nome próprio, a palavra 서울 (Seoul) tem perdido seu valor de capital, já sendo estranho se dizemos que a "seoul" do Brasil é Brasília, algo que até algumas décadas atrás teria sido extremamente natural. Hoje em dia se usa a palavra chinesa 수도 (首都/Sudo) como o substantivo comum "capital". Antigamente, no entanto, Seul já teve vários outros nomes que são utililzados às vezes como nomes de universidades, restaurantes... coisas do gênero. Outra curiosidade é que Seul é um dos pouquíssimos nomes geográficos da Coréia que não têm origem chinesa: a grande maioria das cidades, bairros, vilas e etcéteras têm seu nome originado em caracteres chineses, mas Seul não; Seul é uma palavra considerada 100% coreana. O último nome usado por Seul com base em caracteres chineses foi 경성 (京城/Gyeongseong - literalmente significando "Cidade Capital", mas cidade no sentido antigo de castelos fortificados protegidos por muros junto com a população que vive dentro dos limites das muralhas) até o período da ocupação japonesa. Antes disso, durante a dinastia Joseon, era usado o nome 한양 (漢陽/Hanyang - essa é um pouco difícil de traduzir dada a infinidade de significados de cada caracter que forma o nome da cidade: han pode significar um tipo de água (hansu) e é também o nome do rio que banha a cidade (rio Han) o que torna este o significado mais apropriado em minha humilde opinião; yang, por sua vez, pode significar o sol, os raios solares, a força positiva do sol que fertiliza a terra e consequentemente a força Yang (aquela do Yin/Yang), sendo talvez, portanto, o "Brilho do rio Han"). Outro nome foi 한성 (漢城/Hanseong - de novo o caracter Han, desta vez acompanhado por Seong, cidade, portanto: a "Cidade do rio Han"). Este é o nome que ainda é usado tradicionalmente pelos chineses, mas aí entra um problema que 한/漢 é também o caracter de uma dinastia chinesa que foi o embrião da china moderna e que também nomeia a etnia Han chinesa que é a parte dominante do povo chinês, constituindo 92% da população chinesa com 1.2 bilhão de pessoas. Aí eu digo: e os coreanos gostam de ter sua capital com um nome que lembra tanto a China para os próprios chineses? Claro que não. E aí, o que fizeram? Mandaram os chineses mudarem a forma como se dirigem à capital coreana, mudaram a língua chinesa, dizendo-lhes para chamarem a capital coreana de 首爾/首而(Shǒuèr) que lembra o som "Seoul" e usa um caracter que pode significar capital/principal (mas significa de verdade "pescoço"). Apesar de ter tido outros nomes, estes foram os mais importantes. E que bagunça, né? No final, acho que eles se cansaram de tantos nomes e falaram, a capital vai ser "Capital" e acabou!
Qualquer coisa, tem a Wikipédia. Basta dar uma olhada por lá.
Olha só! Dois posts no mesmo dia! (Cuidado que vai chover!)
Bem, estou agora escrevendo-vos de um café na região do Dongdaemun (동대문/東大門), região famosa em toda a Coréia por seus estabelecimentos comerciais. Na verdade, o nome Dongdaemun significa ao pé da letra "Grande Portão do Leste", e fica justamente ao lado de tal portão que ainda sobrevive às intempéries do tempo e da história. O portão em si era literalmente a porta de entrada aos reles plebeus que queriam vir à capital do reino coreano de antanho e, por ser uma região de alta concentração de pessoas passantes e ficantes, era justamente onde os viajantes traziam suas mercadorias do interior para comercializar com os moradores da capital. A capital ficava encerrada dentro de grandes muralhas que protegiam os palácios e seus nobres moradores. Seul naquela época possuía (ainda tem acento neste caso???) três grandes portões: o do Leste (aqui), o do Sul (perto de outro grande e tradicional mercado) e o do Oeste. O do Norte existia, mas ficava no topo de uma grande montanha ao norte do palácio do Rei e, por ser de difícil acesso, só era usado basicamente pelos militares que protegiam os limites da cidade. Além desses, havia ainda outros menores, sem a denominação "Grande" que eram posicionados em pontos colaterais como Nordeste, Sudeste, Sudoeste e Noroeste, mas por serem de menor importância, não sobreviveram à voracidade do crescimento urbano (e também voracidade dos colonizadores japoneses) dado durante o século XX.
A propósito, falando sobre o nome do Portão, seu nome oficial não é Dongdaemun (apesar de ser este o mais reconhecido e usado por todos); o nome oficial é 興仁之門 (흥인지문/Heung-in-ji-mun), ou seja, o Portão da Benevolência Ascendente. E, ainda, falando de nomes, sabiam que Seul, o nome da cidade capital da República da Coréia, significa nada mais nada menos do que... "Capital"? É o nome menos criativo para se dar a uma capital, na minha opinião. No entanto, por seu uso como nome próprio, a palavra 서울 (Seoul) tem perdido seu valor de capital, já sendo estranho se dizemos que a "seoul" do Brasil é Brasília, algo que até algumas décadas atrás teria sido extremamente natural. Hoje em dia se usa a palavra chinesa 수도 (首都/Sudo) como o substantivo comum "capital". Antigamente, no entanto, Seul já teve vários outros nomes que são utililzados às vezes como nomes de universidades, restaurantes... coisas do gênero. Outra curiosidade é que Seul é um dos pouquíssimos nomes geográficos da Coréia que não têm origem chinesa: a grande maioria das cidades, bairros, vilas e etcéteras têm seu nome originado em caracteres chineses, mas Seul não; Seul é uma palavra considerada 100% coreana. O último nome usado por Seul com base em caracteres chineses foi 경성 (京城/Gyeongseong - literalmente significando "Cidade Capital", mas cidade no sentido antigo de castelos fortificados protegidos por muros junto com a população que vive dentro dos limites das muralhas) até o período da ocupação japonesa. Antes disso, durante a dinastia Joseon, era usado o nome 한양 (漢陽/Hanyang - essa é um pouco difícil de traduzir dada a infinidade de significados de cada caracter que forma o nome da cidade: han pode significar um tipo de água (hansu) e é também o nome do rio que banha a cidade (rio Han) o que torna este o significado mais apropriado em minha humilde opinião; yang, por sua vez, pode significar o sol, os raios solares, a força positiva do sol que fertiliza a terra e consequentemente a força Yang (aquela do Yin/Yang), sendo talvez, portanto, o "Brilho do rio Han"). Outro nome foi 한성 (漢城/Hanseong - de novo o caracter Han, desta vez acompanhado por Seong, cidade, portanto: a "Cidade do rio Han"). Este é o nome que ainda é usado tradicionalmente pelos chineses, mas aí entra um problema que 한/漢 é também o caracter de uma dinastia chinesa que foi o embrião da china moderna e que também nomeia a etnia Han chinesa que é a parte dominante do povo chinês, constituindo 92% da população chinesa com 1.2 bilhão de pessoas. Aí eu digo: e os coreanos gostam de ter sua capital com um nome que lembra tanto a China para os próprios chineses? Claro que não. E aí, o que fizeram? Mandaram os chineses mudarem a forma como se dirigem à capital coreana, mudaram a língua chinesa, dizendo-lhes para chamarem a capital coreana de 首爾/首而(Shǒuèr) que lembra o som "Seoul" e usa um caracter que pode significar capital/principal (mas significa de verdade "pescoço"). Apesar de ter tido outros nomes, estes foram os mais importantes. E que bagunça, né? No final, acho que eles se cansaram de tantos nomes e falaram, a capital vai ser "Capital" e acabou!
Qualquer coisa, tem a Wikipédia. Basta dar uma olhada por lá.
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