Minha vida na Coréia: mestrado, viagens, enfim, meus pensamentos com muito café e kimchi. ^^
Itens compartilhados de Juliano
terça-feira, 3 de março de 2009
Chinês é português!!! Só faltava a legenda!!!
A língua chinesa é na verdade o português falado de forma diferente (assim como os nossos irmãos "d'alãi maire") e nunca nos demos conta disso!
Agora chega algum douto nos dous idiomas e legenda o caso fatídico da senhora que perdeu seu voo de volta à pátria e deu um escarcéu e rodou a baiana em pleno aeroporto.
Com legenda fica bem mais fácil, não???
Com vocês a chinesa maluca no aeroporto:
A similitude dos dous vernáculos é ou não é impressionante???
sábado, 4 de outubro de 2008
Viagem à China - ainda mais uma parte
Olá, pessoas que lêem meu blog! Apesar de não saber direito quem são pois quase não recebo comentários... Mas aí vai mais um dia de aventuras em território chinês.
Depois de termos nos aventurado pelas primeiras atravessadas de rua em Tianjin, a cidade portuária onde desembarcamos, voltamos ao nosso hotel sãos e salvos e com o bucho cheio. Prontos para dormir.
No dia seguinte, descemos novamente os 12 andares que nos separavam do solo (os hotéis na China geralmente são bem grandes, e altos) e partimos em direção ao balcão onde deveríamos fazer nosso check-out. Tudo correu bem, inclusive a devolução de 100 yuans por pessoa que pediram no dia anterior como caução... na verdade tudo na China tem isso, se não se paga caução, não se consegue o serviço: hotel, internet, e até o cartãozinho pra comer no shopping (mais pra frente vocês vão saber). E fui até a "agência de turismo" que tinha no hotel, pra perguntar onde é que poderíamos ir pra conhecer um pouco de Tianjin antes de tomarmos rumo a Pequim. O engraçado é que ninguém sabia de nada. Nem de como poderíamos ir ao centro... No dia anterior, como disse no post anterior, já tínhamos visto o metrô, relativamente perto do hotel, e, com o pensamento lógico que Deus me deu, imaginei que seria o modo mais fácil (e econômico) de nos locomovermos... Quando sugeri isso, as meninas se entreolharam e, em coro, responderam: "Metrô? Onde? Tem?" Num güentei. Como é que elas não sabem disso? Elas passam a vida toda dentro do hotel, trabalhando e dormindo? - pensei, mas contive-me. E adjungi: "Mas ontem, ao passarmos pela avenida tal aqui perto, vimos uma estação do metrô e tal..." Ao que me responderam: "Ah, então já tá pronto??? Não sabia..." De qualquer forma, como estávamos com mochilas grandes, chegamos à conclusão que seria melhor tomarmos um táxi, já que o centro não era tão longe. Desanimado com as orientações recebidas, fomos à rua e tomamos um táxi para o centro, já que as mesmas meninas que não sabiam do metrô, também não sabiam onde ficava a parte histórica de Tianjin (que é bem famosa pela influência colonial com inúmeras construções inglesas, francesas... da época em que Tianjin era um entreposto comercial e portuário que ligava a China ao ocidente, meio como Shanghai, Hong-Kong e Macau). E o pertinho de chinês é igual a pertinho de mineiro, "é logo ali" e demora uma meia hora. Mas chegamos, fazendo o possível para me comunicar com a taxista, uma senhora gentil e prestativa. Chegamos, pagamos uma quantia módica e de mochilão nas costas saímos para percorrer o centro (comercial) de Tianjin.
Tianjin é uma cidade que não deixa a desejar (no quesito "capitalismo"). Tem lojas para todos os gostos e bolsos, e inúmeros shoppings se apertando um ao lado do outro no centro (que é bem grandinho). Roda pra cá, roda pra lá, acabamos parando no Isetan, uma rede japonesa de lojas de departamento e resolvemos dar uma olhada. E como toda loja de departamento que se preze, havia no subsolo um supermercado com tudo o que poderíamos querer. Como já se aproximava a hora do almoço, resolvemos fazer a feira por lá mesmo. Eun Bee comprou um saco de mangostão e eu fiquei com um saco (tipo saco de leite) de iogurte de mamão da Parmalat (saudades gastronômicas brasileiras, já que na coréia não tem nem iogurte (que se preze), nem mamão, nem Parmalat). Feliz da vida com meu achado mamonístico, seguimos rumo à superfície e fomos parar num outro shopping do outro lado da avenida. Chegando lá, vi uma pequena banquinha de jornais e pensei em comprar um mapa da cidade pra não ficar dependendo das informações desencontradas das meninas da agência. Cheguei pro tiozinho da banca e sem pestanejar soltei meu chinês, ao que se deu o seguinte diálogo:
-有地图吗?
-有。
-多少钱?
-5块。
-给我一个。
-谢谢。
Tecla SAP:
- Tem mapa?
- Tem.
- Quanto é?
- 5 yuans.
- Me dá um.
- Obrigado.
E saí feliz da vida com meu chinês e com meu mapinha na mão. Entramos num Starbucks, acomodamo-nos nas confortáveis poltronas e pus-me a estudar o mapa e a comer uns bolinhos que Eun Bee tinha comprado no dia anterior. Descobri que estávamos relativamente próximos à estação central de Tianjin e que "teoricamente" não seria tão difícil irmos até lá. Pelo mapa parecia uma caminhada de uns quinze minutos. Mas eu havia me esquecido que as coisas na China são um pouco superlativas...
PS: Post escrito em OUTUBRO!!! e esquecido no balaio de gatos... E olha que ainda tem história!!!
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Viagem - Mais uma parte
16 de agosto
Ao instalarmo-nos confortavelmente no quarto do hotel, saímos à rua à procura de aventuras na recém-chegada China.
Descemos os 12 andares de elevador, saímos do saguão do hotel, e vimo-nos em uma cidade desconhecida por volta das 8 da noite. Que fazer? Sair para fazer reconhecimento de área.
Logo à frente do hotel havia uma grande avenida, que na verdade é um tipo de rodovia que corta a cidade de norte a sul e de leste a oeste, um tipo de Avenida do Contorno (pra quem conhece BH) ou Anel Viário pra quem conhece SP (daqui a alguns anos, porém). Nas cidades chinesas isso parece ser muito comum. Tianjin, que é menor, tem só dois anéis, o número 1 (exterior) e o número 2 (interior). Beijing, por sua vez, tem 7, mas o anel número 1 não conta porque é a avenida que rodeia a Cidade Proibida e a Praça da Paz Celestial (o centro da capital). Mesmo assim, 6 anéis viários dentro da cidade ajudam bastante no desafogo do tráfego. Um caminho que demoraria uma hora, é feito em 30 minutos, mais ou menos. Parece pouca diferença, mas ajuda bastante.
Bem, voltando a Tianjin, logo ao sair do hotel, já nos vimos de frente à primeira aventura da viagem: atravessar a rua. Chegamos ao cruzamento desse anel viário com mais uma meia-dúzia de ruas (um pouco de exagero, mas era a impressão que dava): carros de todos os lados, bicicletas e motos, além de pedestres por todos os lados, num balé orquestrado por um diretor invisível, tudo harmonizado pela sinfonia de buzinas aqui e acolá. Examinamos o processo durante uns minutos e a primeira conclusão a que chegamos era de que o semáforo era quase um enfeite no meio daquela loucura toda. Ninguém se preocupava muito com ele. O semáforo funcionava mais como um tipo de sugestão: "tudo o que se movimenta deste lado deveria passar agora enquanto o que se movimenta do outro lado dá preferência". Não sei se deu pra entender, mas era mais ou menos assim. Além do mais, não havia faixa de pedestres, pelo menos onde estávamos. Então resolvemos escolher o modo mais lógico. Acompanhar os nativos de perto e pisar em suas pegadas (de preferência deixando o nativo para o lado em que o trânsito vinha, mais ou menos como um escudo). E não é que funciona? Passamos por entre os carros, motos, bicicletas e pedestres com certa facilidade, apesar do medinho que tentava se aflorar. Depois de um relativamente longo tempo, conseguimos atravessar todo o cruzamento, parando nas ilhas onde não havia trânsito no meio da rua, e chegamos a uma grande construção que tinha a maior pinta de supermercado. Com meu conhecimento de Ideogramas, só deu pra decifrar que o que eu via escrito na fachada do prédio era só o nome do estabelecimento, o que não esclarecia se era um supermercado ou uma loja de materiais de construção... No entanto, ao chegarmos à porta, vimos que realmente se tratava de um hipermercado com um tiozinho na porta falando um monte de coisa pra gente. Só consegui entender "9 horas! 9 horas!", informando-nos que o mercado fecharia a tal hora. Mas depois continuou falando mais e mais coisas... Depois entendi que era sobre a mochila... Acho que não podia entrar com mochila ou que tinha que deixar a mochila em algum lugar. Mas, olhando nossa cara de dãããã, fez um "tsc-tsc", tipo "ai, esses estrangeiros bobos que não sabem falar nada..." e fez um gesto para que entrássemos.
Supermercado no exterior é uma experiência única. Ainda mais em um lugar como a China onde nos sentimos analfabetos. (Mesmo assim, ainda consigo entender o básico e não tenho tanto problema... O problema foi na Tailândia onde queria comprar um chocolate, não achei, e saí com um iogurte... lá o negócio é trash.)
Acabei saindo do supermercado com uma garrafinha de suco de uvas verdes, um pacote de bolacha e um vidrinho de Nescafé (Nescafé mesmo, que nem esse que tem aí no Brasil, só que escrito em chinês de um lado e em inglês do outro.) Comprei café por ser um item de sobrevivência, já que na China café é quase inexistente, e quando existe, é relativamente caro.
Mas estávamos com fome. E o que comer?
Preferimos ser práticos. Ao invés de entrar em um restaurante chinês e ficar se matando para descobrir o que é cada prato (com nomes tipo "Dragão Dourado que Sobrevoa as Montanhas de Shenzheng com molho de Tesouros Marinhos"... e quando chega é batata doce empanada com camarão... tipo essas coisas...), preferimos ser pragmáticos e saciar a fome de um modo fácil e eficiente: KFC. O Kentucky Fried Chicken, juntamente com o McDonald's abunda em território chinês. E onde tem um, não passam 100 metros sem que esteja o outro. Parece até que combinam de montar as lojas nos mesmos lugares.
Pedimos nossos lanches e no suco, pedimos o especial que eles tinham para o verão. Qual não foi minha surpresa quando tomei o suco e percebi que era: maracujá! Tudo bem, maracujá misturado com outras frutas, mas tinha maracujá lá dentro! Ai, que "diliça"... Depois de dois anos sem saber o que é maracujá por aqui, minhas papilas gustativas se sentiram realizadas pelo prazer que o suco lhes deu. Ótimo! =)
Andamos um pouco mais, descobrimos uma estação de metrô do lado do hotel, vimos nosso primeiro McDonald's (perto do KFC), o qual tinha um mendigo sentado à porta pedindo dinheiro aos riquinhos que tinham dinheiro pra comer lá (o preço em relação ao custo de vida faz esse tipo de comida (McDonald's, KFC, Pizza Hut) ser relativamente bem mais caro do que no Brasil. Mesmo assim, sempre tinha muuuita gente).
Após esse percurso, estávamos cansados e resolvemos então enfrentar a aventura de atravessar as ruas de volta para o hotel. Dessa vez foi mais rápido, só foi difícil achar um escudo humano...
Dormimos para no dia seguinte conhecer um pouquinho de Tianjin e tomarmos rumo à Pequim.
Mas aí já é uma outra história. Fica pra próxima.
T+
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Só pra constar...
Não tem como dizer que não vivemos em um país democrático, que nossos governantes são escolhidos democraticamente pelo povo, que a economia vai indo de vento em popa, que estamos entre o seletíssimo grupo das quinze maiores economias do planeta, etc.
Também não dá pra negar a falta de liberdade do povo chinês na maior parte de suas vidas. Não se pode migrar do campo para a cidade sem prévia autorização do governo (leia-se do PCC, que não é o Primeiro Comando da Capital não, tá?); a falta de liberdade de escolher quantos filhos ter, tendo o casal a única opção de "ter" ou "não ter" um filho; ter que se submeter ao modo socialista de viver; além de conviver com a pena capital aguardando pelos criminosos.
Bem, o que eu queria mostrar com meu humilde post era apenas o fato de que o Brasil ainda tem muuuuita coisa pra mudar. E tudo pode ser conseguido com apenas a conscientização do povo. O nosso povo brasileiro não pensa (muito) nas coisas erradas porque, primeiro, não tem educação (no sentido de estudo), não tem idéia do que é a política, não dá valor ao voto democrático, e, por último, não quer saber dessas coisas complicadas já que tem muito o que fazer (trabalhar) e pensar (futebol).
Este nosso povo é filho de uma colônia explorada até as últimas gotas por potências exteriores, acostumada à divisão de classes desde cedo (Europeus X Negros/Índios), nascida e criada em "mini-reinos" governados pelos Coronéis e seus capangas... Esta nossa geração (incluo-me aqui), além de tudo isso, ainda é filha da época da ditadura, uma época em que se tinha medo de pensar, de ser contra o sistema, de extravasar qualquer emoção política em público. Ainda vivemos sob leis criadas para cercear os (poucos) direitos do cidadão, só dando a eles a opção do pão e circo.
Senti muito isso morando aqui na Coréia, que de uma forma ou de outra, é bem parecida com o nosso Gigante-deitado-eternamente-em-berço-esplêndido. O povo coreano passou também uma boa parte de sua vida vassalo da China, em guerra com o Japão, e, mais recentemente, subordinada ao jugo japonês durante décadas antes que o país fosse invadido pelas duas grandes forças mundiais no pós-guerra, os soviéticos ao norte e os americanos ao sul, o que rendeu a divisão do país a qual continua até hoje. Logo após a democratização da Coréia do Sul, o país se viu jogado em uma época de ditadura (meio no estilo Getúlio Vargas) e, logo depois, pelos militares.
Todo esse pano de fundo deu um resultado meio parecido ao pensamento do povo brasileiro.
Para o coreano, não há país melhor que a Coréia, não há comida melhor que a coreana, não há montes e mares mais belos que os deles... Parece com alguém que vocês conhecem?
No entanto, o ponto de ruptura entre as duas nações se deu há cerca de uns quarenta anos, quando o governo decidiu investir. Não vou dizer, como muitos dizem, que o que mudou a Coréia foi a educação. Isso porque a educação na Coréia sempre, desde o primórdios do princípio, por influência da China e de suas doutrinas (como o Budismo e, mais tarde, o Confucionismo), sempre havia sido de extrema importância. Além disso, logo após a abertura e a ocidentalização da Coréia no finzinho do séc. XIX e começo do séc. XX, os americanos chegaram aqui ávidos por um país à espera de evangelização, o que trouxe o protestantismo e universidades (no estilo ocidental) para o país. É claro que houve investimento na área de educação, mas creio eu de uma forma um pouco menos direta do que o é dito a torto e a direito por aí. (Corrijam-me se estiver equivocado.) A "tara" do povo coreano de dar estudo aos filhos somente se alastrou às classes mais baixas que eram proibidas de fazê-lo por questões financeiras e sociais (a não ser que mandassem o filho estudar nos templos). A partir dos anos 60, o governo injetou grana pesada é na indústria coreana que precisava crescer a todo custo e exportar para gerar divisas e tirar o pobre país agrícola do úmido campo de arroz. Foi aí que nasceram os grandes conglomerados coreanos como Hyundae, Samsung e LG, só pra citar uns poucos e mais conhecidos no Brasil. Com o aumento de trabalho, veio o aumento de dinheiro, com o aumento de dinheiro e com setores especializados, veio a demanda de educação, com a demanda de educação, veio uma geração mais preparada, com essa geração mais preparada, veio mais forças para as grandes empresas, e assim vem sendo, uma bola de neve.
O problema é que aqui também tem problema de educação. Ao ver os números brutos e descontextualizados, parece que "tudo vai bem no Reino da Dinamarca", mas algo está podre. Ao meu ver, convivendo com os coreanos que pululam aqui e ali neste país, percebo que o esforço para o estudo é muito grande, mas o resultado é relativamente pífio. O coreano médio não quer saber muito mais do que um brasileiro médio (de nível universitário). As pretensões são as mesmas de se conseguir um bom emprego em uma grande empresa, entrar às 9, sair às 5 (com sorte), emprestar dinheiro pra comprar casa, pagar durante 20 anos, ter filhos, botá-los na escola até a faculdade, e depois morrer (já que não dá muito tempo pra aposentar).
Os coreanos praticamente vivem na escola, principalmente na época do segundo grau (sempre esqueço o nome novo que deram... ensino médio?). Saem de casa às 6, vão pra escola o dia inteiro, depois da aula mais ou menos às 5, vão estudar na escola mesmo, por algumas (boas) horas e depois, vão pra casa?, não!, vão pro cursinho estudar de novo até a meia-noite ou uma da manhã, pra no dia seguinte fazer a mesma coisa (principalmente no terceiro ano do ensino médio).
E estudam o quê? - pergunto eu. Estudam, ou melhor, memorizam questões de vestibular.
A vida dos estudantes coreanos se resume a decorar questões de vestibular... Claro que há exceções, mas na maioria dos casos, as escolas só ensinam e os pais só enfatizam o fato de o "ser" ser capaz de passar na prova do vestibular! Isso já estava acontecendo no Brasil quando saí com as "escolas" do Objetivo, do Anglo, etc, que moldam seus currículos baseados no vestibular. Eu acho isso um impropério! Coitado do jovem, que é uma esponja, é capaz de aprender qualquer coisa, só é ensinado a resolver questões prontas que se repetem de ano a ano! Ao invés de ensinar o sujeito a base e dar todo o conhecimento necessário o qual por meio de raciocínio lógico e bom senso vão guiá-lo para o resto de sua vida, as escolas só ensinam os coitados a resolver problemas. O que acontece? Viram robozinhos! É o que mais vejo por aqui... A maioria dos coreanos, não sabe de nada, só do que decoraram para resolver os problemas que aparecem na vida. A meu ver, eles não tem preparação alguma a não ser o fato de serem aptos a decorar o manual de instruções que vai salvar a pele do sujeito para aquela ocasião. Quando não precisar mais, é só apertar "delete"; se precisar de novo, é só decorar. Acho que é por isso que coreano gosta tanto de computador. É exatamente o que eles são: encheu o disco rígido? formata! precisa de mais programas? dá um download!
Pois é, tudo isso só pra chegar no ponto central.
Será que nosso mundo tem jeito? O Brasil tá assim, a Coréia tá assado, a China tá daquele jeito, o Reino de Nosso Senhor GW Bush está de mal a pior...
E muita coisa, por estarmos muito acostumados, não conseguimos ver. Se tudo está errado, o que está certo parece errado. Acostumamo-nos a ver sempre a mesma coisa, sempre a mesma pasmaceira, e se alguém sai desses trilhos, essa pessoa é estranha, é errada. Para que mudar? Para que se dar ao trabalho de mudar?
No entanto, meus amigos, quando temos a oportunidade de um campo neutro, de um distanciamento que nos dá a possibilidade (não que todos façam isso) de observar com outros olhos e com novos parâmetros, muita coisa deveria e poderia ser mudada. Não obstante, isso não é fácil pela mentalidade do gado que vai sendo tocado ao som do berrante de 508 anos de servidão.
Há um (bom) certo tempo atrás, estava eu em Pouso Alegre, a cidade que abraça o futuro, e matava meu tempo lendo um jornal na praça pública do centro da cidade à frente da catedral. Quando menos esperava, uma senhora se aproximou e disse, na mais pura boa-vontade: "Bom dia, moço!" - ao que lhe respondi - "Bom dia." Continuou ela então: "Não lê muito não, que faz mal pras vistas, viu? Bom dia." E assim foi. Isso ficou marcado como uma facada em meu peito, sensação que não esqueço até hoje. Enquanto o povo for avesso à educação, à informação, ao pensamento crítico, à expressão de suas opiniões, aos debates, etc, nosso país e nosso povo nunca sairá da lama em que reclama estar por tantos e tantos séculos. Pensei em perguntar-lhe se muita TV também não faria mal às vistas, mas contive-me e decidi não prolongar a conversa. Também não me faria entender.
Isso é algo que sempre ouvi desde molecote (que palavrinha besta, né?). "Não deixe esse menino ler/estudar tanto assim que ele fica louco!" Muita gente dizia isso a meus pais e eu me lembro como se fora ontem.
No entanto, de uma forma ou de outra, acho que eles tinham uma pontinha de razão... Se eu tivesse seguido seus conselhos, hoje estaria feliz no meu cantinho assistindo Domingão do Faustão/Domingo Legal deitado no sofá da sala...
Um abraço com certa indignação...
Juliano
PS: Quanto ao fato de vivermos em um país democrático de livre expressão e sem censura, favor ler o seguinte post do blog "A Nova Corja": http://www.novacorja.org/?p=4238.
Obrigado pela atenção.
PPS: E eu ainda tenho que estudar pro meu exame... Ai, ai...
domingo, 10 de agosto de 2008
Olimpíadas e China
No entanto, muitas outras pessoas deixam esses espírito de lado e partem para o lado político. Partem para a difamação e apontam os dedos às faltas do país sede, a China.
Como isso tem sido manifestado em várias partes do mundo, não poderia ser diferente em nosso país, o Brasil. Tenho lido muitas coisas pela internet afora onde pessoas dizem que não apóiam os jogos, que não assistirão, não querem fazer parte dessa horrenda nação que não dá liberdade a seus cidadãos, etc e coisa e tal.
Analisando friamente, de todos os protestos que tenho lido por aí, muitos deles se mostram vazios e sem base alguma, a não ser a cópia de algo que a pessoa ouviu falar ou leu em algum lugar e agora só repete de forma mais do que psitacista. Não passam de frases ocas que só querem atacar os pontos negativos (que, sim, existem), mas sem se preocupar em embasamentos firmes para a exposição de suas idéias.
No entanto, o problema não é esse de ficar mostrando o que é ruim em um país do outro lado do globo. O que me deixa encanzinado é o fato que a maioria das pessoas que fazem isso parecem achar-se vivendo em um paraíso onde não há problemas, onde tudo está certo, onde não há nada a fazer para melhorar a situação.
As pessoas citam fatos como a poluição, o problema dos direitos humanos, as exportações chinesas, a censura, e o diabo a quatro. Mas, pensando friamente, como anda o nosso país? Como anda o Brasil?
Poluição: já esteve bem, mas bem mesmo, pior. No entando, ainda há muito que se fazer. Eu como paulisteiro (paulista+mineiro) não me esqueço dos nossos amados Tietê e Pinheiros. Quem nunca teve uma nauseazinha, pequena que fosse, passando por esses rios em um quente dia de verão não é humano. Quem pega trem nas estações que margeiam o rio Pinheiros sabe muito bem disso. Quem vai do Butantã ao Eldorado a pé, cruzando a ponte Eusébio Matoso sabe muito bem disso... Isso é só um grãozinho de areia no oceano... O processamento do lixo e do esgoto na maioria das cidades não passa nem perto de levar em conta o meio-ambiente e o impacto que possa vir a aparecer na época dos nossos filhos ou netos. E assim vai... Só para ilustrar, o nosso país é o quarto emissor de gases formadores do efeito estufa, com 5,4%, atrás da Indonésia (7,4%), China (11,9%) e Estados Unidos (45,8%).
Direitos humanos: gostaria de dizer que não temos problemas nessa área, já que é o pecado capital da China, mas, pensando bem... Há alguns casos, creio. Citando uma parte do preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
"(...) o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo"
Só pra encurtar o assunto, vamos ver as palavras-chave deste pequeníssimo excerto:
- reconhecimento da dignidade
- direitos iguais e inalienáveis
- liberdade
- justiça
- paz
Dignidade só para poucos, ainda temos cerca de 50% da população vivendo em condições abaixo do que se possa considerar suportável.
Direitos iguais e inalienáveis para quem tem dinheiro para poder pagar por eles.
Justiça que é feita quando a mídia decide que deva ser feita, mas ainda dá pra conversar e tomar um cafezinho.
Paz e liberdade! As pessoas realmente sabem o que significam essas palavras no Brasil??? De tudo o que eu sinto aqui na Coréia, a melhor coisa disparado é a paz e a liberdade. Onde no Brasil alguém poderia ir ao banco, sacar 1000 dólares e sair contando o bolo de 100 notas na rua? Onde no Brasil alguém (mulheres desacompanhadas principalmente) poderia andar às 3 da madrugada em um lugar calmo ou deserto sem iluminação e não dar a mínima para isso? Onde é que no Brasil alguém tem a possibilidade de subir um morro no meio da cidade com umas casinhas amontoadas aqui e ali, mas só com o intuito de apreciar a vista do topo? E isso tudo é porque no Brasil não tem guerra! Não é o que todo mundo fala? E isso tudo porque a Coréia do Sul, em teoria, ainda está em guerra com a Coréia do Norte; o fim da guerra nunca foi declarado... Só teve um armistício, uma suspensão provisória.
Pois é...
Ainda tem o caso do trabalho infantil e trabalho escravo pelos quais o "Brazil" é conhecido mundialmente.
Além disso, também o caso dos meninos de rua, do tráfico de drogas, da guerra urbana do crime organizado...
Os produtos chineses são também tratados como monstros que invadem os mercados, impossibilitando a venda dos produtos nacionais e blá, blá, blá... Todo mundo já conhece essa ladainha. No entando, os produtos Brasileiros também fazem algo similar no nosso arredor (América do Sul). Quem não se lembra dos protestos dos argentinos contra a importação de produtos brasileiros? Quem não sabe das empresas brasileiras que estão entrando nos outros países e comprando muito do que vêem pela frente? O imperialismo comercial brasileiro, ainda que pequeno comparado com o de outros países, já se faz sentir aos poucos. E nós, enchemos nosso peito de orgulho, de que o Brasil está crescendo e se mostrando ao mundo, mas não pensamos no que os argentinos, bolivianos, uruguaios, paraguaios, colombianos pensam de nós. Talvez o mesmo que nós pensemos sobre os Estados Unidos (no sentido pejorativo)...
Ainda bem que não temos censura! Isso é um absurdo, não é mesmo?
Vocês já ouviram falar de um documentário da BBC chamado "Beyond Citizen Kane"? Segue uma explicaçãozinha retirada da Wikipédia:
Beyond Citizen Kane (no Brasil, Muito Além do Cidadão Kane) é um documentário televisivo britânico de Simon Hartog produzido em 1993 para o Canal 4 do Reino Unido. A obra detalha a posição dominante da Rede Globo na sociedade brasileira, debatendo a influência do grupo, poder e suas relações políticas. O ex-presidente e fundador da Globo Roberto Marinho foi o principal alvo das críticas do documentário, sendo comparado a Charles Foster Kane, personagem criada em 1941 por Orson Welles para Cidadão Kane, um drama de ficção baseado na trajetória de William Randolph Hearst, magnata da comunicação nos Estados Unidos. Segundo o documentário, a Globo emprega a mesma manipulação grosseira de notícias para influenciar a opinião pública como o fez Kane.E isso tudo nos anos 90! Quem diria! Muita gente não sabe...Controvérsia da Globo sobre direitos britânicos
O documentário foi transmitido pela primeira vez em setembro de 1993, por meio do Canal 4 britânico. A transmissão foi adiado por um ano, porque a Rede Globo contestou, baseado em leis do Reino Unido, os produtores de Muito Além do Cidadão Kane pelo uso sem permissão de pequenos fragmentos de programas da emissora para fins de "observação crítica e de revisão".
Durante este período, o diretor Simon Hartog morreu após uma longa enfermidade. O processo de edição do documentário foi assumido por seu co-produtor, John Ellis. Quando pôde ser finalmente transmitido, cópias do documentário foram disponibilizadas ao custo de produção pelo Channel 4. Muitas cópias foram enviados ao Brasil através da comunidade brasileira residente na Grã-Bretanha.
Banimento no Brasil
O filme seria exibido pela primeira vez no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro do Rio de Janeiro, em março de 1994. Um dia antes da estréia, a polícia militar recebeu uma ordem judicial para apreender cartazes e a cópia do filme, ameaçando em caso de desobediência multar a administração do MAM-RJ e também intimidando o secretário de cultura, que acabou sendo despedido três dias depois.
Durante os anos noventa, o filme foi mostrado ilegalmente em universidades e eventos sem anúncio público de partidos políticos. [1] Em 1995, a Globo tentou caçar as cópias disponíveis nos arquivos da Universidade de São Paulo através da Justiça Brasileira, mas o pedido lhe foi negado.
O filme teve acesso restrito a essas pessoas e só se tornou amplamente vistos a partir da década de 2000, graças à popularização da internet.
Aí, muita gente vai dizer: mas olha! não tem censura agora porque podemos ver isso tudo na internet, posso falar o que quiser e não vou preso... Mas, será? O que é que a grande maioria do povo brasileiro sabe? O que é estudado nas escolas, o que é aprendido por meio de literatura vasta e variada, ou o que é passado na televisão? Quando alguma coisa passa na TV, ou sai no jornal, todo mundo toma aquilo por verdade verdadeira, mas será mesmo? A censura no Brasil não é feita ativamente porque não precisa. O povo já nasce censurado das mais básicas necessidades humanas, do conhecimento, da opinião crítica, da educação, da paz e do direito de ir e vir... E o problema é que ninguém vê isso.
Mas o que mais me surpreende é que o nosso povo em geral está sempre descontente; e faz o quê? Espera. Espera que alguém faça algo, porque os descontentes estão muito ocupados com as mulheres melancias, os quadrados, os churrascos e as baladas. Se perguntar, muita gente fala que não tá bom, que podia tá melhor, mas quem faz alguma coisa? Ninguém. O brasileiro sempre espera que alguém faça algo por ele. Pra que jogar a embalagem do sorvete na lata de lixo se tem o gari que vai passar pra varrer a rua? Além do que, se não me atinge diretamente, pra que vou me preocupar?
Além disso, o Big Brother (nada a ver com o programa de TV, tá bom, meninos?) hoje em dia já existe, só que mudou de nome... O novo nome do Big Brother agora é IP...
Não sei se alguém viu o seriado na internet "Vida no Trânsito". Tem um cara lá que é exatamente isto o que estou falando. Ele está sempre nervosinho com a situação, expõe todos os problemas e diz: "alguém PRECISA fazer alguma coisa!", mas ele mesmo fica jogando dominó com o taxista e fumando seus cigarrinhos.
Quanto às execuções, não tenho muito o que falar. Ainda bem que não temos isso no nosso país, não é verdade? Não temos chacinas, assassinatos, assaltos à mão armada, seqüestros, coisas desse tipo. Que bom!
Rap das armas (744691 visualizações)
Trabalho escravo
Tortura
Chacina
Tráfico
E também tem aquela do Tibete e do Turcomenistão do Leste (aquele lugar onde acabou de ter um arremedo de carro-bomba que matou 16 policiais). Quem assistiu a cerimônia de abertura das Olimpíadas já sabe: a china tem 56 diferentes etnias dentro de seu imenso território (maior que o do Brasil). Dizem que esse território foi tomado à força e que eles forçam a homogeinização dos povos pela língua e pela cultura... Alguém já parou para pensar no nosso "Novo Continente"? A América (não no sentido estadunidense, mas no sentido geográfico, ou seja, as três Américas, do Norte, Central e do Sul) foi criada extirpando todas as nações existentes por aqui e os pobrezinhos que sobreviveram às primeiras investidas hoje se encontram em uma situação que não é lá das melhores. Mas eles são índios, não é? Até há pouquíssimo tempo, eles eram considerados legalmente incapazes tanto quanto uma criança...
E na China, onde eles têm 56 diferentes etnias, já dá tanto pano pra manga; imagina no Brazil que temos só de povos indígenas mais do que 200! Já ouviram falar dos Aconãs, Acuntsus, Aicanãs, Ajurus, Amanaiés, Amondauas, Anacés, Anambés, Apaniecras-canelas, Aparaís, Apiacás, Apinajés, Apolimas-araras, Apurinãs, Aquáuas, Aranãs, Arapaços, Araras, Araras-caros, Araras-do-aripuanã, Arauetés, Aricapus, Aruás, Aticuns-umãs, Auetis, Avás-canoeiros, Bacairis, Banauás, Baníuas, Barás, Barasanas, Barés, Bororos, Caapores, Cadiuéus, Caiabis, Caiapós, Caiapós-xicrins, Caimbés, Caingangues, Caixanas, Calabaças, Calabaças-jandaíras, Calancós, Calapalos, Camaiurás, Cambas, Cambebas, Cambiuás, Campas, Canamaris, Canindés, Canoês, Cantarurés, Capinauás, Carajás, Carapanãs, Carapotós, Caripunas, Cariris, Cariris-xocós, Caritianas, Caruazus, Catuquinas, Catuquinas-pano, Caxagós, Caxararis, Caxinauás, Caxixós, Chamacocos, Chiquitanos, Cintas-largas, Cocamas, Coiupancás, Corubos, Craós, Crenaques, Cricatis, Cubeos, Cuicuros, Cujubins, Culinas-pano, Curuaias, Denis, Desanos, Dous, Eleotérios-do-catu, Enáuenês-nauês, Euaruianas, Fulniôs, Galibis, Galibis-maruornos, Gaviões-mondés, Guajajaras, Guajás, Guaranis, Guatós, Hupdás, Ianomâmis, Iaualapitis, Iauanauás, Icpengues, Iecuanas, Ingaricós, Iranxes, Jabutis, Jamamadis, Jaminauás, Jarauaras, Javaés, Jenipapos-canindés, Jiahuis, Jiripancós, Jucás, Jumas, Jurunas, Machineris, Macunas, Macurapes, Macuxis, Marubos, Matipus, Matises, Matsés, Maxacalis, Meinacos, Menquis, Miranhas, Miritis-tapuias, Mundurucus, Muras, Nadobes, Nambiquaras, Naruvotos, Náuas, Nauquás, Nuquinis, Ofaiés, Oiampis, Oro-uins, Paiacus, Palicures, Panarás, Pancaiucás, Pancararés, Pancararus, Pancarus, Paracanãs, Paracatejês-gaviões, Parecis, Parintintins, Patamonas, Pataxós, Pataxós-hã-hã-hães, Paumaris, Pipipãs, Pipipãs-de-cambixuru, Pirarrãs, Piratapuias, Pitaguaris, Poianauas, Potiguaras, Pucobiés-gaviões, Quiriris, Rancocamecras-canelas, Sacurabiates, Saterés-maués, Sirianos, Suiás, Suruís, Suruuarrás, Tabajaras, Tapaiúnas, Tapebas, Tapirapés, Tapuias, Tarianas, Taurepangues, Tembés, Tenharins, Terenas, Ticunas, Tingui-botós, Tiriós, Torás, Tremembés, Trucás, Trumais, Tsunhuns-djapás, Tucanos, Tuiúcas, Tumbalalás, Tuparis, Tupinambás, Tupiniquins, Turiuaras, Tuxás, Uaianas, Uaimiris-atroaris, Uaiuais, Uananos, Uapixanas, Uarequenas, Uaris, Uassus, Uassus-cocais, Uaurás, Uitotos, Umutinas, Xacriabás, Xambioás, Xavantes, Xerentes, Xetás, Xipaias, Xoclengues, Xocós, Xucurus, Xucurus-cariris, Yuhupdeh, Zoés e Zorós?
Com certeza tem até mais que isso, e já teve muito mais ainda!
E não falando dos povos atuais e dos já exterminados, o que dizer do território brasileiro? Quem fez até a 4.ª série primária deve (ou deveria) conhecer algo a respeito da Bula Inter Coetera e do Tratado de Tordesilhas. Portugal só tinha direito às terras a leste da linha de Tordesilhas, o que equivalia a um quarto ou menos até do território atual ocupado pelo Brasil. O que fizeram os Portugueses, nossos avós? Foram tomando o que podiam, foram entrando no sertão e nas florestas e foram tomando, ignorando quem vivesse por lá, como sempre. Encontrando índios pelo caminho, faziam amizade (leia-se: exploravam o trabalho escravo indígena) ou, se os índios não eram "amigáveis", azar o deles: vai apodrecer.
Até a pouco tempo (séc. XIX) o Paraguai era relativamente grande e forte (lembro de um mapa antigo que vi no Museu do Ipiranga que mostrava Sorocaba quase na fronteira com o Paraguai...), o Acre era parte da Bolívia... E por aí vai...
Conheço gente que até hoje reclama da perda da Cisplatina... Sentem-se castrados por terem perdido um pedaço de terra do nosso país (que nem nos pertenceu por muito tempo, diga-se de passagem...).
E os Estados Unidos da América? Deveriam devolver mais de metade de seu território ao México? E o Alaska comprado da Rússia e a Luisiânia comprada da França? Só porque foram comprados por uma mixaria não tem problema, não é?
Agora, a China só porque invadiu o Tibete nos anos 50, depois da Segunda Guerra, quando a nova ordem já estava instalada, é atacada por todos os lados? E quanto às grandes potências colonialistas européias, ou estadunidenses, ou japonesas (só para citar algumas)?
Vou ficando por aqui na esperança de ter atiçado um pouco algumas mentes para um pensamento mais crítico e menos passivo. Apesar de termos ainda um longo caminho pela frente, se cada um fizer uma pequenina coisa, talvez o futuro não seja tão triste.
Se alguém tiver algum ponto a incluir, por favor comente.
Um abraço,
Juliano
PS: Só para constar, aí vai uma entrevista do Lula para a BBC onde esses fatos são mencionados como possíveis impecílios à realização das Olimpíadas no Rio em 2016... Aqui.
PPS: Mais umas coisas para ler...
PNAD:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2006/brasilpnad2006.pdf
Race segregation in Brazil (estudos acadêmicos):
http://paa2006.princeton.edu/download.aspx?submissionId=61570
http://www.nd.edu/~kellogg/publications/workingpapers/WPS/173.pdf
http://books.google.com/books?id=YwJoyyXm7ZkC&dq=significance+of+skin+color+in+brazil&pg=PP1&ots=cQeqRUKcIy&sig=og5d-Ia5Hp2zrFEB9ApVMFxRH9I&prev=http://www.google.com/search%3Fsourceid%3Dnavclient-ff%26ie%3DUTF-8%26rls%3DGGGL,GGGL:2006-46,GGGL:en%26q%3Dsignificance%2Bof%2Bskin%2Bcolor%2Bin%2Bbrazil&sa=X&oi=print&ct=title#PPP15,M1
Estupro - BBC:
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/americas/6266712.stm
Miami Herald:
http://www.miamiherald.com/multimedia/news/afrolatin/part3/index.html
sábado, 9 de agosto de 2008
Brasil X Coréia
E já começos bem: o Brasil acabou de perder da Coréia do Sul no basquete.
Como eu não tenho muita paciência pra ficar assistindo esses jogos, principalmente pela internet no laboratório, eu vi só o pedaço em que o Brasil estava penando para manter o jogo, fechando o tempo com vantagem de uns dois pontos. Joguinho bem sofrido pros dois lados.
Depois, parei de ver pra fazer minhas coisas e agora que voltei, tive a surpresa de ver o time brasileiro atrás por uns bons pontos. Como tudo na Coréia é rápido, não deu tempo de ver o resultado final. Quando apitou o sinal de "game over", os comentaristas já se despediram e o comercial entrou. Pelo que me lembro foram uns seis pontos de diferença mais ou menos.
Quanto à Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim ontem, eu achei uma coisa de louco! Acho que só mesmo na China pra poder fazer uma coisa daquelas. Foi um espetáculo e tanto! O problema é que resolvi assistir à cerimônia num café (ou cafeteria) que tinha umas TVs (ah, e quando menciono TV em comércio aqui na Coréia, quero dizer telão de LCD de umas 30 e tantas polegadas... Normal.). Mas o volume das TVs estavam baixinhos e resolvi escutar alguma transmissão feita pelo rádio com as imagens da TV (o rádio que usei foi do meu dicionário eletrônico). No começo tudo bem... Aquelas imagens e os comentaristas que não paravam de falar nunca (afinal era rádio, né? - mas mesmo assim eles podiam se calar um pouco pra poder deixar o som de fundo um pouco mais audível...). Valeu a pena. Depois do show... e da pontinha de "inveja" que se fazia sentir por parte dos coreanos quanto às invenções chinesas (relógio de sol, impressão com tipos móveis), as quais qualquer coreano sabe que foram inventadas pelo Rei Sejong, o Grande, veio a hora do desfile das comitivas de cada nação. Passou a Grécia, não sei quem mais, não sei quem mais, e quando chegou na vez da Dinamarca (ou um pouco antes, não me lembro bem): comercial! Ficou passando comercial por uns bons 10~15 minutos!!! Eu só "vi" o Brasil passando pelo rádio!!! É ou não é "expressionante"? Coideloco. Não me lembro no Brasil como é, mas acho que quando transmitimos a cerimônia, transmitimo-la por inteiro não é não? Não importa que país ou região seja a que esteja passando, a transmissão é feita sem cortes, nem que dure 10 horas... Se tiver alguma intervenção comercial seria por meio de aluma vinhetinha gráfica passando no rodapé da imagem ou em uma chamada de no máximo 30 segundos de duração, não é? Corrijam-me por favor se errado estiver.
Aqui não. Pelo menos 20 minutos (já que foram dois cortes para comerciais) foram gastos com propagandas atrás de propagandas, enrolando até que a Coréia apareceu lá no finalzinho do espetáculo. Aí sim eles transmitiram tudo... O.o
Na hora fiquei muito puto. E é engraçado como o espírito patriótico cresce quando vivemos em outro país... No Brasil, eu sou apenas mais um, como qualquer outro; aqui, eu sou sempre o brasileiro, o represente de uma nação de quase 190.000.000 de pessoas. Para os coreanos que eu conheço, eu sou o protótipo de brasileiro... e eu tenho até pena, já que como brasileiro eu não tenho nada de mais: não danço, não jogo e não assisto e não sei de futebol, não sou negro... quebro todos os paradigmas que eles têm. hahaha
Já que aqui me sinto mais brasileiro do que qualquer coisa, eu queria, meio subconscientemente, ver o desfile dos atletas brasileiros entrando em campo frente às outras duzentas e tantas nações presentes... não pude. Na hora, fiquei puto... agora conformei-me.
Finda-se aqui o primeiro post relativo aos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Aguardem...
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
De volta de outro mundo...
中国 China
O que que é aquilo??? Pequim é basicamente indescritível! A única impressão que foi comum a mim e a todos os meus amigos é a de que tudo é absurdamente enorme, gigantesco, colossal!
As ruas são avenidas, e as avenidas, principalmente nos cruzamentos, são parecidas com o "Cebolão" das marginais de São Paulo: viadutos sobre mais viadutos, seis faixas para carros (no mínimo) e duas para bicicletas.
Depois escrevo mais.
再见!Tchau!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
A caminho do quadrimilenar "Reino do Centro"
Por enquanto ficam somente minha curiosidade, minhas expectativas e meu sono, já que decidi não dormir para não correr o risco de perder a hora de sair de casa. Temos que chegar ao aeroporto às 9:30 da manhã e, portanto, sair de casa às 7:30 no máximo. O vôo em si sai às 11:30, mas temos que nos encontrar com o pessoal da agência de viagens, pegar nossas passagens, ouvir o sermão de explicações que eles nos vão dar e fazer compras no freeshop! hehe
Vou eu mais um grupo de amigos das mais variadas origens (em ordem alfabética): Áustria, Bulgária, Cazaquistão, Rússia, Uzbequistão. Ao todo, somos sete. Passaremos o fim de semana em Pequim, ou Běijīng como dizem os chineses, com direito a visita à Grande Muralha! Além disso, passaremos por outras atrações como a Cidade Proibida, a Praça da Paz Celestial, dentre outras.
É uma pena ser um pacote de turismo, pelo menos para mim que gosto de explorar os lugares por onde passo e gosto de ter tempo para apreciar tudo. Mesmo com um visto de trinta dias, passarei apenas quatro... E não dá pra mudar. Gostaria até de me aventurar por outras cidades, mas não vai dar. Tem que ser só Pequim.
Pois é. Vamos ver no que vai dar. E se der, eu dou uma postada quando estiver por lá.
Um abraço pra quem fica.