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domingo, 3 de agosto de 2008

Trivialidades não tão triviais

As trivialidades só são triviais em certos espaços e momentos.
Trivialidades banais como comer um pão francês, por exemplo, só é trivial mesmo no Brasil e, pelo que presenciei, no sudeste asiático, mais precisamente na região da ex-Indochina Francesa (da qual a tão famosa "Cochinchina" faz parte!), e atuais Vietnã, Camboja e Laos. Nem mesmo na França comer pão francês, pelo menos "o" pão francês que tão bem conhecemos, pasmem, não é um fato reportado como corriqueiro.
Bem, indo direto ao ponto, quero dizer que comer pão por aqui não é uma tarefa fácil. Primeiro pela própria denominação "pão" que engloba o que conhecemos por pão, roscas, bolos, pães doces e até massa de pizza... Com uma amplitude semântica dessa espécie, achar um pão que mereça ser chamado de pão não é uma tarefa das mais fáceis. No entanto, achar o que eles denominam "ppang (빵)" (palavra que, por acaso, é um empréstimo do japonês que, por sua vez, é um empréstimo do português do século XVI!) é uma tarefa extremamente fácil! Entretanto, o 빵 coreano é normalmente uma rosca ou um pão doce com recheio de creme de leite, creme de ovos, creme de amendoim ou creme de feijão (doce, para os desavisados). Eu, amante do meu pãozinho francês quentinho acabado de sair do forno da padaria, vi-me privado de tal prazer por aproximadamente dois anos, isto é, o período que estou aqui na Coréia sem voltar à pátria amada, idolatrada, salve, salve!. Com as intempéries e agruras no campeio de um bom pão francês, cheguei a um ponto em que havia desistido de tentar.
Hoje, no entanto, visitei uma cafeteria (das quais a Coréia está coalhada) onde se compra uma caneca de café (no "bom e velho" estilo estadunidense) e pagando a módica quantia de ₩700 a mais, a pessoa ganha o direito de se servir de um "buffet" (ou bufê) de pães à vontade! Só pra ter uma idéia, um pãozinho custa de ₩1000 a ₩1500. Não precisa dizer que fiz a festa, já que todos os pães eram do meu agrado. É claro que não é assim de mão beijada... O bufê só funciona das 8 às 10 em lugar que fica a uma hora da minha casa. E como ultimamente tenho levado uma vida meio notívaga, levantar a essas horas, para mim, está fora do meu fuso horário. Mesmo assim, não me arrependi nem um pouquinho. Fartei-me até não mais poder. Fiquei no café até depois do meio-dia, tamanha a "vontade" que tinha de me mexer de tanto pão no buxo.
No picasa tem uma galeria com algumas fotos dos pãezinhos.
Cada vez que eu olho pras fotos, minha boca enche de água... =)

Pães...

domingo, 20 de julho de 2008

Bacalhau

Depois do BigMac de ontem, hoje tinha que comer uma comida mais saudável, e por que não uma boa bacalhoada? Essa história começou na semana passada quando fui a Gangnam (um bairro daqui) e resolvemos dar uma passadinha numa cervejaria tcheca chamada Castle Praha. O lugar é muito interessante, de fora parece pequenininho, mas dentro é beeem grande. Lá, bebemos um copo de cerveja e pedimos Fish and Chips para comer. Ao invés de ser Fish and Chips de verdade, como se esperaria de algo nomeado assim, a batata era, na verdade, batata doce empanada. Isso me decepcionou um pouquinho, mas não estava de todo ruim. O negócio foi quando experimentei o peixe. No começo não estava dando nada por ele, mas ao experimentar percebi que se tratava de, nada mais nada menos, bacalhau! Fiquei muito feliz, já que havia muito tempo que não provava dessa iguaria. Não posso dizer que minha estada aqui na Coréia tenha sido completamente desprovida da ingestão do mesmo, mas o problema é que aqui normalmente se come peixe no "formato" sopa. Eu não sou tão fã de sopa assim, então não acho que seja gostoso, mesmo quando seja gostoso mesmo. Isso é um pouco estranho... Desde criança sou assim... Eu tomo sopa, sei que a tal pode ser classificada como gostosa, mas meu cérebro se recusa a aceitar esse tipo de opinião gustatória. Ele acha que por ser sopa, não há como ser gostoso. As duas coisas não se misturam. No entanto, uma sopinha de vez em quando não mata ninguém. O negócio é que com o bacalhau, eu acho que seja até um desperdício ele não ser utilizado para ser degustado por meio de uma boa e suculenta (não ensopada) bacalhoada. Decidi então que hoje faria uma bacalhoada. Fosses como fosse, eu bacalhoaria hoje. E assim foi.
A propósito nunca havia feito nenhuma bacalhoada na minha vida. Hoje foi a primeira. Segundo ponto: eu não tenho forno. E sempre gostei muito mais das bacalhoadas de forno do que de panela. As de panela têm a tendência de ficar ensopadas (dããã...). Eu gosto mais sequinhas. Mas assim mesmo, parti para o feitio do meu sonho gastronômico.
Cortei as batatas, as cebolas e os tomates em generosas rodelas. Piquei o alho, a cebolinha e a salsinha. Separei as azeitonas e o azeite de oliva. E o principal, o peixe, aqui é vendido congelado, mas não salgado. E relativamente barato, a módicos ₩8000 o meio-quilo. Botei os "grediente" na panela e lasquei fogo no bicho. Comparado com o que imaginei antes, ficou muito bom! Claro que ainda não tão bom quanto teria sido se tivesse sido feito no forno, mas valeu! Matei a vontade e só de escrever isso aqui agora, já fico com água na boca só de pensar.
Só tive um pouco de problema com a quantidade de água que saiu dos ingredientes. E como queria uma bacalhoadazinha mais seca, deixei tudo no fogo por mais tempo. Visualmente, não foi nada de mais, nenhuma obra-prima, mas, gustativamente falando, ficou muito boa! Principalmente em se tratando da não existência de bacalhoadas por estas bandas...
Vai um bacalhauzinho aí? Hmmm...
Um abraço.
Juliano

sábado, 19 de julho de 2008

McDonald's

Não fui pago pra escrever isso, nem estou fazendo propaganda.

O negócio é que acabei de voltar do McDonald's. E antes que me atirem pedras, já vou logo avisando que comer comida coreana todo dia chega a um ponto que cansa, então temos que variar. Além disso, já tinha bem mais de 3 meses desde minha última ida lá, então resolvi ir hoje.

Na verdade, o que eu quero falar é: "por que o McDonald's do Brasil é tão absurdamente caro e com um serviço tão vagabundo?" Isso é um mistério que me persegue desde a época em que morei no Japão. Para uma rede internacional, o serviço supostamente é padronizado; no entanto, por que cargas d'água então é que no Brasil eles são tão vagabundos? Será o pessoal que trabalha lá é que não segue as normas?

Bem, vamos pôr isso em pratos limpos.

Em primeiríssimo lugar vem o preço. Não sei quanto está custando no Brasil, mas quando saí daí estava beirando os "déiz real". Agora, levando em conta a nossa arraigada cultura inflacionária, suponho que já deva estar entre 12 e 15 "conto". Aqui, à noite, custam ₩5600, uma vez que dei uma nota de ₩10000 e ela me voltou uma outra de ₩5000 com 4 moedinhas de ₩100. (Minhas contas estão certas?) Já, na hora do almoço, o mesmo "Big Mac Set", o número 1 do Brasil, custa módicos ₩3000. Transformando isso em reais no câmbio do dia, dá R$ 7,20 na janta, e R$ 4,70 no almoço.
Se fosse só isso, já seria uma diferença boa. Mas tem mais.

Refrigerante: toma-se à vontade. Não no estilo americano de botar a máquina de servir pra fora, mas no estilo coreano de voltar ao balcão e pedir: "enche pra mim de novo?" Sem pestanejar, o copo já está pronto pra mais uma, duas, três... até o freguês morrer intoxicado. O negócio é que a maioria acaba ficando no primeiro copo mesmo. Coreano quase não toma refri. Mas que pode pode.

Outra coisa que me deixa puto no Brasil é a batatinha. É um milagre quando elas são servidas quentes, normalmente chegam mornas (quase frias) e terrivelmente murchas; também considero um milagre se são servidas na quantidade certa, já que os atendentes são treinados a usar aquela pá esquisita jogar as batatas sem nenhum carinho dentro do reipiente a elas destinado e sacudir o mesmo para tirar o excesso que acaba jogando metade das batatas de volta àquele receptáculo iluminado que guarda as batatas à espera de uma boca para comê-las.

Aqui, não sei como conseguem, mas as batatas estão sempre quentinhas e crocantes por fora, exatamente como devem ser. Além do que, a quantidade aqui é o contrário do Brasil: eles ficam sacudindo o negocinho pra ver se dá pra mais algumas batatinhas entrarem.

Só isso pra mim já estaria bom... mas ainda tem mais!

O sanduíche, o centro das atenções, no Brasil, chega dentro daquela caixinha que quando é aberta mostra uma aberração, um arremedo de Big Mac... O pão prum lado, o hambúrguer pro outro, o molho e a alface esparramados e grudados em todas as paredes da caixinha... Terrível...

Aqui, o sanduíche vem embrulhado em um papel, que já serve de guardanapo, no estilo hambúrguer/cheeseburguer do Brasil, mas com o sutil detalhe de um aro de papelão que ajuda a manter a forma do sanduíche em dia, mesmo depois de uma viagem de metrô/ônibus por aqui com todo o empurra-empurra digno dos coreanos. (Nada a ver com isso, mas acabei de matar um pernilongo e as palmas das minhas mãos estão ardendo...) O aro realmente evita o desmoronamento do sanduíche e a manutenção de seus ingredientes nos devidos lugares... É ou não é outro mundo?

(Ah, e não é só aqui. No Japão é igual.) Isso sim mostra a atenção pelos pequenos detalhes e mostra ao cliente o quão importante ele é para o comerciante. No Brasil, ao contrário, não sei se pelo fato de brasileiro comer até McCocô (se eles resolverem lançar) e se achar o máximo, parece que os clientes não estão fazendo mais do que sua obrigação de comer essas abominações do ramo brasileiro das lojas da rede internacional de restaurantes (?) McDonald's.

Se alguém do McDonald's algum dia ler isso aqui, por favor, tome providência e dê um jeito... pelo menos nas batatinhas... Odeio batata murcha...

Pra quem leu até aqui, um abraço e até a próxima.

Fui.

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