Itens compartilhados de Juliano

segunda-feira, 31 de março de 2008

De gadgetibus electronicis ;)

Gente, eu me lembro mais ou menos de quando cheguei por aqui e me deixava levar pela quantidade de novidades eletrônicas que via pelas ruas. E também pela naturalidade com que os coreanos lidavam com isso... São celulares dmb (que recebem transmissões de tv), laptops (de todas as cores, tamanho, formatos e sabores...), mp3 players (que agora estão meio demodés), pmp's (sucessores dos mp3; sigla de "portable media players"). Agora estão chegando os mini laptops de baixo custo tipo o Eee da Asus, por preço de banana split (um pouco mais caro que banana)... São milhares de coisinhas que podem ser compradas por quem quiser. Essa é a maior diferença, creio eu. Maior até do que a tecnologia em si. Como bom brasileiro (não tão bom assim, já que não me interesso por futebol e nem sem dançar, mas vá lá...), isso chega a ser obsceno! A liberdade de consumo é um ponto que chega a chocar. Não posso dizer que chegue ao ponto do Japão (meu Japão é o de mais de 7 anos atrás, não posso dizer como anda agora, mas suponho que não tenha mudado tanto), onde os eletrônicos chegam a ser um pouco mais baratos, mas mesmo assim, não é uma diferença tão brutal como a com o Brasil. Tudo bem que agora, com o dólar baixo, a tendência dos eletrônicos é baratear um pouco, mas mesmo assim, os preços continuam meio abusivos no Brasil pelas informações que tive.
A grande diferença daqui com o Japão, é mesmo no preço dos telefones celulares. No Japão, eles ainda continuam distribuindo celulares de graça. Aqui na Coréia não. Você tem que pagar a máquina, mesmo que de vez em quando, haja algum tipo de promoção dando celulares por aí. Mas pelo que fiquei sabendo aqui, o governo meio que proibiu a venda de aparelhos por 0 (zero) won, por causa da população que tinha a tendência de trocar de aparelho de 3 em 3 meses, mais ou menos. Isso criava uma geração de lixo tecnológico muito grande e o governo não gostou. Então, se quiser um aparelho, tem que pagar por ele pra ficar com dó de se desfazer do mesmo com muita facilidade. No entanto, eu acabei trocando meu aparelho esses dias, tem menos de um mês, por um aparelho da LG da linha CYON. Fiquei feliz com a troca, principalmente pelo design do aparelho que é fininho (o meu anterior era quase um tijolo) e pelo tamanho da tela que é relativamente grande. Celular 3G, com internet (meio cara, dependendo do plano), MP3 player, memória interna de 64 MB e chip de memória externa de 2 GB, câmera (foto/vídeo) e vídeo-fone. Este não pega TV, mas pra mim tudo bem. Estou destelevisificado ultimamente. Preço? Cerca de 30 dólares, porque já é um modelo antiquado (menos de um ano). Acho que isso ainda não tem no nosso Brasil varonil, tem? Eu lembro que quando eu tava saindo daí, tinha umas promoções da Claro de cel por 1 real, mas que eu me lembre o aparelho era bem meia-boca. Como andam as coisas agora por aí?
A Eun Bee aproveitou e comprou um pra ela também. Ela quis avacalhar e comprar um modelo novo. O principal é que não tem teclado é tudo na base de toque na tela (ou tatiscrim pros metidos), além de uma câmera com flash de uns 5 megapíxels (ou píxeis?). Na verdade, ela queria um iPhone, mas não temos previsão de chegada do bichinho por aqui. Então ele contentou mesmo com o "Veauty", também da linha CYON da LG. O preço aí já foi mais salgadinho por se tratar de um modelo novo, quentinho, acabado de sair do forno. Uns quatrocentos dólares. Mesmo assim, não é tanto dinheiro por aqui. Quem quer comprar, compra. Não tem esse negócio de ficar fazendo carnê pra pagar em 48 vezes (me lembrei do Caco Antibes: "Eu tenho horror a pobre!" Lembram-se?). Quem quer compra; quem não quer, não. No máximo, eles dividem em duas vezes no cartão. E aí? Quando é que vamos chegar a esse ponto? Já que vivemos numa sociedade capitalista, já que a mídia nos bombardeia com as mensagens liminares e subliminares do "Compre! Compre! E seja feliz!", deveríamos pelos menos poder realizar nossos desejos. Isso pelo menos seria mais justo. Ou então façam o que fez o Kim Il Sung e fechem as fronteiras e se ensimesmem e creiam que só o que há no Brasil é o melhor e que nós nos bastamos a nós mesmos, e que não há problemas, e que não há tristezas... Qual seria melhor? Voltar no tempo ou caminhar adiante? Só tem um problema: sem igualdade de oportunidades, não há "adiante". O dia que tivermos isso pelo menos, já teremos conseguido um enorme avanço. Não é necessário que haja distribuição forçada de renda ou de outra coisa que seja, basta ter igualdade de oportunidade e educação para que a pessoa possa escolher o que quer fazer de sua vida e arcar com as conseqüências dessa escolha feita com base no conhecimento. Acho o brasileiro um povo muito estagnado, muito passivo, que aceita muita coisa sem se mexer. Precisamos de educação de qualidade e não da educação "estatística" que foi instituída "recentemente".
Não digo aqui que somos os únicos com problemas, há gente bem pior que a gente por aí; mas também há gente em bem melhor situação. Também não digo que todos os problemas serão solucionados caso consigamos desenvolver esses pequenos pontos. Todos têm problemas, mas os problemas serão menores e de menor gravidade do que os que temos hoje em dia.
Ao invés de se acomodar, e esperar o que os outros podem fazer, poderíamos pensar em fazer algo nós mesmos, não? É interessante sairmos do país e ver outras realidades e aprender a ver coisas que parecem óbvias, mas que podem ser observadas de outro ponto de vista... e talvez até solucionada. Mas essa "cegueira social" é muito difícil de ser curada, a não ser por meio de educação e trabalho árduo. Não creio que vejamos os resultados com nossos olhos, mas poderíamos pelo menos deixar o lugar mais arrumadinho pros nossos descentes. A Coréia teve um século XX terrível, saída de milênios de feudalismo; foi invadida pelos japoneses, guerreou entre seu próprio povo por questões ideológicas, saiu da guerra na miséria, teve problemas de pobreza extrema e de fome até há poucos anos (20 a 30 anos atrás), mas hoje em dia com educação e com o trabalho em conjunto da sociedade, eles se desenvolveram de uma forma impressionante. Não dá pra imaginar o que era isso aqui e o que virou. Por essas e outras é que eu fico meio triste com nossa terra adorada, idolatrada, salve, salve. Mas ainda não perdi as esperanças. Quem sabe um dia o povo acorda, né? Quem sabe o "gigante eternamente adormecido em berço esplêndido" não acorde e dê uma saidinha pra ver o que que há além do berço. Afinal, a esperança é a última que morre.

PS: Desculpem o desabafo, mas a postagem criou vida e tomou uma direção que não consegui segurar... afinal é uma coisa que sempre está passando por minha cabeça no dia-a-dia aqui na península.

Um abraço.

De integribus vocibus linguae coreanae

Andei falando a respeito da pronúncia da língua coreana lá no orkut também e aproveito para citar-me e piratear-me, copiando o que disse aqui para o blog. Como tive retorno a respeito da postagem sobre os sistemas de transliteração, acho que um pouco mais sobre pronúncia não faria mal a ninguém.

Aí vai:

Quero aprender coreano
(706 membros)

a questão da pronúncia...

eu também tinha muitas dúvidas quanto à pronúncia do coreano quando comecei a estudar. principalmente quanto às consoantes. o grande problema é que o sistema de sons que eles usam é bem diferente do usado pela língua portuguesa e isso leva um tempo pra assimilar e entender. a primeira coisa a entender é a diferença entre as consoantes do português e as do coreano.
em português, temos só um tipo de constraste entre p/b t/d k/g tch/dj. cientificamente todos esses pares são formados da mesma forma com apenas uma diferença: a vibração ou não das cordas vocais simultanemente à produção das consoantes. nos exemplos dados, a primeira consoante não produz vibração e a segunda sim. no coreano, a distinção é bem diferente: eles têm 3 tipos de diferença e normalmente a vibração das cordas vocais é secundária e não primária como é em português!!!

ㄱ/ㄲ/ㅋ ㄷ/ㄸ/ㅌ ㅂ/ㅍ/ㅃ ㅈ/ㅉ/ㅊ. nesses grupos, a primeira consoante é suave, a segunda é tensa e a terceira é aspirada. traduzindo: a 1a é pronunciada de forma bem relaxada, mais fraca; a 2a é pronunciada com bastante força na garganta; a 3a é pronunciada com uma grande saída de ar. se você pronunciar as 3 com um guardanapo de papel um pouco à frente da boca, o papel não se movimenta nas 2 primeiras mas na 3a ele tem que se mover bastante; é como uma pequena explosão.
para nós brasileiros, as vogais brandas parecem ter dois sons diferentes porque em português a sonorização (o movimento das cordas vocais) é muitíssimo distintivo. em coreano, nem tanto porque o que é importante é a saída do ar e a tensão na garganta.

como TODAS as vogais são sonoras, isto é, produzidas com vibração das cordas vocais, elas influenciam as consoantes suaves e só elas porque elas são mais fracas e mais volúveis (ㄱ,ㄷ,ㅂ,ㅈ). então é por isso que no começo de uma palavra, parece, para nós brasileiros, que eles estão falando k ao invés de g. isso é porque a vibração das cordas vocais começa bem mais tarde que no português, isto é, só quando a vogal seguinte aparece. por exemplo: um brasileiro quando fala "baba" começa a vibrar as cordas vocais antes de começar a palavra, fazendo com que o som do B seja bem mais forte. um coreano não: ele faz o B só na boca sem as cordas vocais e só começa a vibração quando chega a vogal. já o próximo B como está depois do A, pega carona na vibração anterior e se junta com a vibração do A que vem depois e, por isso, soa igualzinho ao B do português! na verdade, a consoante é a mesma, isto é, a posição dos órgãos da fala (lábios, língua, garganta) mais a quantidade de ar é exatamente a mesma, só a vibração das cordas vocais varia. por isso é que 바바 parece PABA para um brasileiro... mas quando um brasileiro fala PABA, um coreano escuta 빠바 porque o P do português é bem mais forte (tenso) que o ㅂ do coreano!!!

isso para um brasileiro é um GRANDE problema! temos que esquecer que a vibração das cordas vocais em coreano não é tão importante quanto é em português! o importante sempre é a força com que a consoante é pronunciada! na transliteração, isto é, quando se escreve coreano com o alfabeto latino, a consoante mais suave é escrita G, a tensa: GG, a aspirada: K.
Em comparação com o português, ㄲ é bem parecida com nosso K, ㄱ entre vogais é idêntica ao nosso G e ㅋ com muita saída de ar não existe normalmente pra gente, mas em inglês é bem comum...
isso se aplica a todas as outras consoantes desse grupo:

1 2 3
ㄱ g ㄲ gg ㅋ k
ㄷ d ㄸ dd ㅌ t
ㅂ b ㅃ bb ㅍ p
ㅈ j ㅉ jj ㅊ ch

1: suave e com alguma saída de ar
2: tensa e com quase nenhuma saída de ar
3: com muita saída de ar

um ótimo exercício é treinar com um guardanapo a alguns centímetros à frente da boca! parece besta, mas funciona! 1 e 2, não mexe quase nada. 3, quase sai voando!

espero ter podido ajudar um pouco com esse dilema que o brasileiro tem quando tenta aprender coreano...
já faz quase oito meses que estou aqui em Seul estudando coreano para entrar no curso de mestrado em lingüística na Universidade Nacional de Seul, mas eu posso dizer que não é fácil não. A pronúncia é um dos pontos mais difíceis pra gente. Então eu aconselho a quem mora em São Paulo, vai no Bom Retiro, escuta as pessoas conversando, tenta falar alguma coisa com eles, vai no restaurante 귀거래 e conversa com o 절수씨, um garçom brasileiro que atende em coreano fluente, ou na mercearia 오뚜기 onde tem uns atendentes brasileiros que também falam. Procure usar a língua. Pra quem não mora em SP, compre livros com CDs pela internet, procure coisas no www.naver.com, assista vídeos na internet, ouça músicas. o contato com o som é de extrema importância pra gente começar a perceber esses pequenos detalhes. Tente fazer amigos coreanos! E não se esqueça de fazer papel de bobo para os outros (e de inteligente para você mesmo) falando em voz alta os textos dos livros! Todo mundo pergunta: "você FALA coreano? (ou inglês, japonês, alemão, o que seja...). Ninguém pergunta: "você RESMUNGA coreano?". Pense nisso: praticar em voz alta é a melhor solução para qualquer língua! Não tenha medo! Não pense no que os outros vão pensar agora que você está exercitando, pense no que eles vão falar depois quando você estiver falando!

palavra final

a questão da pronúncia não acaba aqui. o problema é que não tenho mais tempo e não posso continuar. mas vou deixar uma lição de casa.

nós brasileiros não ligamos a mínima para o coitadinho do M e do N... em posição final! pense bem: PAM, PAN, PÃ. como você leu? PÃ, PÃ, PÃ? pois é... no Brasil não faz a mínima diferença como se escreve: o som sai igual. mas porque existem então duas letras M e N? porque na verdade os sons são muito diferentes!!!! pense no M e no N no começo de uma sílaba: MA e NA, p ex. são diferentes? então: no final de sílaba (isso na esmagadora maioria das línguas!!! português é que é a exceção!!!) também são diferentes, guardando a mesma diferença que fazem no começo da sílaba.

se for difícil, tente imaginar um E-zinho minúsculo no final das palavras. PAMe, PANe, e PÃ (muito parecido com PANG). Vá repetindo muitas vezes a mesma sílaba e devagarzinho, pouco a pouco, vai diminuindo a força desse E-zinho até ele desaparecer, mas parecendo que ele ainda está lá! Tcham tcham tcham tcham! Aí está vc pronunciou corretamente a diferença do M e do N.

o negócio é que a gente pensa que acabou pronunciando 빰 빤 빵, né? quase... outro grande, enorme, monstruoso problema do brasileiro é pensar que o mesmo A de bAla é o mesmo A de cAma! e NÃO é! a gente muda o A quando tem algum som nasal por perto... cAma, cÂntaro, cÃibra são muito diferentes de cAlo, cAbo, cAsa... então, em coreano e a imensa maioria de outras línguas neste nosso mundão NÃO faz isso! então tente manter todos os sons das vogais como eles são, não importando o que vem antes ou depois... nesse caso igual ao espanhol, sem mudança de som em nenhuma vogal A é A, E é E, O é O, etc...

Agora, pense também no L no finaL de sílaba. brasiL ou brasíU??? por que muda??? em coreano... pense!

Ex orcuti (Me deu uma saudade de latim esses dias...)

No ano passado andei escrevendo no Orkut, na comunidade "Quero aprender coreano", algumas informações a respeito da bolsa de estudos para a Coréia. Caso alguém se interesse, aí vai!

Quero aprender coreano


Estudar na Coreia

Oi, gente. Faz tempo que eu nao apareco por aqui por falta de tempo... Mas estive lendo por ai pelos topicos e percebi que tem gente que tem vontade de vir pra Coreia pra estudar. Eu sou um exemplo disso. Sou formado em linguistica na USP e sempre tive muita fascinacao pela Asia. Ja tinha feito um intercambio no Japao, em 2000, e agora decidi vir para a Coreia. Cheguei aqui no ano passado, em agosto, para o mestrado em linguistica. Eu posso dizer que ter uma nocao de japones ajuda - e muito - aprender Coreano e vice-versa. A estrutura das duas linguas eh sim muito parecida.
Eu, por exemplo, acabei de comecar meu curso de mestrado na Universidade Nacional de Seul (a principal universidade daqui) agora em setembro. Para quem tiver interesse em um curso de mestrado ou doutorado por aqui, dah uma passada em algum consulado ou na embaixada coreana. O movimento ainda eh baixo e, por exemplo, este ano foi escolhido um cara do Brasil, mas ele acabou desistindo. Eu suponho que acabou nao vindo ninguem por falta de candidato, ja que normalmente neste tipo de bolsa, sempre ha pelo menos uma segunda colocacao no caso de desistencia do agraciado.
Normalmente quem vem tem um ano de estudo de lingua corena na universidade de Kyunghee (http://www.khu.ac.kr) e depois segue para qualquer universidade escolhida pelo aluno para o curso de mestrado ou doutorado em qualquer area e ainda ha a possibilidade de estudos em ingles (o que a grande maioria faz).
Fora isso, o convivio com gente de cada cantinho do nosso planeta torna a experiencia muito mais interessante: quando eh que eu imaginaria que eu seria vizinho de gente do Laos, Costa Rica, China, Republica Tcheca, Quirguistao, Bangladesh, Vietna, Sudao, Marrocos, etc., etc.???
Eh muito legal e vale a pena.
Pra quem tem interesse, eu tenho um blog (apesar de nao ter muito tempo pra escrever) e la tem um pouco mais de informacao: http://jjunho.blogspot.com .
Um grande abraco e muito sorte para todos! Persigam seus sonhos que eles se tornam realidade!^^
04/11/07

Esqueci...
O site do orgao responsavel pelos intercambios eh este:
http://www.ied.go.kr/english/

Mas pra conseguir a bolsa, tem de entrar em contato e passar pelo processo seletivo do consulado ou da embaixada no Brasil. OK?

Um abraco

Juliano
04/11/07

Outra coisa interessante...

Esqueci de dizer que a bolsa cobre passagem de ida e volta para Coreia, gastos com estudo (quase irrestrito: dependendo do resultado academico do aluno), mais uma bolsa mensal de 850.000 wons (940 dolares no cambio atual - suficiente para viver bem por aqui), mais auxilio para compra de material escolar uma vez por semestre no valor de 250.000 wons (275 dolares), alem de viagens junto com a galera de bolsistas para varias partes da Coreia durante o ano. Muuuito legal!^^ Eh claro, que precisa estudar tambem, senao nao da, ne?^^
21/11/07

Oi, gente. Mais informações.

Também pelo NIIED tem um programa de estudo de língua e cultura coreana. A diferença é que esse tem que ser pago. Mas, em comparação com outras escolas por aqui, é bem mais barato. Normalmente é utilizado por coreanos nascidos no exterior que vêm para aprender a língua e a cultura da Coréia a mando dos pais, mas também é aberto a estrangeiros interessados. Funciona por trimestres e dá direito a moradia e a refeições. O dormitório fica a um minuto do prédio do NIIED onde as aulas são dadas. Se não me engano, o valor fica por volta de 700-800 dólares, o que não é caro, já que só o aluguel de um apartamento estilo kitchenette fica na casa dos USD300-400 com seguro-fiança de USD 15-20.000!!! O preço de um curso de coreano de 10 semanas em uma faculdade conhecida fica por volta de USD1500... Então, é só sair e procurar informações pela internet, consulados e embaixada.

Um abraço e boa sorte

domingo, 30 de março de 2008

De rebus socialibus

Esses dias chegou uma comitiva de uma empresa brasileira para fazer negócios com empresas coreanas e eu os acabei conhecendo. A propósito, o almoço de aniversário a que tenho que ir daqui a pouco é de um deles.

Conversa vai, conversa vem, acabou o papo chegando às inevitáveis comparações sociais. "Nossa, os coreanos fazem assim, né? Os coreanos fazem assado... Etcétera e tal."

Pois bem, uma das comparações foi o "oba-oba", o "empurra-empurra" ou o "vup-vup" (como diz minha mãe).

Não sei se vocês se lembram de quando eu falei do pali-pali, o "rápido-rápido", a palavra mais pronunciada (ambivalência semântica intencional) por estas bandas. Tudo tem que ser rapidinho. Não importa, no entanto, se seja bem feito ou não. Basta a rapidez, a velocidade, a presteza, a anti-inércia.

O momento mais notável é nos meios de transporte de massa: metrôs, ônibus (plural), escadas rolantes e afins.

O momento de embarque/desembarque é uma competição inconsciente para ver quem consegue embarcar/desembarcar primeiro que o "oponente". Não importando que dispositivos se usem para que o feito atinja pleno sucesso. Leia-se: é um empurra-empurra do cão.

As ruas, ruelas, vias e vielas do bairro de Myeongdong (명동/明洞), meca de todas "as" jovens, bem como algumas senhouras e vovós também, vivem congestionandamente lotadas. Conseqüentemente, o "empurra-empurra" toma lugar e eu me sinto num parque de diversões no carrinho bate-bate. Não importa quem esteja à frente, seja uma vovozinha (ou vovòzinha como se escrevia algum tempo atrás antes da reforma ortográfica que está para ser rereformada) ou seja um cara de dois metros de altura. E o mais notável é que geralmente quem está por trás do corre-corre e empurra-empurra são as mulheres. As senhouras de meia-idade pra cima, então, essas sim são um bulldozer! Passam arrastando tudo o que vêem pela frente. Em marcha acelerada de deixar o capitão Nascimento com orgulho, zero-um!

Em locais públicos de altíssima circulação, principalmente em estações metroviárias, é de praxe haver uma divisão pintada no centro dos corredores dividindo-os em duas vias - uma mão que vai e outra que vem. Isso funciona às vezes, mas na prática, nas horas de pico (praticamente o dia todo), ninguém liga pra isso; um turbilhão de pessoas indo e vindo e abrindo espaço para passar sem quase diminuir o passo da marcha. Dessas divisões, somente a das escadas rolantes é respeitada. A faixa da direita é para quem vai ficar parado e a da esquerda é para quem vai subir a escada rolante andando ou correndo. Esses dias, eu vi uns cartazes em várias estações do metrô onde se lia que o governo aboliu tal prática pelo fato de que muita gente já se machucou. De acordo com a estatística estampada em tal cartaz, somente no ano passado, mais de 400 pessoas se machucaram devido a trombadas e encontrões durante o movimento ascensório ou descensório de tais meios de transporte. Agora eu pergunto: alguém liga? Resposta: claro que não! Todo mundo olha os cartazes, faz cara de paisagem, e os ignora.

Essa questão de cartazes/placas proibitivas e/ou admoestativas é um fato que chega a ser cômico, pelo menos para mim.

É muito, mas muito comum mesmo ver placas de "Proibido Fumar" e uns dois ou três carinhas justamente à frente/embaixo das mesmas fumando deliciosa e calmamente seus cigarrinhos. Alguém fala alguma coisa? Não. Banheiros: outro lugar onde sempre se vêem tais plaquinhas. E o que se encontra dentro destes reinos da privacidade? Cinzeiros instalados ao lado dos mictórios e dos vasos sanitários cheios de guimbas e mais guimbas fumadas a bel-prazer.

Voltando a falar da questão das mãos de direção para pedestres, quando cheguei (agosto de 2006), havia nos metrôs plaquinhas nos degraus das escadas dizendo "O povo com educação caminha pelo lado esquerdo". Devo dizer que há essa tendência pelas ruas e outros locais de circulação de pedestres pela cidade, excetuando-se claro quando o número de pessoas não seja de 10 por metro quadrado. No fim do ano passado, porém, alguém do governo, que creio eu que não tinha muito o que fazer, resolveu soltar a seguinte pérola: "A mão inglesa (mão esquerda) nos foi imposta pelos colonizadores japoneses e não devemos aceitá-la, devemos seguir o resto do mundo que usa em sua grande maioria a mão direita para pedestres, assim como já fazemos com o trânsito de automóveis." Não sei exatamente quando começou isso, mas tudo o que tem uma conexão direta ou indireta aos malditos colonizadores japoneses deve ser expurgado da sociedade coreana como um câncer que macula a pureza do povo Choseon (조선/朝鮮) (nome tradicional da Coréia nos idos do milênio passado). Isso se vê principalmente no vocabulário. Há várias palavras japonesas que foram adotadas durante o período de colonização japonesa e que resistem firmes e fortes até o dia de hoje. Principalmente nomes de comida. Um exemplo é o caso do "kamaboko" (かまぼこ) japonês, um dos ingredientes utilizados na confecção do oden (おでん), o qual é chamado na coréia de "odeng" (오뎅). Todo mundo come odeng, todo mundo gosta de odeng, mas quando a gente aprende a falar odeng no curso de coreano o nome do odeng é "eomuk" (어묵/魚묵), isto é, pasta de peixe - palavra inventada por uma comissão criada pelo governo para a "reimaculificação" da língua coreana.

Em tempo, se alguém, por falta de atenção deixa escapar algum tipo de palavra assim na TV, acaba pedindo desculpa e se corrige dizendo a palavra coreana "pura". E olha que coreano pedir desculpa é um fato digno de nota - todo esse empurra-empurra sobre o qual discorri há pouco é efetuado sem a mínima intenção de expressar o menor pedido de desculpa que seja.

É claro essas e outras diferenças são fatos que só são percebidos por estrangeiros. Assim como um brasileiro pode achar estranho isso ou aquilo por aqui, eles quando vão ao Brasil também acham estranho outras coisas... É tudo uma questão de ponto de vista. E a gente que passa um bom tempo por aqui acaba por assimilar boa parte desses costumes e nem percebe que acaba fazendo o mesmo.

Bom, vou ficando por aqui. Até a próxima. E a questão da "colonização japonesa" merece uma postagem à parte. É uma coisa de louco mesmo.

Um abraço.

Pra quem anda pensando em se aventurar por este mundão

Tenho lido a BBC Brasil com bastante freqüência ultimamente. E agora eles lançaram uma nova série de reportagens a respeito de imigração (por causa do problema dos brasileiros na Espanha). Tem coisas interessantes. Histórias de sucesso e fracasso. Pontos a ponderar para quem quer se aventurar por aí.

Brasileiros sem fronteiras

Um abraço.

Posso fazer uma pergunta???

O que anda acontecendo com a nossa pátria mãe gentil, nossa terra de encantos mil, o nosso Brasil varonil???

Às vezes eu tenho medo do que está por vir...



PS: Alguém já viu um filme chamado "Idiocracy"? É uma daquelas comédias bestas americanas, no entanto, no fundo, me fez pensar muito... E eu fico com muito medo...

sábado, 29 de março de 2008

E aí, galerinha???

Tão gostando da nova periodicidade de postagens do nosso querido blog (ou será blogue?)? Eu fiquei bem feliz com os poucos, mas efetivos!, recadinhos de apoio que recebi em tão curto espaço de tempo! Muito obrigado, Flávia! (Suponho que seja a Flávia "Estadunidense" de Santox). Um abraço daqui do outro lado do Pacífico, tá? :)
Gostaria que o ímpeto que me assaltou a voltar a escrever meu bloguezinho querido (ou será bloguinho?) também me levasse a produzir mais nos meus estudos. Pois é. Eu gostaria tanto de fazer e estudar um monte de coisa, mas não sei que bicho me mordeu. Não sei se é algum desajuste social, se é cansaço mental por causa da língua (que não imaginava que ia me dar tanto trabalho), ou cansaço mental por causa da idade mesmo, uma vez que já passei dos 30 (!!!) e tento não pensar muito nisso. (Minhas cãs que o digam!) (E cã não é a mulher do cão não, tá?). Tô meio devagar... Tenho um sukche (sugje, swukcey, etc., dependendo do método usado pela romanização. (Cf. postagem anterior)), ou seja, uma lição de casa (ou dever de casa como dizem lá pelas Minas Gerais que eu conheço), a qual não é difícil de ser feita, mas que não sai do lugar. Empacou "que nem" uma mula véia... Não sai do lugar mesmo. E sempre quando eu decido que vou sentar pra fazer e terminar logo com isso, aparece/acontece alguma coisa/alguém que não me deixa "pogredir". Ô coisa de lôco, meu! Tenha a santa paciência!
Vocês devem estar se perguntando (se é que realmente têm algum interesse nessa baboseira sobre a qual discorro agora...): "Por que, então, senhor Juliano, não vai fazer isso agora ao invés de ficar escrevendo essas bobagens no blog (blogue?)?"
Respondo eu: "Até que eu gostaria, mas a cabeça está doendo (parece até desenho animado, sabe?, quando as cabeças dos personagens começam a latejar e vão inchando e murchando?). E pra escrever isto aqui é claro que eu não preciso pensar... É só ficar apertando umas teclinhas semi-aleatórias do teclado do computador... Oras!"
Amanhã, seria um ótimo dia pra eu mergulhar de cabeça na feitura de meu trabalho, mas aí acontece outra coisa: "festa de aniversário". Fui convidado, de forma alguma a contra-gosto, vou porque quero, mas sei que deveria ficar por aqui fazendo o que deveria fazer. Tento enganar-me e pensar que posso fazer o bendito do treco quando voltar pra casa depois, mas sei que não vou estar em condições físicas ou mentais pra poder boter o treco pra andar. Aí vem segunda, vem terça... E será que eu terei terminado até lá? Creio que não... Apesar de meus esforços contra esse futuro sombrio. Eu vou me esforçar, mas meu lado "realista", que me conhece como ninguém, vem aos meus ouvidos e sussurra: "será?"
Pois bem, amigo leitor... (Agora já posso escrever essas baboseiras semi-machadianas pois sei que há um punhadinho (uns dois ou três) de seres, que não devem ter muito o que fazer, os quais se aventuram (voluntariamente!!!) a tentar achar algo neste blog (blogue?) que se vos apresenta agora; e revivificado! Óia!

Se vocês têm alguma receita pra curar leseira acadêmico-criativa, por favor mande pra mim. Ficarei extremamente grato.

Um abraço.

PS: Esta postagem poderia se chamar "Parênteses". Alguém se aventura quantos que eu botei? Eu é que não faço isso agora, já fiz muito em escrever...

PPS: Depois de publicar eu li e vi que ficou uma postagem meio enigmática, meio confusa, hermética quase... Gostaria de poder corrigi-la, mas agora não dá. Tô cansado (dia longo) e com dor de cabeça... Deveria ir direto pra cama...

sexta-feira, 28 de março de 2008

Ah! Quase ia me esquecendo!

Não deixem de me mandar comentários, mensagens, sinais de fumaça, telepatia escrita, que senão eu perco a vontade e paro de escrever, tá? ;)

Um abraço pra todos. E muita saudade de quem tá longe...

Kimchi com Café - de volta a todo vapor!

Ói nóis aqui tra veiz!

Vim hoje à facu atendendo a pedidos de meu professor. Disse ele que queria que eu desse uma olhada num texto que ele vai mandar pra uma revista científica. Era pra eu checar e mudar a formatação de acordo com o que é pedido pelos editores. Fiz. Tava até bom o inglês, fora a pontuação que era um horror (mas isso passa), mas a coisa de louco era a transliteração do coreano para o alfabeto latino. Culpa dele? Não. Culpa dos milhares de sistemas ainda em uso ou os que já se aposentaram mas ainda deixaram uns rastros por aqui e por ali...
Lingüisticamente falando, o coreano (a língua, não o sujeito que vive comendo kimchi) é uma língua um pouco diferente no que toca à fon-fon, isto é, fonética e fonologia. Ao contrário da maioria das línguas mais conhecidas e mais faladas neste mundão de Deus, que fazem a distinção das consoantes entre surdas e sonoras, o coreano faz distinção das consoantes em suaves, tensas e aspiradas, uma distinção ternária, ao contrário da distinção binária de línguas como o nosso português, o inglês, o francês, o japonês, etc. etc. etc. Traduzindo. As consoantes são normalmente ruídos, estalidos, atritos, constrições, ao passo que as vogais são sons, harmonicos e modulados. Pensem na diferença do som "ssssssss" e do som "aaaaaaa". O primeiro parece uma panela de pressão soltando ar, isto é, ruído. O segundo, por sua vez, pode até ser modulado e virar uma cançoneta (pequena canção, tá?) que pode ser formada de várias notas diferentes e coloridas, do dó ao si e de volta ao dó, formando toda uma escala linda e harmoniosamente sonora. Tudo bem até aqui? Então. No caso das consoantes, a grande maioria delas é compostas por irmãs gêmeas. Isso mesmo. São parecidas em tudo, mas têm apenas uma diferença: uma é surda, isto é, produzida sem vibração das cordas vocais; a outra é sonora, isto é, produzida com vibração das cordas vocais. Tá acompanhando? Ei-las! (Não se esqueçam que eu estou falando dos sons e não das letras, tá?) O som p vai junto com o b, o t vai com o d, o k vai com o g, e assim sucessivamente... Em resumo, na língua portuguesa, temos:

p b, t d, k g, x j, f v, s z

Os sons de cada um desses grupos é formado exatamente da mesma maneira. O primeiro é com o fechamento dos lábios; o segundo, com o fechamento da língua contra os dentes; o terceiro, com o fechamento da base da língua contra a garganta; o quarto, com a aproximação do dorso da língua contra o céu da boca; o quinto, com a aproximação do lábio inferior aos dentes superiores; e, por último, o sexto, com a aproximação da ponta da língua aos dentes superiores. Certo? O que é diferente? As cordas vocais! Se você botar os dedos no pescoço na altura do pomo de adão e falar cada um dos sons acima, você vai perceber que, nos sons b, d, g, j, v, z, a vibração começa instantes antes do som da consoante propriamente dita. Confere?

Então, é assim que funciona com a maioria das línguas.

Coreano, não...

O coreano tem uma distinção ternária que não depende da vibração das cordas vocais... Isso é muito difícil para quem passou a vida inteira prestando atenção, mesmo que subconscientemente, se as cordas vocais vibram ou não.

A distinção do coreano é a seguinte. Se a consoante é suave, normalmente ela é surda, a não ser que esteja entre vogais e produzidas de leve, o que causa um certo arzinho que sai da boca, "ma non troppo". Se a consoante é aspirada, ela é surda e produzida simultaneamente a um forte sopro de ar, equivalente ao dos sons "s" e "f". Agora, se ela é tensa, a gente tem que fazer força na garganta pra fechar as cordas vocais e soltar o ar que fica preso, criando uma super-consoante surda que é super-poderosamente forte em comparação com as suaves.

Em suma:

p, ph, pp (suave, aspirada, tensa); t, th, tt; k, kh, kk; ch, chh, cch; s, ss.

O problema...

Como isso não é comum nas línguas ""comuns"" (muito entre aspas), isto é, inglês, francês, inglês, italiano, inglês... ah, eu mencionei inglês???, essa diferença foi por demais difícil para ser passada para o papel em outro alfabeto que não fosse o próprio alfabeto coreano. Cada um quis fazer um sistema que julgava ser mais válido: primando pelo princípio de uma letra = um fonema, ou pelo princípio de seguir à risca a pronúncia (escrevendo as surdas e sonoras, aspiradas e tensas), evitando escrever mais de uma letra para cada som, mandando pro espaço a questão de uma letra = um som e inventando um monte de consoantes e vogais duplas/triplas... Daí vem a questão do governo. No começo, eles disseram que um sistema era o oficial. Alguns anos depois, disseram que aquilo estava errado e resolveram usar outro. Mais algum tempo, disseram que não tinha um bom sistema e resolveram inventar outro. Passam-se alguns anos e eles resolvem reformar aquele mesmo que eles próprios inventaram... Resumindo: uma bagunça.
Agora eu pergunto: tem algum coreano que saiba como usar qualquer um deles? Resposta óbvia: NÃO. Com uma bagunça dessas quem é que vai se entender com tantos tipos diferentes de escrita? Primeiro. O alfabeto latino (este mesmo que eu estou usando para escrever português, uma vez que quem o inventou foram os latinos, habitantes do Lácio, região da península itálica onde floresceu a cultura romana) para eles é igual ao alfabeto grego para nós, a gente até sabe alguma coisa tipo "o alfa e o ômega", ou "delta é igual a b ao quadrado menos quatro a c" e coisa do gênero. Eles tem contato com o alfabeto latino porque têm que aprender inglês durante décadas, e com isso chamando o alfabeto latino de "letra inglesa" (英字 영자). Não é por nada, mas tenho arrepios quando ouço isso... Pra mim, só o w pode ser chamado de letra inglesa, já que foram os copistas ingleses do século sétimo que o inventaram em algum claustro de algum mosteiro daquelas bandas pra substituir a letra ƿ "wynn", uma adaptação de uma runa que andava quebrando o galho pra preencher o alfabeto deles. Mas, voltando à vaca fria, venhamos e convenhamos: eles nunca imaginam sua própria língua escrita nesse alfabeto que só serve pra escrever essa estranha língua dos normandos, ops, desculpem-me, dos ingleses... Então, no que toca a esse assunto, nenhum, repito, nenhum coreano que se preze, sabe direito transcrever sua própria língua ao alfabeto latino de primeira sem pestanejar.

Para quem quiser ver o "quilombo" (como dicen nuestros amigos cone-sulinos hispano-hablantes) que aprontaram com a coitada da língua coreana nessa festa da transliteração, basta dar uma olhada nos seguintes links:
Para quem tem preguiça ou realmente não está interessado (no caso da segunda opção, não entendo porque é que leu este post até aqui então...), basta ver o exemplo abaixo.

원하시는 선 색깔과 굵기에 체크하시면 됩니다.

Esta frase, escrita de apenas uma única forma no alfabeto coreano, pode ser transliterada (ou romanizada) de várias formas, dependendo do sistema de transliteração que se escolha...

Sistema oficial revisado (Ênfase na pronúncia. Criado em 2000. Oficial atualmente.):
Wonhasineun seon saekkkalgwa gulkgie chekeuhasimyeon doemnida.

Sistema oficial revisado (Ênfase na transliteração dos fonemas. Criado em 2000.):
Wonhasineun seon saegkkalgwa gulggie chekeuhasimyeon doebnida.

Sistema McCune-Reischauer (Criado em 1937. Oficial de 1994-2000.):
Wŏnhasinŭn sŏn saekkalgwa kulkie ch'ek'ŭhasimyŏn toemnida.

Sistema Yale (Criado em 1942. Em uso geral por lingüistas.):
Wēn hasinun sen sayk.kkal kwa kwulk.ki ey cheykhu hasimyen toypnita.

Pra quem está se perguntando o que raios esta frase significa, aí vai a tradução:

"Apenas cheque a cor e a grossura da linha que você deseja."

Decepcionante, não? Culpa da Wikipédia que publicou isso aqui... hahaha

Bem, agora vou andando... Já são nove da noite e tem chão daqui pro meu cafofo. Até a próxima! :)

Pão. Quer coisa mais simples que isso?

Mas por aqui não é não.

Eu estava passando os olhos nas notícias e acabei caindo no seguinte post do Diplô: Procura-se pão francês. Leiam. É basicamente o que penso toda vez que vou a uma padaria por aqui. Que falta faz o nosso pãozinho francês (que aparentemente não tem nem na França...)!

Pois é, pra mim pão é pão e depois vêm as roscas doces, rosquinhas, broas, brevidades, croassãs (ou croissants, para os mais metidos), esfihas, salgadinhos assados... Mas por aqui isso tudo aí se chama "pão". Que por influência dos japoneses, que por sua vez foram influenciados pelos portugueses do século XVI, também usam uma corruptela da mesma palavra: パン [pan] em japonês; 빵 [bbang] em coreano. O "pobrema" que eu tenho por aqui é que eu gosto de pão, e pão pra nós é aquele pãozinho gordinho crocante por fora e com aquele miolinho fofo e esfumaçante de uma fornada caprichada que acabou de sair. Dá até água na boca! Mas aqui não tem. Pão aqui só se vende depois que esfria, além da grande maioria ser doce. Para as formiguinhas de plantão até que não é tão má idéia, mas eu tenho muita saudade do nosso pãozinho salgadinho quentinho com aquela manteiguinha derretendinho e aquele cheirinho maravilhoso... Disso me vi privado desde o momento em que aqui cheguei... (suspiro)
Pão que não é doce por aqui, uma grande minoria, são por exemplo massa folhada com salsicha e um quilo de ketchup... Em tempo, a questão de ser doce ou não é uma linha muito sutil... isso só vale em questões comparativas: explicando melhor, pão doce é doce - com um monte de açúcar, geléia, doce de feijão, etc; já o pão que não é doce não é salgado, só tem menos açúcar, quase não dá pra perceber, mas ainda tá lá! Mesmo esse pão com salsicha, tem uma demão de açúcar derretido por cima (sutil) e o ketchup, querendo ou não, é doce. Pois, tá aí, como sobreviver por aqui? No extremo não doce, está a baguete (50 cm) ou a meia-baguete (20 cm), que é mais difícil de achar. Apesar de ser o pão menos doce, não contém uma gota de sal. Tem gosto de nada com coisa alguma. Só se sente mesmo a "cocrância" da casca e o miolinho macio (que deixa ainda um pouco a desejar quando comparado à fofura do miolo do pão nosso de cada dia no Brasil).
Nessas minhas incursões às padarias coreanas (que possuem alcunhas galicistas como Paris Croissant, Tous les Jours, Paris Baguette...) acabei por me decidir por algo que se assemelha mais aos nossos salgadinhos do que a pão propriamente dito. Tem um com uma massa parecida com esfirra (mais fina) com recheio de queijo (alguns microgramas), cebola e temperos (+- 100g - 1200 wons, uns R$ 2,40); outro é um super-salgadão vendido cortado ao meio, com um recheio "aproximadamente semelhante", um pouco mais caprichado (+- 300g - 3500 wons, uns R$ 7,00).
Então, pra não ficar muito triste, eu tento nem ir muito a essas padarias, pra não acabar morrendo de 唐尿病 당뇨병, literalmente "doença da urina doce", isto é, diabetes.

É claro que pão não é um alimento tradicional coreano, apesar de já ser conhecido aqui no extremo oriente desde o século XVI como já mencionado acima. O "pão" tradicional daqui é o 떡 (ddeok, leia-se tók), arroz glutinoso (esta palavra existe em português???) batido no pilão até formar uma massa completamente homogênea, conhecido no japão como 餅(もち) (mochi).
Pode variar em tamanho, cor, forma, sabor, recheio e cobertura. Há zilhões de tipos diferentes. Não posso dizer que eu goste, mas não é de todo ruim não. Depende do tipo.

E o ddeog é completamente ligado às tradições coreanas. Não há um tipo de festa em que não esteja presente: nascimento, aniversário de 100 dias (uma das festas mais importantes para a família), casamento, homenagem aos antepassados, etc. Sempre são colocados nas mesas como enfeites muito bem trabalhados, com várias cores e pilhas de vários formatos. Claro, antes de irem pro bucho depois das festividades...

Vocês podem ver um tipo de ddeok especial para o dia do festival dos mortos nesta foto nos dois cantos posteriores da mesa. Foto tirada na casa do irmão mais velho da parte paterna da família (chamada de Grande Casa) da Eun Bee.

Bem por hoje tenho que ficar por aqui. Tenho que ir pra facu daqui a pouco... Depois nos falamos mais um pouco. Até! :)

quinta-feira, 27 de março de 2008

O poder de um comentário

Faz tempo, ou melhor, um booooom tempo desde que eu postei meus últimos escritos aqui neste blog... Pra ser um pouco mais exato, 78 dias! Pois então, devo dizer que muito da minha ausência se deve ao fato de que não recebo evidências palpáveis de que estou sendo lido. Algumas poucas linhas que sejam já são suficientes, mas, mesmo assim, ninguém se manifestava. Até que um dia, mais precisamente ontem, no laboratório de lingüística computacional da Universidade Nacional de Seul, atentei-me a uma mensagenzinha tímida que havia passado despercebida em minha caixa de mensagens: um comentário proveniente do meu blog! Um comentário do "Kimchi com Café"! Que surpresa! Abaixo seguem as poucas linhas que eficientemente fizeram-me sair da inércia intelecto-criativa em que me encontrava:

"Gustavo Teles deixou um novo comentário sobre a sua postagem "De volta de outro mundo...":

Nada de screver mais...

=(

Continue, please! Por amor aos leitores de um blog muito bacana!

Brigado!"

Eu é que agradeço, Gustavo! Eu é que agradeço!

Espero que isso seja um incentivo aos leitores silenciosos e tímidos que aparentemente freqüentam estas mal traçadas linhas ("como dizia o poeta").

É claro que durante estes dois meses e tanto muita coisa aconteceu. Comprei mais uns gadgets, completei mais um ano de vida, voltei às aulas, conheci pessoas, descobri e redescobri fatos culturais interessantes na Terra da Manhã Tranqüila... É coisa pra dedéu! Vou tentar pôr no papel, ou melhor dizendo, pôr na tela as minhas impressões e aventuras aqui do outro lado do nosso planeta, tão pequeno e tão desimportante neste universo tão grande que nos cerca...

Um grande abraço a todos os escondidinhos e um especial ao Gustavo a quem devo e ofereço este post de ressurreição do blog "Kimchi com Café"!

PS: (Estou bebendo café neste exato momento, mas, pensando bem, passei o dia sem comer Kimchi hoje... Vou ter que compensar este lapso amanhã no restaurante da facu amanhã...)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

De volta de outro mundo...


中国 China
O que que é aquilo??? Pequim é basicamente indescritível! A única impressão que foi comum a mim e a todos os meus amigos é a de que tudo é absurdamente enorme, gigantesco, colossal!
As ruas são avenidas, e as avenidas, principalmente nos cruzamentos, são parecidas com o "Cebolão" das marginais de São Paulo: viadutos sobre mais viadutos, seis faixas para carros (no mínimo) e duas para bicicletas.

A Praça da Paz Celestial (Tian An Men 天安门) também é colossal, com aquele palácio em um dos seus cantos, a Cidade Proibida, lar do último imperador (Àixīnjuéluó Pǔyí 爱新觉罗溥仪), como no filme homônimo.

A Grande Muralha, chamada pelos nativos 万里长城, o Longo Castelo de Dez Mil Léguas, também é uma visão impressionante. É claro que não é possível ver todos os seus 6700 km, mas um pouquinho que se vê, próximo a Pequim, já é de tirar o fôlego, não só pela exuberância da construção serpenteando pelo cume de altas e escarpadas montanhas, mas também por caminhar por sobre a consrução que se inclina a quase 45°! É praticamente uma escalada!

O Palácio de Verão 颐和园 também foi uma visão impressionante com seu lago artificial e o palácio em si posto como que por uma mão gigante na encosta de uma montanha que se nos toma de surpresa ao caminharmos pelo longo corredor. Ele nos está esperando calmamente do lado direito, como que espreitando nossa reação ao encontrá-lo por detrás de um grande portão que o esconde do nosso campo de visão.

Outra coisa que nos surpreendeu foram os preços que são abusivamente baratos! Nem dá pra comparar com qualquer outra coisa que se conheça! Acabamos indo para lugares de turistas, onde pagávamos 10 vezes mais caro e ainda estava mais barato que o que pagamos por aqui na Coréia. Não dá pra entender. É muito barato! É muito legal! Só pra ter uma noção, o jantar acima saiu por 23o元 com bebidas, o que dá, mais ou menos, R$ 55,00. Éramos cinco pessoas, e não conseguimos comer tudo...

Depois escrevo mais.

再见!Tchau!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

A caminho do quadrimilenar "Reino do Centro"

Depois dos feriados de fim de ano, e depois de umas feriazinhas merecidas, aqui parto eu em direção à China! Vou hoje, sexta-feira, ou melhor, daqui a pouco, e volto na segunda com novidades e mais fotos para serem postadas no Picasa.
Por enquanto ficam somente minha curiosidade, minhas expectativas e meu sono, já que decidi não dormir para não correr o risco de perder a hora de sair de casa. Temos que chegar ao aeroporto às 9:30 da manhã e, portanto, sair de casa às 7:30 no máximo. O vôo em si sai às 11:30, mas temos que nos encontrar com o pessoal da agência de viagens, pegar nossas passagens, ouvir o sermão de explicações que eles nos vão dar e fazer compras no freeshop! hehe
Vou eu mais um grupo de amigos das mais variadas origens (em ordem alfabética): Áustria, Bulgária, Cazaquistão, Rússia, Uzbequistão. Ao todo, somos sete. Passaremos o fim de semana em Pequim, ou Běijīng como dizem os chineses, com direito a visita à Grande Muralha! Além disso, passaremos por outras atrações como a Cidade Proibida, a Praça da Paz Celestial, dentre outras.
É uma pena ser um pacote de turismo, pelo menos para mim que gosto de explorar os lugares por onde passo e gosto de ter tempo para apreciar tudo. Mesmo com um visto de trinta dias, passarei apenas quatro... E não dá pra mudar. Gostaria até de me aventurar por outras cidades, mas não vai dar. Tem que ser só Pequim.
Pois é. Vamos ver no que vai dar. E se der, eu dou uma postada quando estiver por lá.
Um abraço pra quem fica.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Feliz ano novo!!! Parte 2

O sol que acabou de se pôr aí no Brasil no dia 31 de dezembro de 2007, acabou de nascer aqui nas terras da península coreana no dia 1 de janeiro de 2008! E vocês ainda estão vivendo meu ontem! Hi hi hi...
Pois é. Eu disse a vocês que a gente estava pensando em passar o ano novo na rua, mas o frio de quase 10 graus negativos meio que nos desanimou, e acabamos passando o ano num barzinho mesmo. Não foi de todo ruim, mas podia ter sido melhor se eu tivesse pensado um pouco. Olhem só:
Sempre que eu saio para alguma ocasião especial, eu levo a câmera, mas na hora de tirar as fotos, eu me lembro de que não carreguei a "bendita" da bateria e a câmera morre depois de 3 ou 4 fotos. Ontem, pensando nisso, já deixei a bateria carregadinha e bonitinha para ter certeza de que eu conseguir tirar trilhões de fotos. Qual não foi minha surpresa, quando, depois de apenas algumas, a câmera reclamou que não tinha mais espaço! Fiquei um pouco chocado, pois lembrava que havia tirado todas as fotos antigas da memória e estava com o cartão limpinho para poder tirar até milhares de fotos se preciso fosse. De repente, não mais que de repente, veio aquele estalido na minha cabeça me dizendo que eu tinha tirado o "abençoado" do cartão de memória e não coloquei de volta... Eu estava trabalhando só com a memória interna da câmera que é uma merreca...
Ninguém é perfeito, mas eu podia ser um pouquinho pior na área do esquecimento... meu grande problema é que sou muito bom para esquecer as coisas!
Bem, em todo caso, resolvi então tirar as primeiras fotos do dia, já que do sol não dá... ele, que já está todo fraquinho agora na época do inverno, fica todo encobertinho pelos prédios da cidade. Mesmo assim, aí vai!



Um grande abraço a todos e um feliz ano do rato para todos! O porco já se despediu...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz ano novo!!!

Aqui vamos nós para o ano do rato!
Vou sair daqui a pouco para passar meu réveillon em Jonggak como alguns outros milhões de coreanos e estrangeiros.
Tradicionalmente o ano novo coreano é marcado com o toque do sino mais tradicional de Seul, o que dá o nome à região de Jonggak (que significa "Pavilhão do Sino"), o sino que era usado como alarme de invasões, incêndios e boas-novas também na Seul dos reis da Terra da Manhã Tranqüila de outrora.
Hoje em dia, Jonggak nada mais é do que uma construção antiga no meio do mar de arranha-céus da Seul moderna e (quase-)cosmopolita, somente lembrado no dia 31 de dezembro, quando as "otoridade" e alguns artistas vão lá para participar da cerimônia milenar (essa sim é milenar!) do toque do sino. Tudo bem que a data do ano novo mudou para seguir o mundo ocidental, mas tradicionalmente o ano novo lunar também é muito festejado por aqui. Esse fica para daqui a dois meses em fevereiro, mais especificamente no dia 7 de fevereiro, quando celebraremos de verdade a chegada do ano do rato. Por enquanto, vai ser só a passagem do ano solar.
Aí embaixo vai um videozinho que eu achei na internet de alguém que vez este programa no ano passado. Daqui a algumas horas eu ponho o meu.
Um grande abraço a todos e muitas felicidades no ano que está chegando!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

FELIZ NATAL! HO HO HO

Estou muito feliz!!!
Primeiro de tudo, feliz natal a todos!
No meu caso, mais do que feliz, meu natal foi divertido e... gostoso!
Fomos à ilha de Nami (Nam-i seom), um lugar muito famoso na Coréia por causa de uma novela que teve (para os nipófilos, 冬のソナタ). Alugamos uma casa por uma noite e fomos 14 pessoas passar a noite por lá.
Foi muito muito muito divertido.
Yulia, do Uzbequistão, preparou um frango muito bom e, literalmente, "salada russa", a nossa conhecida maionese, a qual os russos chamam de "olivier" (pronunciado à la française com sotaque russo, é claro).
Roberta, da Itália, preparou espagueti com conchas (não sei como se chamam em português), e lula recheada com atum (que estava muito bom!!!).
Eun Bee preparou patê de atum (ela já vai receber diploma de patezeira profissional, faz patê a três por dois...) que também estava muito bom.
Fora isso, estávamos na presença de russos e adjacentes (Rússia, Bulgária, Uzbequistão), germânicos (Áustria, Alemanha, e de um certo ponto de vista, França), "latinos" (Itália, e de um certo ponto de vista, França) e "neo-latino", eu do Brasil, além, é claro, de representantes do hemisfério oriental, da terra onde estamos, Coréia. E, por isso, obviamente, não faltou o que beber.
Eu fiquei em pé até umas 3, depois de comer e beber e fui tentar me deitar. No melhor estilo coreano, a casa tinha aquecimento no chão, e não tinha cama, todo mundo dorme no chão mesmo. O problema é que o "bendito" chão estava queimando de tão quente!!! Não dava pra dormir. Depois de tentar em vão por uns 30 minutos, resolvi sair de casa pra tomar uma fresca fora... Sob um frio abaixo de zero que se fazia sentir como uma gostosa brisa marítima na praia do Mucuripe em Fortaleza, extremamente refrescante... Não dava pra dormir naquele chão de mais de 40 graus.
Depois de muito ponderar, resolvemos estender uns 6 edredons no chão (na Coréia não se usam colchões normalmente), um em cima do outro, só para tentar cortar o calor que subia do piso; mesmo assim ainda dava pra sentir. Pelo menos, consegui dormir por algumas horas.
Depois, na volta, tomamos o trem para Seul que estava, obviamente, lotado. Não nos preocupamos: sentamos na porta mesmo, começamos a beber cerveja, a cantar e a falar merda... eu, Oleg (russo), Roberta (italiana) e Sofia (búlgara). Nem vimos passar a viagem de uma hora.
Chegamos agora há pouco e aproveitei para ver se minhas notas já haviam saído e qual não foi minha surpresa quando, depois de muito procurar pelo site (foi a minha primeira vez na nova faculdade...), eu encontrei e achei: 3.76!!!
Para nós, brasileiros, parece pouco, né? Mas não!!! He he he!!! São 3.76 em 4! Isso dá 94% de aproveitamento! Ah... que alívio! Isso me poupou de ter que pagar o curso no semestre que vem! Pois é. Aqui é assim: se não conseguir média de 3, tem que pagar. Agora deu pra sentir que eles realmente fazem um pouco de vista grossa com os estrangeiros, hehe. Também porque eu descobri que o governo que me paga para estudar aqui, também paga meu professor orientador para "tomar conta de mim". E vocês acham que ele quer perder essa "boquinha"? Nem matando! He he he!
E tendo dito, que viva a Coréia! E feliz natal para quem está aí no Brasil!
Muitas felicidades e até o próximo post.

Juliano

PS: Papai Noel existe! ;)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Fotos...

Não se esqueçam de ver as fotos no picasa! Dêem uma passadinha por lá, viu?^^

domingo, 16 de dezembro de 2007

Quase nos finalmentes

Oi, gente!
Faz muuuito tempo que eu não escrevia aqui no blog. Tudo graças à época de provas, trabalhos, apresentações, etc, etc. Não foi fácil, não. Apesar de eu ter apenas 3 matérias, eu me sinto como se tivesse dez.
Tudo começou um pouco mais de um mês atrás, quando tive que começar a preparar minha apresentação de sintaxe a respeito de "Retomada, Ciclicidade Sucessiva e Localidade de Operações" na língua irlandesa. O texto tinha umas 50 páginas e, por ser longo, foi dado a duas pessoas: eu e uma menina chinesa. O problema é que essa menina não entende quase nada de inglês e, durante todas as vezes em que nos encontramos, ao invés de discutirmos a respeito do texto, eu tinha que (tentar) traduzir o texto junto com ela. Ficamos mais de 30 horas só na metade do texto e eu tive só uma noite para preparar a minha parte, que era a outra metade. Foi uma beleza. E o melhor, é que na noite anterior à apresentação, ela me mandou o que ela preparou e aí me dei conta que ela tinha feito um capítulo a menos do que havíamos combinado, sobrando para mim entender e explicar o que ela deixou pra trás. E, para completar, eu tinha pegado gripe e estava me sentindo péssimo.
No dia seguinte, foi feita a apresentação e eu me surpreendi, porque esta professora, durante todas as outras apresentações dos outros alunos, sempre interrompia e explica isso ou aquilo, mas durante a minha, ela ficou quietinha e só balançava a cabeça concordando com o que eu dizia. Fiquei surpreso com isso, e mais ainda quando no final ela se virou pra mim e disse: "muito boa apresentação, viu?". Fiquei bem feliz com isso, e levantou meu ânimo para enfrentar as 3 semanas "maravilhosas" que me esperavam pela frente.
Na segunda-feira passada, tive uma apresentação na matéria de Lingüística Computacional Prática, onde falei sobre uma linguagem atualmente em criação por pesquisadores da Universidade do Minho para a criação de ontologias. Depois, na quarta, tive a prova final da matéria de Lingüística Computacional Teórica. Essa foi de amargar. Apesar de ter estudado, não me lembrava das fórmulas para a aplicação na hora da prova. Na verdade, as provas deste professor, que, diga-se de passagem, é meu orientador, são o ó. Na hora das aulas, ele passa como uma borboleta pela matéria, "explicando" (pelo menos é o que eu acho que ele acha que está fazendo), lendo as apresentações de power point que ele chupinha prontas de alguma universidade dos Estados Unidos, e, na hora da prova, ele pede pra gente dar os valores (calculados na mão com uma calculadora) que o programa daria se estivesse rodando no computador. Isso é o cúmulo. Para um resultado de cinco linhas de programa, o que o computador levaria menos de um segundo para rodar, nós levamos muitos e muitos minutos para digitar na calculadora e escrever passo-a-passo, o estado do programa ao fim de cada operação. Outra, se fosse apenas uma ou duas questões desse tipo, até que vá lá, mas foram umas oito! Haja paciência... Além disso, ele nos deu apenas duas horas para fazer tudo isso. Depois de acabar o tempo, e ninguém ter conseguido terminar, ele acabou dando mais meia hora. No final, nem sei o que esperar dessa prova.
No dia seguinte, tivemos uma prova de sintaxe. Também oito questões para serem resolvidas em 3 horas. Até aí, tudo bem porque era prova de consulta. O problema é que quando eu terminei de responder todos os 6 ítens da primeira questão já havia passado uma hora e meia... Comecei a correr, mas ao término das 3 horas, a professora chegou e ninguém tinha feito nem a metade. Ela então disse que poderíamos ficar até às 6 da tarde, que era quando ela sairia da universidade. Depois de 5 horas de prova e mais de 10 páginas (A3) escritas à mão, eu havia conseguido terminar uns 90% da prova. Mais que isso eu não conseguia fazer, não sei se por ignorância das respostas ou por fastio mesmo de escrever tanto sem descansar. O cérebro já não funcionava mais como deveria...
Logo depois dessa aventura digna de um recorde no livro do Guiness, reunimo-nos, eu mais os dois caras que trabalham comigo no Laboratório de Lingüística Computacional, e um menino e uma menina que trabalham no Centro de Pesquisa de Sintaxe para irmos comemorar nossa sobrevivência a um episódio tão singular. Fomos ao bairro mais próximo da universidade e entramos num restaurantezinho para comer frango (que não estava mal, apesar de seco de tão cozido...) e mandamos ver na cerveja. Depois, fomos a um outr restaurante especializado em caracóis chamados "sora" e "golbengi" muito utilizados durante a bebedeira de soju, a bebida nacional coreana. Além disso, no final, ainda resolveram pedir "kijoge", uma concha parecida com mexilhão mas tamanho-família, com molho e queijo mussarela, assada na brasa.
Nem preciso falar em que que deu essa mistureba no meu bucho, né? Principalmente depois de pegar mais de 40 minutos de metrô sacolejante de volta para casa e passar três estações depois da que eu teria que descer às 12:45, sendo que meu dormitório fecha as portas à uma hora, né? Nem preciso falar... Mas, no final das contas, pelo menos consegui pegar um táxi, sair correndo e alcançar as portas abertas. Pelo menos consegui dormir na minha cama quentinha...
Vou ficando por aqui hoje, porque estou com muito sono e amanhã tenho minha última aula deste semestre. Volto em breve.

PS: Aí vai um videozinho do segundo lugar, com o Munhyeong comendo caracóis, o Sangcheol falando "Tá bom" (que é marca de suco de laranja aqui) e a Suyeong perguntando como se fala Brasil em "brasileiro"...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Oi, gente!

Ainda estou vivo, apesar de estar no meio da época de provas. O negócio tá feio, mas nóis vai levando devagarzinho. Ontem tive mais uma apresentação. Fiquei até muito feliz com o resultado, porque esta professora, normalmente não deixa um aluno falando sozinho durante toda a apresentação, ela sempre interrompe e explica o que devia ser explicado. No meu caso, ela ficou durante todo o tempo que falei (acho que quase uma hora) sentadinha, balançando a cabeça e confirmando o que eu falava. No final, ela olhou pra mim e disse: "Muito boa sua apresentação". Isso me deixou muito feliz!!! ^o^/
Agora na próxima semana vai ser prova dela, um dia depois de uma outra prova animal. Não sei como vou gerir meu tempo, mas tenho que dar um jeito...

Só pra descontrair, peguei os textos da primeira página do meu blog e joguei em um gerador de frases aleatórias, o qual utiliza "Markov Chains" que é o que eu estou estudando agora e este foi o resultado:

"# Tô cansado pra dedéu, e já não me lembro direito de uma semana toda que eu tinha tirado no máximo uns 40! Fiquei muito feliz com isso!^^ Valeu o dia!^^ Mas aí acabam-se as luzes, o pano da cortina desce e meu dia acaba. PUM. O negócio é que, quando tomo a prova e você tem que escrever tim-tim por tim-tim o que eu fiz nos últimos dias. Tentei usar de tudo aquilo (falando, não comentando ou explicando ou elucidando ou ensinando; falando), depois ouvimos apresentações de outros alunos q leram os textos extras, que - por coincidência - tbm só mencionam o q leram. O professor faz um-hum e beleza! A aula tá dada e até a próxima. Acho q dava pra fazer um curso de pós-graduação aqui na Terra da Manhã Tranqüila (ou seria Serena? Em português não sei como é que fica... e também não tenho tempo de pensar agora.)."

Já que não dá pra eu escrever, resolvi reescrever o já escrito de uma nova forma para uma releitura pra quem não leu... :p

Pois é, por hoje é só, pessoal.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Neve!

Acabei de ver a primeira neve do ano!
Apesar de ainda estar meia-boca, isto é, neve que já está quase derretendo, pra um brasileiro é neve!
Até a semana passada não estava tão frio, mas de uns 3 dias pra cá a temperatura despencou com -6 graus hoje. A partir de amanhã sobe um pouquinho, mas daqui para a frente é cada vez mais pra baixo. hehe
Amanhã vou ter minha primeira aula pelo programa do CCAP (Cross Cultural Awareness Program) da Unesco. É um programa de trabalho voluntário no qual um "professor" estrangeiro vai a uma escola de 1º grau (principalmente) e fala sobre a cultura do seu país. Acho que vai ser legal.
Depois eu conto, tá?

Agora eu vou sair pra brincar um pouquinho!!! hehehe

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Dois ícones "J"pops travam um combate mortal...

Com vocês Guitar-Samurai (ギター侍) e Crayon Shinchan (クレヨンしんちゃん):


Essa veio d'além-mar... Mar do Leste por aqui, Mar do Japão por lá...

Tem trem mais doido que este???

Fluido não-newtoniano:


E outro:

Jadu - a banda mais gastronômica da Coréia!!! E Muhandojeon: a Coréia em "Pânico"

Kimbab:


몇십년 동안 서로 달리 살아온 우리
달라도 한참 달라 너무 피곤해
영화도 나는 멜로 너는 Action
난 피자 너는 순두부

Nós que vivemos separados por umas décadas
Mesmo diferentes, estou cansada de ficar longe
Mesmo nos filmes, gosto de drama, você de ação
Gosto de pizza e você de "sundubu" (comida bem típica coreana)

그래도 우린 하나 통한 게 있어 김밥
김밥을 좋아하잖아
언제나 김과 밥은 붙여 산다고
너무나 부러워 했지

Mesmo assim temos uma coisa em comum: kimbap
Você não gosta de kimbap?
Você não ficou com vergonha quando disse que
quero viver grudado como o arroz e a alga (do kimbap)?

잘 말아줘 잘 눌러줘
밥알이 김에 달라 붙는 것처럼
너에게 붙어 있을래
날 안아줘 날 안아줘
옆구리 터져 버린 저 김밥 처럼
내 가슴 터질 때까지

Me enrola direitinho, me aperta direitinho
Assim como os grãos de arroz com a alga
Eu quero ficar grudada em você
Me abraça, me abraça
até meu peito explodir
como aquele kimbap que ficou com o lado partido

예전에 김밥 속에 단무지 하나
요새 김치에 치즈 참치가
세상이 변하니까 김밥도 변해
우리의 사랑도 변해

Antigamente só tinha um danmuji dentro do kimbap
hoje em dia, kimchi, queijo e atum.
Já que o mundo muda, o kimbap também muda
e o nosso amor também

잘 말아줘 잘 눌려줘
밥알이 김에 달라 붙는 것처럼
너에게 붙어 있을래
날 안아줘 날 안아줘
옆구리 터져 버린 저 김밥처럼
내 가슴 터지게 해

Me enrola direitinho, me aperta direitinho
Assim como os grãos de arroz com a alga
Eu quero ficar grudada em você
Me abraça, me abraça
até meu peito explodir
como aquele kimbap que ficou com o lado partido

널 사랑해 널 사랑해
세상이 우릴 하나 놓을 때까지
영원히 사랑 할꺼야
끝까지 붙어 있을래

Eu te amo, eu te amo
até que o mundo deixe só um de nós dois.
Vou te amar pra sempre.
Quero ficar grudada até o fim.

Shiksa buto haseyo:


일찍 오셨네요 피곤해 보이네요
아무리 힘들어도 챙길건 챙기세요
식사부터 하세요

Ah, você chegou cedo! Parece cansado!
Mesmo sendo cansativo, dê uma jeito no que tem que ser arrumado.
Comece pela refeição.

언제나 바쁘네요 정신없어 보여요
모든걸 내려놓고 주위를 둘러봐요
빨리전화 하세요

Ah, você está sempre ocupado! Parece chateado.
Tenta deixar um pouquinho as coisas de lado, desligar-se um pouco.
Faz um telefonema rapidinho.

참~사는게 힘겹더라도 다~누구나 그렇잖아요
늘~옆에서 응원할께요
오빠 오빠 나는 오빠를 믿어요

Bem, mesmo que ache que seja muito difícil viver. Todo mundo pensa assim, não é?
Eu vou ficar sempre do lado torcendo.
Gato, gato, acredito no meu gato! (Sei lá como se traduz "oppa"... Significa "irmão mais velho", mas é a palavra que as meninas usam pra chamar seus namorados...)

참~인생이 지겹더라도 다~누구나 그렇잖아요
늘~그자리를 지켜주세요
오빠 오빠 나는 오빠를 믿어요

Bem, mesmo que você ache que a vida seja cansativa. Todo mundo pensa assim, não é?
Sempre tome conta desse lugar.
Gato, gato, acredito no meu gato!

배고픈데 밥은 먹어야지 근데누가 밥을 사줘야지
사방팔방 둘러보아도 내편은 어디? 여기 OK

Se está com fome, tem comer. Mas quem vai comprar comida?
Mesmo tentando ir para outros cantos, onde é meu lugar? Aqui. OK!

해가 넘어 갔어요 캄캄한 밤이네요
할 일이 쌓였어도 챙길건 챙겨야죠
식사부터 하세요

O sol já se pôs. Que noite escura!
Mesmo com um monte de trabalho atrasado, o que tem que ser feito tem que ser feito.
Comece pela refeição.

언제나 바쁘네요 정신없어 보여요
모든 걸 내려놓고 주위를 둘러봐요
빨리 전화 하세요

Ah, você está sempre ocupado! Parece chateado.
Tenta deixar um pouquinho as coisas de lado, desligar-se um pouco.
Faz um telefonema rapidinho.

참 사는게 힘겹더라도 다 누구나 그렇잖아요
늘 옆에서 응원 할께요
오빠 오빠 나는 오빠를 믿어요

Bem, mesmo que ache que seja muito difícil viver. Todo mundo pensa assim, não é?
Eu vou ficar sempre do lado torcendo.
Gato, gato, acredito no meu gato!

참 인생이 지겹더라도 다 누구나 그렇잖아요
늘 그 자리를 지켜주세요
오빠 오빠 나는 오빠를 믿어요

Bem, mesmo que você ache que a vida seja cansativa. Todo mundo pensa assim, não é?
Sempre tome conta desse lugar.
Gato, gato, acredito no meu gato!

어두워진 그대 모습 잃어버린 그대 미소
오빠 모습 아니잖아 이젠 모두 날려버려요~~

Eu vejo você triste... Seu sorriso perdido
Essa não é sua fisionomia. Agora joga tudo pro ar!

하나 둘 셋~
1, 2, 3!

자~이제는 행복할꺼야 다~정말로 행복할꺼야
늘~옆에서 응원할께요
오빠 오빠 나는 오빠를 믿어요

Agora vamos ser felizes! Os dois vamos ser felizes de verdade!
Vou ficar sempre do seu lado torcendo.
Gato, gato, acredito no meu gato!

참 인생이 지겹더라도 다 누구나 그렇잖아요
늘 그 자리를 지켜주세요
오빠 오빠 나는 오빠를 믿어요

Bem, mesmo que você ache que a vida seja cansativa. Todo mundo pensa assim, não é?
Sempre tome conta desse lugar.
Gato, gato, acredito no meu gato!

Ô loco, que fome, meu!

Muhandojeon:

Esse pessoal faz muuuito sucesso, 유재석 Yu Jeseok, o cara de óculos, ouvi dizer que ganha 40.000.000 de wons por mês (uns 80.000 reais)... Eu já taria feliz com 8000...

E aqui está uma das pérolas deles:

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Oi, gente^^ Lembram-se da prova?

Tudo bem com vocês? Espero que sim...
Eis-me aqui às 5 da manhã, revirando-me pra lá e pra cá pra terminar de escrever uma "prova" para hoje às 13hs. Espero que seja a última noite que eu tenha que virar por um bom tempo a partir de agora. Pelo menos até o fim do semestre... hehe
Pois é.
Hoje, muitas coisas aconteceram aqui na terra da Manhã Tranqüila (acho isso um absurdo, já que a Coréia é o país do ppali-ppali). Bem, levantei-me cedo depois de dormir por 4 horas, tomei meu desjejum (acho essa palavra divertida) e tentei escrever algo, mas como teria aula às 4 da tarde na SNU, resolvi sair mais cedo e lá fui para o metrô alegre e saltitante. Chegando à facu, botei minha papelada toda pra fora da mochila, esparramei pelas mesas do laboratório, e pus-me a escrever minhas humildes linhas em busca do conhecimento sintáCtico. Passado um tempo, chegou a tão esperada hora da aula de Lingüística Computacional, a primeira aula depois da prova (aqueeela prova, lembra?). Chegando lá, a primeira coisa que o professor comenta é exatamente isso. E põe-se a distribuir as danadas (e todo mundo com uma cara bem jururu). E não é que, quando tomo a prova em minhas mãos, vejo em números escritos em escarlate: setenta e cinco! Nóssinhora! Nem acreditei! Por mim, eu jurava que eu tinha tirado no máximo uns 40! Fiquei muito feliz com isso!^^ Valeu o dia!^^
Mas aí acabam-se as luzes, o pano da cortina desce e meu dia acaba. PUM.
O negócio é que, chegando eu faceiro em casa, pronto para pôr a mão na massa e terminar de uma vez por todas essa prova, abro a mochila e... cadê minhas anotações??? Ficou tudo no laboratório... Abre a mochila de um lado, abre de outro, vira de cabeça pra baixo.... nada. Só o livro (pelo menos isso, né?) e alguns textos que eu estava pensando em usar amanhã pra finalizar. Bom, como diria a Amélia: "o que se há de fazer?" Dirigi-me a meu trono, sentei-me, e pus-me a dedilhar o teclado do computador à busca do rascunho do trabalho, quando de repente, não mais que de repente, lembro-me que havia gravado o arquivo no meu pen drive, memory stick, usb, ou o que quer que você chame esse trocinho (o qual um amigo meu só chama de "pistolinha")(acabei de matar um pernilongo, mas isso não vem ao caso) e... esqueci o bendito plugado, bonitinho, no computador da faculdade. Fazendo companhia pros papéis que eu esqueci por lá, né? Não é bonitinho?
Pois é. (Hoje merece até repetição de "Pois é.")
Cá estou eu, às cinco e tanto da madrugada, esmigalhando meu cérebro pra poder escrever alguma coisa que preste nessa abençoada prova, já que vou ter de entregá-la às TREZE horas... Olha que eu não tinha pensado nisso... Será que é por isso que me deu azar?^^
Bom, como eu gastei todo meu cérebro, eu tô usando só os dedos pra escrever pro 6 aqui no blogue, repara não, viu, moço? Tô cansado pra dedéu, e já não me lembro direito de uma semana toda que eu consegui dormir pelo menos mais que 6 horas por noite. Ultimamente, nem isso... Se fosse assim, eu estaria alegrinho, alegrinho...
Mas, se mesmo assim você ainda acha que vale a pena sair do Brasil e tentar fazer um curso de pós-graduação aqui na Coréia, com tudo pago e quase algumas mordomias, prepare-se: fiquei sabendo que pra o ano (como dizem lá no interior), o governo coreano abriu 1000, isso mesmo, Sílvio!, MIL vagas para bolsistas estrangeiros aqui na Terra da Manhã Tranqüila (ou seria Serena? Em português não sei como é que fica... e também não tenho tempo de pensar agora.). Eu achei isso um pouco abisssurdo demais, mas, em se tratando dos coreanos, eu não sei não, eles só ainda não transformam água em vinho porque demora demais e eles querem tudo ppali-ppali...
Então, se vc quiser vir pra cá fazer seu MBA em inglês, dirija-se à junta consular mais próxima de sua casa e boa viagem! ;)
Abraços pra quem fica.
Fui.... pra facu, terminar a prova, às 6 da manhã! hehe

terça-feira, 30 de outubro de 2007

7 minutos!

Gente, tenho 7 minutos pra escrever este post, pois tenho q sair para... adivinhou quem pensou estudar.
Pois é. (Tá virando bordão isso aqui)
Eu tô chocado de ver (e sentir) a síndrome do ppali-ppali (rápido-rápido) q assola a sociedade daqui da Coréia. Acho q dava pra fazer um ótimo trabalho de Sociologia em cima disso.
Os cursos na facu vão de vento em popa, com ajuda de um motorzinho turbo de 10.000HP... Não se a imagem colou, mas ninguém segura isso aqui!
É uma correria danada, é uma coisa medonha.
Desculpem pelo desabafo, mas tenho q falar isso pra alguém. E por que não você, meu caro leitor. Se é que vc existe...
Basicamente as aulas se dão da seguinte forma. Cada semana lemos um ou dois capítulos do livro texto, chegamos na aula já sabendo de tudo (porque senão não dá, né?), escutamos o/a professor/a falando de tudo aquilo (falando, não comentando ou explicando ou elucidando ou ensinando; falando), depois ouvimos apresentações de outros alunos q leram os textos extras, que - por coincidência - tbm só mencionam o q leram. O professor faz um-hum e beleza! A aula tá dada e até semana q vem com mais do mesmo.
Depois chega a prova e você tem que escrever tim-tim por tim-tim o que foi dito e fazer alguma coisa mais de surpresa, só pra não ficar chato, né?
E aí já passou metade do semestre e eu fico me perguntando: "passou por onde, que eu não vi?"
Um abraço e até a próxima. Acho q depois da prova de quinta-feira. Antes, é quase um suicídio.
Juliano.

Ppalli-Ppalli!!!!

sábado, 27 de outubro de 2007

Provas!!! Ou "mid-term exams"...

Lembram-se de quando eu disse que tinha prova na quarta? Pois é.
Foi uma "beleza"...
Não que eu não tenha estudado, ou me esforçado.
É que, realmente, foi o ó.
O que me aconchega é saber que eu não fui o único. Metade da sala saiu chingando o professor, e a outra metade saiu quieta, cabisbaixa e quase chorando...
Foi uma prova trabalhosa e danada de chata.
Acho que para "lingüística computacional" a prova deveria ser mais prática, ou, querendo falar de teoria, que fique só na teoria. Mas o "pobrema" é que ele deu 7 questões, das quais 5 não eram lá assim tão complexas... mas 2 delas.... .... .... eram aplicações práticas de algoritmos de programação dinâmica feitas a mão!

Um deles era o cálculo de mínima distância de Levenshtein (já tratado aqui no blog) e o outro era de Modelos de Markov Ocultos (Hidden Markov Models), além do algoritmo de Viterbi.

Foi "folder"...

Mas, bola pra frente, que ainda tem mais duas provas. Uma delas sendo de surpresa: o professor (da matéria para a qual eu preparei a apresentação de que lhes contei anteriormente) simplesmente ouviu a todas as apresentações na aula passada, comentou isso e aquilo e terminou por dizer: "bem, já que vocês fizeram boas apresentações, não precisam se preocupar muito com a prova da semana que vem", o que foi seguido por um coro: "prova?!"... Ninguém sabia... mas, e daí? Agora tem, e a gente tem que estudar.
Por isso, peço de coração, que todos os que estejam aí lendo isso, façam uma corrente de pensamento positivo no domingo de madrugada para segunda aí no Brasil, quando eu estiver aqui na segunda fazendo a "bendita" prova. OK?
Agora, um abraço pro 6 que eu tenho que estudar.
TéMais

Aquarela

Pois é... Me lembro como se fosse ontem quando via a propaganda da Faber Castell na TV quando era criança. Hoje me deparei com esta animação da mesma música do Toquinho e achei muito boa.
Gostaria de compartilhar com vocês... e descolorirá...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Nasceu!!!

Gente, não é por nada não, mas se eu reclamava de falta de tempo antes de entrar na SNU, eu retiro TUDO o que eu disse. É um absurdo. Minha impressão é de que tudo o que não fiz no ano passado (e olha que eu fiz bastante), eu estou fazendo agora no mês de outubro.
Por exemplo: amanhã tenho minha primeira apresentação (na USP era chamado de seminário). Vou ficar lá na frente da classe, falando sobre um texto chato que caiu pra mim. Para isso, fiquei desde mais ou menos o meio dia de sábado até agora (4:20 da manhã de segunda), dormindo 6 horas de sábado pra domingo, pra traduzir e preparar a apresentação de daqui a pouco.
Foi difícil, mas de qualquer forma, foi também prazeroso. Fazia tempo que eu não usava coreano de forma "drástica". E foi justamente o que eu fiz nos últimos dias. Tentei usar de tudo o que eu sabia e conseguia me lembrar do um ano de curso que tive. No fim, o resultado até que parece bonito, mas amanhã ainda vou pedir pro meu colega de laboratório dar uma olhadinha pra mim.
Como não tenho confiança ainda no meu coreano falado, acabei escrevendo mais do que o necessário para uma apresentação básica, mas antes sobrar do que faltar. Tenho a impressão de que se eu não ler, eu não vou conseguir falar nada do texto...

De quebra, vai o arquivo pdf do dito-cujo pra ter a estética apreciada por quem quiser. Deu um trabalho desgramado pra fazer isso, mas agora que eu olho pra ele, sinto um "trabalho cumprido" ou seria "trabalho comprido"???

Além disso, ainda tenho uma prova na quarta, e, graças ao laboratório e a esta apresentação, ainda não tive a oportunidade de estudar. Vamos ver se eu sobrevivo!

Abraços a todos, e deixem algum comentário, tá?

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

電算言語學 ou 전산언어학 ou Lingüística Computacional

Já foram 3 semanas de aula na SNU... ufa!
Tem um monte de coisa pra ler e pra fazer...
O mais divertido até agora é o curso de Lingüística Computacional.
Estamos começando a entrar de cabeça nas teorias malucas...
Ai, que saudade da matemática! Fazia tempo que eu não via essas coisas!
Por exemplo:
Para a próxima aula, temos que fazer um programa que mede a distância de Levens(h)tein entre duas strings. É definido por uma matriz formada por cada um dos caracteres de cada string comparados um a um. No final, é isso:

distância[i,j] = mínimo_valor { distância[i-1,j]+constante_de_inserção(alvoi-1), distância[i-1,j-1]+constante_de_substituição(alvoj-1, alvoi-1), distância[i-1,j]+constante_de_apagamento(alvoj-1) }

Divertido, né?

Nem parece lingüística... Mas é! ;)

No final, o programinha em Perl deu o seguinte:

use strict;

my $str1 = $ARGV[0];
my $str2 = $ARGV[1];

print "The distance is " . dist($str1, $str2) . ".\n";

sub dist($str1, $str2) {
my $len1 = length($str1);
my $len2 = length($str2);
my @chars1 = split("", $str1);
my @chars2 = split("", $str2);
my $cost;
my %matrix;

for (my $i = 0; $i <= $len1; ++$i) {
for (my $j = 0; $j <= $len2; ++$j) {
$matrix{$i}{$j} = 0;
$matrix{0}{$j} = $j;
}
$matrix{$i}{0} = $i;
}

for (my $i = 1; $i <= $len1; ++$i) {
for (my $j = 1; $j <= $len2; ++$j) {
if ($chars1[$i-1] eq $chars2[$j-1]) {
$cost = 0
}
else {
$cost = 2;
}
$matrix{$i}{$j} = min([$matrix{$i-1}{$j} + 1, $matrix{$i}{$j-1} + 1, $matrix{$i-1}{$j-1} + $cost]);
}
}

return $matrix{$len1}{$len2};
}

sub min {
my @list = @{$_[0]};
my $min = $list[0];

foreach my $i (@list) {
$min = $i if ($i < $min);
}
return $min;
}

Só para ilustrar, a distância entre "Juliano" e "Fabiano" (muita gente troca meu nome aí no Brasil...) é de "6", já a distância entre "Juliano" e "Serafina" é de "11", ou seja, é bem mais difícil alguém me chamar de Serafina do que de Juliano! ;) hehe
Batata e batatal, dá "1"; café e cafezal, "3"; milho e milharal, "5"... e por aí vai...

Esta é uma técnica usada na correção automática de editores de texto, vulgarmente conhecida como a "linha vermelha debaixo da palavra no M$Word". É claro que só esses numerinhos não servem de nada, mas, como de grão em grão a galinha enche o papo, isso mais um monte de outras coisas faz a correção ortográfica funcionar (mais ou menos). Pra quem pensa que é fácil, vai plantar batata (de preferência no batatal, que dá distância 1; se plantar batata no milharal, a distância de Levenshtein é de 10!)

Claro que eu tive uma ajudinha daqui e dali na internet... hehe Ninguém é de ferro. Mas o que eu tinha que fazer, eu fiz.
O meu grande problema com este programa é que eu não sabia mexer com matrizes em Perl... Mas no fim dá tudo certo.

Agora são 2 e meia da madrugada e eu tô com sono... Nem sei se o que eu tô escrevendo faz sentido ou não, mas eu só quero dizer a todos que eu estou muito feliz aqui na Coréia, estudando o que eu gosto, comendo bastante pimenta e me divertindo!

Torço para que cada um de vocês, meus amigos, não tenham medo de seguir seus sonhos e tentar ser feliz. Não se esqueçam de que a vida é curta e tem um monte de coisas que temos que fazer. Por que então não tentar ser feliz também?

Um grande abraço com muita saudade!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Jamali cantando "Galopera" de Bangladesh



Este é o cara de Bangladesh que é da nossa turma de bolsistas em uma apresentação na Universidade de Kyung Hee.

Jogo dos sete erros



Vocês conseguem encontrar os únicos dois não-muçulmanos na foto acima??? ;)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Muita agua ja passou por debaixo da ponte

Fui a Jeju-do e os muçulmanos fizeram muitos planos mas acabaram decidindo não seqüestrar o avião. :) hehe A viagem foi muito boa, mesmo tendo apenas 3 dias e 2 noites. Por falar em noite, ficamos em um hotel 4 "flores" (em Jeju não se usam estrelas). Hotel muito bomcom duas pessoas por quarto, um pouco longe do centro mas tudo bem. Tínhamos dois ônibus (um de meninos e um de meninas) e visitamos as principais atrações da ilha de norte a sul e de leste a oeste. Como tudo na Coréia, foi meio ppalli-ppalli (rápido) mas tudo bem. Aproveitamos as noites para sair paa barzinhos (chamados HOF) e para norebangs (karaokês). Muito bom.
Voltando a Seul, voltamos também às aulas, mas por pouco tempo. Tivemos aula até a última sexta de julho. Já que as aulas de mestrado começam em setembro, o NIIED resolveu nos dar um mês de férias. Por isso terminanos o curso na metade do livro. Fiquei com um pouco de dó por não chegar ao fim, mas as férias chegaram mais do que na hora. Aproveitei para descansar tudo o que podia e acabei trocando a noite pelo dia. Principalmente depois que comprei um novo computador. O velho já não estava dando mais. Principalmente com a internet ppalli-ppalli (vide acima) que eles têm por aqui que chega a dar uns 2MB/seg. Não há disco que chegue. Além disso, como o computador era meio lento, não dava conta do recado nem mesmo com a internet. Reclamava daqui, reclamava dali, acabei conversando com o Arif (um cara de Bangladesh que já está aqui há 8 anos) e ele me disse que tinha uma placa mãe de Pentium IV que ele não usava mais e que só faltava a memória RAM. Resolvi pegar e fazer o upgrade eu mesmo, mas fui tentar comprar a bendita memória e como era DDR, era mais difícil de achar e mais cara que a DDR2. Acabei indo e vindo 3 vezes na Santa Ifigênia daqui (que, diga-se de passagem, dá de mil a zero na de São Paulo, mas é ainda menor um pouco que Akihabara de Tóquio). No final das contas, consegui achar a abençoada memória e fui montar o computador. Foi aí que vi que precisava de uma nova fonte também de maior potência. Bem, chegou então a um ponto em que eu teria que acabar comprando um monte de coisas novas mais e, por fim, optei por comprar um PC novo de vez. Fui na loja onde havia comprado a RAM e pedi para eles montarem um PC novo dando a RAM como parte do pagamento. Eles aceitaram. Acabei ficando com um Intel Core 2 Duo de 1.6 GHz e 1 GB de RAM + HD de 250 GB. O monitor e os drives de CD, DVD/RAM e floppy eu já tinha dos outros 2 computadores que havia ganhado. Comprei também um teclado novo e um par de caixinhas de som. Tudo acabou ficando por W 295.000. Acho que tá bom. Considerando o monitor LCD widescreen de 17" com sintonizador de TV por W 180.000 e o DVD/RAM por W 40.000, o micro todo saiu por W 515.000. Graças a isso, acabei gastando minhas parcas economias e fiquei as férias em casa mesmo, no calor infernal de agosto, que é o mês dos três "bok" (삼복 三伏), os três períodos mais quentes do ano, quando é de praxe comer comidas quentes para combater "fogo com fogo", chamado de Iyeolchiyeol (이열치열 以熱治熱 = calor parecido cura calor). É nessa época que, reza a tradição, deve-se comer boshintang (보신탕 補身湯), ou melhor, sopa de cachorro. Como eu não podia ficar fora dessa, fui experimentar. Não é nada demais. Se ninguém falar nada, passa por sopa de carnes variadas (meio porco, meio vaca e meio algo que não sei direito, talvez carneiro ou cabrito?). Para mim não foi tão bom porque normalmente não gosto de carne com muita gordura e a maior parte dos nacos tinha bastante. Mas como experiência, valeu a pena. Antes que comecem a falar, carne de cachorro é um tema complicado por aqui também. Principalmente os jovens se recusam terminantemente a comê-la, claro que com excessões). É também mais comum no interior que nas metrópoles. É mais comum com os mais velhos e também com os turistas! Homens também têm uma tendência maior de comer também porque se diz que é uma carne afrodisíaca. No meu caso, comi com a tia da Eun Bee (esta ficou só olhando enquanto a tia se esbaldava e eu apreciava a experiência). O pior de tudo foi achar um restaurante. Acabei apelando para o Lonely Planet que tinha apenas um endereço em toda Seul. De acordo com a tia, não foi dos melhores, mas tampouco estava ruim: veredito final mediano. Disse ela que quando for a Busan, ela vai me levar a um lugar bem melhor. Vamos ver.
Neste momento, estou na Universidade Nacional de Seul esperando a orientação dos estudantes estrangeiros que começará às duas. Cheguei aqui por volta das dez, pois uma vizinha de Taiwan que acabou de chegar aqui na Coréia e ainda não conhece bem a cidade também tinha que vir, mas no caso dela às 10:30 porque ela foi na sessão em chinês. Para mim foi bom pois acabei tendo que sair da toca na parte da manhã, coisa que não fazia havia quase um mês. Isso me faz sentir mais produtivo e ativo. Além do que espero reajustar meu relógio biológico antes que as aulas comecem. Não agüento mais dormir às 5 da manhã e não fazer quase nada durante o dia. Espero que consiga.
Quanto ao tempo, hoje está maravilhoso! O outono já está dando os ares de sua graça. O céu está nublado e um doce ventinho está soprando, refrescando o inferno que estava por aqui. Os dias têm sido bem quentes, por volta dos 30 a 35°C até mesmo à noite. E úmidos! Sempre acima dos 90%. Isso faz-me sentir completamente inutilizado, já que apenas o fato de trocar de roupa, ou qualquer outro tipo de exercício físico banal, já é o bastante para fazer o suor correr às bicas. É realmente absurdo. Para completar, ainda tem o dormitório onde moro que não possui ar condicionado. 24 horas por dia a temperatura do meu quarto se mantém por volta dos 30°C! Durma-se com um calor desses! Ainda bem que é só durante o verão, os outros nove meses restantes do ano são maravilhosamente refrescantes. Tudo bem que esses comentários não deveriam vir de um brasileiro, mas para quem não gosta de futebol, não consegue dançar, gostar de tempo frio não é tão estranho assim, não é?
Bom vou parando por aqui hoje (já são seis páginas do meu caderninho e minha mão está doendo). Não sei quando volto a escrever, mas espero que seja em breve. Quanto a vocês, espero também que escrevam algo para mim de vez em quando. Podem enviar pelos comentários mesmo, ou por e-mail. A todos os meus amigos e parentes, um enorme abraço e muito saudade.

29/08/2007

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