Itens compartilhados de Juliano

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Depois de um tempo com o blog congelado, eu volto com uma notícia quente!

Mais um ano passou e eis que chegamos em dezembro! PQP, como passa rápido!
Este ano, não vi nem a primavera chegar, nem o outono passar por causa das aulas. Só vi o maldito do verão, queimando meus miolos, e, agora, o inverno que nem chegou oficialmente...
Neste instante temos uma temperatura de -11°C com sensação térmica de -19,5°C (não me perguntem como eles fazem essas contas...). Acabei de chegar da Estação de Seul, aonde fui levar a Eun Bee pra tomar o trem para Pusan. Não fosse o vento, até que não estaria ruim. Mas, mesmo assim, ainda prefiro este friozinho do que aquele calor desgraçado...
Ah, e hoje, além da temperatura, tive outra surpresa: meu professor orientador oriental desorientado teve a brilhante idéia de nos matricular (a todos nós que pertencemos ao laboratório de lingüística computacional) em curso de Java que começará no dia 27 de dezembro e seguirá até o dia 12 de fevereiro... Teremos ótimas férias! =) (Sentiram a ironia, né?) Tudo bem que será uma coisa a mais, será interessante, mas... E o melhor de tudo é o horário: sábados das 10 da madrugada até as 5 da tarde! Sete horas de diversão semanal.

Enviem-me boas vibrações...

Abraço bem quentinho do Juliano que vai aprender Java agora...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Gente do céu!

Que coisa de louco! Os finais de semestre estão ficando cada vez mais apertados por aqui.
Estamos com um projeto novo desde setembro, como já havia comentado no post anterior, e hoje apareceu mais um, e este é só para mim: os coreanos estão fazendo um corpus multi-lingüístico e precisam de alguém para fazer a parte do português. Ainda não tenho detalhes de nada, acabei de mandar meu curriculinho para eles e nem sei se vou ser aceito, mas tudo foi feito no mais típico modelo coreano: ppalli-ppalli. Meu professor falou comigo sobre isso do nada hoje pouco antes das 7 da noite, falei que poderia fazer, ele ligou (ou escreveu) para o sujeito encarregado disso e o sujeito me mandou um e-mail explicando que eu teria que mandar um currículo até amanhã às 8 da manhã. Do nada se fez o tudo, como é de praxe aqui na Terra da Manhã Tranqüila (o que é a única coisa tranqüila que tem no país, o apelido do próprio, só).
Pois bem, além disso, ele ainda me disse que conseguiu um analisador morfológico (morphological parser) escrito em Java e que era pra eu dar uma olhada de como botar o trem pra andar, já que o parser que estamos usando não está funcionando tão bem quanto deveria. Eles conseguiram um projeto open-source de um parser cujo desenvolvedor sumiu em 2006 e nunca mais entrou em sua página depois disso e nem terminou o programa que estava desenvolvendo. Mesmo assim, eu me virei e acabei botando o treco pra funcionar e até fiz uma "roumepeigizinha" pra ele no servidor aqui do laboratório. Se alguém quiser ver o negócio funcionando (ou não... depende do que for escrito pra ele analisar... só funciona com coreano tá?), pode dar uma passada no seguinte endereço: http://word.snu.ac.kr/kts ou clique aqui. Se não tiver o que escrever, pode só copiar e colar o que está escrito acima da caixa de texto e clicar no botão que ele faz o resto.
Além disso, se tiver alguém interessado, acho que vou colocar um outro programinha que fiz que faz a transliteração das letrinhas coreanas. Isso fica muito aquém do que é realmente pronunciado, já que é apenas uma transliteração (representação fonológica) e não uma representação fonética do que é realmente pronunciado. De qualquer forma, se der certo, esse programinha ficará em http://word.snu.ac.kr/han2alph ou aqui.

Como não posso escrever muito, vou deixá-los por aqui.

Um abraço,
Juliano

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Kimchi com Café de volta com a programação normal

Pois bem... Tem muita gente que está me cobrando (e já faz tempo) por que é que eu não estou mais escrevendo no blog. E alguns destes já até deram a resposta e acertaram: eu estou hiper-ocupado.

Desde que escrevi pela última vez, minha vida acadêmica se tornou um inferno na terra quanto a "tempo". Nosso professor inventou de fazer um grupo de estudos, juntamente com o professor de semântica, para criar um sistema baseado no TARSQI (Temporal Awareness and Reasoning Systems for Question Interpretation; em tradução mais do que livre: Sistemas de Reconhecimento e Raciocínio Temporal para Interpretação de Perguntas) dos EUA. Esse sistema TARSQI, pra encurtar a história, é um sistema de programas que lêem textos e conseguem encontrar, marcar e relacionar (quase) toda a informação temporal contida nos textos e ajudar a formar um sistema maior de perguntas e respostas automatizado. (Se não fizer muito sentido, não tem problema...)

Com isso, nós nos reunimos uma vez por semana para discutir nosso progresso e marcar metas para a próxima reunião da semana vindoura. A mim me coube a reconstrução e o retrofite (gambiarra) do programa que lida com a língua inglesa, para fazer com que ele funcione com a língua coreana. E não preciso dizer que não quer funcionar direito, né? Mas, mesmo assim, vamos tentando. Um dia sai.

Além disso, tenho minha aula de "Línguas Altaicas", matéria que não tem nada a ver com meu campo de estudo, já que sou de lingüística computacional, mas que me atrai por ser uma mistura de lingüística histórica, sócio-lingüística e fala de línguas de verdade. É bem interessante e é toda ministrada em coreano 100%. Isso é o que me atrapalha. Como é em coreano, eu tenho que dedicar mais tempo pelo problema da língua em si. Ainda mais quando tenho que escrever algum trabalho ou coisa parecida. Aí é a cobra fumando.

No mais, não tenho mais nenhuma novidade. Toda minha vida atualmente só gira em torno do TARSQI e das línguas altaicas. De domingo a domingo, quase 24 horas por dia. O restinho que sobra, é hora de dormir um pouco. Quando dá...

Um abraço, e desejem-me sorte...

sábado, 4 de outubro de 2008

Viagem à China - ainda mais uma parte

Continuação do post "Viagem - Mais uma parte".


Olá, pessoas que lêem meu blog! Apesar de não saber direito quem são pois quase não recebo comentários... Mas aí vai mais um dia de aventuras em território chinês.

Terminal de Passageiros do Porto de Tianjin

Depois de termos nos aventurado pelas primeiras atravessadas de rua em Tianjin, a cidade portuária onde desembarcamos, voltamos ao nosso hotel sãos e salvos e com o bucho cheio. Prontos para dormir.

No dia seguinte, descemos novamente os 12 andares que nos separavam do solo (os hotéis na China geralmente são bem grandes, e altos) e partimos em direção ao balcão onde deveríamos fazer nosso check-out. Tudo correu bem, inclusive a devolução de 100 yuans por pessoa que pediram no dia anterior como caução... na verdade tudo na China tem isso, se não se paga caução, não se consegue o serviço: hotel, internet, e até o cartãozinho pra comer no shopping (mais pra frente vocês vão saber). E fui até a "agência de turismo" que tinha no hotel, pra perguntar onde é que poderíamos ir pra conhecer um pouco de Tianjin antes de tomarmos rumo a Pequim. O engraçado é que ninguém sabia de nada. Nem de como poderíamos ir ao centro... No dia anterior, como disse no post anterior, já tínhamos visto o metrô, relativamente perto do hotel, e, com o pensamento lógico que Deus me deu, imaginei que seria o modo mais fácil (e econômico) de nos locomovermos... Quando sugeri isso, as meninas se entreolharam e, em coro, responderam: "Metrô? Onde? Tem?" Num güentei. Como é que elas não sabem disso? Elas passam a vida toda dentro do hotel, trabalhando e dormindo? - pensei, mas contive-me. E adjungi: "Mas ontem, ao passarmos pela avenida tal aqui perto, vimos uma estação do metrô e tal..." Ao que me responderam: "Ah, então já tá pronto??? Não sabia..." De qualquer forma, como estávamos com mochilas grandes, chegamos à conclusão que seria melhor tomarmos um táxi, já que o centro não era tão longe. Desanimado com as orientações recebidas, fomos à rua e tomamos um táxi para o centro, já que as mesmas meninas que não sabiam do metrô, também não sabiam onde ficava a parte histórica de Tianjin (que é bem famosa pela influência colonial com inúmeras construções inglesas, francesas... da época em que Tianjin era um entreposto comercial e portuário que ligava a China ao ocidente, meio como Shanghai, Hong-Kong e Macau). E o pertinho de chinês é igual a pertinho de mineiro, "é logo ali" e demora uma meia hora. Mas chegamos, fazendo o possível para me comunicar com a taxista, uma senhora gentil e prestativa. Chegamos, pagamos uma quantia módica e de mochilão nas costas saímos para percorrer o centro (comercial) de Tianjin.

Hotel onde nos hospedamos

Tianjin é uma cidade que não deixa a desejar (no quesito "capitalismo"). Tem lojas para todos os gostos e bolsos, e inúmeros shoppings se apertando um ao lado do outro no centro (que é bem grandinho). Roda pra cá, roda pra lá, acabamos parando no Isetan, uma rede japonesa de lojas de departamento e resolvemos dar uma olhada. E como toda loja de departamento que se preze, havia no subsolo um supermercado com tudo o que poderíamos querer. Como já se aproximava a hora do almoço, resolvemos fazer a feira por lá mesmo. Eun Bee comprou um saco de mangostão e eu fiquei com um saco (tipo saco de leite) de iogurte de mamão da Parmalat (saudades gastronômicas brasileiras, já que na coréia não tem nem iogurte (que se preze), nem mamão, nem Parmalat). Feliz da vida com meu achado mamonístico, seguimos rumo à superfície e fomos parar num outro shopping do outro lado da avenida. Chegando lá, vi uma pequena banquinha de jornais e pensei em comprar um mapa da cidade pra não ficar dependendo das informações desencontradas das meninas da agência. Cheguei pro tiozinho da banca e sem pestanejar soltei meu chinês, ao que se deu o seguinte diálogo:

-有地图吗?
-有。
-多少钱?
-5块。
-给我一个。
-谢谢。

Tecla SAP:

- Tem mapa?
- Tem.
- Quanto é?
- 5 yuans.
- Me dá um.
- Obrigado.

E saí feliz da vida com meu chinês e com meu mapinha na mão. Entramos num Starbucks, acomodamo-nos nas confortáveis poltronas e pus-me a estudar o mapa e a comer uns bolinhos que Eun Bee tinha comprado no dia anterior. Descobri que estávamos relativamente próximos à estação central de Tianjin e que "teoricamente" não seria tão difícil irmos até lá. Pelo mapa parecia uma caminhada de uns quinze minutos. Mas eu havia me esquecido que as coisas na China são um pouco superlativas...

Eun Bee lendo seu mapa escrito em coreano


PS: Post escrito em OUTUBRO!!! e esquecido no balaio de gatos... E olha que ainda tem história!!!

Será que agora vai?

Municípios enfrentam desafio do analfabetismo escolar

Carolina Glycerio
Enviada especial da BBC Brasil a Sobral

A constatação do fenômeno do analfabetismo escolar, ou das crianças que freqüentam a escola mas não aprendem, tem aumentado
a pressão sobre os municípios para melhorar a educação fundamental, a parte que lhes cabe no latifúndio educacional.

Os últimos números a mostrar que a expansão do acesso não se traduziu em qualidade da educação partiram do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que no final de setembro divulgou que dos 1,3 milhão de crianças entre 8 e 14 anos que não sabiam ler nem escrever no ano passado, 1,1 milhão (84,5%) estavam na escola.

"Não é que (o Brasil) não saiba educar, não sabe educar todos. Nosso problema de qualidade é muito mais profundamente um problemade eqüidade", disse o ministro da educação, Fernando Haddad, em recente entrevista a correspondentes internacionais.

Para Haddad, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) municipal, divulgado a cada dois anos, torna claro o que cada prefeito fez na educação.

"Não existia Ideb para o município (antes de 2005). Como os prefeitos tomaram posse em 2005 e os novos tomarão posse em 2009, há 'Idebs' e há como julgar as gestões municipais no que diz respeito à qualidade."

Se estiverem prestando a devida atenção no Ideb, os prefeitos que concorrem à reeleição têm pouco a comemorar. Em 2007, a maioria dos municípios registrou uma melhora, mas 53% deles obtiveram nota inferior à média nacional (4,2 pontos) em uma escala de 0 a 10, nas séries iniciais do ensino fundamental. Nas séries finais, o resultado foi ainda pior, com 60% dos municípios abaixo da média (3,8).

'Jogo de culpa'


Embora o último Ideb também tenha indicado uma diminuição das desigualdades regionais, a falta de recursos e o perfil socioeconômico dos alunos são explicações comuns de municípios pobres que têm mau desempenho no Ideb.

O Brasil investe pouco em educação, cerca de 2% a 2,5% do PIB, muito menos não só do que países desenvolvidos, mas também da região - a Argentina, por exemplo, se comprometeu com 6%.

Ainda assim, cidades como Sobral, no Ceará, e Teresina, no Piauí, conseguiram elevar o seu Ideb investindo o que está previsto em lei - no mínimo 25% das receitas obtidas com impostos. Entre 2005 e 2007, Teresina melhorou de 4,2 para 4,9 pontos e Sobral, de 4,0 para 4,9.



Para o diretor da Escola de Formação de Professores de Sobral, Joan Edessom Oliveira, há um "jogo de culpa" que impede que o município assuma a sua responsabilidade e prejudica o aprendizado dos alunos.

"A escola diz que os meninos não aprendem porque são pobres, porque os pais não se interessam, porque as famílias são desestruturadas", diz Oliveira.

"Precisamos intervir. Nós, escola pública, temos alunos pobres, muitas vezes com problemas de família, muitas vezes em realidades periféricas, violentas, mas eles estão ali e eles dão conta dos conteúdos como todos os outros. A escola precisa garantir que dêem conta."

Para o técnico de projetos do Unicef Rui Aguiar o município precisa ter uma proposta pedagógica clara, com metas de alfabetização e eliminação do abandono escolar.

"A gente apóia a autonomia pedagógica (das escolas), mas também que o município assuma a sua responsabilidade de acompanhar (o desempenho)", disse Aguiar. "Onde os resultados são péssimos, está todo mundo solto."

Apesar das expectativas do ministro e de campanhas que reforçam a importância da educação, uma pesquisa do Ibope feita em setembro indicou que menos de 1% dos eleitores consideram as propostas de educação do candidato decisivas para o seu voto.

A despeito dessa aparente falta de interesse, ou por causa dela, educadores discutem cada vez mais meios de envolver a comunidade com os assuntos da escola, a começar pelas próprias famílias dos alunos.

O Unicef está desenvolvendo em parceria com Sobral e Teresina o projeto Palavra de Criança, para orientar os pais, que muitas vezes analfabetos, a acompanhar a vida escolar da criança. "A gente quer a cumplicidade da família", afirma Rui Aguiar.

Outro desafio apontado por especialistas é a falta de integração das secretarias de educação com as de saúde e assistência social.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Kimchi com Café em Boletim Extraordinário

Venho por meio desta participar a todos os que acompanharam a minha ladainha quanto ao meu exame de qualificação de mestrado (acabei de descobrir o nome disso agora... de tanto falar 논자시 [nonjashi] acabei esquecendo como falava isso em português) que hoje saiu o resultado do famigerado exame.

Mas, antes disso, devo dizer que estou meio sonolento pelo fato de que ontem não pude pregar meus olhos face às dificuldades de uma apresentação que tinha que fazer para a aula de Línguas Altaicas, a qual me tomou todo a noite passada. Tudo bem que até tive um certo tempinho pra poder cumpri com minhas obrigações discentes antes da reta final, mas não me sentia nem um pouco bem psicologica ou emocionalmente devido às agruras do estresse passado pelos estudos para dito exame de qualificação. Deixei, pois, para a última hora como é de meu feitio, e também de 80% dos brasileiros e coreanos que eu conheço.

Pois bem, hoje, fiz a apresentação sobre a Harmonia Vocálica no Coreano do século XV e das línguas Tungúsicas. Foram quatorze páginas de cocô, na falta de vocábulo mais formoso. No entanto, foi o que deu pra fazer em uma noite. O professor não reclamou muito (bom sinal) e saí feliz com o resultado inesperado. Logo depois da aula e do almoço, tentei em vão marcar minha presença no meu amado Laborátorio de Lingüística Computacional, mas estava pescando mais que não sei o quê. Resolvi, pois, voltar pra casa e, chegando, despenquei com tudo na minha amada caminha que me recebeu de braços abertor e sorriso no rosto e que me acolheu por duas satisfatórias horas. Agora, já desperto, resolvi dar uma olhada no meu celular, onde não mais que de repente havia uma singela mensagem de duas linhas enviada por meu colega de laboratório que dizia: "논자시 합격을 축하해", ou, "parabéns pelo exame de qualificação!". Isso significa só uma coisa:

PASSEI!!! PASSEI!!! PASSEI!!! =)

Agora "só" tenho que escrever minha tese de mestrado... nada mais...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Ai, ai, Brasil, Brasil...

15/09/2008 - 10h50

Banda larga no Brasil é uma das piores do mundo

da Folha de S.Paulo

A qualidade da internet banda larga (rápida) no Brasil está entre as piores no mundo e é insuficiente para atender as necessidades dos usuários que usam hoje os aplicativos da web. Segundo estudo com 42 países, a internet brasileira só é melhor que o serviço de quatro nações. Somente Chipre, México, Índia e China oferecem um serviço inferior ao brasileiro.

A internet rápida no Brasil não é considerada adequada hoje para ver vídeos em sites como YouTube, baixar pequenos arquivos e navegar pela rede, mostra a pesquisa feita para a Cisco pelas universidades de Oxford (Reino Unido) e Oviedo (Espanha). O estudo, publicado ontem no exterior, deve ser divulgado com mais detalhes sobre o Brasil na segunda-feira.

A pesquisa leva em conta a velocidade do acesso, os atrasos na rede e a perda de dados e, a partir desses dados, dá uma nota para o serviço de banda larga de cada país. "Nós estamos olhando para a qualidade, não para a penetração", afirmou, em nota, Fernando Gil de Bernabé, diretor da Cisco.

O estudo afirma, por exemplo, que a velocidade mínima adequada para baixar arquivos na internet é de 3,75 Mbps (megabits por segundo). No Brasil, pesquisa da própria Cisco, considera banda larga a internet com velocidade de 128 kbps (muito inferior ao desejado). O levantamento mais recente da empresa diz que existiam 10 milhões de conexões de alta velocidade no Brasil no final de junho, 48,3% mais que no mesmo período do ano passado.

De acordo com os pesquisadores, a internet em um período de três a cinco anos exigirá uma velocidade de download ainda maior, de pelo menos 11,25 Mbps, para que o usuário consiga ter boa qualidade ao assistir a vídeos de alta definição, por exemplo.

"As velocidades médias de download são adequadas [em 23 países] para navegar pela rede, trocar e-mails e para baixar e fazer "streaming" [transmissão direta pela internet] de vídeos básicos, mas estamos vendo cada vez mais aplicativos interativos, mais conteúdo gerado pelos usuários sendo colocado na rede e compartilhado, e uma quantidade crescente de serviços de vídeos de alta qualidade tornada disponível", afirmou Alastair Nicholson, pesquisador de Oxford.

Pela pesquisa, somente o Japão --que tem o melhor serviço no momento-- já tem uma internet com qualidade suficiente para atender as necessidades dos usuários daqui a cinco anos. Depois da internet japonesa, os melhores serviços são oferecidos por Suécia, Holanda e Estônia. Outro país báltico, a Lituânia, aparece na sétima colocação no levantamento.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Viagem - Mais uma parte

Como tudo foi muito corrido, não escrevi mais durante a viagem. Só fui tomando notas esparsas as quais vou continuar postando por aqui.

16 de agosto

Ao instalarmo-nos confortavelmente no quarto do hotel, saímos à rua à procura de aventuras na recém-chegada China.

Descemos os 12 andares de elevador, saímos do saguão do hotel, e vimo-nos em uma cidade desconhecida por volta das 8 da noite. Que fazer? Sair para fazer reconhecimento de área.

Logo à frente do hotel havia uma grande avenida, que na verdade é um tipo de rodovia que corta a cidade de norte a sul e de leste a oeste, um tipo de Avenida do Contorno (pra quem conhece BH) ou Anel Viário pra quem conhece SP (daqui a alguns anos, porém). Nas cidades chinesas isso parece ser muito comum. Tianjin, que é menor, tem só dois anéis, o número 1 (exterior) e o número 2 (interior). Beijing, por sua vez, tem 7, mas o anel número 1 não conta porque é a avenida que rodeia a Cidade Proibida e a Praça da Paz Celestial (o centro da capital). Mesmo assim, 6 anéis viários dentro da cidade ajudam bastante no desafogo do tráfego. Um caminho que demoraria uma hora, é feito em 30 minutos, mais ou menos. Parece pouca diferença, mas ajuda bastante.

Bem, voltando a Tianjin, logo ao sair do hotel, já nos vimos de frente à primeira aventura da viagem: atravessar a rua. Chegamos ao cruzamento desse anel viário com mais uma meia-dúzia de ruas (um pouco de exagero, mas era a impressão que dava): carros de todos os lados, bicicletas e motos, além de pedestres por todos os lados, num balé orquestrado por um diretor invisível, tudo harmonizado pela sinfonia de buzinas aqui e acolá. Examinamos o processo durante uns minutos e a primeira conclusão a que chegamos era de que o semáforo era quase um enfeite no meio daquela loucura toda. Ninguém se preocupava muito com ele. O semáforo funcionava mais como um tipo de sugestão: "tudo o que se movimenta deste lado deveria passar agora enquanto o que se movimenta do outro lado dá preferência". Não sei se deu pra entender, mas era mais ou menos assim. Além do mais, não havia faixa de pedestres, pelo menos onde estávamos. Então resolvemos escolher o modo mais lógico. Acompanhar os nativos de perto e pisar em suas pegadas (de preferência deixando o nativo para o lado em que o trânsito vinha, mais ou menos como um escudo). E não é que funciona? Passamos por entre os carros, motos, bicicletas e pedestres com certa facilidade, apesar do medinho que tentava se aflorar. Depois de um relativamente longo tempo, conseguimos atravessar todo o cruzamento, parando nas ilhas onde não havia trânsito no meio da rua, e chegamos a uma grande construção que tinha a maior pinta de supermercado. Com meu conhecimento de Ideogramas, só deu pra decifrar que o que eu via escrito na fachada do prédio era só o nome do estabelecimento, o que não esclarecia se era um supermercado ou uma loja de materiais de construção... No entanto, ao chegarmos à porta, vimos que realmente se tratava de um hipermercado com um tiozinho na porta falando um monte de coisa pra gente. Só consegui entender "9 horas! 9 horas!", informando-nos que o mercado fecharia a tal hora. Mas depois continuou falando mais e mais coisas... Depois entendi que era sobre a mochila... Acho que não podia entrar com mochila ou que tinha que deixar a mochila em algum lugar. Mas, olhando nossa cara de dãããã, fez um "tsc-tsc", tipo "ai, esses estrangeiros bobos que não sabem falar nada..." e fez um gesto para que entrássemos.

Supermercado no exterior é uma experiência única. Ainda mais em um lugar como a China onde nos sentimos analfabetos. (Mesmo assim, ainda consigo entender o básico e não tenho tanto problema... O problema foi na Tailândia onde queria comprar um chocolate, não achei, e saí com um iogurte... lá o negócio é trash.)

Acabei saindo do supermercado com uma garrafinha de suco de uvas verdes, um pacote de bolacha e um vidrinho de Nescafé (Nescafé mesmo, que nem esse que tem aí no Brasil, só que escrito em chinês de um lado e em inglês do outro.) Comprei café por ser um item de sobrevivência, já que na China café é quase inexistente, e quando existe, é relativamente caro.

Mas estávamos com fome. E o que comer?

Preferimos ser práticos. Ao invés de entrar em um restaurante chinês e ficar se matando para descobrir o que é cada prato (com nomes tipo "Dragão Dourado que Sobrevoa as Montanhas de Shenzheng com molho de Tesouros Marinhos"... e quando chega é batata doce empanada com camarão... tipo essas coisas...), preferimos ser pragmáticos e saciar a fome de um modo fácil e eficiente: KFC. O Kentucky Fried Chicken, juntamente com o McDonald's abunda em território chinês. E onde tem um, não passam 100 metros sem que esteja o outro. Parece até que combinam de montar as lojas nos mesmos lugares.

Pedimos nossos lanches e no suco, pedimos o especial que eles tinham para o verão. Qual não foi minha surpresa quando tomei o suco e percebi que era: maracujá! Tudo bem, maracujá misturado com outras frutas, mas tinha maracujá lá dentro! Ai, que "diliça"... Depois de dois anos sem saber o que é maracujá por aqui, minhas papilas gustativas se sentiram realizadas pelo prazer que o suco lhes deu. Ótimo! =)

Andamos um pouco mais, descobrimos uma estação de metrô do lado do hotel, vimos nosso primeiro McDonald's (perto do KFC), o qual tinha um mendigo sentado à porta pedindo dinheiro aos riquinhos que tinham dinheiro pra comer lá (o preço em relação ao custo de vida faz esse tipo de comida (McDonald's, KFC, Pizza Hut) ser relativamente bem mais caro do que no Brasil. Mesmo assim, sempre tinha muuuita gente).

Após esse percurso, estávamos cansados e resolvemos então enfrentar a aventura de atravessar as ruas de volta para o hotel. Dessa vez foi mais rápido, só foi difícil achar um escudo humano...

Dormimos para no dia seguinte conhecer um pouquinho de Tianjin e tomarmos rumo à Pequim.

Mas aí já é uma outra história. Fica pra próxima.

T+

sábado, 13 de setembro de 2008

Pensamentos alheios

Gilberto Freyre (1984), a respeito da PNAD do IBGE que mostrava que a ascensão social do mulato e do negro estavam virtualmente bloqueadas.


"O problema é que a abolição da escravatura, embora tenha sido fato notável na história da formação brasileira, foi muito incompleta. Joaquim Nabuco, um homem de extrema visão, lembrava que, com a abolição, os problemas dos negros não estariam resolvidos, eles estariam apenas começando. Nabuco dizia que era necessário preparar o negro para ser cidadão, mas quem se interessou por isso? O novo governo, os novos líderes, os industriais, a Igreja? Ninguém se interessou. O negro livre deixou as fazendas e os engenhos e foi inchar as periferias das cidades. Abandonado, constitui-se num sub-brasileiro. Por isso os dados dessa pesquisa só revelam que há uma discriminação contra homens que não foram educados para ser cidadãos brasileiros."

Sérgio Buarque de Hollanda (1976), a respeito de sua afirmação de no Brasil nunca haver existido democracia.


"No Brasil, sempre foi uma camada miúda e muito exígua que decidiu. O povo sempre está inteiramente fora disso. As lutas, ou mudanças, são executadas por essa elite e em benefício dela, é óbvio. A grande massa navega adormecida, num estado letárgic, mas em certos momentos, de repente, pode irromper brutalmente."


Depois de tanto tempo, o que é que mudou? Se algo, muito pouco...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Filme de ação

Sete anos atrás estava eu preparando meu café da manhã, me preparando psicologicamente para ir à faculdade, terminando de acordar, ainda em estado zumbi, quando escutei umas coisas esquisitas passando na TV da sala.

Saí da cozinha, com meus apetrechos alimentícios e sentei-me de frente ao aparelho televisor. Achei estranho estar passando um filme àquela hora da manhã... Olhei, olhei, mas não entendi.

Dei umas mordidas na torrada ou o que quer que seja que eu estava comendo naquela hora, estiquei o braço pra alcançar o controle-remoto (tem que escrever "controlerremoto" com as novas regras de ortografia???) e mudei de canal.

Entre um bocejo e outro, mordi de novo o pão, e fiquei pensando porque cargas d'água o mesmo filme estava passando também no outro canal.

No terceiro canal, já não intindi nada e aí resolvi prestar atenção no que o povo tava falando... Se não me engano, era a Olga Bongiovanni. "Gente, olha só! O WTC foi atingido por um avião!" E no niquê ela falou isso, BUM!, um outro avião se chocou contra a outra torre...

Foi assim que eu fiquei sabendo, há exatos 7 anos atrás, que o WTC havia sido (finalmente, depois de outras tentativas) atingido por um ataque terrorista.

Mal sabia eu, mastigando minha torrada, meio atônito, meio com sono, que isso iria mudar a ordem mundial de lá pra frente...

Pois é.

Só pra constar...

Quando escrevi aquele post sobre a China e uma pequena comparação com nosso Brasil Varonil, teve gente que disse que não dá pra comparar, que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa... Pois é. É de certa forma verdade.

Não tem como dizer que não vivemos em um país democrático, que nossos governantes são escolhidos democraticamente pelo povo, que a economia vai indo de vento em popa, que estamos entre o seletíssimo grupo das quinze maiores economias do planeta, etc.

Também não dá pra negar a falta de liberdade do povo chinês na maior parte de suas vidas. Não se pode migrar do campo para a cidade sem prévia autorização do governo (leia-se do PCC, que não é o Primeiro Comando da Capital não, tá?); a falta de liberdade de escolher quantos filhos ter, tendo o casal a única opção de "ter" ou "não ter" um filho; ter que se submeter ao modo socialista de viver; além de conviver com a pena capital aguardando pelos criminosos.

Bem, o que eu queria mostrar com meu humilde post era apenas o fato de que o Brasil ainda tem muuuuita coisa pra mudar. E tudo pode ser conseguido com apenas a conscientização do povo. O nosso povo brasileiro não pensa (muito) nas coisas erradas porque, primeiro, não tem educação (no sentido de estudo), não tem idéia do que é a política, não dá valor ao voto democrático, e, por último, não quer saber dessas coisas complicadas já que tem muito o que fazer (trabalhar) e pensar (futebol).

Este nosso povo é filho de uma colônia explorada até as últimas gotas por potências exteriores, acostumada à divisão de classes desde cedo (Europeus X Negros/Índios), nascida e criada em "mini-reinos" governados pelos Coronéis e seus capangas... Esta nossa geração (incluo-me aqui), além de tudo isso, ainda é filha da época da ditadura, uma época em que se tinha medo de pensar, de ser contra o sistema, de extravasar qualquer emoção política em público. Ainda vivemos sob leis criadas para cercear os (poucos) direitos do cidadão, só dando a eles a opção do pão e circo.

Senti muito isso morando aqui na Coréia, que de uma forma ou de outra, é bem parecida com o nosso Gigante-deitado-eternamente-em-berço-esplêndido. O povo coreano passou também uma boa parte de sua vida vassalo da China, em guerra com o Japão, e, mais recentemente, subordinada ao jugo japonês durante décadas antes que o país fosse invadido pelas duas grandes forças mundiais no pós-guerra, os soviéticos ao norte e os americanos ao sul, o que rendeu a divisão do país a qual continua até hoje. Logo após a democratização da Coréia do Sul, o país se viu jogado em uma época de ditadura (meio no estilo Getúlio Vargas) e, logo depois, pelos militares.

Todo esse pano de fundo deu um resultado meio parecido ao pensamento do povo brasileiro.

Para o coreano, não há país melhor que a Coréia, não há comida melhor que a coreana, não há montes e mares mais belos que os deles... Parece com alguém que vocês conhecem?

No entanto, o ponto de ruptura entre as duas nações se deu há cerca de uns quarenta anos, quando o governo decidiu investir. Não vou dizer, como muitos dizem, que o que mudou a Coréia foi a educação. Isso porque a educação na Coréia sempre, desde o primórdios do princípio, por influência da China e de suas doutrinas (como o Budismo e, mais tarde, o Confucionismo), sempre havia sido de extrema importância. Além disso, logo após a abertura e a ocidentalização da Coréia no finzinho do séc. XIX e começo do séc. XX, os americanos chegaram aqui ávidos por um país à espera de evangelização, o que trouxe o protestantismo e universidades (no estilo ocidental) para o país. É claro que houve investimento na área de educação, mas creio eu de uma forma um pouco menos direta do que o é dito a torto e a direito por aí. (Corrijam-me se estiver equivocado.) A "tara" do povo coreano de dar estudo aos filhos somente se alastrou às classes mais baixas que eram proibidas de fazê-lo por questões financeiras e sociais (a não ser que mandassem o filho estudar nos templos). A partir dos anos 60, o governo injetou grana pesada é na indústria coreana que precisava crescer a todo custo e exportar para gerar divisas e tirar o pobre país agrícola do úmido campo de arroz. Foi aí que nasceram os grandes conglomerados coreanos como Hyundae, Samsung e LG, só pra citar uns poucos e mais conhecidos no Brasil. Com o aumento de trabalho, veio o aumento de dinheiro, com o aumento de dinheiro e com setores especializados, veio a demanda de educação, com a demanda de educação, veio uma geração mais preparada, com essa geração mais preparada, veio mais forças para as grandes empresas, e assim vem sendo, uma bola de neve.

O problema é que aqui também tem problema de educação. Ao ver os números brutos e descontextualizados, parece que "tudo vai bem no Reino da Dinamarca", mas algo está podre. Ao meu ver, convivendo com os coreanos que pululam aqui e ali neste país, percebo que o esforço para o estudo é muito grande, mas o resultado é relativamente pífio. O coreano médio não quer saber muito mais do que um brasileiro médio (de nível universitário). As pretensões são as mesmas de se conseguir um bom emprego em uma grande empresa, entrar às 9, sair às 5 (com sorte), emprestar dinheiro pra comprar casa, pagar durante 20 anos, ter filhos, botá-los na escola até a faculdade, e depois morrer (já que não dá muito tempo pra aposentar).

Os coreanos praticamente vivem na escola, principalmente na época do segundo grau (sempre esqueço o nome novo que deram... ensino médio?). Saem de casa às 6, vão pra escola o dia inteiro, depois da aula mais ou menos às 5, vão estudar na escola mesmo, por algumas (boas) horas e depois, vão pra casa?, não!, vão pro cursinho estudar de novo até a meia-noite ou uma da manhã, pra no dia seguinte fazer a mesma coisa (principalmente no terceiro ano do ensino médio).

E estudam o quê? - pergunto eu. Estudam, ou melhor, memorizam questões de vestibular.

A vida dos estudantes coreanos se resume a decorar questões de vestibular... Claro que há exceções, mas na maioria dos casos, as escolas só ensinam e os pais só enfatizam o fato de o "ser" ser capaz de passar na prova do vestibular! Isso já estava acontecendo no Brasil quando saí com as "escolas" do Objetivo, do Anglo, etc, que moldam seus currículos baseados no vestibular. Eu acho isso um impropério! Coitado do jovem, que é uma esponja, é capaz de aprender qualquer coisa, só é ensinado a resolver questões prontas que se repetem de ano a ano! Ao invés de ensinar o sujeito a base e dar todo o conhecimento necessário o qual por meio de raciocínio lógico e bom senso vão guiá-lo para o resto de sua vida, as escolas só ensinam os coitados a resolver problemas. O que acontece? Viram robozinhos! É o que mais vejo por aqui... A maioria dos coreanos, não sabe de nada, só do que decoraram para resolver os problemas que aparecem na vida. A meu ver, eles não tem preparação alguma a não ser o fato de serem aptos a decorar o manual de instruções que vai salvar a pele do sujeito para aquela ocasião. Quando não precisar mais, é só apertar "delete"; se precisar de novo, é só decorar. Acho que é por isso que coreano gosta tanto de computador. É exatamente o que eles são: encheu o disco rígido? formata! precisa de mais programas? dá um download!

Pois é, tudo isso só pra chegar no ponto central.

Será que nosso mundo tem jeito? O Brasil tá assim, a Coréia tá assado, a China tá daquele jeito, o Reino de Nosso Senhor GW Bush está de mal a pior...

E muita coisa, por estarmos muito acostumados, não conseguimos ver. Se tudo está errado, o que está certo parece errado. Acostumamo-nos a ver sempre a mesma coisa, sempre a mesma pasmaceira, e se alguém sai desses trilhos, essa pessoa é estranha, é errada. Para que mudar? Para que se dar ao trabalho de mudar?

No entanto, meus amigos, quando temos a oportunidade de um campo neutro, de um distanciamento que nos dá a possibilidade (não que todos façam isso) de observar com outros olhos e com novos parâmetros, muita coisa deveria e poderia ser mudada. Não obstante, isso não é fácil pela mentalidade do gado que vai sendo tocado ao som do berrante de 508 anos de servidão.

Há um (bom) certo tempo atrás, estava eu em Pouso Alegre, a cidade que abraça o futuro, e matava meu tempo lendo um jornal na praça pública do centro da cidade à frente da catedral. Quando menos esperava, uma senhora se aproximou e disse, na mais pura boa-vontade: "Bom dia, moço!" - ao que lhe respondi - "Bom dia." Continuou ela então: "Não lê muito não, que faz mal pras vistas, viu? Bom dia." E assim foi. Isso ficou marcado como uma facada em meu peito, sensação que não esqueço até hoje. Enquanto o povo for avesso à educação, à informação, ao pensamento crítico, à expressão de suas opiniões, aos debates, etc, nosso país e nosso povo nunca sairá da lama em que reclama estar por tantos e tantos séculos. Pensei em perguntar-lhe se muita TV também não faria mal às vistas, mas contive-me e decidi não prolongar a conversa. Também não me faria entender.

Isso é algo que sempre ouvi desde molecote (que palavrinha besta, né?). "Não deixe esse menino ler/estudar tanto assim que ele fica louco!" Muita gente dizia isso a meus pais e eu me lembro como se fora ontem.

No entanto, de uma forma ou de outra, acho que eles tinham uma pontinha de razão... Se eu tivesse seguido seus conselhos, hoje estaria feliz no meu cantinho assistindo Domingão do Faustão/Domingo Legal deitado no sofá da sala...

Um abraço com certa indignação...

Juliano

PS: Quanto ao fato de vivermos em um país democrático de livre expressão e sem censura, favor ler o seguinte post do blog "A Nova Corja": http://www.novacorja.org/?p=4238.

Obrigado pela atenção.

PPS: E eu ainda tenho que estudar pro meu exame... Ai, ai...

Feriado...

Aí vem mais um chuseok (추석 秋夕), feriadão pelo qual todos os coreanos esperam para poderem voltar às casas dos parentes e reverenciar os antepassados. Na verdade, eles gostam mais é de reverenciar os vivos, porque estes lhes dão dinheiro! hehe Para quem não se lembra, que dê uma lida no meu post do Chuseok do ano passado...
Então, com um baita feriadão desses se aprochegando, vocês hão de pensar: "ah! que bom pro Juliano! ele terá um tempinho de descanso e poderá escrever-nos mal-traçadas linhas para que possamos saber de suas estripolias coreanas!"
Aí chego eu e digo: "Na-na-ni-na-não..."
Não???
Pois é, não.
Tenho um exame para o dia 19 e vai ser o ó do borogodó. Eu preciso passar para poder terminar meu mestrado. E na prova cairão questões de todas as áreas da lingüística... fonética, fonologia, semântica, sintaxe, lingüística histórica, lingüística computacional, e o diabo a 2^2!
Além disso, ainda resolvi chutar o degrau da escada do metrô... Além de acabar com minha unha, ainda abri um rasgo considerável no dedão do pé. Agora, depois de cinco dias, já está bem melhor, mas ainda resolve doer um pouco de vez em quando.
Pelo menos, o trabalho do laboratório desafogou um pouco nestes últimos dias.
Então, pra quem se pergunta "o que será que o Juliano está fazendo por aquelas bandas?" aí está uma resposta resumida.
Desejem-me sorte.

Um abraço e até a próxima.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Centésima postagem do blog - Viagem

Para comemorar a centésima postagem do meu blog, Kimchi com Café, vou começar a escrever o que fui escrevendo durante a viagem que fiz à China. Aí vai:

15 de agosto de 2008

Há exatos dois anos, no dia 15 de agosto de 2006, estava eu, a uma hora destas (considerando as doze horas de diferença que separam este lado do mundo e o nosso país), apreensivo e imaginando o que estava por vir, já que, em poucas horas, estaria eu tomando o vôo da Canada Air em direção a Seul, com uma "paradinha" de sete horas em Toronto. Depois de cinco anos desde que voltara do Japão, estava eu de novo a caminho da Ásia, desta vez, a caminho da Coréia.

Quem imaginaria, naquela época, que no mesmo dia, dois anos depois, estaria eu embarcando em direção a Pequim? Pois é. Cá estou eu, no momento, em pleno Mar Amarelo (ou Mar do Oeste, como o chamam os coreanos), em direção à Baía de Bohai, com destino a Tianjin.

Tomei o navio no porto de Incheon, a mesma cidade em que se localiza o Aeroporto Internacional mais importante da Coréia. O navio, chamado de "ferry" em inglês e coreano, não é nenhum transatlântico, mas também não é nenhuma balsa Rio-Niterói. O que posso dizer é que é bem maior do que eu imaginava. Estou no sexto deck (sexto andar). Acima de mim, ainda estão o sétimo e o oitavo decks. Os primeiros, de um a cinco, parecem ser usados somente pela tripulação, comportando, imagino eu, a casa de máquinas, compartimentos de carga, estoques e coisas afins.

Nos três decks aos que temos acesso, encontra-se de tudo um pouco para fazer com que a viagem de 23 horas seja um pouco mais agradável. Temos o hall de principal onde ficam o balcão de informações, sala de estar e sala de TV. À direita do hall, em direção à proa, encontram-se os quartos da classe econômica, onde estou alojado. Cada quarto desses é cortado por um corredor central que divide o grande compartimento em duas alas; cada ala, por sua vez, é então dividida por quatro corredores mais. Temos assim em cada compartimento da classe econômica, oito corredores com dois beliches de cada lado, totalizando oito passageiros por corredor, o que dá 64 passageiros por compartimento. Tudo parece ser mais limpo do que imaginava. As camas já estavam arrumadas com lençol branco, travesseiro com fronha também branca e um edredon fino de um violeta claro puxado para o rosa. Cada parte do beliche tem as suas cortinas, que, fechadas, provêem uma certa privacidade, na medida do possível.

Continuando o passeio pelo navio/barco/ferry, encontrei lojas duty-free (com produtos chineses), uma lojinha de conveniência com comida (leia-se bobeirinhas coreanas: bolachas, sucos, cervejas e lamyeon (miojo)). Há também uma cafeteria de nome Chicago, dois restaurantes, sala de jogos com playstations e caça-níqueis eletrônicos. Há também na popa, as áreas abertas, onde podemos ver a Coréia se afastando, algumas gaivotas voando à procura de pessoas que lhes dêem salgadinhos, e onde podemos sentir o vento marítimo batendo em nossos rostos.

Há muito mais o que escrever, muito mais o que descrever do navio/barco/ferry e dos passageiros, mas vou ficando por aqui, afinal são apenas três horas desde que deixamos a Coréia e ainda há longas vinte horas pela frente até que o navio aporte na China. Até lá acho que vai ter bem mais coisa pra escrever.

17 de agosto de 2008

O segundo dia de viagem transcorreu na mais perfeita normalidade. Já acostumados com o barco, o tempo começou a passar mais devagar. Além disso, a fome também começou a apertar. Num esboço de arremedo de economia e também, creio eu, num surto de nostalgia gastronômica de brasileiro, resolvemos, antes da viagem, passar no supermercado e comprar coisas para comer quando a bordo do navio. Eu, então, resolvi comprar pão de forma, presunto e queijo com ketchup e suco. As primeiras duas vezes que comemos, até que tudo bem, mas a terceira já começou a enjoar e resolvemos então partir para a comida coreana que serviam no restaurante do navio. Comemos isso ainda a umas sete horas antes do desembarque e, por força maior, acabamos tendo que nos fartar de misto frio mais uma vez. Sorte que a Eun Bee ainda comprou umas maçãzinhas, o que ajudou a variar.

Por volta das seis e meia da tarde, chegamos ao porto de Tianjin e o barco começou os preparativos para atracar. O porto é enorme e superpopulado, com navios de vários países, milhares deles. Por falta de espaço, o nosso barco chegou de lado e foi empurrado por um barquinho em direção ao cais. Enquanto isso, as filas já se formavam perto do hall principal do navio. Chineses, coreanos e alguns poucos estrangeiros já se preparavam com passaportes, documentos de imigração preenchidos e malas ou mochilas ao alcance das mãos. Nisso, eu já havia deixado minha mochila na fila de bagagens que se formava e Eun Bee estava toda faceira de mochilinha nas costas pra lá e pra cá. Quando passamos pela frente do balcão de informações, a mocinha disse que os estrangeiros (leia-se os não-coreanos) devem sair primeiro e, portanto, devem ficar próximos à porta, e os simples mortais coreanos devem ficar na fila. Acabamos trocando de postos e Eun Bee pegou a fila e eu fiquei todo faceiro com meu mochilão nas costas pra lá e pra cá (perto da porta). Além do que ela ficou desesperada, preocupada se iríamos nos encontar novamente depois do embarque.

Na reuniãozinha de estrangeiros à espera do desembarque, havia vários asiáticos e eu e mais dois ocidentais: um mexicano, Henrique, e um americano de cujo nome me esqueci. Conversamos por alguns minutos e fiquei sabendo que o americano havia sido expulso da Coréia (talvez por questões de visto, não quis entrar em detalhes) e o Mexicano estava numa viagem de volta ao mundo, depois de ter passado um tempo em Londres, vivendo com brasileiros e achando que sabia falar português, só porque falava espanhol e punha "você" no meio. Comentou que chegara em Londres pouco depois do assassinato do Jean Charles e que toda vez que tomava metrô se sentia apreensiv, com medo de confundirem-no com um terrorista árabe.

Desembarcamos. Subimos no ônibus que nos levou ao terminal e chegamos à fila da imigração. Só havia um guichê para estrangeiros, mas mesmo assim foi rápido, já que descemos na primeira leva. Na minha frente foi o americano que foi barrado e chamado para um canto para conversar. Aí fui eu. O policial olhou que olhou meu passaporte (já que a m*rda do passaporte brasileiro, o antigo pelo menos, é bem diferente dos outros passaportes do mundo e eles nunca sabem onde encontrar as informações necessárias), perguntou qual o propósito da minha visita à China, ao respondi ser turismo, olhou de novo minha foto e minha cara, no estilo cara-crachá-cara-crachá-cara-crachá, meteu os carimbos e me mandou entrar em seu país. O mexicano veio em seguida e nisso eu saí um pouco do burburinho para fazer reconhecimento de área. A próxima etapa seria a inspeção de bagagens, raio-x e etcétera e tal. Resolvi esperar por Eun Bee para passarmos juntos pela inspeção já que ela estava com medo de se perder. Pensei que demoraria, mas menos de cinco minutos passados, apareceu a cabecinha dela no mar de cabecinhas sino-coreanas. Finalmente ela passou pela imigração e continuamos nosso caminho pela inspeção de bagagens. Foi só aí que percebi que o mexicano também tinha sido retido para explicações. Passei só eu. Pusemos então nossas malas no raio-x, passamos pelo detector de metal e marchamos rumo à liberdade após 24 horas de navegação.

Saindo do terminal, começou a luta pelos táxis. Um grita, outra grita mais alto, ao que resolvemos sair um pouco do tumulto e aproveitar para tirar umas fotos. Deopis de nos aclimatarmos um pouco à nova realidade, resolvemos pegar um táxi mesmo, já que não tínhamos nenhum tipo de informação de onde estávamos e de onde deveríamos ir, a não ser pelo nome do hotel. O taxista havia dito que por menos de 150 yuans ele não faria a corrida e a informação que tínhamos é que a corrida sairia por volta de 100 yuans. Considerando a situação de falta total de informação, tomamos o bendito táxi que demorou uma eternidade. Mais de uma hora e sessenta quilômetros depois, chegamos ao bendito hotel, uma ilha coreana em meio a Tianjin.

Fim da primeira parte...

Aguardem...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

2008 - Ano Internacional das Línguas

“As línguas têm importância!”

Mensagem do sr. Koichiro Matsuura, Diretor Geral da Unesco, sobre a celebração do Ano Internacional das Línguas em 2008

O ano de 2008 foi declarado “Ano Internacional das Línguas” pela Assembléia Geral das Nações Unidas. A Unesco, encarregada de coordenar as atividades, tenciona assumir de forma resoluta o papel de principal responsável.

A Organização está plenamente consciente da importância decisiva das línguas frente aos inúmeros desafios que a humanidade deverá enfrentar nos próximos decênios.

As línguas são essenciais para a identidade dos grupos e dos indivíduos, bem como para sua coexistência pacífica. Elas constituem um fator estratégico para a obtenção de um desenvolvimento sustentável, além de uma articulação harmoniosa entre o que é global e o que é local.

São de máxima importância para atingir os seis objetivos da Educação Para Todos (EPT), assim como os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), aprovados pelas Nações Unidas em 2000.

Como fatores de integração social, as línguas ocupam, na verdade, um lugar estratégico na eliminação da extrema pobreza e da fome (ODM 1); como suportes na alfabetização, na aquisição de conhecimentos e de competências, são essenciais para tornar real o ensino primário universal (ODM 2); o combate ao HIV e à AIDS (SIDA), à malária e a outras doenças (ODM 6), para chegar às populações atingidias, deve ser feito em suas próprias línguas; a proteção dos conhecimentos e habilidades locais e autóctones, com o objetivo de assegurar uma gestão sustentável do ambiente (ODM 7) está intrinsicamente ligada às línguas locais e autóctones.

Além disso, a diversidade cultural está estreitamente ligada à diversidade lingüística, como mostram a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural e seu Plano de Ação (2001), a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial (2003) e a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais (2005).

Contudo, mais de 50% das 7.000 línguas faladas no mundo correm o risco de desaparecer dentro de algumas gerações. Menos de um quarto delas são utilizadas atualmente em escolas e no ciberespaço, e a maioria delas são usadas esporadicamente. Milhares de línguas — mesmo que perfeitamente dominadas pelas pessoas que as usam cotidianamente como meio de expressão — estão ausentes do sistema educacional, dos meios de comunicação, da indústria editorial e do domínio público em geral.

Por isso é preciso agir. Mas como? Com o encorajamento e com o desenvolvimento de políticas lingüísticas que permitam a cada comunidade lingüística usar sua língua principal, ou materna, tão amplamente e freqüentemente quão possível, incluindo o uso na educação, ao lado do uso de uma língua nacional ou regional e de uma língua internacional. Além de incentivar os falantes das línguas dominantes a usar outra língua nacional ou regional e uma ou duas línguas internacionais. Apenas com a aceitação plena do multilingüismo todas as línguas ocuparão seus lugares no nosso mundo globalizado.

A Unesco, portanto, convida os governos, as organizações da Nações Unidas, as organizações das sociedades civis, as instituições educacionais, as associações profissionais e todas as demais organizações a fomentar em suas atividades o respeito, a promoção e a proteção de todas as línguas, em especial daquelas ameaçadas de extinção, em todas as situações da vida individual ou coletiva.

Quer seja através de iniciativas nos campos da educação, do ciberespaço ou no contexto alfabetizado; quer seja através de projetos para a salvaguarda das línguas ameaçadas ou para a promoção das línguas como instrumentos de integração social; quer seja para explorar a relação entre as línguas e a economia, entre as línguas e os conhecimentos autóctones ou entre as línguas e a criação, é importante promover por toda a parte a idéia de que “as línguas têm importância”.

A data de 21 de fevereiro de 2008, dia do nono Ano Internacional da Língua Materna, terá nesse contexto um significado particularmente importante e será uma ocasião muito propícia para o lançamento de iniciativas para a promoção das línguas.

Nosso objetivo comum é tornar reconhecida — nacional, regional e internacionalmente — a importância da diversidade lingüística e do multilingüismo nos sistemas educacionais, administrativos e jurídicos, nas manifestações culturais e também nos meios de comunicação, no ciberespaço e nos intercâmbios comerciais.

O Ano Internacional das Línguas em 2008 será uma oportunidade única para alcançar de maneira decisiva a realização desses objetivos.

Koichiro Matsuura

Dez dias de aventura

A partir de hoje, começa uma série de posts a respeito dos dez dias durante os quais estive ausente da frente do computador (o que foi muito bom pra provar pra mim mesmo que isso é possível...).

Depois de muito estudar e fazer projetos e estudar e passar muito tempo no laboratório, chegou a um ponto que eu não agüentava mais e precisava de um tempo pra mim, pra descansar, pra vivenciar coisas novas e me ver livre um pouco da Coréia (pelo menos a "minha Coréia", já que as pessoas da Universidade de Seul estão mais para robozinhos programados para estudar e não fazer mais nada).

Pensei, pensei, e acabei chegando à conclusão que poderia ir à China por várias razões: 1) não tinha mais dinheiro para voltar ao Brasil, já que me mudei de dormitório e tive que pagar o "seguro fiança" no valor da passagem; 2) o aluguel também aumentou e meu dinheiro diminuiu; 3) a China fica "aqui do lado" e dá pra ir de barco, mais em conta que avião; 4) não é todo dia que eu tenho a oportunidade de estar presente em um evento mundial como as Olimpíadas; 5) o custo de vida na China ajuda a economizar, saindo mais barato que uma viagem ao Japão. Isso posto, comecei a procurar possibiliadades aéreas e marítimas. Acabou que o mais barato mesmo era ir de barco, e acabei optando por um pacote com as passagens de ida e volta e 3 noites de hotel em Pequim, já que eu não tinha idéia da disponibilidade de hotéis e dos preços aplicados durante o período dos Jogos. De qualquer forma, optei por pagar só 3 noites em Pequim e 2 noites em Tianjin, a cidade onde se situa o porto onde chegaria e partiria, já que a chegada é difícil por tudo ser novo e desconhecido e a partida é cansativa pelo acúmulo de passeios, atividades e sacolas no melhor estilo brasileiro no Paraguai.

Assim começaram minhas aventuras olímpicas pequinesas...

Aguardem os próximos posts.

Um abraço olímpico para todos com três ouros, quatro pratas e oito bronzes!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Estamos voltando...

Kimchi com Café e seu único editor estão voltando de viagem.
Só me dá um tempo pra desfazer as malas e tomar um bom banho, tá?
Depois eu conto as novidades.

domingo, 10 de agosto de 2008

Olimpíadas e China

Ao redor do mundo, muita gente está assistindo ao espetáculo quadrienal dos esportes, torcendo por suas nações, torcendo pela glória, seja ela de ouro, prata ou bronze. A luta pelo mais rápido, mais forte, mais belo.

No entanto, muitas outras pessoas deixam esses espírito de lado e partem para o lado político. Partem para a difamação e apontam os dedos às faltas do país sede, a China.

Como isso tem sido manifestado em várias partes do mundo, não poderia ser diferente em nosso país, o Brasil. Tenho lido muitas coisas pela internet afora onde pessoas dizem que não apóiam os jogos, que não assistirão, não querem fazer parte dessa horrenda nação que não dá liberdade a seus cidadãos, etc e coisa e tal.

Analisando friamente, de todos os protestos que tenho lido por aí, muitos deles se mostram vazios e sem base alguma, a não ser a cópia de algo que a pessoa ouviu falar ou leu em algum lugar e agora só repete de forma mais do que psitacista. Não passam de frases ocas que só querem atacar os pontos negativos (que, sim, existem), mas sem se preocupar em embasamentos firmes para a exposição de suas idéias.

No entanto, o problema não é esse de ficar mostrando o que é ruim em um país do outro lado do globo. O que me deixa encanzinado é o fato que a maioria das pessoas que fazem isso parecem achar-se vivendo em um paraíso onde não há problemas, onde tudo está certo, onde não há nada a fazer para melhorar a situação.

As pessoas citam fatos como a poluição, o problema dos direitos humanos, as exportações chinesas, a censura, e o diabo a quatro. Mas, pensando friamente, como anda o nosso país? Como anda o Brasil?

Poluição: já esteve bem, mas bem mesmo, pior. No entando, ainda há muito que se fazer. Eu como paulisteiro (paulista+mineiro) não me esqueço dos nossos amados Tietê e Pinheiros. Quem nunca teve uma nauseazinha, pequena que fosse, passando por esses rios em um quente dia de verão não é humano. Quem pega trem nas estações que margeiam o rio Pinheiros sabe muito bem disso. Quem vai do Butantã ao Eldorado a pé, cruzando a ponte Eusébio Matoso sabe muito bem disso... Isso é só um grãozinho de areia no oceano... O processamento do lixo e do esgoto na maioria das cidades não passa nem perto de levar em conta o meio-ambiente e o impacto que possa vir a aparecer na época dos nossos filhos ou netos. E assim vai... Só para ilustrar, o nosso país é o quarto emissor de gases formadores do efeito estufa, com 5,4%, atrás da Indonésia (7,4%), China (11,9%) e Estados Unidos (45,8%).

Direitos humanos: gostaria de dizer que não temos problemas nessa área, já que é o pecado capital da China, mas, pensando bem... Há alguns casos, creio. Citando uma parte do preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

"(...) o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo"

Só pra encurtar o assunto, vamos ver as palavras-chave deste pequeníssimo excerto:
  • reconhecimento da dignidade
  • direitos iguais e inalienáveis
  • liberdade
  • justiça
  • paz
Desses pontos quantos será que temos no Brasil?

Dignidade só para poucos, ainda temos cerca de 50% da população vivendo em condições abaixo do que se possa considerar suportável.

Direitos iguais e inalienáveis para quem tem dinheiro para poder pagar por eles.

Justiça que é feita quando a mídia decide que deva ser feita, mas ainda dá pra conversar e tomar um cafezinho.

Paz e liberdade! As pessoas realmente sabem o que significam essas palavras no Brasil??? De tudo o que eu sinto aqui na Coréia, a melhor coisa disparado é a paz e a liberdade. Onde no Brasil alguém poderia ir ao banco, sacar 1000 dólares e sair contando o bolo de 100 notas na rua? Onde no Brasil alguém (mulheres desacompanhadas principalmente) poderia andar às 3 da madrugada em um lugar calmo ou deserto sem iluminação e não dar a mínima para isso? Onde é que no Brasil alguém tem a possibilidade de subir um morro no meio da cidade com umas casinhas amontoadas aqui e ali, mas só com o intuito de apreciar a vista do topo? E isso tudo é porque no Brasil não tem guerra! Não é o que todo mundo fala? E isso tudo porque a Coréia do Sul, em teoria, ainda está em guerra com a Coréia do Norte; o fim da guerra nunca foi declarado... Só teve um armistício, uma suspensão provisória.
Pois é...

Ainda tem o caso do trabalho infantil e trabalho escravo pelos quais o "Brazil" é conhecido mundialmente.

Além disso, também o caso dos meninos de rua, do tráfico de drogas, da guerra urbana do crime organizado...

Os produtos chineses são também tratados como monstros que invadem os mercados, impossibilitando a venda dos produtos nacionais e blá, blá, blá... Todo mundo já conhece essa ladainha. No entando, os produtos Brasileiros também fazem algo similar no nosso arredor (América do Sul). Quem não se lembra dos protestos dos argentinos contra a importação de produtos brasileiros? Quem não sabe das empresas brasileiras que estão entrando nos outros países e comprando muito do que vêem pela frente? O imperialismo comercial brasileiro, ainda que pequeno comparado com o de outros países, já se faz sentir aos poucos. E nós, enchemos nosso peito de orgulho, de que o Brasil está crescendo e se mostrando ao mundo, mas não pensamos no que os argentinos, bolivianos, uruguaios, paraguaios, colombianos pensam de nós. Talvez o mesmo que nós pensemos sobre os Estados Unidos (no sentido pejorativo)...

Ainda bem que não temos censura! Isso é um absurdo, não é mesmo?
Vocês já ouviram falar de um documentário da BBC chamado "Beyond Citizen Kane"? Segue uma explicaçãozinha retirada da Wikipédia:

Beyond Citizen Kane (no Brasil, Muito Além do Cidadão Kane) é um documentário televisivo britânico de Simon Hartog produzido em 1993 para o Canal 4 do Reino Unido. A obra detalha a posição dominante da Rede Globo na sociedade brasileira, debatendo a influência do grupo, poder e suas relações políticas. O ex-presidente e fundador da Globo Roberto Marinho foi o principal alvo das críticas do documentário, sendo comparado a Charles Foster Kane, personagem criada em 1941 por Orson Welles para Cidadão Kane, um drama de ficção baseado na trajetória de William Randolph Hearst, magnata da comunicação nos Estados Unidos. Segundo o documentário, a Globo emprega a mesma manipulação grosseira de notícias para influenciar a opinião pública como o fez Kane.

Controvérsia da Globo sobre direitos britânicos

O documentário foi transmitido pela primeira vez em setembro de 1993, por meio do Canal 4 britânico. A transmissão foi adiado por um ano, porque a Rede Globo contestou, baseado em leis do Reino Unido, os produtores de Muito Além do Cidadão Kane pelo uso sem permissão de pequenos fragmentos de programas da emissora para fins de "observação crítica e de revisão".

Durante este período, o diretor Simon Hartog morreu após uma longa enfermidade. O processo de edição do documentário foi assumido por seu co-produtor, John Ellis. Quando pôde ser finalmente transmitido, cópias do documentário foram disponibilizadas ao custo de produção pelo Channel 4. Muitas cópias foram enviados ao Brasil através da comunidade brasileira residente na Grã-Bretanha.

Banimento no Brasil

O filme seria exibido pela primeira vez no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro do Rio de Janeiro, em março de 1994. Um dia antes da estréia, a polícia militar recebeu uma ordem judicial para apreender cartazes e a cópia do filme, ameaçando em caso de desobediência multar a administração do MAM-RJ e também intimidando o secretário de cultura, que acabou sendo despedido três dias depois.

Durante os anos noventa, o filme foi mostrado ilegalmente em universidades e eventos sem anúncio público de partidos políticos. [1] Em 1995, a Globo tentou caçar as cópias disponíveis nos arquivos da Universidade de São Paulo através da Justiça Brasileira, mas o pedido lhe foi negado.

O filme teve acesso restrito a essas pessoas e só se tornou amplamente vistos a partir da década de 2000, graças à popularização da internet.

E isso tudo nos anos 90! Quem diria! Muita gente não sabe...
Aí, muita gente vai dizer: mas olha! não tem censura agora porque podemos ver isso tudo na internet, posso falar o que quiser e não vou preso... Mas, será? O que é que a grande maioria do povo brasileiro sabe? O que é estudado nas escolas, o que é aprendido por meio de literatura vasta e variada, ou o que é passado na televisão? Quando alguma coisa passa na TV, ou sai no jornal, todo mundo toma aquilo por verdade verdadeira, mas será mesmo? A censura no Brasil não é feita ativamente porque não precisa. O povo já nasce censurado das mais básicas necessidades humanas, do conhecimento, da opinião crítica, da educação, da paz e do direito de ir e vir... E o problema é que ninguém vê isso.

Mas o que mais me surpreende é que o nosso povo em geral está sempre descontente; e faz o quê? Espera. Espera que alguém faça algo, porque os descontentes estão muito ocupados com as mulheres melancias, os quadrados, os churrascos e as baladas. Se perguntar, muita gente fala que não tá bom, que podia tá melhor, mas quem faz alguma coisa? Ninguém. O brasileiro sempre espera que alguém faça algo por ele. Pra que jogar a embalagem do sorvete na lata de lixo se tem o gari que vai passar pra varrer a rua? Além do que, se não me atinge diretamente, pra que vou me preocupar?

Além disso, o Big Brother (nada a ver com o programa de TV, tá bom, meninos?) hoje em dia já existe, só que mudou de nome... O novo nome do Big Brother agora é IP...

Não sei se alguém viu o seriado na internet "Vida no Trânsito". Tem um cara lá que é exatamente isto o que estou falando. Ele está sempre nervosinho com a situação, expõe todos os problemas e diz: "alguém PRECISA fazer alguma coisa!", mas ele mesmo fica jogando dominó com o taxista e fumando seus cigarrinhos.

Quanto às execuções, não tenho muito o que falar. Ainda bem que não temos isso no nosso país, não é verdade? Não temos chacinas, assassinatos, assaltos à mão armada, seqüestros, coisas desse tipo. Que bom!


Rap das armas (744691 visualizações)


Trabalho escravo




Tortura


Chacina




Tráfico


E também tem aquela do Tibete e do Turcomenistão do Leste (aquele lugar onde acabou de ter um arremedo de carro-bomba que matou 16 policiais). Quem assistiu a cerimônia de abertura das Olimpíadas já sabe: a china tem 56 diferentes etnias dentro de seu imenso território (maior que o do Brasil). Dizem que esse território foi tomado à força e que eles forçam a homogeinização dos povos pela língua e pela cultura... Alguém já parou para pensar no nosso "Novo Continente"? A América (não no sentido estadunidense, mas no sentido geográfico, ou seja, as três Américas, do Norte, Central e do Sul) foi criada extirpando todas as nações existentes por aqui e os pobrezinhos que sobreviveram às primeiras investidas hoje se encontram em uma situação que não é lá das melhores. Mas eles são índios, não é? Até há pouquíssimo tempo, eles eram considerados legalmente incapazes tanto quanto uma criança...

E na China, onde eles têm 56 diferentes etnias, já dá tanto pano pra manga; imagina no Brazil que temos só de povos indígenas mais do que 200! Já ouviram falar dos Aconãs, Acuntsus, Aicanãs, Ajurus, Amanaiés, Amondauas, Anacés, Anambés, Apaniecras-canelas, Aparaís, Apiacás, Apinajés, Apolimas-araras, Apurinãs, Aquáuas, Aranãs, Arapaços, Araras, Araras-caros, Araras-do-aripuanã, Arauetés, Aricapus, Aruás, Aticuns-umãs, Auetis, Avás-canoeiros, Bacairis, Banauás, Baníuas, Barás, Barasanas, Barés, Bororos, Caapores, Cadiuéus, Caiabis, Caiapós, Caiapós-xicrins, Caimbés, Caingangues, Caixanas, Calabaças, Calabaças-jandaíras, Calancós, Calapalos, Camaiurás, Cambas, Cambebas, Cambiuás, Campas, Canamaris, Canindés, Canoês, Cantarurés, Capinauás, Carajás, Carapanãs, Carapotós, Caripunas, Cariris, Cariris-xocós, Caritianas, Caruazus, Catuquinas, Catuquinas-pano, Caxagós, Caxararis, Caxinauás, Caxixós, Chamacocos, Chiquitanos, Cintas-largas, Cocamas, Coiupancás, Corubos, Craós, Crenaques, Cricatis, Cubeos, Cuicuros, Cujubins, Culinas-pano, Curuaias, Denis, Desanos, Dous, Eleotérios-do-catu, Enáuenês-nauês, Euaruianas, Fulniôs, Galibis, Galibis-maruornos, Gaviões-mondés, Guajajaras, Guajás, Guaranis, Guatós, Hupdás, Ianomâmis, Iaualapitis, Iauanauás, Icpengues, Iecuanas, Ingaricós, Iranxes, Jabutis, Jamamadis, Jaminauás, Jarauaras, Javaés, Jenipapos-canindés, Jiahuis, Jiripancós, Jucás, Jumas, Jurunas, Machineris, Macunas, Macurapes, Macuxis, Marubos, Matipus, Matises, Matsés, Maxacalis, Meinacos, Menquis, Miranhas, Miritis-tapuias, Mundurucus, Muras, Nadobes, Nambiquaras, Naruvotos, Náuas, Nauquás, Nuquinis, Ofaiés, Oiampis, Oro-uins, Paiacus, Palicures, Panarás, Pancaiucás, Pancararés, Pancararus, Pancarus, Paracanãs, Paracatejês-gaviões, Parecis, Parintintins, Patamonas, Pataxós, Pataxós-hã-hã-hães, Paumaris, Pipipãs, Pipipãs-de-cambixuru, Pirarrãs, Piratapuias, Pitaguaris, Poianauas, Potiguaras, Pucobiés-gaviões, Quiriris, Rancocamecras-canelas, Sacurabiates, Saterés-maués, Sirianos, Suiás, Suruís, Suruuarrás, Tabajaras, Tapaiúnas, Tapebas, Tapirapés, Tapuias, Tarianas, Taurepangues, Tembés, Tenharins, Terenas, Ticunas, Tingui-botós, Tiriós, Torás, Tremembés, Trucás, Trumais, Tsunhuns-djapás, Tucanos, Tuiúcas, Tumbalalás, Tuparis, Tupinambás, Tupiniquins, Turiuaras, Tuxás, Uaianas, Uaimiris-atroaris, Uaiuais, Uananos, Uapixanas, Uarequenas, Uaris, Uassus, Uassus-cocais, Uaurás, Uitotos, Umutinas, Xacriabás, Xambioás, Xavantes, Xerentes, Xetás, Xipaias, Xoclengues, Xocós, Xucurus, Xucurus-cariris, Yuhupdeh, Zoés e Zorós?
Com certeza tem até mais que isso, e já teve muito mais ainda!

E não falando dos povos atuais e dos já exterminados, o que dizer do território brasileiro? Quem fez até a 4.ª série primária deve (ou deveria) conhecer algo a respeito da Bula Inter Coetera e do Tratado de Tordesilhas. Portugal só tinha direito às terras a leste da linha de Tordesilhas, o que equivalia a um quarto ou menos até do território atual ocupado pelo Brasil. O que fizeram os Portugueses, nossos avós? Foram tomando o que podiam, foram entrando no sertão e nas florestas e foram tomando, ignorando quem vivesse por lá, como sempre. Encontrando índios pelo caminho, faziam amizade (leia-se: exploravam o trabalho escravo indígena) ou, se os índios não eram "amigáveis", azar o deles: vai apodrecer.
Até a pouco tempo (séc. XIX) o Paraguai era relativamente grande e forte (lembro de um mapa antigo que vi no Museu do Ipiranga que mostrava Sorocaba quase na fronteira com o Paraguai...), o Acre era parte da Bolívia... E por aí vai...
Conheço gente que até hoje reclama da perda da Cisplatina... Sentem-se castrados por terem perdido um pedaço de terra do nosso país (que nem nos pertenceu por muito tempo, diga-se de passagem...).

E os Estados Unidos da América? Deveriam devolver mais de metade de seu território ao México? E o Alaska comprado da Rússia e a Luisiânia comprada da França? Só porque foram comprados por uma mixaria não tem problema, não é?

Agora, a China só porque invadiu o Tibete nos anos 50, depois da Segunda Guerra, quando a nova ordem já estava instalada, é atacada por todos os lados? E quanto às grandes potências colonialistas européias, ou estadunidenses, ou japonesas (só para citar algumas)?



Vou ficando por aqui na esperança de ter atiçado um pouco algumas mentes para um pensamento mais crítico e menos passivo. Apesar de termos ainda um longo caminho pela frente, se cada um fizer uma pequenina coisa, talvez o futuro não seja tão triste.

Se alguém tiver algum ponto a incluir, por favor comente.

Um abraço,

Juliano

PS: Só para constar, aí vai uma entrevista do Lula para a BBC onde esses fatos são mencionados como possíveis impecílios à realização das Olimpíadas no Rio em 2016... Aqui.

PPS: Mais umas coisas para ler...

PNAD:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2006/brasilpnad2006.pdf

Race segregation in Brazil (estudos acadêmicos):
http://paa2006.princeton.edu/download.aspx?submissionId=61570
http://www.nd.edu/~kellogg/publications/workingpapers/WPS/173.pdf
http://books.google.com/books?id=YwJoyyXm7ZkC&dq=significance+of+skin+color+in+brazil&pg=PP1&ots=cQeqRUKcIy&sig=og5d-Ia5Hp2zrFEB9ApVMFxRH9I&prev=http://www.google.com/search%3Fsourceid%3Dnavclient-ff%26ie%3DUTF-8%26rls%3DGGGL,GGGL:2006-46,GGGL:en%26q%3Dsignificance%2Bof%2Bskin%2Bcolor%2Bin%2Bbrazil&sa=X&oi=print&ct=title#PPP15,M1

Estupro - BBC:
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/americas/6266712.stm

Miami Herald:
http://www.miamiherald.com/multimedia/news/afrolatin/part3/index.html

sábado, 9 de agosto de 2008

Brasil X Coréia

Este é meu primeiro post sobre as olimpíadas.
E já começos bem: o Brasil acabou de perder da Coréia do Sul no basquete.
Como eu não tenho muita paciência pra ficar assistindo esses jogos, principalmente pela internet no laboratório, eu vi só o pedaço em que o Brasil estava penando para manter o jogo, fechando o tempo com vantagem de uns dois pontos. Joguinho bem sofrido pros dois lados.
Depois, parei de ver pra fazer minhas coisas e agora que voltei, tive a surpresa de ver o time brasileiro atrás por uns bons pontos. Como tudo na Coréia é rápido, não deu tempo de ver o resultado final. Quando apitou o sinal de "game over", os comentaristas já se despediram e o comercial entrou. Pelo que me lembro foram uns seis pontos de diferença mais ou menos.
Quanto à Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim ontem, eu achei uma coisa de louco! Acho que só mesmo na China pra poder fazer uma coisa daquelas. Foi um espetáculo e tanto! O problema é que resolvi assistir à cerimônia num café (ou cafeteria) que tinha umas TVs (ah, e quando menciono TV em comércio aqui na Coréia, quero dizer telão de LCD de umas 30 e tantas polegadas... Normal.). Mas o volume das TVs estavam baixinhos e resolvi escutar alguma transmissão feita pelo rádio com as imagens da TV (o rádio que usei foi do meu dicionário eletrônico). No começo tudo bem... Aquelas imagens e os comentaristas que não paravam de falar nunca (afinal era rádio, né? - mas mesmo assim eles podiam se calar um pouco pra poder deixar o som de fundo um pouco mais audível...). Valeu a pena. Depois do show... e da pontinha de "inveja" que se fazia sentir por parte dos coreanos quanto às invenções chinesas (relógio de sol, impressão com tipos móveis), as quais qualquer coreano sabe que foram inventadas pelo Rei Sejong, o Grande, veio a hora do desfile das comitivas de cada nação. Passou a Grécia, não sei quem mais, não sei quem mais, e quando chegou na vez da Dinamarca (ou um pouco antes, não me lembro bem): comercial! Ficou passando comercial por uns bons 10~15 minutos!!! Eu só "vi" o Brasil passando pelo rádio!!! É ou não é "expressionante"? Coideloco. Não me lembro no Brasil como é, mas acho que quando transmitimos a cerimônia, transmitimo-la por inteiro não é não? Não importa que país ou região seja a que esteja passando, a transmissão é feita sem cortes, nem que dure 10 horas... Se tiver alguma intervenção comercial seria por meio de aluma vinhetinha gráfica passando no rodapé da imagem ou em uma chamada de no máximo 30 segundos de duração, não é? Corrijam-me por favor se errado estiver.
Aqui não. Pelo menos 20 minutos (já que foram dois cortes para comerciais) foram gastos com propagandas atrás de propagandas, enrolando até que a Coréia apareceu lá no finalzinho do espetáculo. Aí sim eles transmitiram tudo... O.o
Na hora fiquei muito puto. E é engraçado como o espírito patriótico cresce quando vivemos em outro país... No Brasil, eu sou apenas mais um, como qualquer outro; aqui, eu sou sempre o brasileiro, o represente de uma nação de quase 190.000.000 de pessoas. Para os coreanos que eu conheço, eu sou o protótipo de brasileiro... e eu tenho até pena, já que como brasileiro eu não tenho nada de mais: não danço, não jogo e não assisto e não sei de futebol, não sou negro... quebro todos os paradigmas que eles têm. hahaha
Já que aqui me sinto mais brasileiro do que qualquer coisa, eu queria, meio subconscientemente, ver o desfile dos atletas brasileiros entrando em campo frente às outras duzentas e tantas nações presentes... não pude. Na hora, fiquei puto... agora conformei-me.

Finda-se aqui o primeiro post relativo aos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.

Aguardem...

domingo, 3 de agosto de 2008

Trivialidades não tão triviais

As trivialidades só são triviais em certos espaços e momentos.
Trivialidades banais como comer um pão francês, por exemplo, só é trivial mesmo no Brasil e, pelo que presenciei, no sudeste asiático, mais precisamente na região da ex-Indochina Francesa (da qual a tão famosa "Cochinchina" faz parte!), e atuais Vietnã, Camboja e Laos. Nem mesmo na França comer pão francês, pelo menos "o" pão francês que tão bem conhecemos, pasmem, não é um fato reportado como corriqueiro.
Bem, indo direto ao ponto, quero dizer que comer pão por aqui não é uma tarefa fácil. Primeiro pela própria denominação "pão" que engloba o que conhecemos por pão, roscas, bolos, pães doces e até massa de pizza... Com uma amplitude semântica dessa espécie, achar um pão que mereça ser chamado de pão não é uma tarefa das mais fáceis. No entanto, achar o que eles denominam "ppang (빵)" (palavra que, por acaso, é um empréstimo do japonês que, por sua vez, é um empréstimo do português do século XVI!) é uma tarefa extremamente fácil! Entretanto, o 빵 coreano é normalmente uma rosca ou um pão doce com recheio de creme de leite, creme de ovos, creme de amendoim ou creme de feijão (doce, para os desavisados). Eu, amante do meu pãozinho francês quentinho acabado de sair do forno da padaria, vi-me privado de tal prazer por aproximadamente dois anos, isto é, o período que estou aqui na Coréia sem voltar à pátria amada, idolatrada, salve, salve!. Com as intempéries e agruras no campeio de um bom pão francês, cheguei a um ponto em que havia desistido de tentar.
Hoje, no entanto, visitei uma cafeteria (das quais a Coréia está coalhada) onde se compra uma caneca de café (no "bom e velho" estilo estadunidense) e pagando a módica quantia de ₩700 a mais, a pessoa ganha o direito de se servir de um "buffet" (ou bufê) de pães à vontade! Só pra ter uma idéia, um pãozinho custa de ₩1000 a ₩1500. Não precisa dizer que fiz a festa, já que todos os pães eram do meu agrado. É claro que não é assim de mão beijada... O bufê só funciona das 8 às 10 em lugar que fica a uma hora da minha casa. E como ultimamente tenho levado uma vida meio notívaga, levantar a essas horas, para mim, está fora do meu fuso horário. Mesmo assim, não me arrependi nem um pouquinho. Fartei-me até não mais poder. Fiquei no café até depois do meio-dia, tamanha a "vontade" que tinha de me mexer de tanto pão no buxo.
No picasa tem uma galeria com algumas fotos dos pãezinhos.
Cada vez que eu olho pras fotos, minha boca enche de água... =)

Pães...

sábado, 2 de agosto de 2008

Calor...

Até a semana passada, choveu muito por aqui. Como as chuvas de verão de São Paulo que alagam uma boa parte da cidade. E não só isso é parecido como também o fato de que, em ambas as metrópoles, as regiões alagadas são as regiões mais pobres e de periferia. Como eu estou em um ponto nobre da cidade, a Universidade, isso não acontece, além do que as universidades na Coréia são normalmente construídas em montanhas (talvez pela falta de espaço para um câmpus grande), e montanhas são um pouco difícil de serem inundadas...
Até aí, tudo bem. O que está pegando é o calor... estamos mais uma vez no período mais quente do ano... já havia escrito sobre isto no ano passado: os chamados "bok". Por volta do mês de agosto, de acordo com a marcação do tempo tradicional e milenar que segue o calendário lunar, existem 3 períodos: bok inicial, bok intermediário e bok final, mais ou menos com 10 dias cada um. E agora, estamos nos aproximando do último bok, que é o período mais quente do ano e é a época de se tomar sopa! O que é uma tradição coreana de combater o calor com comidas quentes. A sopa tradicional é a sopa de cachorro, mas, com o passar do tempo, essa sopa vem sendo substituída pela sopa de frango com ginseng. Poucos jovens ainda se arriscam a comer "au-au", como eles dizem aqui. Fazem isso porque a palavra para cachorro (개, kae), e a palavra para caranguejo (게, ke), apesar de serem escritas de forma diferente são pronunciadas da mesma forma. Para diferenciar dizem "ke que anda de lado" (caranguejo) e "(ke) au-au" (cachorro de comer). Ah, e a propósito, "au-au" em coreano é mong-mong (몽몽).
E, com o calor, chegam as cigarras... em milhões e ficou cantando, piando, gritando, zunindo... sei lá qual é o verbo usado para cigarras. Bem, nada como a internet, né? Acabei de perguntar para o Google qual é o som das cigarras e ele me mandou pra página do dicionário Michaelis que nos informa o seguinte: "Cigarra - cantar, chiar, chichiar, ciciar, cigarrear, estridular, estrilar, fretenir, rechiar, rechinar, retinir, zangarrear, zinir, ziziar, zunir." As daqui fazem isso tudo ao mesmo tempo! Chega a um ponto que nem se ouve mais, o cérebro se acostuma com o ruído e o filtra, por uma questão de sobrevivência.
Banho não adianta... Mesmo com banho frio, passam alguns minutos e já se está todo suado. Porta aberta também não. O ar é quente tanto dentro quanto fora. É um calor absurdo. E eu não gosto de calor. Agora que eu comprei minha bicicletinha nova, não posso usá-la pois 5 minutos de pedaladas já são o suficiente para me desidratar... de tanto suor. Ai, ai...
Paciência. Mais um mês, e o tempo começa a refrescar e a ficar mais suportável... Não vejo a hora de o inverno chegar. Neve é bem melhor que este calor... No inverno, basta colocar um monte de roupas e fica tudo bem... no verão, tira-se tudo e ainda fica esse calor maldito! Argh...
Um abraço melado pra vcs.
Tchau

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Férias?

Finalmente estou tendo um período ao qual posso dar a designação de "férias", mais de um mês depois de as aulas terem oficialmente terminado.

No entanto, entretanto, porém, contudo e todavia, tenho zilhões de coisas pra fazer e fica um pouco difícil dizer que serão férias de verdade...

A pior coisa será o "exame geral", uma prova onde caem matérias relativas a todas as matérias que já estudei (e das que não estudei também) e que tenho que fazer senão não poderei defender minha tese.

E falando em tese, não faço a mínima idéia de sobre o que vou escrever... É claro que vai ser algo relativo a lingüística computacional, mas e daí? Há milhares de opções e a grande maioria delas eu não faço nem idéia...

Está começando a época mais difícil dos estudos... O problema é que ao invés de melhorar, de me acostumar com o passar do tempo, acontece exatamente o oposto: vem ficando cada vez mais difícil e mais difícil de saber o que vai acontecer.

É muito engraçado agora quando penso que eu reclamava do tempo que estava estudando coreano, que achava que era muito difícil, puxado... que nada! Aquilo sim eram férias! Depois de entrar no mestrado, foi aí que eu vi a cobra fumar! Mesmo depois de dois semestres completados com relativamente bons resultados, ainda assim não foi fácil não.

Falando em resultados, não sei se mencionei que o professor deu A+ para nós pelo nosso projeto. Pois é, depois de mais de 2 meses de trabalho quase ininterrupto, finalmente ele se convenceu que nosso projeto valia alguma coisa. Tanto que mandou a gente se inscrever em uma conferência internacional de lingüística, a PACLIC (Pacific Asia Conference on Linguistics, Information and Computation). Vamos ver no que dá. Na verdade, a gente até já tinha desistido de participar, mas, por sorte, eles resolveram dar uma esticadinha no prazo de entrega dos trabalhos e ganhamos mais 2 semanas para terminar nossos testes e análises do nosso experimento. A resposta sai na primeira semana de setembro.

Agora eu vou ter de sair para ir ao escritório do NIIED (National Institute for International Education), o órgão do governo que me deu a bolsa, para reclamar que eles ainda estão tirando o dinheiro do meu dormitório do valor da bolsa... Em tese, estou pagando duas casas!!! Pago aqui e eles tiram o dinheiro de lá, sendo que já faz dois meses que eu saí! Ai, ai, ai... Vamos ver.

Desejem-me sorte. Especialmente para receber de volta o dinheiro que eles já tiraram...

Um abraço.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Weakest Link

Esses dias eu tenho assistido a BBC já que aqui no dormitório eles a disponibilizam junto com mais 2 canais chineses, um de Taiwan, outros dois do Japão, e mais 4 coreanos, além do canal internacional coreano chamado Arirang.

Na BBC tem um programa de perguntas e respostas, relativamente difícil, com uma apresentadora que me dá medo! Quem já viu, que comente... Ela parece uma oficial alemã da segunda guerra, daquelas dos filmes... Que medo!

Dêem uma olhada no site... http://www.bbc.co.uk/weakestlink/

Óia! Ronaldinho veio pra Coréia!

Nunca assisto muita TV, mas por acaso acabei de ver que o Ronaldinho Gaúcho veio pra Coréia esses dias e foi recebido como superstar. E, pra quem pensa que eu vi isso num programa de esportes, nã nã não! Era um programa tipo "TV Fama"! Cada coisa...

獨島-竹島 Dokdo-Takeshima... A novela continua...

Desde o século 16, mais ou menos, os dois países têm brigado pela posse de umas ilhotas rochosas no meio do mar que separa a Coréia e o Japão. Há documentos registrando a posse das ilhas por um país ou por outro. De acordo com os documentos históricos, uma família japonesa, após descobrir as ilhas por acaso, obteve o direito de explorar durante 70-80 anos tanto Tokto como as ilhas de Ulleungdo (鬱陵島) e Dokdo (獨島) pelo xógum Toyotomi Hideyoshi. No entanto, as ilhas já eram conhecidas pelos coreanos e aí começa a briga.
Isso vai se arrastando durante os séculos, até a poucos anos atrás quando a prefeitura de Tottori no Japão (鳥取県) resolveu declarar o "dia de Takeshima". Aí os coreanos caíram de pau em cima e começou a briga. Se não me engano, isso foi em 2004...
Passou um tempo, o povo esqueceu, mas agora, que o povo está raivoso com a importação de carne americana e a vaca louca (fato o qual o presidente nega veementemente, dizendo que pagará US$ 500.000,00 à pessoa que ficar doente "se e somente se" alguém realmente ficar doente), apareceu essa história de Takeshima/Dokdo de novo. Eu até acho que foi feito de propósito para desviar as atenções do "gado"... Agora, não tem outra notícia na TV além da história de Dokdo, e da questão do "Mar do Leste" que é conhecido mundo afora como "Mar do Japão". Chegaram a reclamar com a Biblioteca do Congresso dos EUA para mudar o nome que eles usam... Tokto é chamada de "Rochas de Liancourt", já que foi um baleeiro francês que chegou às ilhotas pela primeira vez (no caso dos ocidentais), e o "Mar do Leste", chamado de "Mar do Japão". Eles ficam furiosos com isso!
Aí trazem à tona documentos e mapas antigos, mostrando que o mar era chamado de "Mar da Coréia" até o fim do séc. XIX, que Dokdo sempre foi coreana, e os japoneses dizem que tais documentos não têm valor histórico como registros, etc., etc...
E por aí vai a novela.
E, nesse ínterim, ninguém mais fala da carne...

Até.

domingo, 20 de julho de 2008

Bacalhau

Depois do BigMac de ontem, hoje tinha que comer uma comida mais saudável, e por que não uma boa bacalhoada? Essa história começou na semana passada quando fui a Gangnam (um bairro daqui) e resolvemos dar uma passadinha numa cervejaria tcheca chamada Castle Praha. O lugar é muito interessante, de fora parece pequenininho, mas dentro é beeem grande. Lá, bebemos um copo de cerveja e pedimos Fish and Chips para comer. Ao invés de ser Fish and Chips de verdade, como se esperaria de algo nomeado assim, a batata era, na verdade, batata doce empanada. Isso me decepcionou um pouquinho, mas não estava de todo ruim. O negócio foi quando experimentei o peixe. No começo não estava dando nada por ele, mas ao experimentar percebi que se tratava de, nada mais nada menos, bacalhau! Fiquei muito feliz, já que havia muito tempo que não provava dessa iguaria. Não posso dizer que minha estada aqui na Coréia tenha sido completamente desprovida da ingestão do mesmo, mas o problema é que aqui normalmente se come peixe no "formato" sopa. Eu não sou tão fã de sopa assim, então não acho que seja gostoso, mesmo quando seja gostoso mesmo. Isso é um pouco estranho... Desde criança sou assim... Eu tomo sopa, sei que a tal pode ser classificada como gostosa, mas meu cérebro se recusa a aceitar esse tipo de opinião gustatória. Ele acha que por ser sopa, não há como ser gostoso. As duas coisas não se misturam. No entanto, uma sopinha de vez em quando não mata ninguém. O negócio é que com o bacalhau, eu acho que seja até um desperdício ele não ser utilizado para ser degustado por meio de uma boa e suculenta (não ensopada) bacalhoada. Decidi então que hoje faria uma bacalhoada. Fosses como fosse, eu bacalhoaria hoje. E assim foi.
A propósito nunca havia feito nenhuma bacalhoada na minha vida. Hoje foi a primeira. Segundo ponto: eu não tenho forno. E sempre gostei muito mais das bacalhoadas de forno do que de panela. As de panela têm a tendência de ficar ensopadas (dããã...). Eu gosto mais sequinhas. Mas assim mesmo, parti para o feitio do meu sonho gastronômico.
Cortei as batatas, as cebolas e os tomates em generosas rodelas. Piquei o alho, a cebolinha e a salsinha. Separei as azeitonas e o azeite de oliva. E o principal, o peixe, aqui é vendido congelado, mas não salgado. E relativamente barato, a módicos ₩8000 o meio-quilo. Botei os "grediente" na panela e lasquei fogo no bicho. Comparado com o que imaginei antes, ficou muito bom! Claro que ainda não tão bom quanto teria sido se tivesse sido feito no forno, mas valeu! Matei a vontade e só de escrever isso aqui agora, já fico com água na boca só de pensar.
Só tive um pouco de problema com a quantidade de água que saiu dos ingredientes. E como queria uma bacalhoadazinha mais seca, deixei tudo no fogo por mais tempo. Visualmente, não foi nada de mais, nenhuma obra-prima, mas, gustativamente falando, ficou muito boa! Principalmente em se tratando da não existência de bacalhoadas por estas bandas...
Vai um bacalhauzinho aí? Hmmm...
Um abraço.
Juliano

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