Itens compartilhados de Juliano

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz natal a todos!

Já é véspera de natal aqui na Coreia e daqui a três horas, será natal. Mais um ano que se vai, mais um ano que "se" vem... e mais uma ceia na casa de nossa família coreana. Selma e Renato, obrigado desde já. Daqui a pouco chegámos aí. E daqui a pouco teremos a cobertura completar do evento. Feliz natal a todos!
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Telefone novo

Como já disse no post anterior, estou de telefone novo.

Troquei o meu velhinho (de 2 anos) por um Samsung Galaxy S e não fiquei (muito) decepcionado.

Agora mesmo, estou escrevendo do meu computador usando a internet do celular via USB no Ubuntu 10.10. Zero problemas de configuração é só ligar o cabo no computador e ativar a opção de Tethering no menu de configurações do celular e "pimba", a conexão está ativa.

Acabei de fazer um teste de velocidade e deu o seguinte:


Nada mal pra um celularzinho.

Agora, o que me mata é o preço. Fiz um plano de internet ilimitada com mais 300 minutos de voz e 200 mensagens de texto: 55.000 wons por mês, o que, de acordo com o Google, dá uns 81 reais por mês (câmbio atual). Oitenta reais!!! No Brasil, eu não consigo nem plano de sinal de fumaça por esse preço (corrijam-me se estiver errado!). E ainda mais com essa velocidade razoável que me permite usar a internet onde quer que eu esteja, já que por aqui não há problema em usar laptop no meio da rua: ninguém vai roubar. E o aparelho sai por 37.630 wons por mês em 24 pagamentos, perfazendo uns R$ 1300,00 (câmbio atual).

A quem souber dos preços no nosso Brasil varonil peço que comente aqui no rodapé para que possamos ter uma ideia melhor.

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Hoje fui à embaixada para renovar meu passaporte, e, por acaso, tinha todos os documentos necessários comigo! Até eu me surpreendi! Eu nunca consigo levar tudo o que precisa de uma vez... A única coisa que faltou foi uma foto com o fundo branco; a que tinha tinha o fundo acinzentado. Toca eu pro banco pagar a taxa de 120 mil wons e tirar novas fotos. Quando voltei, fui tirar as impressões digitais e... o sistema estava fora do ar! Tava tudo dando muito certo mesmo! Alguma coisa tinha que dar errado! Fiquei esperando por aqui por perto da embaixada (de onde vos escrevo esta missiva eletrônica) e acabei de receber uma ligação de lá dizendo que o sistema já está entrou em fase de rigor mortis de tão morto que está. A ressureição é esperada para amanhã quando finalmente poderei tirar minhas impressões digitais por meio digital para poderem ser enviadas à nossa pátria mãe gentil. Em estando tudo nos trinques amanhã, volto de novo em três dias para receber meu passaportezinho azul do Mercosul novinho em folha com chip e o diabo a quatro.

Torçam por mim! :)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O kimchi com café ainda dá uns suspiros...

Oi, gente.

Faz tempo que não escrevo, mas é porque estou sem tempo, sem rumo e sem saber o que faço da vida.
Resolvi fazer o que as mulheres fazem quando estão deprimidas e saí para as compras. Comprei um Galaxy, o smartphone da Samsung. Até que é divertido. O problema é que agora não tenho mais desculpa de não poder ser contactado. Este post, por exemplo, está sendo escrito no celular mesmo.
Nestes últimos tempos, muita coisa já aconteceu, mas acho que a grande novidade é que passei uma semana no Japão para participar da conferência para a qual meu artigo havia sido aceito. Passei o tempo todo na casa do Orion, um velho amigo da USP, que havia 6 anos que não nos encontrávamos. Só tenho o que agradecer por sua hospitalidade e sua paciência em me aguentar em sua casa. Outras novidades estão em curso. Assim que tiver mais notícias, deixo um oi aqui.
Um abraço pra quem ainda lê este meu blog de vez em quando.
Até a próxima!
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Paper foi escolhido para apresentação

Ó! Eu nem me lembrava mais do artigo e agora chegou 1½ dizendo que o ele foi escolhido.
Sou segundo autor, e vamos apresentar numa conferência internacional em Sendai no Japão!
Tudo pago pela facu! hehe

Tem mais um monte de notícias, mas já são onzemeia da noite e eu tenho que sair da facu e voltar pra casa.
(Internet em casa continua morta... Cadê o ppalli-ppalli dos coreanos quando a gente mais precisa???)

Abraço pra quem fica.

sábado, 17 de julho de 2010

07/14/10 PHD comic: 'Better for whom'

07/14/10 PHD comic: 'Better for whom': "


Piled Higher
& Deeper
by Jorge
Cham

www.phdcomics.com

Click on the title below to read the comic

title:
"Better for whom" - originally published
7/14/2010

For the latest news in PHD Comics, CLICK HERE!




É incrível como esta tirinha resumiu perfeitamente minha vida nos dois anos passados!

Tradução:
1)
— Então, como está indo sua tese, Cecília?
— Não está indo, Prof. Jones.
2)
— Eu estou atolada até o pescoço com todas as coisas que o senhor me pediu. Dar notas nas provas, organizar seminários, preparar slides...
3)
— É como se o senhor não achasse que eu tivesse nada melhor pra fazer!
4)
— E você tem?
— Sim!
— Melhor para mim?

PS: Para quem está curioso a respeito da minha tese e etcéteras, aí vai:
- A tese está quase toda revisada, mas eu estou revisando o software que faz parte da tese e parece que eu vou mudar quase tudo nele para melhorar o rendimento. Com isso, vou ter que reescrever uma boa parte da tese também.
- Pensei que teria tempo de respirar um pouco depois de terminar de escrever a tese. Santa inocência. O profe já disse que temos toooodo o mês de agosto para continuar trabalhando no projeto.
- E, por último, ainda não sei de nada do que vai acontecer com minha vida por enquanto! Aaaaahhhhrrrrrrggggg!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Recebi alta! :)

Parece até gente... 아저씨...

Continuando a novela de ontem: notícias.

Recebi alta da banca examinadora! :)

Examinaram minha tese e disseram-me que, no meu caso, comparado com o do outro carinha que fez sua defesa hoje também, não será necessária uma segunda sessão. Minha tese está defendida e ponto.

Contanto, no entanto, entretando, todavia... tenho que fazer grandes correções tanto na estrutura da dissertação quanto no conteúdo. Nada de muito grave, mas que dará um certo trabalhinho. Tudo deverá estar pronto até no máximo em duas semanas, com uma versão de rascunho a ser entregue a meu orientador na próxima sexta.

O chefe(?) da banca (não me lembro qual a palavra que usamos em português para 위원장/委員長), o qual nunca é o orientador (o orientador é sempre o vice 부위원장/副委員長), primeiro me perguntou qual era a minha tese (pergunta mais do que retórica) ao que dei as explicações (em coreano!, apesar de ter escrito a tese em inglês). Em seguida ele me disse: então por que é que você escreveu isto, isso e aquilo aqui, ali e lá? Dei toda a razão a ele e disse-lhe que eu também havia pensado nisso, mas que não sabia exatamente o que fazer já que minha pesquisa era assim-assado e o achava que o que esperavam de mim era assado-assim. Explicando melhor. Meu curso é de linguística: linguística computacional. Minha pesquisa é sobre um programa de auxílio à pesquisa de língua natural focado em dados sobre a língua coreana. Tem a ver... mas é algo que as pessoas não fazem muito por aqui: produção de software. Por aqui o software é sempre secundário, até mesmo terciário, o importante é a hipótese levantada e a prova de que ela não seja refutada (pelo menos, não neste trabalho). O negócio é que minha tese era a criação de um programa (na verdade, uma biblioteca de software) que ajudará em futuras pesquisas linguísticas. Não tenho como apresentar experimentos, pelo menos não experimentos similares aos quais o pessoal daqui está acostumado. Meu programa está pronto, e há muito tempo, diga-se de passagem, mas os dados que ele necessita para poder funcionar ainda estão sendo processados e analizados. Com isso, não posso fazer milagre. Meu programa funciona, e bem (diga-se de passagem de novo), com o que ele tem e com o que ele terá assim que o trabalho de criação dos dados termine (o que levará muuuito tempo ainda, na minha opinião).

Voltando à vaca congelada, o chefe da banca me perguntou o seguinte: "Então, meu filho, por que é que, se você criou um programa para o auxílio à pesquisa linguística da língua coreana, você não escreveu detalhadamente sobre isso? Por que é que você não exemplicou o funcionamento do programa na sua tese? Por que é que não há menções do funcionamento técnico e nem capturas de tela do software? Nessa hora, eu quis virar para o meu (des)orientador e fazer uma cara bem feia (para não dizer que eu queria mesmo era esguelá-lo), e virar de volta ao chefe da banca e informar-lhe que fiz isso por orientação do (des)orientador. Este último me mandou escrever sobre a construção dos dados, sobre comparação dos dados por nós conseguidos com os dados de trabalhos anteriores, sobre o trabalho de checagem dos dados, sobre os resultados obtidos por outras pessoas que fizeram experimentos usando os dados... Enfim, ele me mandou escrever tudo o que não tinha muito a ver com a minha pesquisa em si. E, na hora da defesa, vem alguém com uma luz de sabedoria e me diz que eu estava certo e que deveria ter ficado nesse meu rumo mesmo.

Isso que disse sobre ter de ficar no rumo que eu estava seguindo é porque quando comecei a escrever minha tese de verdade, nos idos de abril, eu estava seguindo exatamente esse caminho. A explicação da minha pesquisa, do meu programa, do trabalho que eu havia vindo feito por mais de um ano (Quem acompanha o blogue sabe do que estou falando). E quando mostrei isso ao profe e em duas apresentações a pessoas do departamento, todos estes me disseram que isso não trazia quase nada de contribuição à pesquisa linguística, que era apenas um monte de software que ninguém nunca vai usar, perguntavam-me por que é que eu estava fazendo isso ao invés de fazer algo que prestasse... claro que não com essas mesmas palavras, mas com esse sentido. Eu me desanimei de forma absurda, não acreditava que iria ser possível escrever nada que prestasse já que o trabalho que eu havia vindo fazendo há mais de um ano não era bom o suficiente para o departamento de linguística, já tinha me conformado em ficar mais um semestre por aqui (sem bolsa e me virando!) para poder ter a chance de mudar meu tópico e descobrir algo que fosse de interesse... Foi aí quando "ele" me disse: "Tudo bem... É só escrever sobre isto aqui, deste jeito assim, que sai uma tese... Além disso, aproveita e pega os "dados" e descobre um jeito de fazer "assim-assim" com eles pra ver se dá pra fazer "um negócio assim"..." (Tradução literal de "seu" modo de falar.) E não é que eu ainda saí com mais coisa ainda pra fazer além do meu tópico inicial? Ele fez que fez para que eu botasse o raio dos dados no meio e escrever algo muito parecido com um artigo que ele já tinha escrito há um ano atrás. Me pareceu que o que ele queria uma confirmação desse artigo por meio da minha tese. Coisas estranhas.

De qualquer forma, agora, posso seguir meu rumo, o qual havia traçado há tempos, e que agora sei que era o rumo correto a seguir. Devo fazer minhas correções e acréscimos no período de uma semana, e ao fim de mais uma semana, receber o carimbo (literalmente, já que no oriente o carimbo é mais importante que a assinatura) de aprovação dos três componentes da banca. Daí é só partir pro abraço, imprimindo as teses e enviando os livros e o PDF para a biblioteca para poder ser registrada e publicada.

Alívio.

Mais notícias na semana que vem.

Hoje, agora, é só curtir o fim de semana sem preocupações e torcer para o Brasil na noite de hoje, 11 horas da noite, barzinho, amigos e... vitória da nossa seleção? Espero que sim! Senão vai ficar feio aqui pro meu lado, já que todo coreano que eu conheço vai ficar cobrando: "Pô! Mas é Brasil? Como é que foi perder???" Aí, Dunga! Me dá uma mão nessa aí, viu?

Abraços.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Trauma pós-parto

Estou passando por uma fase de trauma pós-parto.

É. Minha tese nasceu. Faltando um dedo em cada mão e cada pé... mas nasceu. E pra quem diz que todo genitor (não posso dizer mãe, né?) é coruja, eu não o sou. Não estou nem um pingo orgulhoso -talvez por ainda a ficha não ter caído- do que escrevi. Acho que dava pra ser melhor, mais bem trabalhada, ou seja, uma tese de verdade. A meu ver, isto ainda não é uma dissertação de mestrado. Talvez eu esteja sendo muito exigente comigo mesmo, no entanto, ainda acho que poderia ter escrito coisa bem melhor.

Quem acompanha este blogue deve já ter notado que do ano passado pra cá, talvez até um pouco mais que isso, não há praticamente outro assunto que não seja tese, programa, não funciona, deu certo etc. São poucos os posts que não se embrenham por este assunto, e os poucos que há não chegam a ser um post que mereça grande consideração dado o fato que minha cabeça nunca saiu do "raio" da tese.

A gestação foi problemática, com várias ameaças de aborto e de má-formação congênita da tese-feto. O embrião demorou para se desenvolver, demorou e bastante pra descobrir um negócio chamado mitose (ou seria meiose? já faz tanto tempo que passei pelas carteiras duras de madeira do Objetivo...) e começar a crescer, mesmo que devagar. Foram meses e meses com aquele feto no meu útero-cérebro se remexendo, ensaiando chutinhos que quase não me faziam lembrar que aquele embrião estava por lá, desenvolvendo-se.

O ventre-papel (de forma eletrônica) começou a crescer, mesmo que timidamente, há apenas pouco mais de dois meses, quando os primeiros bytes foram postos de maneira semi-coesa em forma de um esqueleto de títulos e sub-títulos. (O hífen tá certo? É a pior mexida do acordo ortográfico...) Aos poucos, um pouco de carne-texto foi revestindo esse esqueleto, algumas figuras e tabelas o foram enfeitando e só. O período de crescimento parou, estancou-se e nada mais acontecia. Passam-se os dias, passam-se as semanas, passa enfim o tempo e uma dor incontrolável me avisava que o aborto era iminente. Cheguei a visitar o doutor, o professor doutor orientador, que orientou minha dor de forma bem coreana: disse a mim pra parar de frescura, parar de pensar e para me pôr a trabalhar de forma que o nascimento se desse no dia 27 de junho, três dias atrás. E para me fazer entender que o negócio era pra valer, duas semanas antes do dia fatídico, forçou-me a tricotar um casaquinho-artigo para uma conferência internacional a respeito de minha tese. Isso realmente foi o que me acordou e o que me forçou a começar a escrever. Antes, só pensava em como seria possível escrever alguma coisa, planejava, desplanejava, escrevia, apagava, tricotava a roupinha do recém-nascido e me tocava que seria um natimorto e puxava o fio do tricô desfiando o casaquinho que estava já quase pronto. O artigo foi o que salvou a gestação. A partir do momento que vi aquele casaquinho estendido nas linhas do meu texto, vi que o negócio era pra valer, e que o trabalho de parto estava realmente começando, um caminho sem volta... A dilatação do cérebro já estava em 10 páginas que convertidas no formato da tese já chegava a quase 30!

Depois de várias noites sem dormir, e sentindo aquele bixo crescer na minha cabeça, percebi estar na reta final e passei o fim-de-semana todo em trabalho de parto ininterrupto (a não ser por alguns cochilos aqui e ali) até que na segunda-feira, dia 27, chamei o obstetra e mostrei o rascunho. Recebi o imprimatur e fui pro xerox da faculdade imprimir 4 cópias do trabalho que deu tanto trabalho em seu longo trabalho de parto: uma cópia para cada professor participante de minha banca e uma para mim, para lembrar do sufoco pelo qual passei e achava que não ia sair vivo. Quando peguei aqueles bixinhos na minha mão, foi como se o mundo parasse e como cada instante durasse uma eternidade, tudo em câmara lenta e sem um peso absurdo sobre meus ombros. Êxtase e alívio. O último passo era deixar cada cópia no berçário-sala de cada professor que iria tratar de examinar cada milímetro tim-tim por tim-tim e dar o veredito final agora na sexta: minha filha-tese receberá alta? Ou vai ter que ficar mais um tempo no hospital pra ver se dá pra implantar os dedos que faltam em cada membro?

Próximo capítulo da novela só depois de amanhã.

sábado, 29 de maio de 2010

Você acha isso normal? Parte 2

Gente, que bissurdo é esse??? A Folha agora faz propaganda da arma do crime e do supermercado onde você pode encontrá-la???

Dá uma olhada lá no "Contorno da Sombra" que ele escreveu o que eu pensei... e agora, com minha mudança e todos os encaixotamentos necessários, não tenho muito tempo pra postar.

E, pra completar, achei mais esta pérola...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vida louca!

Olá a todos os que ainda leem este blogue!

Ultimamente as coisas andam difíceis... Muito para fazer, pouco efetivamente feito...

Em primeiro lugar, a tese. A tese não anda nem pra frente, nem pra trás. Tá lá. Tenho tentado escrever e pesquisar um pouco, mas não sai. Deu bloqueio. Dizem que é fase, mas tá demorandinho pra passar... Sei lá. Vam vê.

Em segundo lugar, casa. Fiquei sem-teto. Meu dormitório é um dormitório especial só para estrangeiros e só se pode ficar por aqui 24 meses, os quais venceram ontem e me deram de lambuja uns 10 diazinhos a mais. Ontem fiquei o dia inteiro procurando casa e finalmente achei um apartamentinho de um quarto e uma semi-cozinha na cobertura de um prédio. Pelo menos vou ter quintal-laje. Dá até pra fazer um churrasquinho de vez em quando! :) Fica num bairro do lado do portão principal da universidade, a uns 15 minutos de ônibus. Como é um bairro de estudantes, tem milhões de restaurantes, cafés, barzinhos e etcéteras a preços bem razoáveis. Até o apê foi um precinho camarada, claro que comparado aos outros preços coreanos.

Domingão que vem, lá vou eu de mudança para o outro quarto (que nem de kitchenette/quitenete dá pra chamar). E o quarto é estilo coreano: com ar-condicionado, cabo de internete prontinho para uso, escrivaninha, cadeira de rodinhas, guardarroupa e só. Não tem cama. Esse é o estilo coreano: sem cama. Dá-lhe um edredom no chão e tá lá a cama. De manhã, enrola e aparece o quarto. Ainda não sei se compro um colchonete-sofá... acho que dá pra ficar no chão mesmo. E é melhor que assim não vai juntar pó debaixo da cama porque não vai ter cama mesmo! :)

E nesse pé estamos.

Assim que me mudar, eu convido os presentes em território coreano para um 집들이/jipdeuri/chá-de-panela-de-mudança como reza a tradição de mudanças coreanas. :)

Um abraço!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Vai um pastel aí?

Semana passada aconteceu a "Feira das Nações", um festival onde se reunem todas as nacionalidades presentes em Seul vendendo seus comes e bebes típicos.

No nosso caso, tradicionalmente, é o pastel. O mesmo que foi levado pelos japoneses que imigraram no Brasil. Copiamos a ideia do pastel do oriente, modificamo-lo e agora o vendemos como comida típica brasileira! :) Os coreanos olham meio desconfiados, perguntam se é mesmo comida do Brasil, dão uma mordida e descobrem aquele queijinho derretido dentro e se deixam apaixonar... :)

Aí vai um filmezinho que o Henrique do De Prosa na Coreia fez! Divirtam-se!

Barraca Brasileira no Festival em Seul from Henrique Teixeira on Vimeo.


E aqui um mais geral feito no mesmo dia.

Festival e o rio Cheonggye from Henrique Teixeira on Vimeo.


Abraços!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Língua

Fim de semana passado, tivemos mais uma reunião bem familiar na casa de nossa "família" brasileira na Coreia. Renato e Selma, como de costume, nos ofereceram um banquete e sua amável hospitalidade para que pudéssemos nos despedir de Rebeca que estaria de volta ao Brasil no dia seguinte.

Mais uma vez, aceitem meus agradecimentos do fundo do coração. Vocês não sabem o quanto isso é importante para este bando de estudantes brasileiros perdidos aqui do outro lado do mundo! :)

No vai e vem das conversas, surgiu um tópico interessante (olha o linguista falando!): língua.

Citou-se o exemplo da língua portuguesa que é muito sisuda e que não aceita muito no papel o que fazemos com ela quando falamos. Por que é que em inglês se pode escrever "don't", "isn't" e o diabo a quatro e em português não podemos escrever "tô", "tamo"?

Desse ponto em diante, começou o desfile de lendas urbanas tão bem conhecidas por nós brasileiros de que brasileiro não sabe falar, de que brasileiro fala português errado, de que maranhense fala o melhor português, e por aí vai.

Isso tudo tem origem em, nada mais nada menos, nosso passado colonial.

Por ter sido o Brasil um país colonizado, e por terem sido os colonizadores os portugueses, a forma de se "separar o joio do trigo" sempre foi a forma de se falar a língua do Estado. Os colonizados, falando o português, nunca falariam com o mesmo nível e com a mesma desenvoltura com a qual os colonizadores, donos da língua, a falavam. A língua foi, e de uma forma geral ainda é, uma forma de distinção social, uma forma de dizer: "eu sou colonizador e você é colonizado". É óbvio que, com cinco séculos de Brasil, as coisas mudam devagar e o Brasil foi aos poucos criando sua identidade, remendando os vários trapinhos culturais de cada novo povo imigrante em uma colcha de retalhos que se tornou nossa cultura. Com isso, é óbvio também que a língua havia de mudar. Não uma mudança planejada e bem estudada pelos grandes poetas ou grandes gramáticos, mas uma mudança gerada desses mesmos retalhos que formaram nossa tão diversificada cultura.

No entanto, ainda hoje, depois de quase dois séculos de independência e uma separação cultural quase total de Portugal (Quem é que tem contato com produções artísticas em qualquer meio que tenham sido produzidas em Portugal? Quem é que conhece algo do Portugal contemporâneo que seja baseado em fatos e não em ouvi-dizeres? São pouquíssimos os brasileiros que têm essa oportunidade.), a língua continua a ser o termômetro pelo qual medimos as classes sociais em nosso país.

O "português", aquele que aprendemos na escola, é uma língua "estrangeira" para o brasileiro, quem quer que seja. Não há uma só pessoa dentre os quase 200 milhões de habitantes de nosso país que se comunique exclusivamente fazendo uso daquela língua. Esse português é apenas escrito e não existe de outra forma que não seja essa. Fazer uso da língua portuguesa escrita na fala, é uma figura de estilo, de retórica, que se propõe a frisar que o falante está se pondo acima no pedestal de classes. É como o coreano com suas várias formas de níveis de fala, só que nosso caso, não é institucionalizado, não é gramaticalizado como acontece por aqui.

Essa "língua portuguesa", a da escola, além de ser uma forma de peneirar a intelectualidade das pessoas, de separar "o joio do trigo", é também um instrumento de unificação. Quem já viajou por este nosso Brazilzão sabe como é. Dê uma volta por nosso país, principalmente pelas regiões de colonização antiga (leia-se perto do litoral), do Rio Grande do Sul, passando por Santa Catarina, subindo pelo Paraná, passando em São Paulo e Rio, subindo para Minas e de lá para a Bahia. Da Bahia, vá por Pernambuco passando pelo litoral até Fortaleza, continuando até o Maranhão e Belém. São inúmeros tipos de falares, de sotaques (como nós brasileiros gostamos de dizer). Na Europa, por bem menos que isso, eles já teriam dito que seriam línguas diferentes. A questão é que o governo brasileiro (ou português, naquele tempo) sempre foi centralizador: o Brasil sempre foi uno e indivisível. E a forma mais evidente de uma cultura, a que está à mostra a todo tempo, é a língua, a forma de falar está intrínsecamente ligada ao grupo ao qual o falante pertence, do qual ele compartilha crenças e costumes, comidas e tradições. No caso do Brasil, naquela época, afirmar que temos dialetos ou que não falamos a língua portuguesa e sim a língua brasileira (que por acaso era o nome do Tupi: "língua brasílica"), seria afirmar a fragilidade do Estado e da nação brasileira que se romperia em pequenos mini-nações. Não! O governo nunca quis isso, e a forma mais efetiva para se fazer isso foi pôr em prática uma política linguística de ensino universal da língua portuguesa. Isso desde o Marquês de Pombal que decretou duras penas para quem falasse outra língua que não fosse a língua portuguesa. (Por medo de perder o controle da colônia.)

Essa política vem se mantendo firme e forte durante os séculos até os dias de hoje.

O grande problema é que isso tudo já está tão enraizado em nossa mente que não conseguimos analizar a língua como uma emanação cultural de um povo que, como já disse anteriormente, compartilha de um lugar, de uma história, de uma cultura em comum. No final das contas, a língua nada mais é que um instrumento de comunicação. E aí entra a questão do "falar errado".

Falar errado é o quê? É não falar como se escreve? E escrever errado é escrever como se fala? Então o erro está na própria língua que aceita (à primeira vista) duas formas incompatíveis de comunicação! Existe a língua portuguesa que é exclusivamente aceita apenas no registro escrito, e a "outra" língua portuguesa que é única e exclusivamente aceita na forma oral ainda sob certas circunstâncias. Esse tipo de pensamento é ilógico!

O grande xis da questão é: existe uma língua, a chamada língua portuguesa, aquela que aprendemos na escola, que é a normatização de diversos tipos de dialetos, dos quais a grande maioria tem sua origem no território português que são avalizados por grandes obras literárias e tradições linguísticas que vêm já de há séculos; ao passo que existe outra língua, ou melhor, outras línguas que são instrumentos que pessoas de certas regiões vêm fazendo uso de há muito tempo, ligadas a sua cultura e tradições que são passadas de pais para filhos como tradição oral. São "línguas" diferentes. Assim como o português, o francês, o espanhol, o catalão, o galego, o italiano, o provençal, o romeno são nada mais nada menos que dialetos do latim. Pelo prisma do "falar errado", desde o início da história nacional das diversas nações modernas europeias, em Portugal, na Espanha, na França, na Itália, na Romênia, todos falam latim errado! Tanto é que demorou muito tempo, muitos séculos, para que aceitassem que a língua falada nessas regiões e a língua escrita, o latim, já não eram mais a mesma coisa! Só aí é que a língua vulgar (língua do vulgo, do povo) recebeu status de língua e foi aceita nos círculos acadêmicos e artísticos, foi aí que começou a onda de obras literárias como "os Lusíadas", "Dom Quixote", "a Divina Comédia" e tantas outras.

A questão do falar errado é, então, algo completamente discutível e que depende muitíssimo de variados pontos de vista. A única razão pela qual mantemos a língua portuguesa congelada e normatizada em todas aquelas regras gramaticais que beiram o rigor das matemáticas é que se não assim fizéssemos, talvez hoje já teríamos línguas tão distintas como o português e o romeno entre o Rio Grande do Sul e o Pará, por exemplo. Essa foi a forma pela qual hoje ainda podemos pegar um livro de Saramago, escrito do outro lado do Atlântico, e lê-lo e compreendê-lo, ainda que seja às vezes difícil entender o que os portugueses dizem. A língua, no império português, foi um dos mais fortes elementos de unificação e de colonização. Mais ou menos o que se passa hoje com o neo-imperialismo dos EUA, quem sabe inglês se dá bem, consegue bons empregos, "fica rico"; no "nosso" império português era a mesma coisa: o colonizado, se quisesse ter uma vida boa, teria que aprender e falar um bom português para conseguir algo na vida. E esse pensamento continua com tanta gente com tantos preconceitos linguísticos.

"Falar errado", na forma não-preconceituosa do termo, seria uma pessoa que quer transmitir uma ideia que tem em sua mente e a pessoa que recebe a informação reconstrói uma ideia completamente diferente da original. Um exemplo extremado:

O falante A tem sede e deseja um copo de água. Formula a ideia de pedir um copo de água e a reproduz por meio de palavras. O ouvinte B ouve a mensagem sonora e a decodifica de acordo com o seu conhecimento do código linguístico e reformula a ideia presente na mente de A em sua própria mente. Se B der um copo de água a A, a mensagem foi transferida com sucesso. No entanto, A, por ter codificado sua mensagem de forma errada, pode receber algo que não seja água. Nesse caso, ele "falou errado".

"Falar errado" é um fato muito comum no caso de falantes de segunda língua. Isso acontece com muita frequência comigo aqui na Coreia. Algumas vezes eu "falo errado" coreano, ou "entendo errado" coreano. No entanto, isso não é comum com falantes nativos. Somos capazes de transmitir nossas mensagens de forma que atinjam o destino e possam ser decodificadas sem problema pelos ouvintes por meio do mesmo código linguístico que ambos possuem, não importando qual é o código!

Foram os ricos meninos à Europa, ao passo que os menos providos, a Ubatuba.
Os menino rico foi pr'Europa. Os pobre foi pra Ubatuba. (Dialeto ao qual estou mais acostumado e que uso quando não preciso falar na língua padrão.)

As duas mensagens acima carregam a mesma informação codificadas por dois tipos diferentes de gramática. A de cima, mais elaborada e tradicional, que tem o aval dos livros de gramática e da tradição luso-brasileira; a de baixo, entretanto, faz uso de uma gramática não oficial, e não registrada em livros. No entanto, a segunda, é uma gramática como qualquer outra e possui regras, exceções e restrições. Um falante dessa gramática nunca teria dito frases como:

*O menino ricos foi pr'Europa. O pobres foi pra Ubatuba.

Por quê? Pelo simples fato de que há regras claras registradas pela gramática desse dialeto que impedem que a desinência do plural seja posta em qualquer outra posição que não seja a primeira posição do sintagma: meninos; os menino; meus menino; esses menino bonito.

Outro fato que não ocorreria seria a quebra da posição dos elementos da frase. A imensa maioria das frases segue a posição SVC (sujeito, verbo e complementos). A língua padrão é mais flexível nesse ponto, como se pode ver no primeiro exemplo (VSC): "foram os meninos à Europa".

Outro ponto são as mudanças fonéticas que também seguem regras. Na frase "os pobre foi pra Ubatuba", o verbo "foi" está em variação livre com a forma do plural "fôro" (de "foram"). A forma "fôro" é interessante foneticamente pela queda da nasal em posição átona final. Isso acontece em todas as palavras (pelo menos as que eu consigo lembrar agora): homem > home, garagem > garage, viagem > viage, etc. Não acontece com também porque aqui a posição é tônica. Mesmo neologismos seguem essa regra: Bin Laden > Bin Lade! (Bin não muda porque é tônica!)

E assim vamos... Se deixar, eu fico mais uma hora escrevendo... O problema é que eu não posso. Tenho experiências para fazer e uma tese pra escrever. Se quiserem se aprofundar, mandem comentários. Ficarei feliz de discutir.

Um abraço pra quem teve paciência de ler tudo isso até o fim.

Falô!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Em resposta ao comentário Henriquiano

Meu caro amigo Henrique, depois de séculos que eu não escrevia nada por aqui, foi o primeiro a se manifestar:
"No que diz respeito o quesito "democracia" concordo com você. Mas o que me deixa indignado é ver que o Brasil agora acha que só existe PT e PSDB. Qualquer alternativa não ganha muito respaldo da mídia. Pra que serve o pluripartidarismo então, se a gente tem que ficar alternando entre dois partidos como os americanos? Parece que estamos condenados a eleger a continuidade de um governo que protege os Chavez, Ahmadinejads e Castros ou então esse sujeito aí de cima que mandou descer o cacete nos protestos em SP. Dureza..."
Pois é... A política no Brasil é uma coisa que me deixa amargurado... Se for ver bem, não tem um que preste. Se achar, me avisa! Tem que selar a vácuo pra não apodrecer logo e guardar em um museu para toda a posteridade.

Mas agora falando sério, eu perdi as esperanças (no plural, já que todas foram ralo abaixo) já há muito tempo. Analizando todos os prós e contras, não tem um que sobre. Quem é menos mal, nunca vai nem chegar perto, e, mesmo assim, se por um acaso do destino chegar, não vai poder fazer muita coisa, uma vez que todo o sistema já está apodrecido. E, como são todos "representantes" do povo brasileiro, será isso um espelho da nossa sociedade? Estará ela tão putrefata assim que ninguém mais sabe o sentido de palavras como moral, retidão e honestidade?

Deve de ser o "pocalípisso", o fim do mundo... Os valores que me foram ensinados com tanto carinho por meus pais são coisas hoje consideradas coisas de "babaca", "otário".

Quanto à democracia, isso é apenas uma ilusão. Eu não vejo democracia em nosso país. É apenas uma ditadura disfarçada. Não é porque temos eleições de tantos em tantos anos é que possamos nos considerar democráticos. Querendo ou não serão sempre os mesmos - com raríssimas exceções - os que irão lá pro Quadradinho de Goiás ou pras capitais dos seus respectivos estados. O nosso povo, em sua grande maioria, ainda vive numa situação de feudalismo medieval. Isso é uma coisa que não aparece muito nas grandes capitais, mas se vê claramente no interior do nosso Brasilzão Véio Sem Portêra. Há a elite que de há muito vem governando e tomando conta da sua Capitania (ou seria melhor dizer "Coronelia") Hereditária e o povo, sem instrução e sem pensamento crítico, que vende seu voto por um novo par de sapatos, por uma vaquinha, por uma nova bicicleta pro filho mais novo, por um carro melhor, por um cargo no gabinete... e por aí vai! Azarados os que caem na mídia e, por isso, acabam por ser os bodes expiatórios (o que muitas vezes nem conta muito... vide os casos mais recentes do Arruda e do Maluf... basta a mídia esfriar que o bode vira cordeiro).

Da forma como está, infelizmente, não tenho grandes esperanças quanto ao futuro (se é que haverá) do nosso país.

No entanto, espero, de todo o coração, estar completamente enganado!

Um abraço.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Votem no Serra! :)

Se você sente falta da época da Dona Dita Dura e das perseguições e da negação ao direito de protestar, você já sabe em quem dar seu voto: nosso querido governador José Serra!



Aí você fala: "É, mas esse povo arruaceiro que se diz professor! Eles merecem! Tem é que fazer isso mesmo, senão vira uma zona!"

Aí, vem isto aqui:



E depois ele ainda diz, cinicamente: "Reivindicação se faz na mesa, conversando, não com violência". E quem foi o que não aceitou onversar? E quem foi o que atacou?

Pelamordedeus! Eu tô mais feliz com a sombra do Kim Jong-Il aqui do meu lado do que quando eu penso em voltar a meu querido Brasil e à minha querida São Paulo, que pelo andar da carruagem vai acabar caindo ribanceira abaixo qualquer dia.

Gente, que absurdo é esse? Daqui a pouco volta o AI-5!

quarta-feira, 10 de março de 2010

꽃샘추위: O frio da florada

Aqui na Coreia, a primavera chegou oficialmente no dia 2 de fevereiro, de acordo com a milenar tradição do calendário Chinês, ops, Coreano.
Nós, como brasileiros, temos a ideia de que primavera é a estação das flores e do frio que já passou. Aqui no oriente, não. A primavera é o fim do período MAIS frio do ano, dezembro e janeiro. Dá uma olhadinha na wikipedia que eles explicam melhor os diferentes pontos de vista: http://en.wikipedia.org/wiki/Spring_(season)
No Brasil, consideramos que a primavera começa a partir do equinócio vernal, ou, equinócio da primavera, que, astronomicamente é a metade da primavera em si, por aqui, começam a contar desde o começo, isto é, um mês e meio antes.
Isso causa muito furor entre os brasileiros reclamões que não gostam de frio (e que, daqui a quase cinco meses, estarão reclamando do mormaço e do calor...).
Para completar, ontem começou o 꽃샘추위, literalmente, "frio da florada". O frio "atrasado" que chega com a época em que as plantas começam a florescer. A impressão de frio atrasado é porque nas semanas passadas a temperatura se manteve estável acima de zero, chegando alguns dias a até 18°C em Suwon como frisou o Henrique.
No entanto, o "frio da florada" chegou e hoje, quando acordei de manhãzinha, estava tudo branquinho e coberto de neve. Agora, a criançada está lá fora brincando de fazer bonecos de neve e eu estou pensando na hora que eu voltar pra casa e descer o morro escorregando na neve que está derretendo agora e que virará gelo à noite depois de recongelar.
Apesar de todos esses pesares, pra mim, ainda é melhor este friozinho do que o calor insuportável que chegará daqui a a cinco meses...

Um abraço pra quem ainda lê este blog que está perecendo devido à falta de tempo do blogueiro...

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